<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Drama Diário &#187; Julia Spadaccini</title>
	<atom:link href="http://dramadiario.com/author/julia-spadaccini/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://dramadiario.com</link>
	<description>dramaturgia em série...</description>
	<lastBuildDate>Mon, 30 Apr 2012 12:47:35 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.4</generator>
		<item>
		<title>A Beleza da Morte</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/09/a-beleza-da-morte/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/09/a-beleza-da-morte/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 15 Sep 2010 12:28:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.com/?p=1730</guid>
		<description><![CDATA[  Zé Roberto, com uma faca de cozinha nas mãos, corre atrás de Ana Lúcia.  Zé Roberto: Eu vou te mataaaaar!  Ana Lúcia: Para, stop, freeze, autos!  Zé Roberto: Isso não é “pique-esconde”, Ana Lúcia.  Ana Lúcia: Calma, Zé Roberto. Se vou morrer, vamos fazer a coisa direito.  Zé Roberto: Como assim direito? Eu vou <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/09/a-beleza-da-morte/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Zé Roberto, com uma faca de cozinha nas mãos, corre atrás de Ana Lúcia.</p>
<p> Zé Roberto: Eu vou te mataaaaar!</p>
<p> Ana Lúcia: Para, stop, freeze, autos!</p>
<p> Zé Roberto: Isso não é “pique-esconde”, Ana Lúcia.</p>
<p> Ana Lúcia: Calma, Zé Roberto. Se vou morrer, vamos fazer a coisa direito.</p>
<p> Zé Roberto: Como assim direito? Eu vou te matar e pronto! Mulher traidora! Pérfida!</p>
<p> Ana Lúcia: Tudo bem, Zé Roberto, já concordei com você. Mas quero pelo menos morrer com dignidade.</p>
<p> Zé Roberto: Uma mulher indigna que quer morrer com dignidade, essa é boa!</p>
<p> Ana Lúcia: Zé Roberto, lembra que todas as manhãs eu tiro a casca do pão francês pra você?</p>
<p> Zé Roberto: E daí?</p>
<p> Ana Lúcia: E daí que eu também sou boa, não sou?</p>
<p> Zé Roberto: Ana Lúcia, você me traiu sem dó nem piedade, na frente de todo mundo!</p>
<p> Ana Lúcia: Todos os domingos, corto com tesourinha os pelinhos do seu nariz!</p>
<p> Zé Roberto: Ana Lúcia, não muda de assunto! Você é uma safada! Me traiu com meu melhor amigo!</p>
<p> Ana Lúcia: Grande amigo! Dar em cima da sua mulher! Se você parar pra pensar, te traí com o seu pior inimigo, ou seja, fui até bacana&#8230;</p>
<p> Zé Roberto: Não tente inverter as coisas, Ana Lúcia! Eu vou te matar, te degolar!</p>
<p> Ana Lúcia: Olha aí! Olha aí! Você tá falando como se eu fosse uma galinha.</p>
<p> Zé Roberto: Mas você é uma galinha!</p>
<p> Ana Lúcia: Por tudo que a gente viveu, pelas casquinhas do pão francês! Não me mata com uma faca de cozinha! Vou ficar com cheiro de cebola no caixão!</p>
<p> Zé Roberto: Você quer que eu te mate como?</p>
<p> Ana Lúcia: Lembra daquele filme que a gente viu? Aquele que a mocinha morria de falta de ar?</p>
<p> Zé Roberto: Você quer que eu te enforque?</p>
<p> Ana Lúcia: Não Zé! A mocinha morria de nervoso.</p>
<p> Zé Roberto: Nervoso tô eu!</p>
<p> Ana Lúcia: Posso também morrer de tuberculose igual a “Dama das Camélias”, acho lindo!</p>
<p> Zé Roberto: Quem?</p>
<p> Ana Lúcia: A protagonista do livro do Alexandre Dumas!</p>
<p> Zé Roberto: Do que você tá falando???</p>
<p> Ana Lúcia: Tá vendo, não lê nada e aí fica sem imaginação na hora de matar!</p>
<p> Zé Roberto: Ana Lúcia isso vai ser um assassinato passional!</p>
<p> Ana Lúcia: Passional significa que você ainda é apaixonado, ou não?</p>
<p> Zé Roberto: Eu estou apaixonado pela vontade de acabar com a sua vida.</p>
<p> Ana Lúcia: Posso pelo menos escolher as cores do caixão?</p>
<p> Zé Roberto revira os olhos.</p>
<p> Ana Lúcia: Poxa, tenho direito!</p>
<p> Zé Roberto: Você tem o direito de ficar calada!</p>
<p> Ana Lúcia: Olha, já que estarei morta, quero no caixão cores vivas para contrastar! Imagina que lindo, meu rosto branco, pálido, e uma fita laranja na lateral. Ai, até me deu arrepio!</p>
<p>Zé abaixa a faca de cozinha e vai saindo.</p>
<p> Ana Lúcia: Que foi Zé?</p>
<p> Zé Roberto: Cansei, Ana Lúcia, cansei.</p>
<p> Ana Lúcia: Não vai mais me matar?</p>
<p> Zé Roberto: Amanhã.</p>
<p> Ana Lúcia: Ah, não! Agora que eu tava acostumada com a idéia da morte!</p>
<p> Zé Roberto sai.</p>
<p> Ana Lúcia: Droga!</p>
<p> Ana Lúcia olha para a faca de cozinha e a pega.</p>
<p> Ana Lúcia: Ai, sempre eu que tomo a iniciativa na relação!</p>
<p> Ana Lúcia corta seu próprio pescoço e cai sorrindo no chão.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2010/09/a-beleza-da-morte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>E Deus criou…</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/08/e-deus-criou/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/08/e-deus-criou/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 12:08:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[INJUSTIÇA]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.com/?p=1557</guid>
		<description><![CDATA[  Nina conversando com a mãe na cozinha de casa. Mãe de Nina está cortando cebolas. Nina: Mãe. Mãe: O que, filha. Nina: Deus é que escolhe como vai ser cada um? Mãe: Sim, filha. Nina: Então ele fica tipo sentado e desenhando cada um. Mãe: Pode ser&#8230; Nina: E ele pega o lápis colorido <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/08/e-deus-criou/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>Nina conversando com a mãe na cozinha de casa. Mãe de Nina está cortando cebolas.</p>
