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	<title>Drama Diário &#187; Rodrigo de Roure</title>
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	<description>dramaturgia em série...</description>
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		<title>Não haverá mais primavera</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/10/nao-havera-mais-primavera/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 14:25:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[CONTOS NO RÁDIO]]></category>

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		<description><![CDATA[ouça &#8220;Não haverá mais primavera&#8221; na série Contos no Rádio: //]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ouça &#8220;Não haverá mais primavera&#8221; na série Contos no Rádio:</p>
<p><!-- código de incorporação Radiotube... --><br />
<script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<!--fim do código... --></p>
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		<title>Josí e o sexo &#8211; cap. 07</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/08/josi-e-o-sexo-cap-07/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2011/08/josi-e-o-sexo-cap-07/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Aug 2011 03:32:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[JOSÍ E O SEXO]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[No capítulo anterior&#8230; NAIR – Pensou que ia sair da minha vida assim, Jo-sí? Nair joga um laço sobre Josí. O Homem ao lado de Nair, avança sobre Josí e, com desenvoltura, joga o rapaz sobre a carroça. Os transeuntes param pra ver. Nair e o Homem amarram Josí com a corda. O céu escurece. <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/08/josi-e-o-sexo-cap-07/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>No capítulo anterior&#8230;</em></p>
<p><em>NAIR – Pensou que ia sair da minha vida assim, Jo-sí?</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Nair joga um laço sobre Josí. O Homem ao lado de Nair, avança sobre Josí e, com desenvoltura, joga o rapaz sobre a carroça. Os transeuntes param pra ver. Nair e o Homem amarram Josí com a corda. O céu escurece. O mar se agita. Corvos circundam a cidade. O Homem chicoteia o cavalo. O cavalo relincha. Nair e o Homem saem com a carroça contornando a praça, levantando poeira, parecendo dois demônios.</em></p>
<p>CENA 1</p>
<p>JOSÍ ESTÁ DESACORDADO NO CHÃO DA CASA DE TANIA E HUGO.</p>
<p>TANIA – (CURIOSA, COM VOLÚPIA, PARA HUGO) Afinal, quem é esse rapaz?</p>
<p>HUGO – Josí.</p>
<p>TANIA – Josí de quem?</p>
<p>HUGO – Lembra da Josilene?</p>
<p>TANIA &#8211; Aquela que&#8230;</p>
<p>HUGO – Essa mesma. Sch!</p>
<p>JOSÍ ACORDA MUITO ASSUSTADO. SENTE DORES NA CABEÇA E NO CORPO.</p>
<p>JOSÍ – Claro que eu morri&#8230;(OLHANDO EM TORNO) Que sonhos horrorosos&#8230;Onde estou!?</p>
<p>TANIA – Vamos, Hugo. Ajude o rapaz!</p>
<p>HUGO – Sozinho?</p>
<p>TANIA – Não é homem, não?!</p>
<p>HUGO – A minha coluna, meu amor&#8230;</p>
<p>TANIA- Que vergonha, hein&#8230;</p>
<p>HUGO – Melhor chamar a ambulância, meu amor&#8230;ele pode ter se machucado&#8230;</p>
<p>TANIA – (FRIA) Que isso, querido? Fica na sua.</p>
<p>JOSÍ SE LEVANTA COM DIFICULDADE.</p>
<p>JOSÍ – Não precisa chamar a ambulância. Tô bem, gente&#8230; Já vou indo.  Vou andando devagarinho&#8230;Obrigado pela ajuda.</p>
<p>HUGO – Não, Josí! Espera&#8230;</p>
<p>TANIA – Vai embora sem saber o que houve?</p>
<p>JOSÍ – O que houve?</p>
<p>TANIA &#8211; Você foi atropelado&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Eu? Atropelado? Não me lembro. Quem fez isso?</p>
