REVISÃO DE VALORES PARA OS MOMENTOS DE CRISE PROFUNDA de Felipe Barenco
Uma mulher perdida entre muitas folhas. Está bastante concentrada no que faz, lendo e relendo os papéis, fazendo anotações, riscando uns itens, acrescentando outros... Ignora solenemente a platéia no início, mas aos poucos percebe que está sendo observada. Vai ganhando intimidade com o público até tratá-los com a mais profunda cumplicidade.
(Lendo as anotações) "Medo de sapo"... claro. "Pânico de mariposa"... com certeza. "Horror de barata"... não, terror de barata. Ai, só de pensar me dá nervoso. O que será que é maior: pavor, terror ou horror? Eu nunca vi uma língua pra ter tanto sinônimo. (Risca e corrige) Pavor, “pavor de barata como nunca antes”. (Fala com o público) Eu tô fazendo uma lista... peraí. (Risca o último item) Essa aqui eu fechei... (Público) Eu tô fazendo uma lista que funciona como uma espécie de terapia, que eu mesma batizei de “Revisão de valores para os momentos de crise profunda”. Aconselho todo mundo fazer uma vez na vida, é bem simples, não dá trabalho nenhum. Você pega várias folhas em branco e uma caneta... Mas tem que ser caneta, não pode ser lápis. Depois eu explico porquê.
Quer dizer, antes de falar dessa lista, preciso contar como eu cheguei nela. Ah, e se alguém tem problema com auto-ajuda pode ir embora, ninguém é obrigado a ficar. Meu ex-marido falou que "tem um provérbio chinês que diz que tudo que você acumula na vida não pode passar da sua altura e da sua largura". Meu ex-marido era alto e gordo. Ex-jogador de basquete e atual rei-momo. E colecionador de provérbios chineses. Enfim... Tô falando isso porque como uma boa mulher contemporânea... Reparem nas sutilezas do meu discurso, que "mulher boa" é mulher gostosa, "boa mulher" é dona de casa. Eu, que outrora já fui uma mulher boa, hoje intitulada boa mulher, resolvi fazer um inventário para mim mesma. Deixar aí o meu testemunho, o meu testamento, o meu atestado de burrice pra porra da humanidade - e então reparem novamente na sutileza do meu discurso_ que humanidade aqui é meu pai, minha mãe, meu ex-marido, meu amante, porque admito, eu tive amante sim e quem é que não teve? Admito sim, ué, não vamos ser hipócritas - humanidade aqui inclui até você Lili! Lili é minha pincher.
Vocês me desculpem o egoísmo, mas eu acho importante esclarecer, porque sempre tem o espertinho que depois vem apontar o dedo na tua cara: “Você falou isso”, “Você falou aquilo”, “Você está querendo dizer que...”. Não só estou querendo, como afirmo: humanidade PRA MIM é todo o universo de pessoas que ME rodeiam. Ok? Acabei de criar esse conceito de "Humanidade particular", que é uma espécie de bolha. Pra ninguém depois dizer que eu tô sendo injusta. Porque a minha vontade mesmo, nessa altura do campeonato, era mandar todo mundo tomar no cu sem critério. Mas não... eu mais uma vez tô tentando ser justa.