<p>Nina: Mãe.</p>
<p>Mãe: O que, filha.</p>
<p>Nina: Deus é que escolhe como vai ser cada um?</p>
<p>Mãe: Sim, filha.</p>
<p>Nina: Então ele fica tipo sentado e desenhando cada um.</p>
<p>Mãe: Pode ser&#8230;</p>
<p>Nina: E ele pega o lápis colorido e escolhe as cores, né?</p>
<p>Mãe: É&#8230; também.</p>
<p>Nina: Acho injusto.</p>
<p>Mãe: Como assim, filha?</p>
<p>Nina: Porque vai que ele acorda um dia de mau humor. Aí sai o cabelo da Janete. Mas aí, no dia seguinte, ele acorda feliz, aí sai o cabelo da Marcela.</p>
<p>Mãe: Do que você tá falando, Nina?</p>
<p>Nina: Ah, mãe! Deus acordou num dia de sol, no meio da primavera, depois de criar o arco-íris e resolveu desenhar a Marcela, isso é certo. Já a Janete ele desenhou no dia de São Nunca!</p>
<p>Mãe: Minha filha não fala assim da sua coleguinha.</p>
<p>Nina: Mãe, a Janete é bonita?</p>
<p>Mãe: Todo mundo é bonito em algum lugar.</p>
<p>Nina: Mãe, a Janete não é bonita em lugar nenhum.</p>
<p>Mãe: Alguém deve achar.</p>
<p>Nina: Mãe, a Janete não tem nem a pele da verruga bonita.</p>
<p>Mãe: A Janete tem verruga?</p>
<p>Nina: Tô dizendo que Deus tava resfriado no dia que desenhou ela&#8230;</p>
<p>Mãe: Minha filha, você não pode julgar os outros.</p>
<p>Nina: Por que não?</p>
<p>Mãe: Porque pode ser julgada também.</p>
<p>Nina: Mãe, eu tenho noção do que eu sou.</p>
<p>Mãe: Tá, e como você é?</p>
<p>Nina: Sei que no dia que Deus me desenhou tava com preguiça.</p>
<p>Mãe: Que isso Nina! Você é linda!</p>
<p>Nina: Mãe, não tô dizendo que sou feia, mas linda sei que não sou. Podia ser que Deus tivesse vontade de me desenhar linda, mas faltou o lápis azul e os olhos ficaram castanhos mesmo. Faltou o lápis branco e ele me coloriu com pintinhas, faltou a borracha e ele consertou meu nariz sem apagar o ossinho do meio.</p>
<p>Mãe: Ai, Nina.. só você&#8230;</p>
<p>Nina: Não entendo vocês adultos.</p>
<p>Mãe: Por quê?</p>
<p>Nina: As coisas são todas muito simples e vocês não querem que elas sejam.</p>
<p>Mãe: O que é tão simples.</p>
<p>Nina: Que tem gente rascunhada e gente pintada em aquarela.</p>
<p>Mãe: Tá bom Nina. Vai estudar.</p>
<p>Nina: Quando Deus te desenhou ele estava muito contente porque o sol estava brilhando e os passarinhos cantando. Foi num dia de outono, as folhas estavam caindo, os anjos dormindo e ele estava cheio de amor.</p>
<p>Mãe, sorri para Nina, emocionada.</p>
<p>Mãe: Obrigada.</p>
<p>Nina pensa um segundo.</p>
<p>Nina: Já o papai&#8230;</p>
<p>Fim</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2010/08/e-deus-criou/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um pouco místico</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/07/um-pouco-mistico/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/07/um-pouco-mistico/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 12:15:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[MISTICISMO]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.com/?p=1527</guid>
		<description><![CDATA[  Janete vai numa vidente.  Janete – Eu vim aqui porque&#8230;  Vidente – Tá solteira?  Janete – Também.  Vidente – Desempregada?  Janete – Também.  Vidente – Acima do peso.  Janete – É.  Vidente – Halitose?  Janete – Um pouco.  Vidente – Sim.  Janete – Sim o que?  Vidente – Tô vendo que as coisas estão <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/07/um-pouco-mistico/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>  Janete vai numa vidente.</p>
<p> Janete – Eu vim aqui porque&#8230;</p>
<p> Vidente – Tá solteira?</p>
<p> Janete – Também.</p>
<p> Vidente – Desempregada?</p>
<p> Janete – Também.</p>
<p> Vidente – Acima do peso.</p>
<p> Janete – É.</p>
<p> Vidente – Halitose?</p>
<p> Janete – Um pouco.</p>
<p> Vidente – Sim.</p>
<p> Janete – Sim o que?</p>
<p> Vidente – Tô vendo que as coisas estão difíceis pra você.</p>
<p> Janete – Tá vendo?</p>
<p> Vidente – Claro como o vinho.</p>
<p> Janete – O vinho é claro?</p>
<p> Vidente – Vinho rose.</p>
<p> Janete – Eu queria saber&#8230;</p>
<p> Vidente – Se vai casar?</p>
<p> Janete – Isso.</p>
<p> Vidente – Se vai ter sucesso profissional.</p>
<p> Janete – Isso.</p>
<p> Vidente – Se vai emagrecer com a dieta da picanha?</p>
<p> Janete – Como a senhora sabe que eu faço a dieta da picanha?</p>
<p> Vidente – Eu faço também.</p>
<p> Janete – Ah&#8230;</p>
<p> Vidente – Estou vendo que&#8230;</p>
<p> Janete – Vou ser feliz?</p>
<p> Vidente – Vamos por partes.</p>
<p> Janete – Vou arrumar um marido.</p>
<p> Vidente – Vai arrumar um marido sim.</p>
<p> Janete – Quando?</p>
<p> Vidente – No casamento da sua irmã, você vai arrumar o terno do seu cunhado.</p>
<p> Janete – Minha irmã vai casar.</p>
<p> Vidente – Vai.</p>
<p> Janete – Mas a minha irmã tem 7 anos de idade.</p>
<p> Vidente – O tempo passa rápido, num piscar de Lótus.</p>
<p> Janete – Não seria de olhos?</p>
<p> Videntes – O que os olhos vêem o coração não sente.</p>
<p> Janete – E o que a senhora vê pra mim?</p>
<p> Vidente – Vamos por partes.</p>
<p> Janete – Vou arranjar um emprego.</p>
<p> Vidente – Vai sim.</p>
<p> Janete – Vou???</p>
<p> Vidente &#8211; Vai arranjar um emprego pra sua irmã com o vizinho.</p>
<p> Janete – O vizinho gato?</p>
<p>Vidente – Não o vizinho velho, gordo, e careca que vai se mudar pro apartamento do vizinho gato.</p>
