Cristal
Cena 1: Noite. Restaurante de luxo. Clima romântico.
Silvia: Eu estou contando os dias, meu amor…
Eduardo: Você é tudo o que eu sempre quis.
Silvia: Às vezes eu acho que estou vivendo um sonho, Eduardo.
Eduardo: Não, não é sonho. Daqui a uma semana estaremos casados…
Silvia: Daqui a uma semana estaremos em Paris, onde tudo começou.
Eduardo: Em lua de mel…
Silvia: Nossa lua de mel vai durar para sempre. Eu vou te fazer muito feliz. Eu prometo.
Eduardo: Eu já sou feliz, Silvia. Você me faz o homem mais feliz do mundo.
(Beijam-se apaixonadamente)
Cena 2 – Escritório
Homem: Tem certeza de que é isso que você quer?
Mulher: Absoluta.
Homem: Não quer pensar mais um pouco?
Mulher: Já tomei minha decisão.
Homem: Você não acha que esta sendo muito dura?
Mulher: Vai amolecer agora?
Homem: A última cena dela…
Mulher: Ela vai ter o que merece.
Homem: Podia ter um derrame cerebral, sofrer um acidente, ficar numa cadeira de rodas, sei lá, ficar pobre…
Mulher: Eu quero que ela morra!
Homem: Só ela? Ninguém mais vai morrer no terremoto?
Mulher: O maitre do restaurante.
Homem: Você é que manda.
Mulher: Eu quero me livrar o quanto antes dessa infeliz. Não agüento mais os ataques de estrelismo dela. Quem ela pensa que é?
Homem: Eu fico triste porque a personagem não precisava pagar o pato… Eu gosto da Silvia. O Eduardo é apaixonado pela Silvia. Tá na sinopse.
Mulher: Caguei pra sinopse. O Eduardo vai sofrer um pouco, mas eu arranjo uma gostosa, com poucas falas, pra consolar ele. Não dou 03 capítulos pra ele se apaixonar novamente.
Homem: Ela vai subir nas tamancas quando ler. Não quero nem ver…
Mulher: Ela deveria ter pensado antes de se meter comigo.
Homem: Vai ser uma morte horrorosa…
Mulher: Vai ser impactante.
Cena 3 – Cont. da cena 1 / Restaurante. Clima romântico
(Eduardo e Silvia beijam-se apaixonadamente)
Eduardo: Eu te amo.
Silvia: Você é tudo pra mim.
Eduardo: Vamos fazer um brinde.
Silvia: Falta pouco, meu amor. Uma semana.
Eduardo: Uma eternidade. (Eduardo chama o maitre) Por favor…
Maitre: Pois, não.
Eduardo: Mais uma garrafa de champanhe, Durval.
Maitre: Perfeitamente, Sr Eduardo. Querem fazer o pedido agora?
Eduardo: Depois, Durval, depois.
Maitre: Perfeitamente, Sr Eduardo. (Durval, o maitre, sai)
Silvia: Querido, se não se importa, vou ao toillet retocar a maquiagem…
Eduardo: Claro, meu amor. Claro.
(Eduardo observa Silvia que se dirige ao toillet. De repente, um barulho. Mesas começam a tremer. Pratos, copos e talheres vão ao chão. Gritos de pavor são ouvidos. Correria. Há um clima de pânico no restaurante. Tudo é muito rápido. Eduardo só tem tempo de chamar por Silvia).
Eduardo: Silvia! Silvia!
(Silvia vira-se e estende os braços na direção de Eduardo. É, justamente, nessa hora que o lustre principal do restaurante mais chic da cidade despenca e cai bem em cima dela. Durval, o maitre, esta ao lado de Silvia e também é atingido).
Cena 4 – Escritório.
Homem: Morte horrorosa…
Mulher: Vai dar ibope. Aposto que nunca houve uma cena como essa.
Homem: Nunca. Morrer com um lustre na cabeça…
Mulher: De cristal. Lustre de cristal. Coisa fina…
Homem: Não queria que a historia dos dois terminasse assim.
Mulher: Foi uma fatalidade.
Homem: Você é muito má… (eles riem)
Mulher: Só lamento uma coisa.
Homem: O que?
Mulher: Durval, o maitre, ele não merecia uma morte dessas.
Homem: É verdade. O ator é gente boa e estava tão feliz com o personagem.
Mulher: A vida é injusta mesmo. Fazer o quê?
Homem: (rindo) Terremoto? No Rio de janeiro? Que cara de pau!
Mulher: Foi uma fatalidade. Pra tudo há uma primeira vez… Terremotos acontecem.
Fim.
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