(Pega uma folha em branco e uma caneta) Vamos à lista... (Não consegue se concentrar. Precisa falar) Tô puta já. (De má vontade) Também não vou ficar explicando mais de uma vez não, presta atenção que eu não vou repetir. "Ai, eu não entendi... não entendi". Não entendeu, foda-se! Que eu não tô aqui pra ser babá de ninguém. (Ignora o público e volta a fazer as listas. Come um pedaço de chocolate com ansiedade e curiosidade. Come com prazer. Surpresa) Até que hoje em dia eu gosto de chocolate meio amargo! Deve ser porque eu me tornei uma mulher meio-amarga também. (Público) Quando eu era mais nova eu odiava chocolate meio amargo, mas como era mais barato e minha mãe fazia ovo de páscoa em casa - ai, que trauma ganhar ovo caseiro! Todas as minhas amigas ganhavam uns ovos lindos, enormes, uns embrulhos tão chiques... Ovo de marca! (Brilho nos olhos) E de chocolate branco! (Água na boca feito criança) Ovo de marca de chocolate branco! (Público) A inveja é branca também, tá? (Criança) Ovo de marca de chocolate branco! Huuuum, que delícia! (Voltando à realidade) E eu com um ovo caseiro esfarelento de chocolate meio-amargo. Que merda, hein... Vocês me dão licença, eu vou abrir uns parênteses, eu lembrei de um negócio que vai fazer todo sentido depois. Eu sou geminiana, então eu tenho o péssimo hábito de ir pegando atalhos no que eu tô falando e me perder no assunto e não conseguir voltar depois. Eu tô falando uma coisa com vocês, mas já tô ansiosa pra falar o outro assunto que veio na minha cabeça... porque o próximo assunto sempre parece mais interessante e então eu não concluo nada que eu tô dizendo. Enfim, não esqueci da tal lista, mas antes eu vou abrir parênteses... não, parênteses não é aspas, porque aspas eu acho cafona. Meu ex-marido faz aquela coisa brega de ilustrar aspas com os dedinhos (Ilustra aspas com os dedinhos) Fulana ficou "rica", né. Péssimo.
(Muda de idéia) Deixa pra lá, depois eu abro parênteses. (Pega a folha e caneta) Tá com a folhinha em branco, a caneta... não pode ser lápis, já falei. Você vai fazer uma lista de todas as coisas... (Interrompe novamente) Antes, só pra não perder, senão depois eu esqueço, vocês estão me olhando aqui bonitinha, arrumadinha, gostosinha, mas eu acabei de sair de uma depressão cavernosa... e então reparem na estranheza do meu discurso, depressão cavernosa não é qualquer depressão, é uma espécie de coma mental, um infarte da auto-estima, um câncer na alegria de viver. Amelie Poulain de cu é rola! Hahaha! É minha gente, eu só vim a falar com 7 anos de idade, minha família tava toda preocupada, "que essa menina não fala, será que o gato comeu a língua dela?" A humanidade perguntando. Pior que o gato, o Nestor, comeu minha língua mesmo quando eu tinha 2 anos... Eu era um bebê chorão, chorão, chorão... Era um sinal do mar de lágrimas que ia ser minha vida. Eu chorava tanto, dois anos sem parar, o Nestor, o gato, ficou puto e pulou dentro do berço e nhack! Hahaha! Comeu minha língua! (Vai do choro de bebê a uma crise de riso incontrolável) Vocês tão rindo... (Põe a língua pra fora) Ó, meu primeiro trauma. Mas como eu tava falando... o gato comeu minha língua e fiquei 7 anos muda, não é cega porque geminiano é observador, muda... Mudinha da Silva! Até o dia que eu resolvi abrir a boca pra falar pra humanidade tudo que eu pensava:
"A senhora é uma escrota, que eu nunca pedi pra ter nascido. (Berra com a cachorra) Quieta, Lili! (Retoma) Se eu soubesse que a humanidade era assim, não tinha nem vindo. Mas não, não... assim como a minha tia, senhora sua irmã, vocês duas são todas umas egoístas que jogam uma infância no lixo por causa de uma gozada. (Berra) Lili! (Retoma) Vocês são muito irresponsáveis, porque o mundo é uma bosta e vocês fizeram questão de me trazer pra esse inferno! E não adianta... o quê? O que é, hein! Não vem com esse papinho de inveja branca, não, porque inveja é inveja. Ponto final. (Berra) Cala a boca, Lili! (Esgotada) Pai, eu vou matar essa cachorra, manda ela parar de latir. Lili! Sua pincher escrota, não tem utilidade nenhuma, só come e caga, come e caga, come e caga! Eu tô cagando pra vocês... e não vem com proverbiozinho chinês não, porque se você quer saber, eu te traí com o chinês dono da pastelaria... É... éeeeeeeeeee... tá chocado? Hein! Fui lá e dei pra ele! Não tinha como pagar o pastel e o caldo de cana, eu dei! Foi ótimo! E eu pego quantos atalhos eu quiser, porque isso aqui não é vida, não! Isso aqui é uma rua sem saída! E enfia esse ovo de páscoa meio-amargo no cu! Pode me acusar de racista, mas eu prefiro sim, eu prefiro chocolate branco!"
