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	<title>Drama Diário &#187; Renata Mizrahi</title>
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	<description>dramaturgia em série...</description>
	<lastBuildDate>Wed, 04 Jan 2012 15:02:44 +0000</lastBuildDate>
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		<title>&#8220;AMORES&#8221;.COM &#8211; EPISODIO 2 &#8211; EU JÁ SABIA</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/09/amores-com-episodio-2-eu-ja-sabia/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 18:51:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA["amores".com]]></category>

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		<description><![CDATA[(EM UMA RUA DA CIDADE &#8211; PEDRO E CRIS SE REENCONTRAM) Pedro: Oi Cris: Oi (tempo. constrangimento) Pedro: Coincidência, né? Cris: É, caramba. Eu tenho médico marcado aqui nessa rua. Pedro: Tá tudo bem? Algum problema? Cris: Tá tudo bem. São alguns exames. Nada demais Pedro: Ah&#8230; tá&#8230; (Tempo. Eles ficam sem saber o que <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/09/amores-com-episodio-2-eu-ja-sabia/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(EM UMA RUA DA CIDADE &#8211; PEDRO E CRIS SE REENCONTRAM)</p>
<p>Pedro: Oi</p>
<p>Cris: Oi</p>
<p>(tempo. constrangimento)</p>
<p>Pedro: Coincidência, né? </p>
<p>Cris: É, caramba. Eu tenho médico marcado aqui nessa rua.</p>
<p>Pedro: Tá tudo bem? Algum problema?</p>
<p>Cris: Tá tudo bem. São alguns exames. Nada demais</p>
<p>Pedro: Ah&#8230; tá&#8230;</p>
<p>(Tempo. Eles ficam sem saber o que falar)</p>
<p>Pedro: Quanto tempo, né?</p>
<p>Cris: É. Quanto tempo.</p>
<p>Pedro: (forçado) Mas e então. Como é que você ta? O que anda fazendo?</p>
<p>Cris: Ah! Um monte de coisas.</p>
<p>Pedro: É mesmo? Que bom. O quê por exemplo?</p>
<p>Cris: Ah, tanta coisa, sabe? Melhor nem dizer.</p>
<p>Pedro: Tá bom, então.</p>
<p>(tempo)</p>
<p>Cris: E você?</p>
<p>Pedro: Eu também tô fazendo um monte de coisa.</p>
<p>Cris: É eu sei.</p>
<p>Pedro: Sabe?</p>
<p>Cris: Quer dizer. Imagino! </p>
<p>Pedro: Agora mesmo eu to indo pra&#8230;</p>
<p>Cris: Aula de violão.</p>
<p>Pedro: (animado) É! Isso mesmo. (pausa) Como você sabe?</p>
<p>Cris: Ah! Eu&#8230; Deduzi.  Você sempre me falava que queria tanto fazer aula de violão. Eu deduzi.</p>
<p>Pedro: Sei&#8230; Legal. </p>
<p>(tempo eles respiram fundo. Incômodo)</p>
<p>Pedro: Então, tá. Foi bom te ver.</p>
<p>(Pedro vai dar um abraço Cris, mas Cris se afasta)</p>
<p>Cris: Pedro?</p>
<p>Pedro: Oi.</p>
<p>(Cris respira fundo)</p>
<p>Cris: Você&#8230; você &#8230; você pensa em&#8230; em&#8230; (desiste) Deixa pra lá.</p>
<p>Pedro: Fala.</p>
<p>Cris: Não, deixa pra lá. Bobagem.</p>
<p>Pedro: Fala, Cris. Não deve ser bobagem&#8230;</p>
<p>Cris: (corta) Você tá querendo namorar a Carolina Sampaio Filho?</p>
<p>Pedro: Oi?</p>
<p>Cris: Você tá querendo namorar a Carolina Sampaio filho?</p>
<p>Pedro: Carolina Sampaio Filho?</p>
<p>Cris: A sua nova “amiga” que você levou na festa do surpresa do Thiago na<br />
quinta passada no Alto da Boa Vista a partir das 11 da noite.</p>
<p>Pedro: Quê?!</p>
<p>Cris: Aliás, pelo o que eu entendi a festa foi horrível, você detestou, mas o que<br />
salvou foi essa tal da Carolina Sampaio Filho. Que aliás faz aula de violão com você.</p>
<p>Pedro: Ah! A Carol!</p>
<p>Cris: (debocha) “Ah, a Carol!”. Aliás, vocês vão tocar juntos amanhã na praça. Você  teve a coragem de convidar alguns de nosso amigos e nem sequer pensou em me chamar?</p>
<p>(Pedro tenta falar, mas Cris não deixa)</p>
<p>Cris: Tudo bem, eu não ia. Você ia me chamar e eu não ia. Afinal a gente não tá mais juntos e não tem nada a ver eu ficar indo em apresentaçãozinha de ex namorado. Eu não ia. (pausa) Mas tinha que me chamar.</p>
<p>(Pedro tenta falar, mas Cris não deixa)</p>
<p>Cris: Aliás, por que não me chamou? Por causa dessa Ana Carolina aí? Aliás, que periguete, hein, Pedro. A menina gosta de Axé Music. Axé Music, porra! E o cabelo todo colorido, dá pra ver que menina faz o estilo “quero chamar atenção”. </p>
<p>(Pedro tenta falar, mas Cris não deixa)</p>
<p>Cris: Aliás, você deve tá adorando a vida de solteiro. Que isso, Léo, tirando fotos todo assanhadinho com as amigas da sua irmã? Todas novinhas, parecem até suas sobrinhas.</p>
<p>(Pedro tenta falar, mas Cris não deixa)</p>
<p>Cris: Aliás, Desde quando você gosta de boate? Agora é todo final de semana em uma diferente! Até as de fora da cidade você já foi! Quando a gente tava junto, eu pedia pra gente sair pra dançar e você dizia que não gostava de boate. Tudo mentira. Você tava é sem saco, só pode ser. </p>
<p>(Pedro tenta falar, mas Cris não deixa)</p>
<p>Cris: Aliás, e viajar? Deu pra viajar direto, é? Comigo você tava sempre sem tempo. Até pra Caraívas você foi! E de carro! Eu sempre te falei que queria ir pra Caraívas! De carro! De carro! </p>
<p>(Pedro tenta falar, mas Cris não deixa)</p>
<p>Cris: Aliás, essa Carolina Sampaio Filho tem 17 anos de idade. 17 anos, Pedro. Eu mal cheguei nos vinte e seis e já fui trocada por uma de 17! Assim não é justo. É covardia. Não dá. E ainda por cima gosta de axé. Nada a ver comigo. Nada a ver contigo! </p>
<p>(tempo longo. Pedro está chocado. tempo)</p>
<p>Pedro: Você entrou no facebook?</p>
<p>Cris: Ahn?</p>
<p>Pedro: Você entrou no facebook?</p>
<p>Cris: Não&#8230;</p>
<p>Pedro: Era esse “um monte de coisas” que você tava fazendo? Era isso?</p>
<p>Cris: Clara que não.</p>
<p>Pedro: Etão como é que você sabe de tudo o que você acabou de me falar?</p>
<p>Cris: Ué. Normal a gente 108 amigos em comum&#8230;</p>
<p>Pedro: E não acredito, Cris! Que tristeza. Logo você que se gabava de não fazer<br />
parte de nenhuma rede social, sempre disse que isso é a maior perda de tempo, se orgulhava de ser a única que sobrou dos nossos amigos que não tinha se rendido ao mundo superficial da web. Até eu tinha orgulho de você por causa disso. E basta a gente terminar pra você virar uma verdadeira rastreadora de ex namorado?</p>
<p>(tempo)</p>
<p>Cris: Desculpa.</p>
<p>Pedro: Que patético. </p>
<p>Cris: Desculpa. Foi mais forte do que eu&#8230;</p>
<p>Pedro: Ridículo</p>
<p>Cris: Desculpa. </p>
<p>(tempo)</p>
<p>Pedro: Carolina Sampaio Filho. Eu não devia te dizer isso, mas eu não tenho<br />
nada com a Carol, nunca tive nada com Carol e nem vou ter. Cris é só uma amiga. Só.</p>
<p>Cris: (animada) É?</p>
<p>Pedro: (nervoso) É!</p>
<p>Cris: Desculpa.</p>
<p>(tempo)</p>
<p>Pedro: E você? Ta namorando?</p>
<p>Cris: Tô!</p>
<p>Pedro: Tá?!</p>
<p>Cris: (mais insegura) Tô.</p>
<p>Pedro: Tá ?!!</p>
<p>Cris: Não! Não tô! Eu queria. Eu queria muito. Mas não tô.</p>
<p>(tempo longo)</p>
<p>Cris: Desculpa.</p>
<p>Pedro: (tímido)Me adiciona.</p>
<p>Cris: Oi?</p>
<p>Pedro: Me adiciona.</p>
<p>Cris: Não. Melhor não. Eu vou sair desse negócio, eu entrei só pra saber de você,<br />
eu estava com&#8230;</p>
<p>Pedro: Saudades?</p>
<p>(tempo. Eles ficam sem graça)</p>
<p>Pedro: Bom, você deve ta atrasada pro médico.</p>
<p>Cris: Eu não tenho médico.</p>
<p>Pedro: Não?</p>
<p>Cris: Na verdade eu&#8230; eu vi no&#8230;  Bem, eu vi que você ia pra sua aula de violão<br />
bem aqui nesse prédio a essa hora e&#8230;  Eu tô morrendo de saudades de você. Eu não tô aguentando mais ficar longe de você. Dane- se. Eu tinha que te dizer isso. Eu&#8230;</p>
<p>Pedro: (corta) Eu também.</p>
<p>Cris: Oi?</p>
<p>Pedro: Eu também.</p>
<p>(Cris sorri. Tempo. Eles se olham) </p>
<p>Cris: Bom, mas eu não quero atrasar a sua aula. Depois a gente se fala com calma.</p>
<p>Pedro: Bom&#8230; Então tá.</p>
<p>Cris: Então&#8230;Tchau.</p>
<p>Pedro: Cris?</p>
<p>Cris: Oi?</p>
<p>(Ele a beija)</p>
<p>FIM </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>NOVA SÉRIE &#8211; &#8220;AMORES&#8221;.COM &#8211; EPISÓDIO 1</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/09/nova-serie-amores-com-episodio-1/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 12:18:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA["amores".com]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Queridos leitores. Hoje começo uma nova série. A cada semana uma nova pequena histórias sobre os &#8220;amores&#8221; que se se forma (ou tentam) e acabam (ou tentam) nos tempos de hoje. Onde às vezes é mais fácil se relacionar virtualmente que de frente a frente! Acompanhem essas pequenas loucas histórias, frutos de observações dessa geração <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/09/nova-serie-amores-com-episodio-1/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queridos leitores.<br />
Hoje começo uma nova série.<br />
A cada semana uma nova pequena histórias sobre os &#8220;amores&#8221; que se se forma (ou tentam) e acabam (ou tentam) nos tempos de hoje. Onde às vezes é mais fácil se relacionar virtualmente que de frente a frente!<br />
Acompanhem essas pequenas loucas histórias, frutos de observações<br />
dessa geração internética e super modernizada =)</p>
<p>Divartam-se! Beijos, Renata</p>
<p>PRIMÉRIO EPISÓDIO</p>
<p>OU ELE, OU EU!</p>
<p>Pedro: Oi.</p>
<p>Lia: Oi gatinho, tudo bem? Espera  só um instantinho?</p>
<p>Pedro: Claro, imagina. Eu espero&#8230;</p>
<p>(Lia fica mexendo no sei Iphone, Pedro espera meio sem graça. Lia solta umas risadinhas esquisitas. Pedro, assustado  ri com ela sem entender)</p>
<p>Pedro: Que foi?</p>
<p>Lia: Nada não. (ri) Meu amigo que fica colocando umas fotos toscas no feici. Olha só!</p>
<p>Pedro: (disfarçando o interesse) Pois é legal, bem toscas mesmo. Legal. (tempo) Mas então, Lia, já acabou aí? Vamos, é&#8230; Então? Vamos&#8230; Enfim, a gente veio aqui, né? Estamos aqui&#8230;</p>
<p>Lia: (concentrada no telefone) Claro.</p>
<p>Pedro: “Claro” o quê?</p>