<p>HUGO – Nada demais&#8230; Um ciclista bateu em você na Pista de Passeio e capotou&#8230;</p>
<p>JOSÍ – E o que aconteceu com o ciclista?</p>
<p>TANIA – Ele está bem. Você é que não estava. Eu ouvi falar muito de&#8230;Josí.</p>
<p>JOSÍ – Alguém me leva daqui&#8230;</p>
<p>TANIA – Claro. Vamos, Hugo! Abrace o rapaz e o ajude a chegar no nosso banheiro&#8230;Ele precisa de um banho e desinfetar esses arranhões&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Quem é você?</p>
<p>TANIA – Você não deve se lembrar de mim. São muitos anos. Venha.</p>
<p>HUGO – Essa é a minha mulher, Josí. Eu tinha falado dela pra você na Pista de passeio&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Pista de passeio&#8230;Eu tava na pista de passeio&#8230;e&#8230;não me lembro de mais nada&#8230;Cadê minha câmera? Roubaram minha câmera!</p>
<p>HUGO &#8211; Tá aqui a sua câmera.</p>
<p>TANIA – Depois você pega sua câmera.</p>
<p>TANIA ESTENDE A MÃO PARA JOSÍ. JOSÍ SEGURA A MÃO DE TANIA.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="349" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/3NVGaHWDeJY?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/v/3NVGaHWDeJY?version=3&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>CENA 2</p>
<p>VEMOS UM CLIPE DE IMAGENS DE JOSÍ NA CASA DE TANIA E HUGO: JOSÍ REPOUSA NA BANHEIRA DE TANIA. HUGO ESFREGA AS COSTAS DE JOSÍ NA BANHEIRA. TANIA COLOCA UVAS E AMEIXAS NA BOCA DE JOSÍ. TANIA SECA A CABEÇA E O ROSTO DE JOSÍ COM TOALHA FELPUDA. TANIA ABRE UMA CHAMPANHE E JOGA A BEBIDA EM JOSÍ E HUGO. HUGO ACENDE UM CHARUTO E SUFOCA TANIA COM A FUMAÇA.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 3</p>
<p>JOSÍ TERMINA O BANHO.</p>
<p>JOSÍ – (PARA TANIA E HUGO) Tudo bem, gente. Agora vocês podem sair pra eu me vestir.</p>
<p>TANIA E HUGO SE OLHAM. SORRIEM. SAEM JUNTOS E ATRAPALHADOS.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 4</p>
<p>JOSÍ, ENQUANTO SE ENXUGA, OLHA O ESPELHO.</p>
<p>JOSÍ – Que falta faz a minha câmera&#8230;(OLHA OS PRÓPRIOS OLHOS NO ESPELHO)</p>
<p>TANIA AO LADO DE FORA DO BANHEIRO FALA COM JOSÍ.</p>
<p>TANIA – Vamos jantar, Josí?</p>
<p>JOSÍ – Ah! Já vou.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 5<br />
SALA DE JANTAR DE HUGO E TANIA. JOSÍ JANTA COM ELES.</p>
<p>TANIA – Sente-se, por favor, Josí.</p>
<p>JOSÍ – Ah, obrigado.</p>
<p>TANIA MORDE UM PEDAÇO PEQUENÍSSIMO DE PEIXE. LIMPA O CANTO DO LÁBIO COM O GUARDANAPO RENDADO E FICA EM SILÊNCIO POR DOIS SEGUNDOS. JOSÍ SERVE-SE À VONTADE. ESTÁ FAMINTO.</p>
<p>TANIA – Você deve estar com fome.</p>
<p>JOSÍ – (COMENDO) Muita.</p>
<p>TANIA – O que aconteceu entre você e meu marido?</p>
<p>JOSÍ ENGASGA.</p>
<p>HUGO – Tania!!</p>
<p>JOSÍ – Não entendi.</p>
<p>TANIA – Ah, não? Vou ser mais clara. Você fez amor com meu marido? Sim, porque meu marido é incapaz de distinguir amor e sexo. Logo, eu presumo que vocês fizeram amor.</p>
<p>JOSÍ – Não fiz amor com seu marido e nem coisa nenhuma. Você é louca?</p>
<p>TANIA – Não, meu amor. Sou prática. Você fez amor com meu marido.</p>
<p>JOSÍ – Que eu saiba, não.</p>
<p>TANIA – Não foi isso que ele me disse. Assuma.</p>
<p>JOSÍ – Assumir? Não tenho nada pra assumir.</p>
<p>TANIA – Diga, meu bem.</p>
<p>JOSÍ – (ENFURECIDO) Vocês me trouxeram aqui pra quê?!</p>
<p>TANIA – Calma. Não precisa ficar nervoso. Vou ser mais clara. Eu e meu marido não estamos nos entendendo muito bem há algum tempo&#8230;Ele se sente muito abandonado. Eu, por minha vez, trabalho muito&#8230;</p>
<p>HUGO – Mas&#8230;Tania!</p>