(Um poço de calma e doçura) Foi isso que eu falei pra humanidade. Também meu povo, uma geminiana que fica 7 anos sem falar, quando abre a boca dá nisso. (Consigo) Onde eu tava mesmo? Sapo, barata, provérbio, testamento, humanidade, geminiana, ovo de páscoa, depressão cavernosa, Nestor... ah, a lista! (Público) Papel e caneta em punhos. Cada uma faz uma lista de todas as coisas que acredita gostar e não gostar na vida. (Consigo) Será que eu ainda tenho medo de altura? (Anota no papel) Tenho... (Público) Não sei, eu fiquei com impressão que eu passei a gostar de um monte de coisa que eu odiava... e amar outras tantas que eu enchia a boca pra dizer "Eu, de jeito nenhum!" (Lê) "Amo Backstreet Boys..." Nossa, definitivamente não. "Paulinha é minha melhor amiga." É... não, não, hoje em dia ela nem fala comigo direito! Falsa. (Platéia) Me apaguei a umas coisas do passado e não percebi que eu mudei. Minha personalidade ficou prisioneira dos meus próprios gostos. (Listas) "Eu odeio Mc Donalds". Mentira, eu amo... por mim comia lá todo dia. "Adoro Los Hermanos", Adoro não, hoje em dia eu gosto. "Odeio camarão", sim... "Odeio jiló"... é, até que hoje em dia eu como...
(A mulher distrai-se com as listas. Ignora a platéia aos poucos até perder-se em si mesma novamente, como no início da cena)
FIM
(Lendo as anotações) "Medo de sapo"... claro. "Pânico de mariposa"... com certeza. "Horror de barata"... não, terror de barata. Ai, só de pensar me dá nervoso. O que será que é maior: pavor, terror ou horror? Eu nunca vi uma língua pra ter tanto sinônimo. (Risca e corrige) Pavor, “pavor de barata como nunca antes”. (Fala com o público) Eu tô fazendo uma lista... peraí. (Risca o último item) Essa aqui eu fechei... (Público) Eu tô fazendo uma lista que funciona como uma espécie de terapia, que eu mesma batizei de “Revisão de valores para os momentos de crise profunda”. Aconselho todo mundo fazer uma vez na vida, é bem simples, não dá trabalho nenhum. Você pega várias folhas em branco e uma caneta... Mas tem que ser caneta, não pode ser lápis. Depois eu explico porquê.
Quer dizer, antes de falar dessa lista, preciso contar como eu cheguei nela. Ah, e se alguém tem problema com auto-ajuda pode ir embora, ninguém é obrigado a ficar. Meu ex-marido falou que "tem um provérbio chinês que diz que tudo que você acumula na vida não pode passar da sua altura e da sua largura". Meu ex-marido era alto e gordo. Ex-jogador de basquete e atual rei-momo. E colecionador de provérbios chineses. Enfim... Tô falando isso porque como uma boa mulher contemporânea... Reparem nas sutilezas do meu discurso, que "mulher boa" é mulher gostosa, "boa mulher" é dona de casa. Eu, que outrora já fui uma mulher boa, hoje intitulada boa mulher, resolvi fazer um inventário para mim mesma. Deixar aí o meu testemunho, o meu testamento, o meu atestado de burrice pra porra da humanidade - e então reparem novamente na sutileza do meu discurso_ que humanidade aqui é meu pai, minha mãe, meu ex-marido, meu amante, porque admito, eu tive amante sim e quem é que não teve? Admito sim, ué, não vamos ser hipócritas - humanidade aqui inclui até você Lili! Lili é minha pincher.
