Se matasse
não me esconda nada, doutor.
não pretendo.
pois então? cessse o ssilêncio!
dona Zica, a senhora está cuspindo um pouco.
perdão.
bem… os exames… como dizer… os exames…
sem rodeios, doutor! esfregue logo na minha cara a droga da sentença!
não há nada de errado.
oi?
a senhora goza da mais perfeita saúde.
mas….?
seu colesterol não podia estar melhor.
não entendo.
o ácido úrico está perfeito.
impossível!
não há vírus, bactéria ou bacilo…
quem está gozando aqui é o senhor!
não se exalte.
é piada! só pode!
nem lombriga a senhora tem.
da Tênia eu Tenho cerTeza! ninguém me Tira essa Tênia!
senhora, abaixa o Tom.
o doutor é cego, por acaso?
astigmatismo. a senhora, nem isso.
limpa os óculos direito! olha bem para mim!
estou vendo.
meus cachos ruivos grosseiros
caem até meus tornozelos
formando ninhos espessos
me marcando onde passo, o traseiro.
a careca não fica tão mal.
a pele desgruda dos ossos
na carne, diversas feridas
meus olhos são duas pepitas
de tão amarelas nas bordas
dourado é uma cor que ilumina.
a morte está próxima. eu sinto.
meu coração se extinguindo.
preciso ser muito sincera
em meu último suspiro…
senhora?! dona Zica?! enfermeira!!! enfermeira!!!
(mente) não me arrependo de nada…
(ela morre)
+ +
—–

Segunda-feira
Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
Sábado
Domingo