<p>JOSÍ – (ALTERADO) Sinceramente, minha senhora! Todos aqui nessa cidade só pensam em sexo! E o mais interessante é que todos juram que fizeram sexo comigo&#8230;Eu já estou me sentindo um banheiro público!</p>
<p>TANIA – Afe. Estamos jantando. Por favor. Modere-se.</p>
<p>JOSÍ – Moderar? As pessoas me perseguem, me ameaçam! Uma diz que me ama e que vai destruir minha vida se eu não sentir amor por ela, a outra não entende o que ela sente quando me vê e fica me pedindo que eu abaixe as calças toda hora&#8230;Agora o outro tá dizendo que fez amor comigo!</p>
<p>TANIA – E abaixou?</p>
<p>JOSÍ – O que?</p>
<p>TANIA – As calças.</p>
<p>JOSÍ – Mas claro que não!</p>
<p>TANIA – Mas por que não? Qual o problema?</p>
<p>JOSÍ – Qual o problema? Eu é que pergunto qual o problema de vocês. Eu não fiz sexo com seu marido e nem com qualquer pessoa dessa cidade!</p>
<p>TANIA – Não é o que dizem.</p>
<p>JOSÍ – Estão loucos!</p>
<p>TANIA – Todos querem você, Josí.</p>
<p>HUGO – É mais do que isso. As pessoas precisam de você. Estão sentindo amor de verdade por você, Josí.</p>
<p>TANIA – Inclusive você, não é, meu amor?</p>
<p>JOSÍ – Mas isso é um absurdo! Eu não toquei em ninguém, nem cheguei perto dessas pessoas. Essa gente está criando histórias, inventando coisas&#8230;</p>
<p>HUGO – É que as pessoas são muito sozinhas, rapaz. Basta chegar qualquer alguém que as olhe diferente, que as trate com afeto que elas se entregam fácil&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Não! Não mesmo. Eu não fiz nada. Eu não tive nada com ninguém!!</p>
<p>TANIA – Isso é o que você diz&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Tá achando que estou mentindo? Tá pensando o que?</p>
<p>TANIA – E se você não lembrar que teve mais intimidade com essa gente?</p>
<p>JOSÍ – Como assim “não lembrar”?</p>
<p>TANIA – Você é bipolar?</p>
<p>JOSÍ – Claro que não!</p>
<p>TANIA – Você se considera homem ou mulher?</p>
<p>JOSÍ – Que saco!</p>
<p>TANIA &#8211; Você se considera as duas coisas?</p>
<p>JOSÍ – Estupor!</p>
<p>TANIA – Defina-se.</p>
<p>HUGO – Josí, você é a coisa mais incrível do nosso tempo!</p>
<p>TANIA – Você tem útero?</p>
<p>HUGO – Já foi casado?</p>
<p>TANIA – Quem sente mais prazer, o homem ou a mulher?</p>
<p>HUGO – Estou apaixonado por sua figura.</p>
<p>TANIA – Já achou o seu ponto G?</p>
<p>HUGO – Fique um tempo conosco.</p>
<p>TANIA – Precisamos de você, Josí.</p>
<p>SILÊNCIO SEPULCRAL. JOSÍ DESMAIA.</p>
<p>TANIA – Rapaz frágil, não, meu amor?</p>
<p>HUGO – Me atrai muito a fragilidade das pessoas.</p>
<p>Fim do sétimo capítulo.</p>
<p>até breve!</p>
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		<item>
		<title>Josí e o sexo &#8211; cap. 06</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/07/josi-e-o-sexo-cap-06/</link>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 15:31:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[JOSÍ E O SEXO]]></category>

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		<description><![CDATA[CENA 1 Vemos Hugo, marido de Tania, correndo em uma estrada deserta da cidade onde se tem uma bela vista para o mar. Hugo corre, se alonga, faz exercícios físicos no afã de alcançar uma ótima força física para reconquistar a sua mulher e ter com ela um ótimo desempenho sexual. Hugo descansa um pouco <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/07/josi-e-o-sexo-cap-06/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>CENA 1<br />