<p>Lia: (concentrada) Claro que&#8230; só instantinho. (digita compulsivamente. Tempo. Termina) Então, Pedro, é claro que  (olha para o telefone) Ih! Respondeu! Rapidinho. (volta a digitar. lê e ri) muito bom, o Cláudio é uma figura. (ri) Mas do que é que a gente tava falando mesmo? </p>
<p>Pedro: Então&#8230;</p>
<p>Lia: (exagerada) Não!</p>
<p>Pedro: (se assusta) Não?</p>
<p>Lia: Não!</p>
<p>Pedro: Não?</p>
<p>Lia: Não!</p>
<p>Pedro: Não?!</p>
<p>Lia:  A Tati terminou com o Lucas. Não!  Ele eram um casal tão felizes. Tadinha! Ela tá arrasada. Olha essa foto! (mostra a foto do tel)</p>
<p>Pedro: É&#8230; ela tá com a cara arrasada mesmo. Mas e&#8230;</p>
<p>Lia: Só um instantinho. Eu preciso mandar um recado para ela.(digita. Tempo) Pronto. Mas fala, eu te interrompi.</p>
<p>Pedro: Então&#8230;</p>
<p>(toca o telefone de Lia)</p>
<p>Lia: Ah! É a Carol. Só um momento (atende) Alô? Ooooiiiii! (pausa) Tudo ótimo! (pausa) Não, pode falar, tá tranquilo. E aí? Rolou? (pausa) Jura? (pausa) Sério? (pausa) Mesmo? (pausa) Não acredito!<br />
Putz! Não, eu vou, claro que eu vou! Eu vou, eu vou, eu vou. Marcado. Show! Beijooooo (desliga) Era a Carol contando que finalmente conseguiu “pegar” o Gustavo.</p>
<p>Pedro: É? Bom pra ela.</p>
<p>Lia: Bom mesmo. Bom pra ela mesmo. Agora você vê: uns terminam, outros juntam, tudo no mesmo dia. É a vida.</p>
<p>Pedro: É. É a vida&#8230; Mas então, Lia. E você?</p>
<p>Lia: Eu o quê?</p>
<p>Pedro: Então&#8230; Que bom que a gente tá aqui, juntos&#8230;</p>
<p>Lia: Que bom mesmo. Aliás, esqueci de postar que eu tô aqui&#8230; Só um instantinho (volta a digitar) Pronto. (tempo. sorriso amarelo)  Mas e aí? Fala.</p>
<p>Pedro: Ah, então é&#8230;Você tá bonita hoje.</p>
<p>Lia: Você acha? </p>
<p>Pedro: Acho.</p>
<p>Lia: Acha mesmo?</p>
<p>Pedro: Acho.</p>
<p>Lia: (Entrega seu Iphone para ele) Tira uma foto.</p>
<p>Pedro: Oi?</p>
<p>Lia: Tira uma foto.</p>
<p>Pedro:  Nós dois? Já? Não tá muito cedo?</p>
<p>Lia: Minha. Uma foto minha. Só minha. Vai</p>
<p>Pedro: Ah&#8230; Tá&#8230; (ele tira) Pronto.</p>
<p>(ela pega o Iphone)</p>
<p>Lia: Nossa ficou ótima. Eu tô linda mesmo, você tem razão.  Vou colocar no meu perfil agora.</p>
<p>Pedro: Agora?</p>
<p>Lia: É rapidinho. (Ela volta a se ocupar com o Iphone. Ele vai ficando puto) Pronto, agora fala logo.</p>
<p>Pedro: Fala logo o quê?</p>
<p>Lia: Que você tá a fim de mim, né? </p>
<p>Pedro: (tempo) Oi?</p>
<p>Lia: É óbvio né, Pedro. </p>
<p>Pedro: Óbvio?</p>
<p>Lia: É só reparar no jeito que você me mandou aquela mensagem: “vamos marcar algo?”, todo formalzinho. Você colocou toda a sua ansiedade nessas palavras, deu pra sentir. Eu imagino que você deve ter ficado horas pensando a melhor maneira de escrever isso. Eu sei, eu conheço, eu tô antenada com essas coisas.</p>
<p>(Tempo. Pedro assustado)</p>
<p>Lia:  Mas eu topo.</p>
<p>Pedro:  Topa?</p>
<p>Lia: Topo.</p>
<p>Pedro: Oba! (pausa) Topa o quê? </p>
<p>Lia: Topo ficar com você. Vamos beijar? (ela avança pata beija-lo ele se afasta)</p>
<p>Pedro: Calma aí. Assim tão rápido?</p>
<p>Lia: Ué, por que não?Você tá a fim, eu tô afim. </p>
<p>Pedro: Eu sei mas&#8230; vamos pedir alguma coisa. Você bebe alguma coisa?</p>
<p>Lia:  A gente não pode pular essa etapa? Hoje em dia não dá pra gente ficar perdendo tempo com essas coisas não, Pedro. O tempo voa. Vem cá. (ela avança pra dar um beijo nele e ele se afasta)<br />
Iiiih&#8230; que foi?</p>
<p>Pedro: Não é nada, Lia. Eu ate quero te beijar, claro que eu quero, mas é que eu pensei que a gente ia (busca as palavras) ia&#8230; sei lá! Rola uma gradação pra essas coisas, não é assim: pá !</p>
<p>Lia: (tempo) “Pá”? Olha, Pedro, então não vai dar.  Eu marquei uma conferencia em alguns minutos.</p>
<p>Pedro: Conferencia? Que conferencia?</p>
<p>Lia: Eu marquei uma conferencia na web com a Nanda e Carlinhos. ( toca o despertador do telefone) Iiih! É agora!</p>
<p>Pedro: Agora? Pra quê? </p>
<p>Lia: Pra gente falar do futuro da nossa amizade. </p>
<p>Pedro:  Mas e a gente?</p>
<p>Lia: Se quiser a gente também pode marcar uma web conferência.</p>
<p>Pedro: Não, peraí, espera aí, peraí. Vamos beijar, vamos beijar. (ele tenta beijá-la. Ela se afasta)</p>
<p>Lia: Agora não rola, né Pedro? Perdeu a oportunidade. Eu não posso decepcioná-los. Eles estão me esperando.</p>
<p>(se concentra, digitando)</p>
<p>Pedro: Quer saber? Desisto. Cansei. Impossível. Impossível!</p>
<p>Lia: (digitando) Certo.</p>
<p>Pedro: Certo o quê?</p>
<p>Lia: (digitando) Isso.</p>
<p>Pedro:Isso? Você é uma louca! Completamente louca!</p>
<p>Lia: (digitando)Concordo.</p>
<p>Pedro: Concorda, né? Claro que você concorda!</p>
<p>Lia: É. Com certeza!</p>
<p>Pedro: Você me irrita! Me irrita muito!</p>
<p>Lia: (digitando) Sem problemas.</p>
<p>Pedro: Sem problemas nada. Olha pra mim, garota! Fala comigo, eu tô falando com você!</p>
<p>Lia: (digitando) Claro!</p>
<p>Pedro: Claro? Você vai ver só o que é claro.</p>
<p>(Plano imaginário. Ele muito irritado, parece virar o incrível Hulk, a empurra, pega seu Iphone e quebra. Ela fica assustadíssima e começa a chorar, então ele a enforca e ela morre. Ele ri como bruxa de desenho animado. Fim do plano imaginário. Pedro está ofegante tempo. ela olha pra ele. Ele ainda está sob o efeito da sua imaginação). </p>
<p>Lia: Você tá bem?</p>
<p>(tempo. Pedro avança na direção dela, como no plano imaginário, parecendo que vai estrangular ela, mas a beija. Depois de um tempo, se afasta. Ela fica sem ar.)</p>
<p>Lia: Uau!</p>
<p>Pedro: Tudo rápido, né? Sem tempo a perder! Eu entendi.</p>
<p>(a beija de novo. Ela fica enlouquecida. Ele Para)</p>
<p>Lia: Não para! Não para!</p>
<p>Pedro: (orgulhoso) Da onde veio esse pode vir muito mais coisas , baby.</p>
<p>Lia: Ai, sério?Eu quero, eu quero agora.</p>
<p>(ela avança nele. Ele se afasta)</p>
<p>Pedro:Espera!</p>
<p>Lia:por quê?</p>
<p>Pedro: você quer mais?</p>
<p>Lia: Quero, quero, quero!Vamos agora para o seu apartamento. Vem cá, me beija todinha.</p>
<p>Pedro: Então vai ter que escolher. Ou ele (aponta para o Iphone), ou eu.</p>
<p>(Lia olha para Pedro, olha para o Iphone repetida vezes)</p>
<p>Lia: Ou você, ou ele?</p>
<p>Pedro: Se quiser ir comigo, vai ter que deixar ele aí.</p>
<p>Lia: Aqui?</p>
<p>Pedro: Senão, me esquece.</p>
<p>(Suspense)</p>
<p>Lia: Você! Você! (ele se agarram.) Eu quero você!</p>
<p>(Toca o telefone. ela olha par ele)</p>
<p>Pedro: Esquece ele, esquece. Vambora. Vem.</p>
<p>Lia:Espera! (Lia fica em dúvida – suspense) Tá. Vambora.</p>
<p>(eles saem se agarrando. Ouvimos a voz dele fora do palco)</p>
<p>Lia (off) : Só um momentinho, gatinho. Eu preciso muito ir ao banheiro. Eu não vou aguentar a té chegar na sua casa.</p>
<p>Pedro: Vai, logo, então. Não demora.</p>
<p>Lia: É rápido;</p>
<p>(Lia volta no palco sozinha, olha para os lados, vê se ninguém tá vendo e pega seu Iphone )</p>
<p>Lia: (para o Iphone) Fica tranquilo, meu amor. Eu nunca vou conseguir te deixar. Você nunca vai me perder!</p>
<p>(Coloca o Iphone na bolsa e sai pelo outro lado. Passa um tempo, volta Pedro)</p>
<p>Pedro: Lia? (vê que ela tá longe. Fala para fora) Lia, volta aqui! (à plateia) Mulheres!</p>
<p>FIM.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>O Retorno &#8211; Capítulo 5</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/07/o-retorno-capitulo-5/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2011/07/o-retorno-capitulo-5/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 11 Jul 2011 16:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[O RETORNO]]></category>

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		<description><![CDATA[INTERIOR – RESTAURANTE – DIA (Joana pega a carta do Chão) REINALDO- Fala, meu amor. O que tem nessa carta? JOANA – Nada. Não é nada. É apenas uma receita médica. REINALDO- Receita médica? Você está doente? Deixa eu ver (Joana esconde a carta no bolso) JOANA- Não! São só remédios rotineiros. Não se preocupe. <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/07/o-retorno-capitulo-5/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>INTERIOR – RESTAURANTE – DIA</p>
<p> (Joana pega a carta do Chão)</p>
<p>REINALDO- Fala, meu amor. O que tem nessa carta?</p>
<p>JOANA – Nada. Não é nada. É apenas uma receita médica.</p>
<p>REINALDO- Receita médica? Você está doente? Deixa eu ver</p>
<p>(Joana esconde a carta no bolso)</p>
<p>JOANA- Não! São só remédios rotineiros. Não se preocupe. Com licença eu já volto.</p>
<p>(Joana vai em direção ao banheiro)</p>
<p>REINALDO &#8211; Ela tá estranha. Será que não gostou da notícia?</p>
<p>LIA- É uma notícia radical. Afinal, de uma hora pra outra vocês vão ter que se mudar para outro país.</p>
<p>REINALDO – Mas vai ser pra melhor. (pausa) Eu vou atrás dela. Com licença.</p>
<p>(Ele se levanta e sai)</p>
<p>LIA- Espera! Eu vou com você.</p>
<p>(Levanta. Otávio segura Lia)</p>
<p>O- Não se mete, Lia. </p>
<p>LIA- Me larga, Otávio.</p>
<p>(Se desvencilha e sai)</p>
<p>Cena 2</p>
<p>INTERIOR- HALL DO BANHEIRO &#8211; DIA</p>
<p>(Reinaldo na porta do banheiro)</p>
<p>REINALDO- Joana, meu amor. Você taí? Tá tudo bem? Você tá estranha, vamos conversar.</p>
<p>(Chega Lia)</p>
<p>LIA- Reinaldo, eu preciso falar com você.</p>
<p>REINALDO- Agora não, Lia. Eu preciso falar com a minha mulher. (para a porta) Meu amor?</p>
<p>LIA- Deixa ela ir no banheiro em paz.</p>
<p>REINALDO – Com licença, Lia. Eu sei muito bem o que fazer com a minha mulher.</p>
<p>LIA- Reinaldo, olha para mim. Eu preciso falar com você. É sério.</p>
<p>(Reinaldo, finalmente olha pra ela)</p>
<p>REINALDO- Que foi, Lia! O que tá acontecendo?</p>
<p>LIA &#8211; Reinaldo, você não pode mudar de país.</p>
<p>REINALDO- Por quê?</p>
