UMA CONVERSA FRANCA de Jô Bilac
(no tempo de um ou dois cigarros)
Kid Bauhaus: Por que você não escreve mais sobre mim?
Jô Bilac: Você tem cinco esquetes, acho que já é suficiente. Dá pra montar uma peça com esse material.
Kid Bauhaus: Não quero uma peça. Acho vulgar peça de esquetes. Vulgaríssimo.
Jô Bilac: Não concordo...
Kid Bauhaus: Não fuja do assunto.
JO BIlac: E qual é o assunto?
Kid Bauhaus: Sua falta de interesse por mim. Por que? Eu sou ótima.
Jô BIlac: Eu sei disse. Eu escrevi você, inclusive.
Kid Bauhaus: Pois é. Mas eu não entendo... Tem tanta coisa que eu ainda quero fazer... Várias.
Jô Bilac: E o que você quer?
Kid Bauhaus: Ficar rica. Você sempre me escreve pobre, numa enrascada constrangedora.
Jô Bilac: E você acha mesmo que ficar rica é a saída...?
Kid Bauhaus: Escuta. Não sou essa vaca gananciosa que você pinta. Gosto de conforto. Mas quem não gosta? Mas também não gosto de trabalhar. E quem gosta? Me coloca num cruzeiro, ao lado de um moreno com olhos verdes, bebendo drinques azuis. Isso você não faz...
Jô BIlac: Ninguém está interessado em drinques azuis, Kid.
Kid Bauhaus: E no que estão interessados? Nesses seus últimos textos bunda que tem escrito?
Jô BIlac: Você não gostou?
Kid Bauhaus: Achei péssimo. Forçou a barra total. Que é isso Jô Bilac? Uma história que se passa no carnaval, uma pobreza de diálogo! E aquela outra com fotos de lixo? O que era aquilo? Eu não entendi... Você está cada vez mais dificil de ser entendido. Virou intelectual contemporâneo, é?
Jô BIlac: Você sabe que não. Tudo é só pretexto pra falar de amor.
Kid Bauhaus: Tá carente?
Jô BIlac: (risos) Não é esse o caso... Acredito no amor como força transformadora. O amor é uma fonte inesgotável de criação. O desamor também, pois na verdade não é falta de amor, é amor coagulado.
Kid Bauhaus: Amor coagulado? É assim mesmo que se escreve? Aff
Jô BIlac: Você também acredita no amor.Você traduz o amor numa forma debochada e irônica, mas sem perder o charme, que julgo ser fundamental hoje em dia.
Kid Bauhaus: E o que mais é fundamental hoje em dia?
Jô BIlac: (tragada longa no cigarro) Uma série de coisas... mas as pessoas não estão interessadas nisso, então duvido que sejam realmente fundamentais. Ou se são, são para quem? E pra ser franco, não me interessa também ficar aqui exemplificando o que eu julgo como fundamental ou não. Isso não me interessa. Em absoluto.
Kid Bauhaus: E o que te interessa?
Jô Bilac: O comportamento humano e suas manifestações possíveis.
Kid Bauhaus: Você é tão... Como se diz quando a pessoa não responde nada com muita objetividade?
Jô BIlac: Prolixo?
Kid Bauhuas: Pode ser...Mas não sei se é exatamente essa a palavra... Mas mesmo "Prolixo" , gosto de você.
Jô BIlac: Que bom. Eu também gosto de você.
Kid Bauhaus: Mentirosinho! Se gosta mesmo por que não me escreve mais?
Jô Bilac: Quero ser sincero com minha escrita. Estou cada vez mais nessa busca. Escrever o que realmente quero escrever. A escrita deve vir em mim como uma necessidade e não o contrário...
Kid Bauhaus: Objetive, temos um tempo curto.
Jô BIlac: Como eu estava dizendo, você faz parte disso. Tudo faz parte disso. Mesmo com uma encomenda de texto, ou com o compromisso de escrever toda semana aqui no site, nada é frutífero se não há amor. Desejo de. Vontade de. Não posso me condenar a isso. Sou bem jovem e acredito muito na sinceridade das relações entre as coisas. Isso tudo é só pra te dizer que não posso escrever sobre você, se não tenho vontade, ou algo realmente importante pra dizer. Importante pra mim , ao menos.
Kid Bauhaus: Você está virando intelectual...
Jô Bilac: Pelo contrário. Estou me libertando do compromisso com a genialidade e intelectualidades possíveis. isso é muito cansativo e está longe da minha realidade. Não quero dividir águas. Pretendo pagar meu aluguel com meu trabalho e enfim, realizar meus materialismos viabilizados por isso.
Kid Bauhaus: (risos) Eu também quero realizar meus materialismos. ( acende outro cigarro) Você acabou de fazer aniversário, um novo ano se inicia. O que espera disso?
Jô Bilac: Em que sentido?
Kid Bauhaus: No sentido em que julgar ser coerente com a minha pergunta.