<p> Janete – Então&#8230; nada vai acontecer.</p>
<p> Vidente – Vai.</p>
<p> Janete – Vai?</p>
<p> Vidente – Nada.</p>
<p> Janete triste.</p>
<p> Vidente – Cem reais.</p>
<p> Janete assina o cheque.</p>
<p> Vidente – Coloca o telefone atrás&#8230;</p>
<p> Joana sai desvairada pelas ruas, chega em casa e mata a irmã mais nova.</p>
<p> FIM</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2010/07/um-pouco-mistico/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jorge Furtado</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/07/jorge-furtado/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/07/jorge-furtado/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 07:18:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[MUSOS INSPIRADORES]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.com/?p=942</guid>
		<description><![CDATA[Diretor e roteirista dos longas HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES (2002), O HOMEM QUE COPIAVA (2003), MEU TIO MATOU UM CARA (2005) e SANEAMENTO BÁSICO (2007), além de vários curtas-metragens premiados no Brasil e no exterior, como O DIA EM QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA (1986), BARBOSA (1988), ILHA DAS FLORES (1989), ESTA NÃO É A SUA <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/07/jorge-furtado/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/07/Jorge-Furtado.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-966" src="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/07/Jorge-Furtado-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Diretor e roteirista dos longas HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES (2002), O HOMEM QUE COPIAVA (2003), MEU TIO MATOU UM CARA (2005) e SANEAMENTO BÁSICO (2007), além de vários curtas-metragens premiados no Brasil e no exterior, como O DIA EM QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA (1986), BARBOSA (1988), ILHA DAS FLORES (1989), ESTA NÃO É A SUA VIDA (1991), ANGELO ANDA SUMIDO (1997) e O SANDUÍCHE (2000). Roteirista e diretor do episódio ESTRADA do longa-metragem FELICIDADE É&#8230; (1995). Para a TV Globo, dirigiu a série CENA ABERTA (2003), a minissérie LUNA CALIENTE (1998) e escreveu dezenas de roteiros: AGOSTO (1993), MEMORIAL DE MARIA MOURA (1994), A INVENÇÃO DO BRASIL (2000), etc., além da série COMÉDIAS DA VIDA PRIVADA, da qual também dirigiu o episódio ANCHIETANOS (1997).</p>
<p><em>O que me inspira é esse jeito simples e cheio de humor de se falar das idiossincrasias do homem. Para mim, o Jorge trabalha quase como um detetive, analisando questões do cotidiano sobre as quais não refletimos. E isso de transformar a nossa vida comum em poesia me dá mais vontade de escrever.</em> JULIA SPADACCINI</p>
<p><strong>RETROSPECTIVA – DE JORGE FURTADO</strong></p>
<p>- O que você achou?</p>
<p>- Legal. Meio comprido.</p>
<p>- Também achei. E o começo é arrastado.</p>
<p>- Muito&#8230; Não acontecia nada! Quase dormi.</p>
<p>- Teve a imprensa móvel na China em 1045 e o que mais?</p>
<p>- Que eu lembre, só. Muito chato. Mas depois engrenou.</p>
<p>- É verdade. A partir da renascença melhorou bastante. E o final é um pouco<br />
confuso.</p>
<p>- Estou morrendo de fome. Você já jantou?</p>
<p>- Não. A gente podia comer alguma coisa.</p>
<p>- Tem uma pizzaria muito boa aqui perto.</p>
<p>- Vamos lá?</p>
<p>- Vamos.</p>
<p>- Qual você mais gostou?</p>
<p>- O dezenove. Que beleza! Os impressionistas, a fotografia, o cinema&#8230;</p>
<p>- Cinema é vinte.</p>
<p>- Mas começou no dezenove.</p>
<p>- Dostoiévski, Tolstói, Flaubert, Dickens. A trilha também é ótima.</p>
<p>- Nossa! Chopin, Brahms, Beethoven&#8230;</p>
<p>- Beethoven é dezoito.</p>
<p>- Mas morreu no dezenove. O dezoito, aliás, também foi interessante.</p>
<p>- É verdade. A revolução francesa. Voltaire. Bach. É esta a pizzaria.</p>
<p>- Será que tem mesa?</p>
<p>- Parece que sim.</p>
<p>- Boa noite.</p>
<p>- Boa noite.</p>
<p>- Mesa para dois?</p>
<p>- Isso. Não fumantes.</p>
<p>- Por aqui, por favor.</p>
<p>- Obrigado.</p>
<p>- Querem pedir a bebida?</p>
<p>- Para mim, um chopp.</p>
<p>- Dois.</p>
<p>- Dois chopps. O cardápio.</p>
<p>- Obrigado.</p>
<p>- E o dezessete? Gostei muito do Rembrandt.</p>
<p>- Moliére. Newton. Ruim foi a morte do Shakespeare.</p>
<p>- E do Cervantes. E no mesmo dia! Achei isso um exagero. Eu gosto de<br />
margherita.</p>
<p>- Podia ser meia margherita, meia calabreza.</p>
<p>- Pode ser.</p>
<p>- O dezesseis tem todos aqueles italianos: Da Vinci, Michelangelo,<br />
Botticelli&#8230;</p>
<p>- Maquiavel. Mas o quinze é fraco.</p>
<p>- Fora os descobrimentos e Guttemberg&#8230;</p>
<p>- É pouco. O quatorze é melhor.</p>
<p>- O quatorze é bom. Giotto, Dante, Bocaccio.</p>
<p>- Já escolheram?</p>
<p>- Já. Uma grande, meia margherita, meia calabreza.</p>
<p>- Perfeito. Couvert?</p>
<p>- Eu não quero.</p>
<p>- Não precisa, obrigado.</p>
<p>- Com licença.</p>
<p>- O doze acho que foi o pior de todos. O treze ainda teve São Francisco e<br />
São Tomás de Aquino. Mas o doze&#8230; Lembra de alguma coisa do doze?</p>
<p>- Bom&#8230; tem o Gótico. O Gótico é muito impressionante. Você não achou?</p>
<p>- É verdade.</p>
<p>- A gente nem falou do vinte.</p>
<p>- O vinte tem coisa demais, acaba confundindo tudo. O que você mais lembra<br />
do vinte?</p>
<p>- Uma coisa só?</p>
<p>- É.</p>
<p>- Aquele clip do Michael Jackson</p>