<p>LIA- Porque eu te amo! (reação de Reinaldo) Eu te amo, Reinaldo. Eu sempre te amei. Nunca esqueci. (Ela o abraça) Você não pode me deixar.</p>
<p>(Reinaldo tenta se desvencilhar dela)</p>
<p>REINALDO- Lia, você ficou maluca? Me solta. Que papelão é esse? Minha mulher tá no banheiro, ela vai ouvir. Se controla!</p>
<p>LIA- Não! Não! Eu passei 10 anos tentando me controlar. Chega, cansei. Eu tenho que te dizer eu nunca te esqueci. Você é o homem da minha vida!</p>
<p>REINALDO- Lia para com isso. Seu marido tá na mesa te esperando.</p>
<p>LIA- Há 10 anos, quando você terminou comigo pra ficar com a vaca da Joana &#8230;</p>
<p>REINALDO &#8211;  (corta) Não fala assim, ela é a sua melhor amiga!</p>
<p>JOANA- (fazendo escândalo)Vaca! Deixa ela escutar! Vaca mesmo! Cansei de fingir que somos amigas. Eu só me aproximei dela por causa de você. Pra ficar perto de você. Eu só casei com o Otávio, pra ficar perto d e você. Fica comigo, Reinaldo você não pode se mudar assim com a vaca  e me deixar com o jumento !</p>
<p>REINALDO- Me solta, Lia. Você está maluca. Me solta!</p>
<p>LIA- Me beija. Eu tô maluca por você. Sempre fui! Sempre fui!</p>
<p>(Lia tenta beija-lo.)</p>
<p>REINALDO- Meu Deus, o que é que isso?</p>
<p> (Eles ficam num jogo de forças. Reinaldo a puxa e a joga no chão)</p>
<p>Lia- Ah!</p>
<p>REINALDO- Louca, cínica! Esse tempo todo se fazendo de amiguinha. Se afasta de mim, se afasta da minha mulher! (para a porta) Joana!</p>
<p>(A porta do banheiro, finalmente, se abre. Uma mulher desconhecida sai. Ela olha para Lia no Chão e Reinaldo assustada. Vai embora)</p>
<p>REINALDO- Ué? Cadê a Joana?</p>
<p>LIA- Eu sei onde ela pode estar</p>
<p>FIM DO CAPÍTULO 5<br />
CONTINUA</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O Retorno</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/07/o-retorno-3/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Jul 2011 21:17:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[O RETORNO]]></category>

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		<description><![CDATA[CAROS LEITORES POR MOTIVOS DE FORÇAS MAIOR MINHA NOVELA &#8211; O RETORNO VOLTA NA SEMANA QUE VEM, DIA 11/07 ENQUANTO ISSO, VEJAM O QUE JÁ ACONTECEU E NÃO DEIXEM DE ACOMPANHAR O DESFECHO DESSA TÓRRIDA HISTÓRIA: Renata Cena 1 INTERIOR – MANSÃO DE REINALDO E JOANA – QUARTO DE JOANA – NOITE Joana, 35 anos, <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/07/o-retorno-3/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>CAROS LEITORES<br />
POR MOTIVOS DE FORÇAS MAIOR<br />
MINHA NOVELA &#8211; O RETORNO<br />
VOLTA NA SEMANA QUE VEM, DIA 11/07<br />
ENQUANTO ISSO, VEJAM O QUE JÁ ACONTECEU  E NÃO DEIXEM DE ACOMPANHAR O DESFECHO DESSA TÓRRIDA HISTÓRIA:<br />
Renata</p>
<p>Cena 1<br />
 INTERIOR – MANSÃO DE REINALDO E JOANA – QUARTO DE JOANA – NOITE</p>
<p>Joana, 35 anos, está terminando de se arrumar. Sua melhor amiga, Lia,34 anos, a ajuda com os últimos detalhes da roupa.</p>
<p>JOANA: 10 anos<br />
 LIA: Oi?<br />
 JOANA: Hoje faz 10 anos que ele foi embora.<br />
 LIA: Ah, não, Joana! Você ainda pensa nisso?<br />
 JOANA: Eu tento, mas às vezes é mais forte que eu. Principalmente nessa data. 10, anos, Lia. Nunca mais tive notícias dele. Nem uma carta, nem uma mensagem, nem um e-mail, nada.<br />
 LIA: Ainda bem. Pra que você ia querer ter notícias de um cara que acabou coma sua vida?<br />
 JOANA: Não fala assim.<br />
 LIA: Acabou sim, Joana. Será que eu tenho que te relembrar o mal que esse homem te fez? Te deixou sozinha, no dia do casamento…<br />
 JOANA: Chega! Não precisa. Eu sei de tudo, eu lembro de tudo. Como esquecer?<br />
 LIA: Então você já devia ter apagado esse homem da sua cabeça.<br />
 JOANA: Eu o amei tanto…<br />
 LIA: E ele te abandonou.<br />
 JOANA: Nunca mais senti mais nada tão forte por ninguém.<br />
 LIA: Fala baixo. Se seu marido ouvisse isso, ia ficar muito chateado. Ainda mais no dia do seu aniversário.<br />
 JOANA: Que ironia. O Reinaldo fazer aniversário justamente no dia que o outro me deixou.<br />
 LIA: Pois eu acho ótimo! Assim você comemora duas vezes: o aniversário do novo marido, e a saída do traste da sua vida. Já parou pra pensar que se ele não tivesse ido embora, você não ia estar aqui, agora, linda e deslumbrante?<br />
 JOANA: É verdade.<br />
 LIA: E não pega nada bem, no dia do aniversário do seu marido, você ficar pensando em outro homem.</p>
<p>Joana se olha no espelho com orgulho.</p>
<p>JOANA: Eu estou bem?<br />
 LIA: Bem? Você está magnífica. As mulheres te invejam, as revistas te querem, os homens te desejam. Vai ficar perdendo seu tempo pensando no canalha do Gustavo…<br />
 JOANA: (corta) Tem razão! Nem fala o nome dele aqui nessa casa, porque meu marido não merece.<br />
 LIA: Isso, amiga! Hoje é dia de comemorar, não de lamentar. Agora vamos descer, porque o Reinaldo já deve estra sentido a sua falta entre os convidados.<br />
 JOANA: Reinaldo é o meu anjo. Ele merece a melhor das festas. Vamos. Obrigada, amiga. Você é muito importante pra mim.<br />
 LIA: Não fala assim se eu não choro. E como vai ficar a minha maquiagem diante das câmeras?</p>
<p>As duas riem.</p>
<p>Cena 2</p>
<p>INTERIOR – MANSÃO DE REINALDO E JOANA – SALÃO PRINCIPAL – NOITE</p>
<p>Os convidados estão espalhados pelo salão. Joana desce as escadas deslumbrante. Vários fotógrafos tiram fotos. Todos param para olhá-la. Lia está atrás.</p>
<p>Reinaldo e Otávio conversam. Vemos atrás deles, Joana cumprimentar vários convidados</p>
<p>OTÁVIO: Sua mulher está cada dia mais linda.<br />
 REINALDO: E você não sabe que trabalho isso me dá.<br />
 OTÁVIO: Eu imagino.</p>
<p>Riem. Joana se aproxima com Lia.</p>
<p>JOANA: Eu posso saber o que vocês dois estão tramando?</p>
<p>Joana um beijinho em Reinaldo. Lia dá um beijinho em Otávio</p>
<p>OTÁVIO: Tramando?<br />
 REINALDO: Estava falando para o Otávio, que se você continuar ficando cada vez mais bonita, vamos morar numa ilha deserta para fugir de tantos assédios.<br />
 JOANA: Ai, meu amor, que exagero. Você sabe muito bem que eu só tenho olhos para você. (cumplicidade com Lia)<br />
 REINALDO: Isso é verdade. É por isso que eu sou o homem mais feliz desse mundo!<br />
 LIA : (para Otávio) E você, meu bem? Também se sente o homem mais feliz desse mundo?<br />
 OTÁVIO: Bem… (silêncio)<br />
 LIA: Bem o quê?<br />
 OTÁVIO: Claro! Imagina! Como não estar feliz ao lado de uma mulher tão… (pausa)<br />
 LIA: Tão o quê?<br />
 OTÁVIO: (buscando as palavras) Especial.<br />
 LIA: Especial? O que quer dizer especial? Não gostei.<br />
 OTÁVIO: Lia, não vamos discutir por causa de uma bobagem…<br />
 LIA: Bobagem? Você não consegue me dar um adjetivo decente, Otávio…</p>
<p>Eles começam a brigar. Joana e Reinaldo se olham e saem.</p>
<p>REINALDO: Esses dois não têm jeito.<br />
 JOANA: Está gostando da sua festa?<br />
 REINALDO: Maravilhosa. Mas o que eu vou gostar mesmo é depois que todo mundo for embora e eu ter você só pra mim. (dá um beijo no pescoço dela)<br />
 JOANA: Se controla. Tá todo mundo olhando.<br />
 REINALDO: Eu tô louco pra gente…</p>
<p>A empregada, Tereza, se aproxima.</p>
<p>Tereza: (corta) Com licença, dona Joana. Posso falar com você um instante na cozinha?<br />
 JOANA: Claro. (à Reinaldo) Vai falar com seus amigos, que eu vou ver o que ela quer.</p>
<p>Se afasta com Tereza.</p>
<p>Cena 3</p>
<p>INTERIOR – MANSÃO – COZINHA – NOITE</p>
<p>JOANA: O que foi? Que cara é essa?<br />
 TEREZA: Tem um homem lá fora querendo falar com você.<br />
 JOANA: Ué? Deve ser um convidado…<br />
 TEREZA: Não é convidado de ninguém não.<br />
 JOANA: Então quem é?<br />
 TEREZA: Eu perguntei, mas ele disse que se dizer quem é, você não vai querer falar com ele.<br />
 JOANA: Que coisa mais estranha.<br />
 TEREZA: Disse que vocês não se veem há dez anos.<br />
 JOANA: Dez anos? (pausa) Não deixa entrar ninguém…<br />
 TEREZA: (corta) Eu tentei mas…<br />
 Gustavo: (corta) Eu entrei mesmo assim.</p>
<p>Tempo. Joana olha para Gustavo, chocada</p>
<p>JOANA: Gustavo?<br />
 Gustavo: Eu voltei.</p>
<p>FIM DO PRIMEIRO CAPÍTULO.<br />
 CAPÍTULO 2</p>
<p>“ Eu sei que você provavelmente não vai responder esta carta. Mas mesmo assim não deixo de escreve-la. É a única forma que tenho para me conectar a você. Lembra que fazíamos isso? Escrevíamos longas cartas de amor e tentávamos adivinhar o que outro havia escrito. Às vezes chegávamos tão perto, que nem precisávamos ler. Ah! Tempos que marcaram minha vida, e sinto um desespero ao saber que ele ficou perdido em alguma curva da nossa história. Mas não escrevo essa carta para me lamentar. Escrevo para te perdoar. E ouso dizer que te entendo. Quantas vezes me coloquei no seu lugar e me perguntei se não faria o mesmo, caso presenciasse aquela cena. Mas não não sou culpada de nada. Ao contrário, sou vítima. Vítima de um plano árduo e venenoso de alguém inescrupuloso. Jamais te traí. Como poderia, se você era o único que dava sentido à minha vida, aquela vida tão difícil e cruel que levava? Por que você não me deixou explicar? Por que não me ouviu? Preferiu acreditar nas pessoas que não me queriam bem, nos invejosos. Eu não traí. Nunca vira aquele homem, aquele agouro, besta, que justamente no dia de nosso casamento, me desgraçou. E eu só quis ser gentil. Afinal, ia casar com você. Estava incrivelmente feliz. Não fiz nada. Juro! Nada! E até hoje me pergunto por que você estava lá, justamente na hora. Parecia que alguém te avisou. Tudo tão estranho. Queriam a minha tristeza. E infelizmente conseguiram. Gustavo, volte para mim. Vamos recomeçar. Acredite em minhas palavras. Por favor. Nunca conseguirei amar outro homem como amei você.<br />
 Joana.<br />
 INTERIOR – MANSÃO DE REINALDO E JOANA- COZINHA – NOITE</p>