<strong>Vemos Hugo, marido de Tania, correndo em uma estrada deserta da cidade onde se tem uma bela vista para o mar. Hugo corre, se alonga, faz exercícios físicos no afã de alcançar uma ótima força física para reconquistar a sua mulher e ter com ela um ótimo desempenho sexual. Hugo descansa um pouco dos exercícios próximo a uma árvore e depois se aproxima de um homem que faz imagens da paisagem com sua câmera.</strong></p>
<p>HUGO – Bom dia pra você&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Bom dia.</p>
<p>HUGO – A força do mar é impressionante, não é? Dizem que o mar é feminino. Que a água é um elemento feminino. Mas eu não consigo ver uma mulher no mar. Na verdade eu vejo os dois. A força do homem e a beleza da mulher&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Muito prazer, me chamo Josí.</p>
<p>HUGO – Ah, oi&#8230;Josí. Esqueci de me apresentar. Ando com a minha cabeça&#8230;você nem imagina&#8230;me fogem as etiquetas&#8230;Meu nome é Hugo.</p>
<p>JOSÍ – Não precisa se preocupar.</p>
<p>HUGO – Você está visitando a cidade?</p>
<p>JOSÍ – Talvez sim. Mas também estou visitando a cidade.</p>
<p>HUGO – Pra mim melhor cidade não tem. Eu não gostaria de sair daqui pra nada. Mas&#8230;minha mulher detesta isso aqui. Quer morar no Rio de Janeiro. Ou em qualquer outra grande cidade.</p>
<p>JOSÍ – Ela deve achar tudo muito tacanho.</p>
<p>HUGO – Como você sabe que ela acha isso?</p>
<p>JOSÍ – Porque as pessoas nunca estão satisfeitas com o que tem. Ou com o que são.</p>
<p>HUGO – Taí. Agora você disse tudo. Mas&#8230;a verdade é que eu não sou satisfeito comigo. Eu digo que sou feliz pra Tania – Tania é a minha mulher – mas a verdade é que eu só sou feliz com ela. Se ela estiver comigo em qualquer outra parte do mundo&#8230;eu vou ficar feliz.</p>
<p>JOSÍ – Entendo&#8230;</p>
<p>HUGO &#8211; Tá gravando? Por que você não para um pouco com essa câmera?</p>
<p>JOSÍ – Ah, perdoe. <strong>(Desliga a cam) </strong>Eu tenho essa mania de fazer imagens de tudo.</p>
<p>HUGO – Rapaz. Me perdoe&#8230;</p>
<p>JOSÍ – De quê?</p>
<p>HUGO – Você é casado?</p>
<p>JOSÍ – Não.</p>
<p>HUGO – Já foi casado alguma vez na vida?</p>
<p>JOSÍ – Já, sim. Por quê?</p>
<p>HUGO – Bom, se você já viveu com alguém, você deve saber o que é chegar em um momento onde só existe amor, mas aquele fogo&#8230;aquele tesão&#8230;não acontece mais&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Ah, sim. Acho que todo casal passa por isso.</p>
<p>HUGO – Eu estou passando por isso. Mas minha mulher, não. O fogo dela não dá trégua&#8230;e como eu a amo muito, eu deixo ela se divertir como ela quiser.</p>
<p>JOSÍ – Isso pode ser bom.</p>
<p>HUGO – Não sei. Eu queria fazer muitas coisas com ela&#8230;mas não posso acompanhar&#8230;</p>
<p>Hugo se afasta um pouco e vai atrás da árvore. Enquanto longamente urina, fala com Josí.</p>
<p>HUGO – Ela agora tá com uma ideia de vender produtos sexuais&#8230;a minha casa está abarrotada dos pés à cabeça de paus de borracha, chicotes&#8230;coisas que eu nunca sonhei em ver&#8230; <strong>(Gargalha)</strong>. Eu tou achando bom. Mas isso tá aumentando a minha vontade de melhorar&#8230;e eu quase não durmo.</p>
<p>JOSÍ – Já tentou o seu médico?</p>
<p>HUGO – Já. Não quero tomar remédio.</p>
<p>JOSÍ – Entendo&#8230; Já tentou terapia?</p>
<p>HUGO – Já. Não é o caso.</p>
<p>JOSÍ – Por quê?</p>
<p>HUGO – Porque&#8230;porque&#8230; <strong>(Ajeita a calça e vai para perto de Josí novamente) </strong>porque&#8230;é só com ela que&#8230;não funciona. Nossa&#8230;eu tenho até vergonha de falar isso.</p>
<p>JOSÍ – Ah, então você não tem problema nenhum!</p>
<p>HUGO – Como não? Eu amo a Tania.</p>