<p>- Black or White?</p>
<p>- Isso. Você não achou impressionante aquilo?</p>
<p>- Achei.</p>
<p>- Mais que o Gótico?</p>
<p>- Bom&#8230; Parelho.</p>
<p>- Dois chopps?</p>
<p>- Isso!</p>
<p>- Ao próximo.</p>
<p>- Ao próximo.</p>
<p>FIM</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2010/07/jorge-furtado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sebo das almas</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/04/sebo-das-almas-de-julia-spadaccini/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/04/sebo-das-almas-de-julia-spadaccini/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 16:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[VENDAS]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.wordpress.com/2010/04/21/sebo-das-almas-de-julia-spadaccini</guid>
		<description><![CDATA[Um rapaz está caminhando numa galeria escura. Passa por um senhor sentado numa cadeirinha de plástico, mordendo clipes. Rapaz: O senhor sabe onde tem uma xérox por aqui? Senhor: Quer copiar o que? Rapaz: Minha certidão de nascimento. Senhor: Você não está certo de que nasceu? Rapaz: O que? Senhor: Que o que? Rapaz: O <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/04/sebo-das-almas-de-julia-spadaccini/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um rapaz está caminhando numa galeria escura. Passa por um senhor sentado numa cadeirinha de plástico, mordendo clipes.</p>
<p>Rapaz: O senhor sabe onde tem uma xérox por aqui?</p>
<p>Senhor: Quer copiar o que?</p>
<p>Rapaz: Minha certidão de nascimento.</p>
<p>Senhor: Você não está certo de que nasceu?</p>
<p>Rapaz: O que?</p>
<p>Senhor: Que o que?</p>
<p>Rapaz: O senhor&#8230;</p>
<p>Senhor: Disse que é ali!</p>
<p>Rapaz olha uma loja escura. Entra.</p>
<p>Homem barbudo.</p>
<p>Homem: Pois não?</p>
<p>Rapaz: Quero fazer uma cópia da minha certidão.</p>
<p>Homem: Que tal uma nova?</p>
<p>Rapaz: Como assim?</p>
<p>Homem: A xérox é ali, mas aqui você pode nascer de novo! E sem juros!</p>
<p>Rapaz: Não estou entendendo.</p>
<p>Homem: Não leu o letreiro?</p>
<p>Rapaz volta para olhar e está escrito: “Sebo de Almas – Uma segunda chance pra você!”</p>
<p>Homem: E então? Vai querer ver o mostruário das mais novas, das mais complexas, das simpáticas?</p>
<p>Rapaz: Eu estou contente com a minha.</p>
<p>Homem: Estou sugerindo trocar, não ia dizer nada, mas sinto que seu corpo está pedindo por uma melhor, que combine mais com seu físico aventureiro. A sua tá num desgaste danado&#8230; se quiser fazer escalada não vai aguentar&#8230;</p>
<p>Rapaz: Olha, eu não&#8230;</p>
<p>Homem: Tenho uma aqui que foi feita pra você.</p>
<p>Rapaz: Como eu&#8230;</p>
<p>Homem: É de uma velha senhora. Ela perdeu a alma depois que o marido morreu&#8230; mas é uma alma boa, idônea, cheia de vontades secretas, um verdadeiro labirinto, certamente é uma alma parente de Jacques Cousteau, da mesma categoria. Combina com esse teu copro moreno, sarado.</p>
<p>Rapaz: O senhor não pode estar falando sério.</p>
<p>Homem: É boa sim! Parece mentira, mas não é! E essa alma pode ser sua agora, agora mesmo!</p>
<p>Rapaz: Mesmo que fosse verdade, estou satisfeito com a minha.</p>
<p>Homem: Não está.</p>
<p>Rapaz: Estou.</p>
<p>Homem: Dá pra ver que tem uma alma muito tosca, de primeira encarnação. Se levar essa daqui, dessa senhora, capaz de morrer e nem voltar mais pra terra.</p>
<p>Rapaz: Ah, entendi, o senhor é espírita.</p>
<p>Homem: Não sou não meu filho.</p>
<p>Rapaz: Está querendo me doutrinar, me levar para a sua igreja&#8230;</p>
<p>Homem: Meu filho, vou te contar o que aconteceu.</p>
<p>Rapaz: (irônico) Conta&#8230;</p>
<p>Homem: Eu nasci com uma alma ótima, cheia de pretensões, tipo de alma que vai se dar bem na vida. Queria muitas coisas, sonhava e filosofava. Meu olhar para o mundo era genial. Mesmo. Eu escrevia coisas muito expressivas, tinha a certeza de que era a reencarnação de um grande gênio da humanidade, talvez, Platão, ou, Stephen Hawking&#8230;</p>
<p>Rapaz (começando a se interessar): Mas ele está vivo.</p>
<p>Homem: Platão?</p>
<p>Rapaz: Não, o físico.</p>
<p>Homem: Não, não está, aquele corpo está sem alma há 10 anos, mas ninguém percebe&#8230; é triste não?</p>
<p>Rapaz: Nossa, coitado, além de tudo&#8230;</p>
<p>Homem: Mas, continuando a minha história, um belo dia, quando olhei a minha volta, estava casado, em frente a TV, vendo o Fla x Flu&#8230; não me lembro bem o que fiz entre uma coisa e outra, por isso tenho a certeza de que me roubaram a minha. Talvez o gato. Dizem que se olharmos muito para os olhos de um gato, ele rouba a alma. Pois tenho reparado que estou com vícios de gato&#8230; não tomo banho, faço coco em forma de bolinhas secas e arranho o sofá da sala sem mais nem menos. Me aproximo da janela e tenho vontade de pular&#8230; coisa de gato mesmo&#8230;</p>
<p>Rapaz: Mas se é assim, o senhor então vai ter sete vidas.</p>
<p>Homem: Não, não, sinto que ele já gastou as seis. Meu gato é muito burro.</p>
<p>Rapaz: Ah, tá&#8230;</p>
<p>Homem: Quer a alma da senhora? Faço um preço tranquilo. Tenho também a de um cara muito bacana que esqueceu a alma dele no meio do supermercado, a mulher fez uma lista enorme, aí, no meio das compras, entre os laticínios e Magipack, deixou ela por ali&#8230; achei dois dias depois, a coitada estava perdidona&#8230; entrou na máquina de pão e ficou ali&#8230;</p>
<p>Rapaz: E se eu não gostar?</p>