<p>JOANA: Gustavo?<br />
 GUSTAVO: Eu voltei.</p>
<p>Joana chocada, não sabe o que dizer. Grande tempo. Gustavo ainda é o mesmo homem bonito e charmoso de sempre. As rugas a mais em seu rosto, o torna ainda mais atraente.</p>
<p>JOANA: Te- Tereza. Vai lá pra sala. Não volta aqui até eu chamar.<br />
 TEREZA: Com licença.</p>
<p>Tereza vai saindo.</p>
<p>JOANA: Ah!</p>
<p>Tereza para</p>
<p>JOANA: Não diga nada a ninguém.</p>
<p>Tereza sai. Joana volta a olhar chocada para Gustavo. Seus olhos não querem acreditar no que veem.</p>
<p>JOANA: O que você faz aqui?<br />
 GUSTAVO: Você está cada vez mais linda.<br />
 JOANA: O que você quer?<br />
 GUSTAVO: Eu esperei tanto por esse momento. Olha. Estou tremendo.<br />
 JOANA: você não tem o direito de vir aqui assim e…</p>
<p>Escutam a voz de Lia que vem da sala.</p>
<p>LIA: (off- corta) Amiga?</p>
<p>Joana fica apavorada.</p>
<p>JOANA: Ninguém pode te ver aqui. Abaixa!</p>
<p>Gustavo se esconde debaixo da mesa. Entra Lia.</p>
<p>LIA: Amiga, tá tudo bem? Tá mundo sentindo a sua falta.<br />
 JOANA: Sim. Eu só vim tomar um copo de água.<br />
 LIA: Ué? O garçom traz pra você.<br />
 JOANA: Eu já vou indo.<br />
 LIA: Tá tudo bem mesmo? Você tá tão pálida.<br />
 JOANA: Tá tudo bem, Lia. Eu só preciso de alguns segundos.<br />
 LIA: (entranha) qualquer coisa me chama.</p>
<p>Lia sai. Gustavo levanta.</p>
<p>GUSTAVO: Desculpa atrapalhar sua festa…<br />
 JOANA: (corta) Acho que você percebeu que eu não posso falar com vo …<br />
 GUSTAVO: (corta) Eu trouxe a carta .<br />
 JOANA: Que carta?<br />
 GUSTAVO: A que você escreveu pra mim, lembra?<br />
 JOANA: Eu não sei de carta nenhuma. Por favor, vai embora.<br />
 GUSTAVO: Há nove anos. Um ano depois que eu te deixei. Nunca me separei dela. Eu não pude te responder. Eu preciso te explicar.<br />
 JOANA: Não há mais nada pra explicar. Eu já te esqueci.<br />
 GUSTAVO: Tanta coisa aconteceu.<br />
 JOANA: Meu marido não merece.<br />
 GUSTAVO: Você nunca saiu da minha cabeça.<br />
 JOANA: Saia daqui agora!<br />
 GUSTAVO: Você precisa saber de tudo.</p>
<p>Escutam a voz de Reinaldo que vem da sala.</p>
<p>REINALDO: (off) Amor?<br />
 JOANA: É o Reinaldo! Meu marido!</p>
<p>Gustavo se esconde. Reinaldo entra.</p>
<p>REINALDO: Joana? O que você tá fazendo aí?<br />
 JOANA: Eu já vou indo. Vim só pegar um pouco de ar. Você sabe. Tanta gente na sala…<br />
 REINALDO: Ô, minha querida. Vamos acabar logo com isso. Vamos cantar o parabéns e mandar todos pra suas casas.<br />
 JOANA: Sim, sim! Vamos. Me dá só mais um minuto. Eu juro. Eu já vou.<br />
 REINALDO: Tá bom, minha andorinha. Te espero</p>
<p>Dão um singelo beijinho na boca. Gustavo volta.</p>
<p>GUSTAVO: Você não gosta dele<br />
 JOANA: Cala a boca!<br />
 GUSTAVO: Eu vejo. Seus olhos não brilham por ele como brilham por mim. Ainda.</p>
<p>Joana anda devagar até Gustavo. Pensamos que vai beijá-lo, mas lhe dá um belo tapa em seu rosto.</p>
<p>JOANA: Cachorro!</p>
<p>Gustavo sorri, a segura e a beija. Um beijo forte e intenso. De perder o fôlego. Ela reluta, mas acaba deixando. Finalmente , se afasta.</p>
<p>JOANA: (atordoada) Por quê? Por quê?<br />
 GUSTAVO: Eu estou hospedado no Park Hotel. Me encontre lá amanhã às onze horas.<br />
 JOANA: Não!<br />
 GUSTAVO: Onze horas.<br />
 JOANA: Não!<br />
 GUSTAVO: Joana, quando você me ouvir, vai entender tudo. E vai voltar<br />
 JOANA: Eu não vou…</p>
<p>Gustavo vai embora.<br />
 JOANA: Gustavo?</p>
<p>Ele já foi. Joana coloca a mão na boca. Volta Lia. Joana chora.</p>
<p>LIA: Joana , já tá pegando mal… O que foi amiga?<br />
 JOANA: Ah, meu Deus! Não!<br />
 LIA: Não o quê? O que aconteceu?<br />
 JOANA: Ele voltou! Ele voltou!<br />
 LIA: Ele quem?</p>
<p>Joana chora.</p>
<p>JOANA: Gustavo. Ele estava aqui bem agora.<br />
 LIA: Não é possível.<br />
 JOANA: Eu preciso ser forte. Preciso da sua ajuda!<br />
 LIA: Joana, olha pra mim. Olha pra mim. Se controla! Eu vou te ajudar. Agora se recomponha. Seu marido não pode saber. Vai indo na frente. Eu vou beber um copo d’água.</p>
<p>Joana respira fundo.</p>
<p>JOANA: Tá certo. Meu marido não pode saber. Vem logo.</p>
<p>Tira as lágrimas dos olhos. Ajeita o cabelo e sai, austera e imponente.<br />
 Tempo. Lia, sozinha, procura alguém.</p>
<p>LIA: Ainda está aí?</p>
<p>Volta Gustavo.</p>
<p>GUSTAVO: Sim.<br />
 LIA: Deu tudo certo?<br />
 GUSTAVO: Tudo, Lia . Ela vai voltar pra mim.<br />
 LIA: Tem certeza?<br />
 GUSTAVO: Absoluta.<br />
 LIA: Maravilha. Não vejo a hora de acabar com a vida desta mulher. Finalmente.</p>
<p>Voz de Joana de fora.</p>
<p>JOANA: (off) Lia, vamos cantar o parabéns<br />
 LIA: Tô indo, amiga! (sombria- pra si) Me aguarde.</p>
<p>Sorriso maligno de Lia</p>
<p>FIM DO CAPÍTULO 2<br />
CAPÍTULO 3<br />
Int- Quarto de hotel- Dia</p>
<p>Gustavo está a espera. Batem na porta.</p>
<p>GUSTAVO- Tá aberta.</p>
<p>Joana entra. Óculos escuros, lenço no cabelo. Se vestiu para não ser reconhecida.<br />
 Grande silêncio. Eles se olham. Olhos nos olhos. </p>
<p>JOANA- Você tem apenas 5 minutos.<br />
 GUSTAVO- 5 minutos?<br />
 JOANA- Depois vou embora.<br />
 GUSTAVO- Ele está lá fora. Seu marido?<br />
 JOANA- O que você quer?<br />
 GUSTAVO- Você sabe. Olha pra mim.<br />
 JOANA- Como posso saber?</p>
<p>Gustavo se aproxima</p>
<p>GUSTAVO- Você sabe!<br />
 JOANA- Fala!<br />
 GUSTAVO- Olha pra mim.<br />
 JOANA- Eu já disse. Não pense que depois de 10 anos sem dar uma notícia, você pode voltar na minha vida achando que vai…<br />
 GUSTAVO_ O quê?<br />
 JOANA- Você sabe!<br />
 GUSTAVO- Mas foi pra isso mesmo que eu voltei. Eu quero ficar com você.</p>
<p>Joana começa a rir descontrolada</p>
<p>JOANA_ Louco! Maluco! Você acha que é assim? 10 anos e é assim. (debocha)”Eu quero ficar com você?” Se foi pra isso que você me chamou aqui, adeus! Eu não sou mais uma idiota.<br />
 GUSTAVO- eu tenho algo pra te dar.</p>
<p>mostra uma carta</p>
<p>JOANA_ Que é isso?<br />
 GUSTAVO- Uma resposta. Uma resposta a sua carta. Pegue. Eu imaginava que você ia embora, assim, desse jeito, por isso escrevi.</p>
<p>Joana resiste, mas pega a carta.</p>
<p>GUSTAVO- Você está tremendo.<br />
 JOANA- Eu não devia ter vindo.<br />
 GUSTAVO – Mas veio.<br />
 JOANA – Me esquece.</p>
<p>Gustavo pega nas mãos de Joana. Ela se afasta.</p>
<p>JOANA- Não me toca!<br />
 GUSTAVO- Você não ficou pensando no nosso beijo de ontem?<br />
 JOANA_ Me esquece, Gustavo.<br />
 GUSTAVO- Você ainda me ama.<br />
 JOANA- Adeus!<br />
 GUSTAVO- Eu sei que sim.<br />
 JOANA- Adeus!</p>
<p>GUSTAVO- A carta! Leia a minha carta.</p>
<p>Joana vai correndo. Gustavo pega o telefone.</p>
<p>GUSTAVO- (ao telefone) Oi, sou eu. A carta foi entregue. Em pouco tempo tudo estará mudado.</p>
<p>FIM DO CÁPÍTULO 3<br />
capítulo 4<br />
Interior – restaurante – dia</p>
<p>Estão na mesa: Reinaldo, marido de Joana e Lia e Otávio, casal de amigos de Joana e Reinaldo.</p>
<p>REINALDO: Meia hora? O que está acontecendo, Joana não é de atrasar tanto.</p>
<p>LIA: Você sabe como ela é vaidosa, deve estar em algum salão de beleza.</p>
<p>REINALDO: Estranho. Ela pode ser vaidosa, mas sempre foi pontual. Eu tô nervoso.</p>
<p>LIA: Relaxa, Reinaldo. O que poderia ter acontecido?</p>
<p>(eles avistam Joana)</p>
<p>LIA: Pronto, chegou!</p>
<p>OTÁVIO: Sua mulher está sempre linda.</p>
<p>LIA: E eu? A SUA mulher?</p>
<p>REINALDO: Não vão brigar agora, por favor. O momento é importante.</p>
<p>LIA: Tudo bem, meu bem. Por você eu não brigo com esse aí.</p>
<p>OTÁVIO: Esse aí, não, Lia!</p>
<p>LIA: Cala a boca, Otávio…</p>
<p>(chega Joana visivelmente abalada)</p>
<p>JOANA: (corta) Desculpa o atraso.</p>
<p>REINALDO: (nervoso) Aconteceu alguma coisa, você tá bem, tá precisando de algo?</p>
<p>JOANA: Eu só tive uns imprevistos…</p>
<p>REINALDO: Imprevistos? Ficou chateada com alguém? Me conta, eu não quero que você se aborreça por nada.</p>
<p>(Enquanto eles falam, vemos Otávio e lia cochichando.)</p>
<p>OTÁVIO: (para Lia, sem que REINALDO e JOANA escutem) Odeio esse mimo todo dele.</p>
<p>LIA : (para Lia, sem que REINALDO e JOANA escutem) Muito melhor ser assim, do que um desleixado como você.<br />
 Voltamos a ouvir REINALDO e JOANA. OTÁVIO e LIA voltam a conversar.</p>
<p>REINALDO: Não entendo como o nosso motorista pode ter se perdido. Ele tá tão acostumado a me levar aqui.</p>
<p>JOANA: Acontece, meu amor. Ele deve ter se distraído. Mas esquece. Por que você quis tanto marcar esse encontro? Aliás, desculpem. </p>
<p>LIA: É verdade. A gente não agüenta mais de curiosidade.<br />
 OTÁVIO : A gente quem?</p>
<p>LIA: Você já sabe?</p>
<p>OTÀVIO: Ué? Eu não trabalho com o Reinaldo?</p>
<p>LIA: E não me contou nada? Você não serve pra nada mesmo.</p>
<p>JOANA: Algum problema na empresa, Rei?</p>
<p>REINALDO: Não, meu amor. Pelo contrário. Eu chamei vocês aqui pra gente comemorar. (ao garçom) Garçom, pode trazer o champanhe, por favor.</p>
<p>JOANA: Champanhe essa hora? Comemorar o quê?</p>
<p>REINALDO: Ontem, na festa lá em casa, eu recebi um presente. Um presente do presidente da empresa.</p>
<p>LIA: Aliás, que homem elegante.</p>
<p>OTÁVIO: Lia!</p>
<p>JOANA: Que presente?</p>
<p>(volta o garçom com as taças de champanhe)</p>
<p>REINALDO : Você já vai saber. (ao garçom) Obrigado!(a eles) Peguem suas taças e vamos brindar. (todos pegam suas taças) Um brinde ao mais novo diretor geral da empresa! Eu!</p>
<p>JOANA: Diretor geral? Meu amor, que maravilha! Parabéns. </p>
<p>REINALDO: Eu não te contei antes, porque queria assinar os papéis primeiro hoje cedo. E ó. (mostra os papeis) Eles estão aqui!</p>
<p>JOANA: Sim, sim! Vamos brindar muito. Você merece! Deixa eu ver os papéis.</p>
<p>(ela pega pra ver e lê)</p>