Jô Bilac: (reflete)
Kid Bauhaus: Poderia parar de fumar... É uma boa coisa pra se esperar.
Jô Bilac: (reflete)
Kid Bauhaus: Eu estou louca pra parar de fumar...
Jô Bilac: Eu não sei exatamente o que esperar. Mas acredito na leveza como solução das problematizações humanas. Doçura e elegância também. E humor. Taí: espero rir ainda mais nesse novo ano.
Kid Bauhaus: Minhas histórias são ótimas pra isso.
Jô Bilac: Eu sei.
Kid Bauhaus: Então, em outras palavras você quer dizer que nesse novo ano vai escrever mais sobre mim.
Jô BIlac: Hum....... Sim, de certa forma.
Kid Bauhaus: Da forma certa.
Jô Bilac: Você é muito eloquente.
Kid Bauhaus: E você é muito escorregadio. Fale-me mais do misterioso Jô Bilac.
Jô BIlac: Não tem muito mais o que falar. Não tem mistério. Talvez um pouco de timidez com o público no geral, mas aí, escrevo personagens como você: que falam tudo por mim. Existe uma grande exposição nesse caso. Kid Bauhaus é muito mais interessante que Jô Bilac.
Kid Bauhaus: Jô Bilac é nome de estrela.
Jô Bilac: Já me disseram isso.
KId Bauhaus: Você se considera uma estrela?
Jô Bilac: Todos nós somos, acredito. Mas não nesse sentido pejorativo que imprime essa expressão. Estrela é uma palavra linda, mas que se esgota em si, quando vazia de sentido real. Me considero trabalhador e pra mim isso é mais concreto.
Kid Bauhaus: Por que isso tudo?
Jô Bilac: Se refere a entrevista?
Kid Bauhaus: É.
Jô Bilac: Não sei... Pra responder as perguntas que me fazem com certa frequência... refletir publicamente... Ou porque não pensei em nada, estou viajando e escrevo isso no computador dos outros... Não consegui pensar em nada melhor... Talvez seja esse o sentido. Mas você busca isso?
Kid Bauhaus: Sentido nas coisas?
Jô BIlac: Sim.
Kid Bauhaus: (reflete) Hum.........ás vezes ...cada caso é um caso. Vamos terminando por aqui? Já está longo.
Jô Bilac: É. Minha amiga já está uma fera, pois ela quer almoçar e vamos _ quem sabe_ conhecer um templo aqui no Sul.
Kid bauhaus: Legal. Inspire-se. É tudo o que posso lhe desejar.
Fim.
Kid Bauhaus: Por que você não escreve mais sobre mim?
Jô Bilac: Você tem cinco esquetes, acho que já é suficiente. Dá pra montar uma peça com esse material.
Kid Bauhaus: Não quero uma peça. Acho vulgar peça de esquetes. Vulgaríssimo.
Jô Bilac: Não concordo...
Kid Bauhaus: Não fuja do assunto.
JO BIlac: E qual é o assunto?
Kid Bauhaus: Sua falta de interesse por mim. Por que? Eu sou ótima.
Jô BIlac: Eu sei disse. Eu escrevi você, inclusive.
Kid Bauhaus: Pois é. Mas eu não entendo... Tem tanta coisa que eu ainda quero fazer... Várias.
Jô Bilac: E o que você quer?
Kid Bauhaus: Ficar rica. Você sempre me escreve pobre, numa enrascada constrangedora.
Jô Bilac: E você acha mesmo que ficar rica é a saída...?
Kid Bauhaus: Escuta. Não sou essa vaca gananciosa que você pinta. Gosto de conforto. Mas quem não gosta? Mas também não gosto de trabalhar. E quem gosta? Me coloca num cruzeiro, ao lado de um moreno com olhos verdes, bebendo drinques azuis. Isso você não faz...
Jô BIlac: Ninguém está interessado em drinques azuis, Kid.
Kid Bauhaus: E no que estão interessados? Nesses seus últimos textos bunda que tem escrito?
Jô BIlac: Você não gostou?
Kid Bauhaus: Achei péssimo. Forçou a barra total. Que é isso Jô Bilac? Uma história que se passa no carnaval, uma pobreza de diálogo! E aquela outra com fotos de lixo? O que era aquilo? Eu não entendi... Você está cada vez mais dificil de ser entendido. Virou intelectual contemporâneo, é?
Jô BIlac: Você sabe que não. Tudo é só pretexto pra falar de amor.
Kid Bauhaus: Tá carente?
Jô BIlac: (risos) Não é esse o caso... Acredito no amor como força transformadora. O amor é uma fonte inesgotável de criação. O desamor também, pois na verdade não é falta de amor, é amor coagulado.
Kid Bauhaus: Amor coagulado? É assim mesmo que se escreve? Aff
Jô BIlac: Você também acredita no amor.Você traduz o amor numa forma debochada e irônica, mas sem perder o charme, que julgo ser fundamental hoje em dia.