<p>Homem: Dou o dinheiro de volta em 3 dias. E tem garantia de 1 ano.</p>
<p>Rapaz: Só?</p>
<p>Homem: Alma velha nunca se sabe , né?</p>
<p>Rapaz: Tá, vou tentar&#8230; quem sabe&#8230;.</p>
<p>Homem: Tá aqui. Você toma isso, vai dormir e no dia seguinte já é outra pessoa.</p>
<p>Rapaz: Só isso?</p>
<p>Homem: Só.</p>
<p>Rapaz: Tá bom.</p>
<p>Dia seguinte o rapaz volta. Encontra novamente o senhor do clipes.</p>
<p>Rapaz: Ué? A o Sebo das Almas fechou???</p>
<p>Senhor: O senhor morreu.</p>
<p>Rapaz: Como assim? Tão novo&#8230;</p>
<p>Senhor: Foi olhar um passarinho na janela e caiu&#8230; Dizem que o gato tentou salvar, mas não conseguiu&#8230;</p>
<p>Rapaz: (resmungando) Que massada! Eu sabia que não devia ter comprado uma alma! Bem que a Josefina me avisou que esse negócio de promoção é um motim para acabar com o cérebro das donas de casa, igual a novela das 8, tudo igual! Por isso que eu nunca mais compro nada sem ver o certificado antes, no meu tempo as pessoas não enganavam as outras assim e&#8230;.</p>
<p>Rapaz sai dando bengaladas na parede.</p>
<p>FIM</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2010/04/sebo-das-almas-de-julia-spadaccini/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dia sagrado</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/04/dia-sagrado-de-julia-spadaccini/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/04/dia-sagrado-de-julia-spadaccini/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 13:26:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[PÁSCOA]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.wordpress.com/2010/04/07/dia-sagrado-de-julia-spadaccini</guid>
		<description><![CDATA[Ana Lúcia e Oswaldo num restaurante da cidade. Oswaldo: Ana Lúcia. Ana Lúcia: (olhando o cardápio) Jesus! O bacalhau está pela hora da morte! Como é que eles querem que sejamos bons cristãos com esse preço? Oswaldo: Eu queria te dizer uma coisa. Ana Lúcia: Não comprou o meu ovo? Oswaldo: Que ovo? Ana Lúcia: <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/04/dia-sagrado-de-julia-spadaccini/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Ana Lúcia e Oswaldo num restaurante da cidade.</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Ana Lúcia.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: (olhando o cardápio) Jesus! O bacalhau está pela hora da morte! Como é que eles querem que sejamos bons cristãos com esse preço?</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Eu queria te dizer uma coisa.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Não comprou o meu ovo?</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Que ovo?</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Como que ovo?</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Quem faz as compras de casa é você, a gente combinou. Eu troco as lâmpadas, abro as latas de pepinos e palmitos, e você vai ao supermercado, não é isso?</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Não acredito que você esqueceu que hoje é sexta da paixão.</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Que paixão?</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Você acha que é feriado por que, Oswaldo?</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Não é zumbi?</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: O único zumbi aqui é você!</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Olha o garçom.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: O que tem?</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Você tem mania de me humilhar na frente dos garçons parece até fetiche.</p>
<p class="MsoNormal">Silêncio.</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Eu quero terminar.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia começa a chorar.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Tinha tantos ovos nas Lojas Americanas. E no Prezunic, então, uma montanha colorida, um corredor mágico de chocolates.</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Você me ouviu?</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Eu fiquei olhando aqueles ovos pendurados e, de repente, me deu uma angústia. Fiquei pensando: Se o Oswaldo me ama, vai me dar um Diamante Negro, se não me ama vai me dar uma caixa de variedades Laka. <span> </span>Se me odeia, vai me dar um ovo do chocolate “Bis”. Eu acho ovo do “Bis”, acho de uma pobreza&#8230;</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Ana Lúcia você não está me ouvindo. Eu quero terminar a nossa relação.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Coelho bota ovo mesmo? Você já viu coelho botar um ovo? O que será que significam os ovos de chocolate? <span> </span>Será que é uma metáfora? Os coelhos bons botam ovos de chocolate. E os de chocolate branco?</p>
<p class="MsoNormal">Oswald: Você sempre faz isso.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Hoje é um dia sagrado Oswaldo! Sexta feira da paixão, Jesus foi enterrado.</p>
<p class="MsoNormal">Oswald: Eu não quero mais!</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Ninguém termina um casamento numa sexta feira da paixão!!!</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Eu estou há mais de três meses tentando terminar e não consigo, ou é Natal, Ano Novo, Carnaval e na semana que vem é dia de são Jorge!</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Salve! Meu santo guerreiro!</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: O que eu faço pra você entender que não quero mais!</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Termina num dia que não seja sagrado.</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Já tentei, mas cada dia tem um santo diferente.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Pra você ver como Deus quer que o casamento seja eterno.</p>