<p>LIA: Puxa, Rei! Que chique que você está. Se deu bem, hein amiga?</p>
<p>JOANA: (lendo) Reinaldo Castro Guimarães, novo diretor geral da empresa, assumirá o cargo na sede… (para) Na sede?</p>
<p>REINALDO: Ah, sim claro. Como diretor geral, vou trabalhar na sede.</p>
<p>JOANA: Nos Estados Unidos?</p>
<p>REINALDO: Sim, meu amor! Vamos nos mudar. Vamos para os Estados Unidos, mais especificamente, Califórnia!</p>
<p>(Joana e Lia se olham estupefatas. Silêncio)</p>
<p>REINALDO: Que foi? Não gostou?</p>
<p>JOANA: Rei, eu não quero me mudar. Não agora.</p>
<p>OTÁVIO: Iiiihhh!</p>
<p>REINALDO: Por quê? Tem alguma coisa que te impede aqui? Você só tem a mim.</p>
<p>LIA: Só você não. Tem a mim também.</p>
<p>(Joana levanta nervosa)</p>
<p>REINALDO: Aonde você vai?</p>
<p>JOANA: Ao toalete. Já volto e a gente continua.</p>
<p>(cai uma carta no chão, Joana não vê, Reinaldo pega)</p>
<p>REINALDO: Joana? Caiu essa carta do seu bolso. Posso saber o que é?<br />
 FIM DO CAPÍTULO 4<br />
CONTINUA</p>
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		</item>
		<item>
		<title>O RETORNO &#8211; Capítulo 4</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/06/o-retorno-2/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2011/06/o-retorno-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Jun 2011 03:08:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[O RETORNO]]></category>

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		<description><![CDATA[Interior &#8211; restaurante – dia Estão na mesa: Reinaldo, marido de Joana e Lia e Otávio, casal de amigos de Joana e Reinaldo. REINALDO: Meia hora? O que está acontecendo, Joana não é de atrasar tanto. LIA: Você sabe como ela é vaidosa, deve estar em algum salão de beleza. REINALDO: Estranho. Ela pode ser <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/06/o-retorno-2/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Interior &#8211; restaurante – dia</p>
<p>Estão na mesa: Reinaldo, marido de Joana e Lia e Otávio, casal de amigos de Joana e Reinaldo.</p>
<p>REINALDO: Meia hora? O que está acontecendo, Joana não é de atrasar tanto.</p>
<p>LIA: Você sabe como ela é vaidosa, deve estar em algum salão de beleza.</p>
<p>REINALDO: Estranho. Ela pode ser vaidosa, mas sempre foi pontual. Eu tô nervoso.</p>
<p>LIA: Relaxa, Reinaldo. O que poderia ter acontecido?</p>
<p>(eles avistam Joana)</p>
<p>LIA: Pronto, chegou!</p>
<p>OTÁVIO: Sua mulher está sempre linda.</p>
<p>LIA: E eu? A SUA mulher?</p>
<p>REINALDO: Não vão brigar agora, por favor. O momento é importante.</p>
<p>LIA: Tudo bem, meu bem. Por você eu não brigo com esse aí.</p>
<p>OTÁVIO: Esse aí, não, Lia!</p>
<p>LIA: Cala a boca, Otávio&#8230;</p>
<p> (chega Joana visivelmente abalada)</p>
<p>JOANA: (corta) Desculpa o atraso.</p>
<p>REINALDO: (nervoso) Aconteceu alguma coisa, você tá bem, tá precisando de algo?</p>
<p>JOANA: Eu só tive uns imprevistos&#8230;</p>
<p>REINALDO: Imprevistos? Ficou chateada com alguém? Me conta, eu não quero que você se aborreça por nada.</p>
<p> (Enquanto eles falam, vemos Otávio e lia cochichando.)</p>
<p>OTÁVIO: (para Lia, sem que REINALDO e JOANA escutem) Odeio esse mimo todo dele.</p>
<p>LIA : (para Lia, sem que REINALDO e JOANA escutem) Muito melhor ser assim, do que um desleixado como você.<br />
Voltamos a ouvir REINALDO e JOANA. OTÁVIO e LIA voltam a conversar.</p>
<p>REINALDO: Não entendo como o nosso motorista pode ter se perdido. Ele tá tão acostumado a me levar aqui.</p>
<p>JOANA: Acontece, meu amor. Ele deve ter se distraído. Mas esquece. Por que você quis tanto marcar esse encontro? Aliás, desculpem.  </p>
<p>LIA: É verdade. A gente não agüenta mais de curiosidade.<br />
OTÁVIO : A gente quem?</p>
<p>LIA: Você já sabe?</p>
<p>OTÀVIO: Ué? Eu não trabalho com o Reinaldo?</p>
<p>LIA: E não me contou nada? Você não serve pra nada mesmo.</p>
<p>JOANA: Algum problema na empresa, Rei?</p>
<p>REINALDO: Não, meu amor. Pelo contrário. Eu chamei vocês aqui pra gente comemorar. (ao garçom) Garçom, pode trazer o champanhe, por favor.</p>
<p>JOANA: Champanhe essa hora? Comemorar o quê?</p>
<p>REINALDO: Ontem, na festa lá em casa, eu recebi um presente. Um presente do presidente da empresa.</p>
<p>LIA: Aliás, que homem elegante.</p>
<p>OTÁVIO: Lia!</p>
<p>JOANA: Que presente?</p>
<p>(volta o garçom com as taças de champanhe)</p>
<p>REINALDO : Você já vai saber. (ao garçom) Obrigado!(a eles) Peguem suas taças e vamos brindar. (todos pegam suas taças) Um brinde ao mais novo diretor geral da empresa! Eu!</p>
<p>JOANA: Diretor geral? Meu amor, que maravilha! Parabéns. </p>
<p>REINALDO: Eu não te contei antes, porque queria assinar os papéis primeiro hoje cedo. E ó. (mostra os papeis) Eles estão aqui!</p>
<p>JOANA: Sim, sim! Vamos brindar muito. Você merece! Deixa eu ver os papéis.</p>
<p>(ela pega pra ver e lê)</p>
<p>LIA: Puxa, Rei! Que chique que você está. Se deu bem, hein amiga?</p>
<p>JOANA: (lendo) Reinaldo Castro Guimarães, novo diretor geral da empresa, assumirá o cargo na sede&#8230; (para) Na sede?</p>
<p>REINALDO: Ah, sim claro. Como diretor geral, vou trabalhar na sede.</p>
<p>JOANA: Nos Estados Unidos?</p>
<p>REINALDO: Sim, meu amor! Vamos nos mudar. Vamos para os Estados Unidos, mais especificamente, Califórnia!</p>
<p>(Joana e Lia se olham estupefatas. Silêncio)</p>
<p>REINALDO: Que foi? Não gostou?</p>
<p>JOANA: Rei, eu não quero me mudar. Não agora.</p>
<p>OTÁVIO: Iiiihhh!</p>
<p>REINALDO: Por quê? Tem alguma coisa que te impede aqui? Você só tem a mim.</p>
<p>LIA: Só você não. Tem a mim também.</p>
<p>(Joana levanta nervosa)</p>
<p>REINALDO: Aonde você vai?</p>
<p>JOANA: Ao toalete. Já volto e a gente continua.</p>
<p>(cai uma carta no chão, Joana não vê, Reinaldo pega)</p>
<p>REINALDO: Joana? Caiu essa carta do seu bolso. Posso saber o que é?</p>
<p>CONTINUA</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Retorno &#8211; Capítulo 3</title>
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		<pubDate>Mon, 30 May 2011 17:55:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[O RETORNO]]></category>

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		<description><![CDATA[Int- Quarto de hotel- Dia Gustavo está a espera. Batem na porta. GUSTAVO- Tá aberta. Joana entra. Óculos escuros, lenço no cabelo. Se vestiu para não ser reconhecida. Grande silêncio. Eles se olham. Olhos nos olhos. JOANA- Você tem apenas 5 minutos. GUSTAVO- 5 minutos? JOANA- Depois vou embora. GUSTAVO- Ele está lá fora. Seu <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/05/o-retorno-capitulo-3/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Int- Quarto de hotel- Dia</p>
<p> Gustavo está a espera. Batem na porta.</p>
<p> GUSTAVO- Tá aberta.</p>
<p>Joana entra. Óculos escuros, lenço no cabelo. Se vestiu para não ser reconhecida.<br />
 Grande silêncio. Eles se olham. Olhos nos olhos. </p>
<p> JOANA- Você tem apenas 5 minutos.<br />
GUSTAVO- 5 minutos?<br />
JOANA- Depois vou embora.<br />
GUSTAVO- Ele está lá fora. Seu marido?<br />
JOANA- O que você quer?<br />
GUSTAVO- Você sabe. Olha pra mim.<br />
JOANA- Como posso saber?</p>
<p>Gustavo se aproxima</p>
<p>GUSTAVO- Você sabe!<br />
JOANA- Fala!<br />
GUSTAVO- Olha pra mim.<br />
JOANA- Eu já disse. Não pense que depois de 10 anos sem dar uma notícia, você pode voltar na minha vida achando que vai&#8230;<br />
GUSTAVO_ O quê?<br />
JOANA- Você sabe!<br />
GUSTAVO- Mas foi pra isso mesmo que eu voltei. Eu quero ficar com você.</p>
<p>Joana começa a rir descontrolada</p>
<p>JOANA_ Louco! Maluco! Você acha que é assim? 10 anos e é assim. (debocha)”Eu quero ficar com você?” Se  foi pra isso que você me chamou aqui, adeus! Eu não sou mais uma idiota.<br />
GUSTAVO- eu tenho algo pra te dar.</p>
<p>mostra uma carta</p>
<p>JOANA_ Que é isso?<br />
GUSTAVO- Uma resposta. Uma resposta a sua carta. Pegue. Eu imaginava que você ia embora, assim, desse jeito, por isso escrevi.</p>
<p>Joana resiste, mas pega a carta.</p>
<p>GUSTAVO- Você está tremendo.<br />
JOANA- Eu não devia ter vindo.<br />
GUSTAVO &#8211; Mas veio.<br />
JOANA &#8211; Me esquece.</p>
<p>Gustavo pega nas mãos de Joana. Ela se afasta.</p>
<p>JOANA- Não me toca!<br />
GUSTAVO- Você não ficou pensando no nosso beijo de ontem?<br />
JOANA_ Me esquece, Gustavo.<br />
GUSTAVO- Você ainda me ama.<br />
JOANA- Adeus!<br />
GUSTAVO- Eu sei que sim.<br />
JOANA- Adeus!</p>
<p>GUSTAVO- A carta! Leia a minha carta.</p>
<p>Joana vai correndo. Gustavo pega o telefone.</p>
<p>GUSTAVO- (ao telefone) Oi, sou eu. A carta foi entregue. Em pouco tempo tudo estará mudado.</p>
<p>CONTINUA&#8230;</p>
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		<title>O retorno- semana que vem- capítulo 3</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/05/o-retorno-semana-que-vem-capitulo-3/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 21:33:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[O RETORNO]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, leitores! por motivos de força maior, o capítulo três , será postado semana que vem. Não percam essa trama cheia de intrigasm traições, paixões devastadoras e quem sabe, um crime. Enquanto isso, relembrem os capítulos 1 e 2. Obrigada, Renata]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, leitores! por motivos de força maior, o capítulo três , será postado semana que vem. Não percam essa trama cheia de intrigasm traições, paixões devastadoras e quem sabe, um crime. Enquanto isso, relembrem os capítulos 1 e 2.<br />
Obrigada, Renata</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>O retorno &#8211; mini novela &#8211; segundo capítulo</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/05/o-retorno-mini-novela-segundo-capitulo/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 13:39:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[O RETORNO]]></category>