Vocês me desculpem o egoísmo, mas eu acho importante esclarecer, porque sempre tem o espertinho que depois vem apontar o dedo na tua cara: “Você falou isso”, “Você falou aquilo”, “Você está querendo dizer que...”. Não só estou querendo, como afirmo: humanidade PRA MIM é todo o universo de pessoas que ME rodeiam. Ok? Acabei de criar esse conceito de "Humanidade particular", que é uma espécie de bolha. Pra ninguém depois dizer que eu tô sendo injusta. Porque a minha vontade mesmo, nessa altura do campeonato, era mandar todo mundo tomar no cu sem critério. Mas não... eu mais uma vez tô tentando ser justa.
(Pega uma folha em branco e uma caneta) Vamos à lista... (Não consegue se concentrar. Precisa falar) Tô puta já. (De má vontade) Também não vou ficar explicando mais de uma vez não, presta atenção que eu não vou repetir. "Ai, eu não entendi... não entendi". Não entendeu, foda-se! Que eu não tô aqui pra ser babá de ninguém. (Ignora o público e volta a fazer as listas. Come um pedaço de chocolate com ansiedade e curiosidade. Come com prazer. Surpresa) Até que hoje em dia eu gosto de chocolate meio amargo! Deve ser porque eu me tornei uma mulher meio-amarga também. (Público) Quando eu era mais nova eu odiava chocolate meio amargo, mas como era mais barato e minha mãe fazia ovo de páscoa em casa - ai, que trauma ganhar ovo caseiro! Todas as minhas amigas ganhavam uns ovos lindos, enormes, uns embrulhos tão chiques... Ovo de marca! (Brilho nos olhos) E de chocolate branco! (Água na boca feito criança) Ovo de marca de chocolate branco! (Público) A inveja é branca também, tá? (Criança) Ovo de marca de chocolate branco! Huuuum, que delícia! (Voltando à realidade) E eu com um ovo caseiro esfarelento de chocolate meio-amargo. Que merda, hein... Vocês me dão licença, eu vou abrir uns parênteses, eu lembrei de um negócio que vai fazer todo sentido depois. Eu sou geminiana, então eu tenho o péssimo hábito de ir pegando atalhos no que eu tô falando e me perder no assunto e não conseguir voltar depois. Eu tô falando uma coisa com vocês, mas já tô ansiosa pra falar o outro assunto que veio na minha cabeça... porque o próximo assunto sempre parece mais interessante e então eu não concluo nada que eu tô dizendo. Enfim, não esqueci da tal lista, mas antes eu vou abrir parênteses... não, parênteses não é aspas, porque aspas eu acho cafona. Meu ex-marido faz aquela coisa brega de ilustrar aspas com os dedinhos (Ilustra aspas com os dedinhos) Fulana ficou "rica", né. Péssimo.