<p class="MsoNormal">Silêncio. Oswaldo, cansado, chama o garçom.</p>
<p class="MsoNormal">Oswaldo: Uma picanha fatiada, por favor.</p>
<p class="MsoNormal">Ana Lúcia: Vai comer carne vermelha?</p>
<p class="MsoNormal">Fim. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2010/04/dia-sagrado-de-julia-spadaccini/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fim da relação</title>
		<link>http://dramadiario.com/2009/12/fim-da-relacao-de-julia-spadaccini-e-andre-boucinhas/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2009/12/fim-da-relacao-de-julia-spadaccini-e-andre-boucinhas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 15:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[CASAMENTO]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.wordpress.com/2009/12/13/fim-da-relacao-de-julia-spadaccini-e-andre-boucinhas</guid>
		<description><![CDATA[Escrito em parceria com André Boucinhas Mulher sentada na mesa lendo o jornal e tomando café da manhã. Chega o marido. — Quero terminar o nosso casamento.— Precisa conversar? Senta aí&#8230;— Já disse: quero terminar nosso casamento.— Você tem pensado muito em alguma coisa nos últimos dias?— Ãh?— Você parece abatido, como se estivesse com <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2009/12/fim-da-relacao-de-julia-spadaccini-e-andre-boucinhas/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Escrito em parceria com André Boucinhas</strong></p>
<p>Mulher sentada na mesa lendo o jornal e tomando café da manhã. Chega o marido.</p>
<p>— Quero terminar o nosso casamento.<br />— Precisa conversar? Senta aí&#8230;<br />— Já disse: quero terminar nosso casamento.<br />— Você tem pensado muito em alguma coisa nos últimos dias?<br />— Ãh?<br />— Você parece abatido, como se estivesse com uma angústia enorme, uma agonia&#8230; como se tivesse uma dúvida muito grande e não encontrasse forças para tomar a decisão certa.<br />— Mas eu já te disse a decisão!<br />— Não tenha medo, pode se abrir. O nosso relacionamento só vai durar se for baseado na compreensão e na confiança mútuas.<br />— Mas eu não quero que ele dure! Eu quero terminar o nosso casamento!<br />— É o trabalho, não é? Você acha que está na hora de investir no seu crescimento profissional e está imaginando que vou ficar magoada, exigindo mais sua presença ao meu lado&#8230; que bobeira, meu amor! Eu só quero o melhor para você.<br />— Crescimento profissional? Que crescimento profissional? Tá maluca? Eu sou taxista! O problema é que não agüento mais você! Tudo em você me irrita!<br />— Já entendi&#8230; não sou eu o problema, é você.<br />— Não!! É você! Só você!<br />— Deixa de besteira, tchuthcuco. Eu te amo tanto quanto você me ama, não precisa ficar inseguro.<br />— Mas eu não te amo&#8230;<br />— Se você quer mais tempo para você, não tem problema&#8230;<br />— Eu não quero tempo para mim, eu só NÃO quero tempo para você&#8230;<br />— A gente pode fazer mais coisas individualmente&#8230; você sai com seus amigos, volta a jogar seu futebol, tomar aquele choppinho depois do trabalho&#8230; e eu também, volto a sair com as minhas amigas, vou ao shopping, revejo o pessoal da faculdade&#8230; Você sabia que o Paulo terminou o casamento?<br />— Ãh?<br />— É&#8230; parece que ele foi chutado pela esposa e agora tá reunindo o nosso grupo da faculdade, principalmente as mulheres, porque a gente era muito próximo, para se consolar&#8230; Tadinho, parece que está no fundo do poço&#8230; dizem que tentou até se matar&#8230;<br />— Nada disso.<br />— Nada disso o que?<br />— Nada de rever Paulo ou qualquer outro falso suicida&#8230; se ele quiser se matar mesmo, é só falar comigo que eu ajudo.<br />— Meu amor, vai começar com esse ciúme bobo?<br />— Não tem ciume bobo nem ciume não bobo. Não vai ver o cara e pronto.<br />— Olha só, se vai ficar de machismo, eu saio de casa. Não to aqui para tolerar ataque de criancice&#8230; não preciso disso! Mas não preciso mesmo!<br />— Calma meu amor, também não é assim&#8230;<br />— Calma o que? Parece que não me conhece&#8230; se vai regredir pro século XIX, leva outra!<br />— Não fala isso&#8230;<br />— Falo o que quiser! E sai daqui antes que eu me aborreça. Fica de palhaçada&#8230; vai logo trabalhar e me deixa em paz com as minhas coisas&#8230;<br />— Ta bom. Te amo, tá fofucha?<br />— Te amo tambem, fofuchinho&#8230; Homem é brincadeira&#8230; fica enrolando e nunca diz o que quer de verdade. E a gente tem que se virar para adivinhar&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2009/12/fim-da-relacao-de-julia-spadaccini-e-andre-boucinhas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Morte virtual</title>
		<link>http://dramadiario.com/2009/11/morte-virtual-de-julia-spadaccini/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2009/11/morte-virtual-de-julia-spadaccini/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 12:37:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[INTERNET]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.wordpress.com/2009/11/29/morte-virtual-de-julia-spadaccini</guid>