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		<description><![CDATA[No Capítulo Anterior - vemos algumas reconstituições. A imagem passa estilo videoclipe.….LIA: Vai ficar perdendo seu tempo pensando no canalha do Gustavo… Hoje é dia de comemorar, não de lamentar. Agora vamos descer, porque o Reinaldo já deve estra sentido a sua falta entre os convidados. JOANA: Reinaldo é o meu anjo. Ele merece a <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/05/o-retorno-mini-novela-segundo-capitulo/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>No Capítulo Anterior -<br />
vemos algumas reconstituições. A imagem passa estilo videoclipe.</strong>….LIA:  Vai ficar perdendo seu tempo pensando no canalha do Gustavo… Hoje é dia de comemorar, não de lamentar. Agora vamos descer, porque o Reinaldo já deve estra sentido a sua falta entre os convidados.<br />
JOANA: Reinaldo é o meu anjo. Ele merece a melhor das festas. Vamos. Obrigada, amiga. Você é muito importante pra mim&#8230;</p>
<p>&#8230;REINALDO:  É sou o homem mais feliz desse mundo! &#8230;</p>
<p>&#8230; JOANA: Dez anos? (pausa) Não deixa entrar ninguém…<br />
TEREZA: (corta) Eu tentei mas…<br />
GUSTAVO: (corta) Eu entrei mesmo assim.</p>
<p>Tempo. Joana olha para Gustavo, chocada</p>
<p>JOANA: Gustavo?<br />
GUSTAVO: Eu voltei.</p>
<p><strong>CAPÍTULO 2</strong></p>
<p><em><em>“ Eu sei que você provavelmente não vai responder esta carta.  Mas mesmo assim não deixo de escreve-la. É a única forma que tenho para me conectar a você. Lembra que fazíamos isso? Escrevíamos longas cartas de amor e tentávamos adivinhar o que outro havia escrito. Às vezes chegávamos tão perto, que nem precisávamos ler. Ah! Tempos que marcaram minha vida, e sinto um desespero ao saber que ele ficou perdido em alguma curva da nossa história. Mas não escrevo essa carta para me lamentar. Escrevo para te perdoar.  E ouso dizer que te entendo. Quantas vezes me coloquei no seu  lugar e me perguntei se não faria o mesmo, caso presenciasse aquela cena. Mas não não sou culpada de nada. Ao contrário, sou vítima. Vítima de um plano árduo e venenoso de alguém inescrupuloso. Jamais te traí. Como poderia, se você era o único que dava sentido à minha vida, aquela vida tão difícil e cruel que levava?  Por que você não me deixou explicar? Por que não me ouviu? Preferiu acreditar nas pessoas que não me queriam bem, nos invejosos.  Eu não traí. Nunca vira aquele homem, aquele agouro, besta, que justamente no dia de nosso casamento, me desgraçou. E eu só quis ser gentil. Afinal, ia casar com você. Estava incrivelmente feliz. Não fiz nada. Juro! Nada! E até hoje me pergunto por que você estava lá, justamente na hora. Parecia que alguém te avisou. Tudo tão estranho. Queriam a minha tristeza. E infelizmente conseguiram. Gustavo,  volte para mim. Vamos recomeçar. Acredite em minhas palavras. Por favor. Nunca conseguirei amar outro homem como amei você.<br />
Joana.</em></em><br />
INTERIOR – MANSÃO DE REINALDO E JOANA- COZINHA &#8211; NOITE</p>
<p>JOANA: Gustavo?<br />
GUSTAVO: Eu voltei.</p>
<p>Joana chocada, não sabe o que dizer. Grande tempo. Gustavo ainda é o mesmo homem bonito e charmoso de sempre. As rugas a mais em seu rosto, o torna ainda mais atraente.</p>
<p>JOANA: Te- Tereza. Vai lá pra sala. Não volta aqui até eu chamar.<br />
TEREZA: Com licença.</p>
<p>Tereza vai saindo.</p>
<p>JOANA: Ah!</p>
<p>Tereza para</p>
<p>JOANA: Não diga nada a ninguém.</p>
<p>Tereza sai. Joana volta a olhar chocada para Gustavo. Seus olhos não querem acreditar no que veem.</p>
<p>JOANA: O que você faz aqui?<br />
GUSTAVO: Você está cada vez mais linda.<br />
JOANA: O que você quer?<br />
GUSTAVO: Eu esperei tanto por esse momento. Olha. Estou tremendo.<br />
JOANA: você não tem o direito de vir aqui assim e&#8230;</p>
<p>Escutam a voz de Lia que vem da sala.</p>
<p>LIA:  (off- corta) Amiga?</p>
<p>Joana fica apavorada.</p>
<p>JOANA:  Ninguém pode te ver aqui.  Abaixa!</p>
<p>Gustavo se esconde debaixo da mesa. Entra Lia.</p>
<p>LIA: Amiga, tá tudo bem?  Tá mundo sentindo a sua falta.<br />
JOANA: Sim. Eu só vim tomar um copo de água.<br />
LIA: Ué? O garçom traz pra você.<br />
JOANA: Eu já vou indo.<br />
LIA: Tá tudo bem mesmo? Você tá tão pálida.<br />
JOANA: Tá tudo bem, Lia. Eu só preciso de alguns segundos.<br />
LIA: (entranha) qualquer coisa me chama.</p>
<p>Lia sai. Gustavo levanta.</p>
<p>GUSTAVO: Desculpa atrapalhar sua festa&#8230;<br />
JOANA: (corta) Acho que você percebeu que eu não posso falar com vo &#8230;<br />
GUSTAVO: (corta) Eu trouxe a carta .<br />
JOANA:  Que carta?<br />
GUSTAVO: A que você escreveu pra mim, lembra?<br />
JOANA: Eu não sei de carta nenhuma. Por favor, vai embora.<br />
GUSTAVO: Há nove anos. Um ano depois que eu te deixei. Nunca me separei dela. Eu não pude te responder. Eu preciso te explicar.<br />
JOANA: Não há mais nada pra explicar. Eu já te esqueci.<br />
GUSTAVO: Tanta coisa aconteceu.<br />
JOANA: Meu marido não merece.<br />
GUSTAVO: Você nunca saiu da minha cabeça.<br />
JOANA: Saia daqui agora!<br />
GUSTAVO: Você precisa saber de tudo.</p>
<p>Escutam a voz de Reinaldo que vem da sala.</p>
<p>REINALDO: (off) Amor?<br />
JOANA: É o Reinaldo! Meu marido!</p>
<p>Gustavo se esconde. Reinaldo entra.</p>
<p>REINALDO: Joana? O que você tá fazendo aí?<br />
JOANA:  Eu já vou indo. Vim só pegar um pouco de ar. Você sabe. Tanta gente na sala&#8230;<br />
REINALDO: Ô, minha querida. Vamos acabar logo com isso. Vamos cantar o parabéns e mandar todos pra suas casas.<br />
JOANA: Sim, sim! Vamos. Me dá só mais um minuto. Eu juro. Eu já vou.<br />
REINALDO: Tá bom, minha andorinha. Te espero</p>
<p>Dão um singelo beijinho na boca. Gustavo volta.</p>
<p>GUSTAVO: Você não gosta dele<br />
JOANA: Cala a boca!<br />
GUSTAVO: Eu vejo. Seus olhos não brilham por ele como brilham por mim. Ainda.</p>
<p>Joana anda devagar até Gustavo. Pensamos que vai beijá-lo, mas lhe dá um belo tapa em seu rosto.</p>
<p>JOANA: Cachorro!</p>
<p>Gustavo sorri, a segura e a beija. Um beijo forte e intenso. De perder o fôlego. Ela reluta, mas acaba deixando. Finalmente , se afasta.</p>
<p>JOANA: (atordoada) Por quê? Por quê?<br />
GUSTAVO:  Eu estou hospedado no Park Hotel. Me encontre lá amanhã às onze horas.<br />
JOANA: Não!<br />
GUSTAVO: Onze horas.<br />
JOANA: Não!<br />
GUSTAVO: Joana, quando você me ouvir, vai entender tudo. E vai voltar<br />
JOANA: Eu não vou&#8230;</p>
<p>Gustavo vai embora.<br />
JOANA: Gustavo?</p>
<p>Ele já foi. Joana coloca a mão na boca. Volta Lia. Joana chora.</p>
<p>LIA: Joana , já tá pegando mal&#8230;  O que foi amiga?<br />
JOANA: Ah, meu Deus! Não!<br />
LIA: Não o quê? O que aconteceu?<br />
JOANA: Ele voltou! Ele voltou!<br />
LIA: Ele quem?</p>
<p>Joana chora.</p>
<p>JOANA: Gustavo. Ele estava aqui bem agora.<br />
LIA: Não é possível.<br />
JOANA: Eu preciso ser forte. Preciso da sua ajuda!<br />
LIA: Joana, olha pra mim. Olha pra mim. Se controla! Eu vou te ajudar. Agora se  recomponha. Seu marido não pode saber. Vai indo na frente. Eu vou beber um copo d&#8217;água.</p>
<p>Joana respira fundo.</p>
<p>JOANA: Tá certo. Meu marido não pode saber. Vem logo.</p>
<p>Tira as lágrimas dos olhos. Ajeita o cabelo e sai, austera e imponente.<br />
Tempo. Lia, sozinha, procura alguém.</p>
<p>LIA: Ainda está aí?</p>
<p>Volta Gustavo.</p>
<p>GUSTAVO: Sim.<br />
LIA: Deu tudo certo?<br />
GUSTAVO: Tudo, Lia . Ela vai voltar pra mim.<br />
LIA: Tem certeza?<br />
GUSTAVO: Absoluta.<br />
LIA: Maravilha. Não vejo a hora de acabar com a vida desta mulher. Finalmente.</p>
<p>Voz de Joana de fora.</p>
<p>JOANA: (off)  Lia, vamos cantar o parabéns<br />
LIA: Tô indo, amiga! (sombria- pra si)  Me aguarde.</p>
<p>Sorriso maligno de Lia</p>
<p>FIM DO CAPÍTULO 2</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>O retorno &#8211; mini novela &#8211; capítulo 01</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/05/o-retorno/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 12:53:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[O RETORNO]]></category>

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		<description><![CDATA[Cena 1 INTERIOR – MANSÃO DE REINALDO E JOANA &#8211; QUARTO DE JOANA &#8211; NOITE Joana, 35 anos, está terminando de se arrumar. Sua melhor amiga, Lia,34 anos, a ajuda com os últimos detalhes da roupa. JOANA: 10 anos LIA: Oi? JOANA: Hoje faz 10 anos que ele foi embora. LIA: Ah, não, Joana! Você <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/05/o-retorno/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cena 1<br />
INTERIOR –  MANSÃO DE REINALDO  E JOANA &#8211; QUARTO DE JOANA &#8211; NOITE</p>
<p>Joana, 35 anos, está terminando de se arrumar. Sua melhor amiga, Lia,34 anos, a ajuda com os últimos detalhes da roupa.</p>
<p>JOANA: 10 anos<br />
LIA: Oi?<br />
JOANA: Hoje faz 10 anos que ele foi embora.<br />
LIA:  Ah, não, Joana! Você ainda pensa nisso?<br />
JOANA: Eu tento, mas às vezes é mais forte que eu. Principalmente nessa data. 10, anos, Lia. Nunca mais tive notícias dele. Nem uma carta, nem uma mensagem, nem um e-mail, nada.<br />
LIA: Ainda bem. Pra que você ia querer ter notícias de um cara que acabou coma sua vida?<br />
JOANA: Não fala assim.<br />
LIA: Acabou sim, Joana. Será que eu tenho que te relembrar o mal que esse homem te fez? Te deixou sozinha, no dia do casamento&#8230;<br />
JOANA: Chega! Não precisa. Eu sei de tudo, eu lembro de tudo. Como esquecer?<br />
LIA: Então você já devia ter apagado esse homem da sua cabeça.<br />
JOANA: Eu o amei tanto&#8230;<br />