<p>JOSÍ – Sim, mas&#8230;não funciona com ela, certo?</p>
<p>HUGO – Exato.</p>
<p>JOSÍ – Então.</p>
<p>HUGO – Então o que?</p>
<p>JOSÍ – Você se incomoda de ficar olhando aí pro mar&#8230;enquanto eu&#8230; também&#8230;</p>
<p>HUGO – Ah, você quer fazer xixi. Tudo bem.</p>
<p>JOSÍ- É.</p>
<p><strong>Josí vai atrás da árvore e se agacha. Hugo observa o mar, mas olha Josí rapidamente e o vê agachado. Hugo se aproxima como que hipnotizado. E vê o que realmente Josí é. Josí percebe que Hugo se aproxima e se arrumacom urgência. Hugo está transformado. Parece um touro. Josí não sabe o que fazer. Hugo pega Josí e abaixa com violência as suas calças.</strong></p>
<p>HUGO – Não creio no que vejo. Isso só pode ser um sonho.</p>
<p><strong>O mar se agita. Os olhos de Hugo se transformam.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 2<br />
<strong>Vemos Josí correndo pela cidade. Hugo, com dificuldade, corre atrás. É o meio do dia. O sol está a pino. A cidade parece calma. Os restaurantes estão cheios. Os carros estacionados. Josí se prepara para cruzar a pracinha arfando. Hugo corre feito um touro cego clamando por Josí. Josí para assustado com o que vê na sua frente. É Nair sentada em uma carroça puxada por um cavalo. Um homem, que parece um vendedor de ferro velho, está ao seu lado. É um homem vesgo, feio, sujo e forte, que sorri com dentes grandes e tortos. </strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/1irfiYgf2pA?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/1irfiYgf2pA?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>NAIR – Pensou que ia sair da minha vida assim, Jo-sí?</p>
<p><strong>Nair joga um laço sobre Josí. O Homem ao lado de Nair, avança sobre Josí e, com desenvoltura, joga o rapaz sobre a carroça. Todos os transeuntes param pra ver. Hugo está paralisado. Nair e o Homem amarram Josí com a corda. O céu escurece. O mar se agita. Corvos circundam a cidade. O Homem chicoteia o cavalo. O cavalo relincha. Nair e o Homem saem com a carroça contornando a praça, levantando poeira, parecendo dois demônios. O povo se junta para olhar. Roberta, do meio da multidão, entra em seu carro e segue Nair. A carroça some no horizonte da estrada com o carro de Roberta atrás.<br />
Vemos S. Clove, o dono da pousada, com o olhar muito preocupado com o que acontece. S. Clove, perde o jeito de “velho inútil”. O povo se dispersa. Hugo corre para casa.</strong></p>
<p><strong>Música cresce.</strong></p>
<p><strong>Fim do sexto capítulo e da primeira parte da novela.</p>
<p></strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong>Até o próximo capítulo!</strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Josí e o sexo &#8211; cap. 05</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/06/josi-e-o-sexo-cap-05/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2011/06/josi-e-o-sexo-cap-05/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 17 Jun 2011 14:14:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[JOSÍ E O SEXO]]></category>

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		<description><![CDATA[No capítulo anterior&#8230; NAIR – (Vingativa) Se você não me amar&#8230;eu vou acabar com você, Josí. Eu vou te reduzir a pó nessa cidade. CENA 1 Tania está em sua confortável sala com mais cinco mulheres. Tania vende produtos eróticos. TANIA – Então, caríssimas&#8230;esse produto aqui é um gel que esquenta ou gela&#8230;porque na hora <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/06/josi-e-o-sexo-cap-05/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>No capítulo anterior&#8230;<br />