		<description><![CDATA[José conversando com a sua mãe. José – Mãe. Mãe – O que? José – Como é a morte? Mãe fica em silêncio por um instante. Mãe – A morte é quando você vai encontrar um anjinho lá no céu. José – Ai, mãe, eu sei que a morte é o final de tudo, não <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2009/11/morte-virtual-de-julia-spadaccini/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>José conversando com a sua mãe.</p>
<p>José – Mãe.</p>
<p>Mãe – O que?</p>
<p>José – Como é a morte?</p>
<p>Mãe fica em silêncio por um instante.</p>
<p>Mãe – A morte é quando você vai encontrar um anjinho lá no céu.</p>
<p>José – Ai, mãe, eu sei que a morte é o final de tudo, não é isso que eu tô perguntando.</p>
<p>Mãe – Hein?</p>
<p>José – Eu sei que, biologicamente, a morte pode ocorrer para o todo o organismo ou apenas para parte dele. Sei que é possível para células individuais, ou mesmo órgãos,  morrerem e ainda assim o organismo continuar a viver. Que muitas células individuais vivem por apenas pouco tempo e a maior parte das células de um organismo são continuamente substituídas por novas células.</p>
<p>Mãe – Como é que você sabe disso?</p>
<p>José – Ué? É só entrar no Google!</p>
<p>Mãe – Nem eu sabia sobre a morte com tantos detalhes&#8230;</p>
<p>José – Mas eu tô perguntando como é a morte.</p>
<p>Mãe gaguejando.</p>
<p>Mãe – Ah, é uma coisa tranquila. Um coisa que acontece, que todo mundo vai passar&#8230;</p>
<p>José – Tranquila?</p>
<p>Mãe – É&#8230;</p>
<p>José &#8211; Difteria, Coqueluche, Tétano, Bronquite, Pneumonia, Cólera, Tuberculose, Hanseníase, Blenorragia, Sífilis, Sífilis Congênita, Meningite, Disenterias Bacterianas, As Bactérias e a Saúde Humana, Febre Reumática, Febre Tifóide. Tumores, Leucemia, Câncer de Cérebro e Medula Espinhal, Câncer de Mama, Câncer de Próstata, Melanomas. São coisas tranqüilas, mãe?</p>
<p>Mãe – Nossa, como você sabe isso?</p>
<p>José – Google.</p>
<p>Mãe – Você está proibido de entrar na internet.</p>
<p>José &#8211; Censura é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão. O propósito da censura está na manutenção do status quo, evitando alterações de pensamento num determinado grupo e a consequente vontade de mudança.</p>
<p>Mãe – Vá para o quarto! Agooooooora! Não ligue TV, Games e fique longe da internet. Fique lá lendo ou estudando até eu chamar!</p>
<p>José – Acabei de entender como é a morte.</p>
<p>José sai triste.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2009/11/morte-virtual-de-julia-spadaccini/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Prostituindo a solidão</title>
		<link>http://dramadiario.com/2009/11/prostituindo-a-solidao-de-julia-spadaccini/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2009/11/prostituindo-a-solidao-de-julia-spadaccini/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 03:04:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[PROSTITUIÇÃO]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.wordpress.com/2009/11/22/prostituindo-a-solidao-de-julia-spadaccini</guid>
		<description><![CDATA[Trecho da peça &#8220;Os Estonianos&#8221; LÍVIA DE PERUCA, CARACTERIZADA COMO PROSTITUTA, ENTRA NA CASA DE PEDRO. Lívia – Pedro, né? Pedro – Suelen, né? Lívia- É. PAUSA. Pedro – Quer beber alguma coisa? Lívia – Pode ser. Pedro &#8211; O quê? Lívia – Alguma coisa. Pedro – Tá. Pedro – Aqui. Lívia – Obrigada. SILÊNCIO. <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2009/11/prostituindo-a-solidao-de-julia-spadaccini/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trecho da peça &#8220;Os Estonianos&#8221;</p>
<p>LÍVIA DE PERUCA, CARACTERIZADA COMO PROSTITUTA, ENTRA NA CASA DE PEDRO.</p>
<p>Lívia – Pedro, né?</p>
<p>Pedro – Suelen, né?</p>
<p>Lívia- É.</p>
<p>PAUSA.</p>
<p>Pedro – Quer beber alguma coisa?</p>
<p>Lívia – Pode ser.</p>
<p>Pedro &#8211; O quê?</p>
<p>Lívia – Alguma coisa.</p>
<p>Pedro – Tá.</p>
<p>Pedro – Aqui.</p>
<p>Lívia – Obrigada.</p>
<p>SILÊNCIO.</p>
<p>Lívia – Eu trouxe uma música e&#8230; posso colocar?</p>
<p>Pedro – Ótimo. Música é bom. Legal mesmo.</p>
<p>LÍVIA COMEÇA A DANÇAR, MAS ESBARRA NUM MÓVEL E PEDE PRA COMEÇAR DE NOVO.</p>
<p>Lívia- Ah! Posso começar de novo?</p>
<p>LÍVIA REPETA A COREOGRAFIA E COMEÇA UM STREAP-TEASE. SE ATRAPALHA E PEDE AJUDA A PEDRO. PEDRO COMEÇA A RIR.</p>
<p>Lívia – O que foi? Não está bom?</p>
<p>Pedro – Não, tá ótimo, muito bom. Muito. É só que&#8230; eu&#8230; eu não sou desses caras que&#8230; entende?</p>
<p>Lívia – Não.</p>
<p>Pedro – Eu não faço isso. Mesmo. Na verdade eu estava olhando o jornal e pensei que talvez se eu fizesse quem sabe me acostumaria fazendo. E poderia ser divertido fazer parte dessa coisa tradicional. Fazendo parte de alguma coisa tão&#8230; desculpa. Olha Suzana.</p>
<p>Lívia – Meu nome não é Suzana.</p>
<p>Pedro – Ah, é! Suelen, né?</p>
<p>Lívia – Não.</p>
<p>Pedro – Samantha?</p>
<p>LIVIA TIRA A PERUCA E SENTA AO LADO DE PEDRO.</p>
<p>Lívia – Olha, desculpa, você deve ter rido porque eu não sei fazer direito, fiquei treinando em casa e&#8230;</p>
<p>Pedro – Não! Você foi ótima. Eu é que não estou acostumado.</p>
<p>Lívia – Nem eu.</p>
<p>Pedro – Não?</p>
<p>Lívia – Eu nunca fiz isso.</p>
<p>Pedro – Não?</p>