LIA: E ele te abandonou.<br />
JOANA: Nunca mais senti mais nada tão forte por ninguém.<br />
LIA: Fala baixo. Se seu marido ouvisse isso, ia ficar muito chateado. Ainda mais no dia do seu aniversário.<br />
JOANA: Que ironia. O Reinaldo  fazer aniversário justamente no dia que o outro me deixou.<br />
LIA: Pois eu acho ótimo! Assim você comemora duas vezes: o aniversário do novo marido, e a saída do traste da sua vida. Já parou pra pensar que se ele não tivesse ido embora, você não ia estar aqui, agora, linda e deslumbrante?<br />
JOANA: É verdade.<br />
LIA: E não pega nada bem, no dia do aniversário do seu marido, você ficar pensando em outro homem.</p>
<p>Joana se olha no espelho com orgulho.</p>
<p>JOANA: Eu estou bem?<br />
LIA: Bem? Você está magnífica. As mulheres te invejam, as revistas te querem, os homens te desejam. Vai ficar perdendo seu tempo pensando no canalha do Gustavo&#8230;<br />
JOANA: (corta) Tem razão! Nem fala o nome dele aqui nessa casa, porque meu marido não merece.<br />
LIA: Isso, amiga! Hoje é dia de comemorar, não de lamentar.  Agora vamos descer, porque o  Reinaldo já deve estra sentido a sua falta entre os convidados.<br />
JOANA: Reinaldo é o meu anjo. Ele merece a melhor das festas. Vamos.  Obrigada, amiga. Você é muito importante pra mim.<br />
LIA: Não fala assim se eu não choro. E como vai ficar a minha maquiagem diante das câmeras?</p>
<p>As duas riem.</p>
<p>Cena 2</p>
<p>INTERIOR – MANSÃO DE REINALDO E JOANA &#8211; SALÃO PRINCIPAL – NOITE</p>
<p>Os convidados estão espalhados pelo salão. Joana desce as escadas deslumbrante. Vários fotógrafos tiram fotos. Todos param para olhá-la. Lia está atrás.</p>
<p>Reinaldo e Otávio conversam. Vemos atrás deles, Joana cumprimentar vários convidados</p>
<p>OTÁVIO: Sua mulher está cada dia mais linda.<br />
REINALDO: E você não sabe que trabalho isso me dá.<br />
OTÁVIO: Eu imagino.</p>
<p>Riem. Joana se aproxima com Lia.</p>
<p>JOANA: Eu posso saber o que vocês dois estão tramando?</p>
<p>Joana um beijinho em Reinaldo. Lia dá um beijinho em Otávio</p>
<p>OTÁVIO: Tramando?<br />
REINALDO: Estava falando para o Otávio, que se você continuar ficando cada vez mais bonita, vamos morar numa ilha deserta para fugir de tantos assédios.<br />
JOANA: Ai, meu amor, que exagero. Você sabe muito bem que eu só tenho olhos para você. (cumplicidade com Lia)<br />
REINALDO: Isso é verdade. É por isso que eu sou o homem mais feliz desse mundo!<br />
LIA : (para Otávio) E você, meu bem? Também se sente o homem mais feliz desse mundo?<br />
OTÁVIO:  Bem&#8230; (silêncio)<br />
LIA: Bem o quê?<br />
OTÁVIO: Claro! Imagina! Como não estar feliz ao lado de uma mulher tão&#8230; (pausa)<br />
LIA: Tão o quê?<br />
OTÁVIO: (buscando as palavras) Especial.<br />
LIA: Especial? O que quer dizer especial? Não gostei.<br />
OTÁVIO: Lia, não vamos discutir por causa de uma bobagem&#8230;<br />
LIA: Bobagem? Você não consegue me dar  um adjetivo decente, Otávio&#8230;</p>
<p>Eles começam a brigar. Joana e Reinaldo se olham e saem.</p>
<p>REINALDO: Esses dois não têm jeito.<br />
JOANA: Está gostando da sua festa?<br />
REINALDO: Maravilhosa. Mas o que eu vou gostar mesmo é depois que todo mundo for embora e eu ter você só pra mim. (dá um beijo no pescoço dela)<br />
JOANA: Se controla. Tá todo mundo olhando.<br />
REINALDO: Eu tô louco pra gente&#8230;</p>
<p>A empregada, Tereza, se aproxima.</p>
<p>Tereza: (corta) Com licença, dona Joana. Posso falar com você um instante na cozinha?<br />
JOANA: Claro. (à Reinaldo) Vai falar com seus amigos, que eu vou ver o que ela quer.</p>
<p>Se afasta com Tereza.</p>
<p>Cena 3</p>
<p>INTERIOR – MANSÃO – COZINHA &#8211; NOITE</p>
<p>JOANA: O que foi? Que cara é essa?<br />
TEREZA: Tem um homem lá fora querendo falar com você.<br />
JOANA: Ué? Deve ser um convidado&#8230;<br />
TEREZA: Não é convidado de ninguém não.<br />
JOANA: Então quem é?<br />
TEREZA: Eu perguntei, mas ele disse que se dizer quem é, você não vai querer falar com ele.<br />
JOANA: Que coisa mais estranha.<br />
TEREZA:  Disse que vocês não se veem há dez anos.<br />
JOANA: Dez anos? (pausa) Não deixa entrar ninguém&#8230;<br />
TEREZA: (corta) Eu tentei mas&#8230;<br />
Gustavo: (corta) Eu entrei mesmo assim.</p>
<p>Tempo. Joana olha para Gustavo, chocada</p>
<p>JOANA: Gustavo?<br />
Gustavo: Eu voltei.</p>
<p>FIM DO PRIMEIRO CAPÍTULO.<br />
CONTINUA SEMANA QUE VEM.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O homem morto e a violoncelista</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/12/o-homem-morto-e-a-violoncelista/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/12/o-homem-morto-e-a-violoncelista/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 20 Dec 2010 12:54:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A vida para ele era uma verdadeira queda para a escuridão. Era assim como ele se sentia: Numa queda para escuridão. De repente, nada mais fazia sentido. Como se as ondas que guiavam seu caminho congelassem no tempo, e para descongelá-las era preciso olhar profundamente para dentro, o que ele não consegui fazer. Então parou. <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/12/o-homem-morto-e-a-violoncelista/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A vida para ele era uma verdadeira queda para a escuridão. Era assim como ele se sentia: Numa queda para escuridão. De repente, nada mais fazia sentido. Como se as ondas que guiavam seu caminho congelassem no tempo, e para descongelá-las era preciso olhar profundamente para dentro, o que ele não consegui fazer. Então parou. Estagnou todas as suas expectativas em relação ao seu futuro. Ficou paralisado no presente, sentindo cada segundo escorrer de suas mãos, sem nada fazer, sem nada querer. Era um estado de conformidade. Simplesmente não sentia vontade nem de lutar, porque se o fizesse, entraria em contato com sua dor mais obscura, teria que ter a coragem mais brava dos homens para encarar suas escórias mais ocultas e vencê-las. Para quê? Se ele não sabia, não valeria a pena. Não que estivesse feliz. Isso ele não estava. Mas também não estava triste. Apenas estava, sem adjetivos . Não vale a pena dizer o que o fez ficar assim. A vida rege cada ser humano entre curvas misteriosas que nem todos são capazes de decifrá-las. Não importava. O que deixou assim não foi algo específico. Talvez uma conjuntura de acontecimentos, todos eles bem pequenos e cheio de detalhes, que unidos, viraram um universo no vazio. Ele assim foi ficando sem questionar e sem impedir. Assim foi, se afastando de sua luz, sem saber que se afastava. E um dia ele já não. Conseguia entender tudo. Isso ele nunca deixou de ter: a consciência sobre todas as coisas. O bem e o mal humano: A consciência. Resolveu acatar o que lhe sucedia, sem nunca deixar de entender. Se assim sua vida quis, assim tinha de ser. Morreu em vida e não permitiu enterro nem dor.</p>
<p>Uma noite, sem planejar, porque sua morte em vida não permitia o controle do tempo, andava desinteressado pela Cinelândia. Apesar de morto, não pôde deixar de perceber o forte movimento de pessoas na porta do Theatro Municipal. Lembrou que na época em que era um homem cheio de vida, uma de suas maiores alegrias era ver os concertos que o teatro oferecia. Era a sua melhor época. Procurava entrar em qualquer concerto que fosse. O poder inebriante da música o deixava verdadeiramente feliz, uma felicidade sem condições impostas, a felicidade plena. Um micro movimento corporal fez vibrarem suas veias e, como se tivesse recebido uma pequena descarga elétrica , sentiu suas células mortas mexerem em seu corpo. O que podia ser? A lembrança dessa época sem cobranças, ou a ideia de ouvir um concerto novamente, coisa que não fazia desde que morrera consciente?</p>
<p>Pela primeira vez sentiu como se lhe passassem a perna. Pela primeira vez não conseguiu entender o que estava acontecendo. Para onde foi a consciência de todas as coisas? Da onde vinha aquela sensação e por que ela vinha com tanta intensidade? Não queria nada. Não esperava nada. Apenas sentia, e sentir, em sua atual condição, era algo mais que forte e algo forte o assustava, não queria lidar com isso, não podia. Virou as costas para o Municipal e entrou no buraco do metrô, na caverna acolhedora da solidão, na sua gruta interna, assim era mais fácil e assim ele queria. Partiu dali, com medo de reviver qualquer coisa. </p>
<p>Ele nunca havia chorado. Nem quando perdeu seu maior amor, por puro descuido, ou imaturidade. Não chorou nem quando percebeu que foi por isso que perdeu seu amor. Não chorou. Talvez sua morte em vida fosse um castigo por não ter chorado. Não que fosse insensível. Ao contrário. Gostava das coisas mais peculiares da vida e dava valor a elas. Como um olhar de um vira-lata, um bebê sorrindo, a pipa no alto fazendo piruetas, o barquinho ao longe parecendo um quadro. Contemplava cada pequeno detalhe como se! Mas não chorou nem por um segundo. Um dia ele tentou chorar. Lembrou de seu falecido pai, quando criança, e o quanto o amava. Mas em vão. Falhou. E nunca mais tentou. Nem tentou tentar. </p>
<p>Agora ele estava descendo as escadas do metrô, fugindo, mais uma vez, de qualquer coisa que&#8230;</p>
<p>Até que pudesse acontecer algo que&#8230; Até que&#8230; Aconteceu!</p>