(Muda de idéia) Deixa pra lá, depois eu abro parênteses. (Pega a folha e caneta) Tá com a folhinha em branco, a caneta... não pode ser lápis, já falei. Você vai fazer uma lista de todas as coisas... (Interrompe novamente) Antes, só pra não perder, senão depois eu esqueço, vocês estão me olhando aqui bonitinha, arrumadinha, gostosinha, mas eu acabei de sair de uma depressão cavernosa... e então reparem na estranheza do meu discurso, depressão cavernosa não é qualquer depressão, é uma espécie de coma mental, um infarte da auto-estima, um câncer na alegria de viver. Amelie Poulain de cu é rola! Hahaha! É minha gente, eu só vim a falar com 7 anos de idade, minha família tava toda preocupada, "que essa menina não fala, será que o gato comeu a língua dela?" A humanidade perguntando. Pior que o gato, o Nestor, comeu minha língua mesmo quando eu tinha 2 anos... Eu era um bebê chorão, chorão, chorão... Era um sinal do mar de lágrimas que ia ser minha vida. Eu chorava tanto, dois anos sem parar, o Nestor, o gato, ficou puto e pulou dentro do berço e nhack! Hahaha! Comeu minha língua! (Vai do choro de bebê a uma crise de riso incontrolável) Vocês tão rindo... (Põe a língua pra fora) Ó, meu primeiro trauma. Mas como eu tava falando... o gato comeu minha língua e fiquei 7 anos muda, não é cega porque geminiano é observador, muda... Mudinha da Silva! Até o dia que eu resolvi abrir a boca pra falar pra humanidade tudo que eu pensava:
"A senhora é uma escrota, que eu nunca pedi pra ter nascido. (Berra com a cachorra) Quieta, Lili! (Retoma) Se eu soubesse que a humanidade era assim, não tinha nem vindo. Mas não, não... assim como a minha tia, senhora sua irmã, vocês duas são todas umas egoístas que jogam uma infância no lixo por causa de uma gozada. (Berra) Lili! (Retoma) Vocês são muito irresponsáveis, porque o mundo é uma bosta e vocês fizeram questão de me trazer pra esse inferno! E não adianta... o quê? O que é, hein! Não vem com esse papinho de inveja branca, não, porque inveja é inveja. Ponto final. (Berra) Cala a boca, Lili! (Esgotada) Pai, eu vou matar essa cachorra, manda ela parar de latir. Lili! Sua pincher escrota, não tem utilidade nenhuma, só come e caga, come e caga, come e caga! Eu tô cagando pra vocês... e não vem com proverbiozinho chinês não, porque se você quer saber, eu te traí com o chinês dono da pastelaria... É... éeeeeeeeeee... tá chocado? Hein! Fui lá e dei pra ele! Não tinha como pagar o pastel e o caldo de cana, eu dei! Foi ótimo! E eu pego quantos atalhos eu quiser, porque isso aqui não é vida, não! Isso aqui é uma rua sem saída! E enfia esse ovo de páscoa meio-amargo no cu! Pode me acusar de racista, mas eu prefiro sim, eu prefiro chocolate branco!"
(Um poço de calma e doçura) Foi isso que eu falei pra humanidade. Também meu povo, uma geminiana que fica 7 anos sem falar, quando abre a boca dá nisso. (Consigo) Onde eu tava mesmo? Sapo, barata, provérbio, testamento, humanidade, geminiana, ovo de páscoa, depressão cavernosa, Nestor... ah, a lista! (Público) Papel e caneta em punhos. Cada uma faz uma lista de todas as coisas que acredita gostar e não gostar na vida. (Consigo) Será que eu ainda tenho medo de altura? (Anota no papel) Tenho... (Público) Não sei, eu fiquei com impressão que eu passei a gostar de um monte de coisa que eu odiava... e amar outras tantas que eu enchia a boca pra dizer "Eu, de jeito nenhum!" (Lê) "Amo Backstreet Boys..." Nossa, definitivamente não. "Paulinha é minha melhor amiga." É... não, não, hoje em dia ela nem fala comigo direito! Falsa. (Platéia) Me apaguei a umas coisas do passado e não percebi que eu mudei. Minha personalidade ficou prisioneira dos meus próprios gostos. (Listas) "Eu odeio Mc Donalds". Mentira, eu amo... por mim comia lá todo dia. "Adoro Los Hermanos", Adoro não, hoje em dia eu gosto. "Odeio camarão", sim... "Odeio jiló"... é, até que hoje em dia eu como...
(A mulher distrai-se com as listas. Ignora a platéia aos poucos até perder-se em si mesma novamente, como no início da cena)
FIM
(Público) Ah, eu esqueci de falar... O lance da caneta, que eu falei que não pode ser lápis. É fofo, tipo Hello Kid. O que você escreve com lápis pode apagar, caneta não. Mesmo que risque, tá ali, um borrão, uma rasura, um risco na folha em branco pra você não esquecer. Pro resto da sua vida.
*Dedicado a atriz Camila Nhary.