<p>Lívia – É. Nunca, mas é que eu estava me sentindo meio sozinha e&#8230; pensei que.. talvez&#8230; É que acho que uma pessoa que liga para esse tipo de serviço é tão solitária&#8230;tão.. E eu achei que se tivesse perto de alguém assim&#8230; eu talvez esquecesse da minha&#8230;</p>
<p>PEDRO FICA REPARANDO LÍVIA COMO SE A RECONHECESSE E LÍVIA SE SENTE DESCONFORTÁVEL COM O SEU OLHAR.</p>
<p>Pedro – Lívia?</p>
<p>Lívia – (Estranhando) É.</p>
<p>Pedro – Seu nome é Lívia?</p>
<p>LIVIA OLHA PEDRO E O RECONHECE</p>
<p>Lívia – Você&#8230; é&#8230; naquela festa&#8230;</p>
<p>OS DOIS CAEM NA GARGALHADA.</p>
<p>Pedro – Meu Deus! Realmente você tinha razão no que me disse na festa.</p>
<p>Lívia – O quê?</p>
<p>Pedro – Que você não é previsível.</p>
<p>OS DOIS VOLTAM A RIR. SILÊNCIO.</p>
<p>Lívia – Você se lembra do que eu disse?</p>
<p>Pedro – Eu passei três noites sonhando com aquele beijo.</p>
<p>Lívia – A gente não se beijou.</p>
<p>Pedro – Claro. Por isso que eu fiquei sonhando.</p>
<p>Lívia – Entendi.</p>
<p>Pedro – Por que você&#8230;</p>
<p>Lívia – O quê?</p>
<p>Pedro – Você&#8230;</p>
<p>Lívia – Você ainda não me disse o seu nome.</p>
<p>Pedro – Pedro.</p>
<p>Lívia – (repetindo para si.) Pedro&#8230; é&#8230; os Pedros têm um rosto assim redondo como o seu&#8230;</p>
<p>PEDRO RI.<br />SILÊNCIO.</p>
<p>Lívia – Você&#8230;</p>
<p>Pedro – O quê?</p>
<p>Lívia – Você tinha um beta.</p>
<p>Pedro – Tinha.</p>
<p>Lívia – Morreu?</p>
<p>Pedro – Não, foi dar uma volta. Muito só.</p>
<p>Lívia – Nunca entendi porque os peixes morrem.</p>
<p>Pedro – Esse morreu de tanto brigar com ele mesmo.</p>
<p>SILÊNCIO.</p>
<p>Pedro – Posso colocar uma música?</p>
<p>Lívia – Melhor não.</p>
<p>Pedro – Tá.</p>
<p>SILÊNCIO. LIVIA ESBOÇA UM CHORO.</p>
<p>Pedro – Olha, não chora. Tá tudo bem.</p>
<p>Lívia – Não estou.</p>
<p>Pedro – Pensei.</p>
<p>Lívia &#8211; Tentando. (pausa) Queria muito.</p>
<p>Pedro – Você fez uma cara  triste.</p>
<p>Lívia – Quando era triste, era bom.</p>
<p>PAUSA</p>
<p>Pedro – Eu sei exatamente o que você está sentindo agora.</p>
<p>Lívia – Eu não vou te dar um beijo.</p>
<p>Pedro – Eu não quero um beijo.</p>
<p>OS DOIS SE APROXIMAM PARA UM BEIJO. BLACK OUT.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2009/11/prostituindo-a-solidao-de-julia-spadaccini/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Bandeira branca</title>
		<link>http://dramadiario.com/2009/11/bandeira-branca-de-julia-spadaccini/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2009/11/bandeira-branca-de-julia-spadaccini/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 12:48:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julia Spadaccini</dc:creator>
				<category><![CDATA[TV]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.wordpress.com/2009/11/08/bandeira-branca-de-julia-spadaccini</guid>
		<description><![CDATA[Ela acordou com a banda chegando, aquela batucada subindo a rua. Abriu os olhos devagar como se estivesse se desgrudando de um sonho. Levantou, bocejou, e voltou a deitar. Fez isso três vezes. E o samba se aproximando cada vez mais. Seus outros Carnavais tinham uma alegria solteira. Uma vontade de ir atrás de qualquer <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2009/11/bandeira-branca-de-julia-spadaccini/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela acordou com a banda chegando, aquela batucada subindo a rua. Abriu os olhos devagar como se estivesse se desgrudando de um sonho. Levantou, bocejou, e voltou a deitar. Fez isso três vezes. E o samba se aproximando cada vez mais.</p>
<p>Seus outros Carnavais tinham uma alegria solteira. Uma vontade de ir atrás de qualquer tambor. Mas hoje não. Hoje, a batucada feria. A alegria cortava. Levantou, pela quarta vez, e essa vontade foi a maior de todas. Enfiou a roupa, mesmo com imensa vontade de continuar esparramando sua nudez pelo lençol amarelado. Queria que a roupa de cama continuasse com aroma manso dele.</p>
<p>Seu gato de olhos fitos em sua amargura.</p>
<p>A mulher foi derramando os seus passos lentamente pela casa. Abriu a janela e viu o sol lhe sussurrando vida. Mas aquilo era uma afronta para um coração vazio. “Dias tristes não podem ser azuis”, pensou. E a raiva daquele azulão foi crescendo, ficando vermelha, cheia de vontade de jogar água fria nos corpos quentes que desfilavam ao longe.</p>
<p>Os foliões subindo a rua sem saber da tristeza daquela última casa, a da árvore torta. Um palhaço passou cantando, bêbado, sorriso largo. Uma bailarina, um pirata, e depois um grande emaranhado de gente feliz, só por ser. Feliz de ser feliz. De momento. A serpentina entrando pela casa dela, ofendendo, rindo do seu desespero.</p>
<p>Seu portão estava ainda aberto, escancarado. Depois da partida dele, não conseguia tocar em nada, tudo doía. Mas o Carnaval não quis esperar essa dor.  O tempo não deu trégua. E ainda com aquela angústia aberta, a folia passou por ela, que não sorria, não dançava, nada.<br />“Uma dor só não faz verão&#8230;” pensou. Em seguida, riu de si mesma, gargalhou, chorou, gritou e&#8230;</p>
<p>Silêncio.</p>
<p>Tempo.</p>
<p>O vento fechou o portão.</p>
<p>Tempo.</p>
<p>Uma andorinha pousou na árvore torta.</p>
<p>Tempo.</p>
<p>Ela colocou o os lençóis para lavar.</p>
<p>Tempo.</p>
<p>Caiu na folia.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://dramadiario.com/2009/11/bandeira-branca-de-julia-spadaccini/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