<p>Ele a viu. Uma mulher. Uma mulher correndo. Uma mulher correndo de vestido. Uma mulher correndo, de vestido, com cabelos avelã. Uma mulher, correndo, de vestido, com cabelos avelã e olhos castanhos. Uma mulher, correndo, de vestido, com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando algo. O quê? Sim! Uma mulher, correndo, de vestido, com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo? Era isso? Uma mulher, correndo, de vestido, com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo! Um violoncelo! “Ah, dor, por que chegas com tanta intensidade no meu peito frágil e me empurras de volta às rodas de som da vida?” Uma mulher, correndo, de vestido, com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo, no metrô! Uma facada na alma. Haveria de pensar: entrar ou não no trem? Porque entrar no trem seria dizer não à mulher, correndo, de vestido , com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo. Certamente ela iria tocar. Precisava pensar e&#8230; cadê? Aonde foi? Cadê a mulher, correndo, de vestido, com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo? Aonde foi? Será que o pensamento demanda tanto tempo a ponto de perder uma mulher, correndo, de vestido , com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo, de vista? Não!! Teria ter que tomar uma atitude! Mas estava tão neutro e assim era tão bom&#8230; Não! Tentou lembrar o que o fizera andar sem rumo na Cinelândia. Não teve resposta. Andava sem rumo em todos os cantos sem motivo. O trem chegou. Entrar ou não? Que saco! Há tanto tempo não sentia isso que se chama escolha. Olhou para trás novamente. A viu. Estava saindo do meio de um grupo de pessoas, com pressa, segurando o violoncelo e os cabelos&#8230; ah! Escolha? Não teve escolha. Foi. Atrás da mulher, correndo, de vestido com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo. Subiu novamente as escadas do metrô de volta ao mundo, quem sabe de volta à luz. A mulher se dirigia aos fundos do teatro. Mais uma vez sentiu espasmos de vida e se assustou. Seu corpo tremeu. A mulher entrou no teatro e ele sabia que não o deixariam entrar pelos fundos sem se apresentar: “Boa noite eu sou um homem morto e só estou atrás daquela mulher, correndo, de vestido , com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo” . Não iriam deixar.</p>
<p>Teve que entrar pela frente e, para isso, foi preciso comprar o ingresso. Comprar o ingresso: ato social de quem vive em comunidade e se adéqua a ela. Há quanto tempo não fazia isso? Comprar um ingresso de um concerto, ou de qualquer outra coisa. Sem motivação, a única coisa que se pode fazer é economizar. Pagou. Entrou. Quanto medo. Quanta angústia. Era preciso desistir. Que loucura. Sou um homem morto. Aliás, não sou homem. Sou um morto. Aliás, não sou. Aliás, não. Desistiu. Nem ia pedir o dinheiro de volta. Pra quê passar por isso? Mais contato humano desnecessário. Virou-se. Esqueceu da mulher, correndo, de vestido , com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo. Ainda bem! Ainda bem! Não quero, não posso, não deixo. Não! Ia sair quando tocou o terceiro sinal e ouviu uma curta nota que vinha de um violoncelo afinando. Lembrou da mulher, correndo, de vestido, com cabelos avelã, olhos castanhos e segurando um violoncelo. Era por isso que estava ali, sem compreender, pela primeira vez, o que lhe acontecia. Era por causa dela que correra, que comprara o ingresso, que entrara naquele teatro, palco de suas maiores aventuras emocionais e que ele mesmo deixou o tempo imperfeito ofuscar. Era só por isso e isso não era só. Respirou fundo. Respirou fundo. Respirou fundo. Fundo. Fun&#8230;do&#8230;. uma sensação estranha. Seu corpo já estava tão acostumado a inércia que, respirar fundo, era o mesmo que correr 40 quilômetros de uma vez, sem nunca ter feito exercício. Quase se sufocou ao sentir o ar do teatro entrando por seus tímidos pulmões sedentários. Respirou fundo e entrou de uma vez &#8230;</p>
<p>Apesar de ter entrado num concerto de música clássica, era como se estivesse num musical com as músicas do Cole Porter.</p>
<p>O mundo entrou em suspensão e pela primeira vez, depois de muito e muito tempo, sentiu seu coração bater de verdade, sentiu cada pontada da batida como um chamado da alma para algum lugar, quem sabe, algum lugar além do… Sentou em uma cadeira qualquer e foi além. A solidão, que até então não se fazia presente, o golpeou de tal jeito, que ele não conseguia se manter parado na cadeira. Sentiu ela o penetrar tão intensamente que por algum segundo percebeu sua morte de outro ponto de vista e quase gritou no meio do teatro. Um grito de socorro, de ajuda . Se ali parecia um sonho, na verdade, era nada mais que um acordar para … Então ela começou. A violoncelista que todo mundo já conhece, de vestido e etc&#8230;</p>
<p>Ao vê-la, quase urrou. Não de entusiamos mas de dor. Uma dor que ele nunca pensou que sentiria. A dor que a sala da emergência do hospital mais equipado da cidade é incapaz de identificar, a dor mais mais interna, adormecida, que um dia acorda e não deixa ninguém ileso. </p>
<p>Por que, então, não fugir dali imediatamente e retornar à escuridão confortável da inércia? Mas agora? Seria isso possível? Fechou os olhos e se imaginou dançando uma música lenta com uma menina da adolescência que era apaixonado, a sensação de desespero que era dançar colado com alguém , calculando a melhor hora de agir, sem saber o que fazer. Se imaginou pisando, autista, na grama do jardim de seus avós e observando o dia dar lugar a noite naquele mesmo jardim cheio de segredos seus. Imaginou um filme do Jerry Lewis, o quanto amava e quanto gargalhava com ele na infância, e até mesmo há algum tempo atrás antes de morrer. Ousou sentir saudades. Ousou sentir. </p>
<p>A violoncelista começou a tocar os primeiros acordes do Prelude de Bach. Agora seu coração palpitava, espasmos acelerado, a sensação forte de vida o fazia acreditar que ia morrer de verdade. Uma ataque fulminante do coração, não ia aguentar. O homem morto ia deixar o corpo. Viu o teatro de cabeça para baixo, viu sua vida indo embora, o coração acelerado não dava tréguas. Um golpe certeiro, agora tinha certeza, passaram-lhe a perna, planejaram contra ele, quiserem que ele chegasse naquele momento, sentisse a dor de viver e morresse de vez, sem ladainhas. E assim ele estava, morrendo em morte, na frente da violoncelista que o hipnotizara até ali. Amaldiçoou-a por dentro. Em seu delírio de morte, o Prelude de Bach se transformou em Night and Day do Cole Porter cantado por Ella Fitzgerald e ele estava sapateando com a violoncelista nas nuvens alaranjadas do cenário de Hollywood. </p>
<p>Abriu os olhos e ela estava olhando para ele, ou parecia que estava, olhando para ele, como se adivinhasse a sua dor, como quem quer dizer: “Eu sei tudo o que está acontecendo com você e não vou aliviar nada.”</p>
<p>Porque ela o olhava e … Sorria? Ela sorria. Sim, ela sorria para ele. Que ego dizer que era para ele. Ela simplesmente sorria. Mas para ele, ela sorria para ele e, dane-se o ego. Era sim para ele. Já não bastava apenas tocar os acordes que acordam sua alma e ainda tinha que sorrir? Se ainda não tinha morrido do coração, agora era questão de segundos. O sorriso dela o fez sentir tristeza, tanta tristeza, tanta, tanta, tanta. O obrigou a ser triste porque não podia ser feliz. Mas o que é a felicidade se não uma grande tristeza disfarçada de alegria? A voz de Ella, ainda se fazia presente em sua mente. Era Ella cantando Porter e a violoncelista tocando Bach num quarteto inesquecível.</p>
<p>Ela olhava para ele. Ela o sentia. Ela o percebia e talvez por isso sorria. </p>
<p>De repente, o homem morto era o único vivo naquele teatro. Ele tremia com a música, ele respirava alto, ele sentia espamos, ele&#8230; ele&#8230; ele chorava!!! O homem morto chorou pela primeira vez. Um homem morto chorou. Lágrimas caiam em enxurradas mais fortes que uma tromba d´gua no fim do verão . As pedras do seu rio eram levadas pela água e nada, nada, nada, o faria parar naquele momento. As pedras que o travaram, agora eram obrigadas a rolar. O poder do choro vai muito mais além. Chorava com a violoncelista linda e maldita que o fez chorar pela primeira vez. Chorava de pêsames pela sua morte em vida e chorava porque o choro ainda não significava que voltaria a viver, apenas chorava. Chorava de dor pela sua solidão há tanto ignorada e que agora era maior que qualquer coisa que pudesse imaginar. Chorava pela sua existência, pela existência alheia e chorava também de felicidade por sentir seu choro pela primeira vez. Chorava e chorava porque estava ali chorando. Agora já não tinha mais a consciência de nada. Agora ele era um ser perdido em seu choro e talvez seria apenas por isso que era capaz de ser. Talvez soubesse no íntimo que a sua morte o mudara a partir daquele momento e conviver consigo mesmo seria um futuro em transtorno. Sabia que não poderia voltar a morrer, mas também não sabia se volatria a viver. Chorava. E rezava para não parar de chorar. Algumas pessoas do teatro, talvez as mais sensíveis, o perceberam chorando e até compartilharam um pouco desse choro por causa do efeito da música, mas jamais saberiam o que de verdade o fazia chorar.</p>
<p>A violoncelista não parava de sorrir, como se tivesse cumprido a sua missão. Não a de tocar lindamente como sempre fazia, mas de fazer um homem morto chorar. </p>
<p>Então agora ele já não ouvia Bach, nem Cole Porter, agora ele ouvia, e até poderia cantar uma música gospel de redenção. Levantaria daquela cadeira e soltaria um agudo vibrante como Stevie Wonder faria tão bem. Oh Lord! </p>
<p>E o choro não parava por nada e não pararia. O homem morto tem água por dentro! Agora ele era o melhor dançarino do Grupo Corpo, agora ele era.</p>
<p>A violoncelista fazia sua melhor performance. Agora ela estava genialmente virtuosa. </p>
<p>Então ele, como nunca fizera antes, resolveu olhar pra fora, com o canto dos olhos e se perguntou.</p>
<p>Por quê? </p>
<p>Porque, por que, por quê? Porque, porque&#8230; </p>
<p>FIM.</p>
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