Kid Bauhaus: E o que mais é fundamental hoje em dia?
Jô BIlac: (tragada longa no cigarro) Uma série de coisas... mas as pessoas não estão interessadas nisso, então duvido que sejam realmente fundamentais. Ou se são, são para quem? E pra ser franco, não me interessa também ficar aqui exemplificando o que eu julgo como fundamental ou não. Isso não me interessa. Em absoluto.
Kid Bauhaus: E o que te interessa?
Jô Bilac: O comportamento humano e suas manifestações possíveis.
Kid Bauhaus: Você é tão... Como se diz quando a pessoa não responde nada com muita objetividade?
Jô BIlac: Prolixo?
Kid Bauhuas: Pode ser...Mas não sei se é exatamente essa a palavra... Mas mesmo "Prolixo" , gosto de você.
Jô BIlac: Que bom. Eu também gosto de você.
Kid Bauhaus: Mentirosinho! Se gosta mesmo por que não me escreve mais?
Jô Bilac: Quero ser sincero com minha escrita. Estou cada vez mais nessa busca. Escrever o que realmente quero escrever. A escrita deve vir em mim como uma necessidade e não o contrário...
Kid Bauhaus: Objetive, temos um tempo curto.
Jô BIlac: Como eu estava dizendo, você faz parte disso. Tudo faz parte disso. Mesmo com uma encomenda de texto, ou com o compromisso de escrever toda semana aqui no site, nada é frutífero se não há amor. Desejo de. Vontade de. Não posso me condenar a isso. Sou bem jovem e acredito muito na sinceridade das relações entre as coisas. Isso tudo é só pra te dizer que não posso escrever sobre você, se não tenho vontade, ou algo realmente importante pra dizer. Importante pra mim , ao menos.
Kid Bauhaus: Você está virando intelectual...
Jô Bilac: Pelo contrário. Estou me libertando do compromisso com a genialidade e intelectualidades possíveis. isso é muito cansativo e está longe da minha realidade. Não quero dividir águas. Pretendo pagar meu aluguel com meu trabalho e enfim, realizar meus materialismos viabilizados por isso.
Kid Bauhaus: (risos) Eu também quero realizar meus materialismos. ( acende outro cigarro) Você acabou de fazer aniversário, um novo ano se inicia. O que espera disso?
Jô Bilac: Em que sentido?
Kid Bauhaus: No sentido em que julgar ser coerente com a minha pergunta.
Jô Bilac: (reflete)
Kid Bauhaus: Poderia parar de fumar... É uma boa coisa pra se esperar.
Jô Bilac: (reflete)
Kid Bauhaus: Eu estou louca pra parar de fumar...
Jô Bilac: Eu não sei exatamente o que esperar. Mas acredito na leveza como solução das problematizações humanas. Doçura e elegância também. E humor. Taí: espero rir ainda mais nesse novo ano.
Kid Bauhaus: Minhas histórias são ótimas pra isso.
Jô Bilac: Eu sei.
Kid Bauhaus: Então, em outras palavras você quer dizer que nesse novo ano vai escrever mais sobre mim.
Jô BIlac: Hum....... Sim, de certa forma.
Kid Bauhaus: Da forma certa.
Jô Bilac: Você é muito eloquente.
Kid Bauhaus: E você é muito escorregadio. Fale-me mais do misterioso Jô Bilac.
Jô BIlac: Não tem muito mais o que falar. Não tem mistério. Talvez um pouco de timidez com o público no geral, mas aí, escrevo personagens como você: que falam tudo por mim. Existe uma grande exposição nesse caso. Kid Bauhaus é muito mais interessante que Jô Bilac.
Kid Bauhaus: Jô Bilac é nome de estrela.
Jô Bilac: Já me disseram isso.
KId Bauhaus: Você se considera uma estrela?
Jô Bilac: Todos nós somos, acredito. Mas não nesse sentido pejorativo que imprime essa expressão. Estrela é uma palavra linda, mas que se esgota em si, quando vazia de sentido real. Me considero trabalhador e pra mim isso é mais concreto.
Kid Bauhaus: Por que isso tudo?
Jô Bilac: Se refere a entrevista?
Kid Bauhaus: É.
Jô Bilac: Não sei... Pra responder as perguntas que me fazem com certa frequência... refletir publicamente... Ou porque não pensei em nada, estou viajando e escrevo isso no computador dos outros... Não consegui pensar em nada melhor... Talvez seja esse o sentido. Mas você busca isso?
Kid Bauhaus: Sentido nas coisas?
Jô BIlac: Sim.
Kid Bauhaus: (reflete) Hum.........ás vezes ...cada caso é um caso. Vamos terminando por aqui? Já está longo.
Jô Bilac: É. Minha amiga já está uma fera, pois ela quer almoçar e vamos _ quem sabe_ conhecer um templo aqui no Sul.
Kid bauhaus: Legal. Inspire-se. É tudo o que posso lhe desejar.
Fim.