</em><br />
NAIR – <strong>(Vingativa)</strong> Se você não me amar&#8230;eu vou acabar com você, Josí. Eu vou te reduzir a pó nessa cidade.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/KlnTTqRE0lw?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/KlnTTqRE0lw?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>CENA 1<br />
<strong>Tania está em sua confortável sala com mais cinco mulheres. Tania vende produtos eróticos.</strong></p>
<p>TANIA – Então, caríssimas&#8230;esse produto aqui é um gel que esquenta ou gela&#8230;porque na hora do prazer tudo o que esquenta ou gela é uma delícia, convenhamos&#8230; <strong>(Gargalha) </strong>Com esse gel vocês podem fazer uma massagem&#8230;daquelas de morrer viva! Mas o melhor vem agora: este gel é comestível! Com gosto de chocolate e menta! Podem se lambuzar à vontade!</p>
<p>UMA MULHER – Eu quero! É meu!</p>
<p>TANIA – Você não vai se arrepender! <strong>(Mostra outro produto) </strong>E pra quem está de saco cheio do marido como eu&#8230;<strong>(Gargalha altíssimo) </strong>Pode se divertir enlouquecidamente com esse produto aqui! Uma calcinha que vibra! <strong>(Gritinhos histéricos das cinco mulheres)</strong> A gente pode usar essa calcinha andando pela rua, no cinema, no teatro&#8230;já imaginaram? A gente vai à loucura e o melhor: todo mundo pode ver! <strong>(Todas gargalham altíssimo)</strong> Eu adoro que me vejam&#8230;</p>
<p>OUTRA MULHER – Eu quero essa calcinha&#8230;estou indo viajar e vou ficar super sozinha&#8230;</p>
<p>TANIA – Que ideia incrível, Zuzu!!</p>
<p>ZUZU – Mas olha, Tania&#8230;o que eu quero mesmo, além dessa calcinha&#8230;é um rabitt. Você tem?</p>
<p>TANIA – Ah, querida!!!! Eu tenho tudo! TU-DO! Não vai faltar nada na minha loja! Olha o rabitt aqui!!</p>
<p><strong>(Gritinhos alucinantes, todas querem ver o rabitt de perto. Diversão geral)</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 2</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2vWONJigv5A?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/2vWONJigv5A?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Vemos Nair andando meio perdida pela pracinha.<br />
Nair está realmente abalada. Roberta quase lhe atropela com seu carro.</strong></p>
<p>ROBERTA – Quer morrer, Gata?!</p>
<p>NAIR – Era você!</p>
<p>ROBERTA – Eu o que?</p>
<p>NAIR – Era você que eu precisava encontrar. Não sabia quem. Mas era você.</p>
<p>ROBERTA – O que?!</p>
<p>NAIR – Pelo amor que você tem ao seu carro! Me ajuda.</p>
<p>ROBERTA – O que houve, Nair.</p>
<p>NAIR – Vem que eu vou te contar tudo.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 3<br />
<strong>Nair e Roberta numa lanchonete. Nair bebe um suco. Roberta bebe chope.</strong></p>
<p>NAIR – Eu amo Josí.</p>
<p>ROBERTA – Oi?</p>
<p>NAIR – Ela me rejeitou&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Ela???</p>
<p>NAIR – Me senti tão&#8230;tão&#8230;por baixo, sabe&#8230;nunca ninguém tinha me rejeitado&#8230;como se tivesse nojo de mim&#8230;como se eu fosse uma qualquer&#8230;você acha que eu estou embarangando?</p>
<p>ROBERTA – Não. Você não é baranga, não. E nem nunca vai ser&#8230;fica tranquila.</p>
<p>NAIR – É? Bom&#8230;vindo de você&#8230;tudo bem&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Nair, não existe mulher ruim&#8230;entende? Toda mulher é perfeita. O que estraga é a cabeça de uma ou de outra&#8230;mas mulher de boca fechada é a coisa mais linda de se ver&#8230;</p>
<p>NAIR – <strong>(Dando um tapa forte no braço de Roberta)</strong> Isso é pra não dar na tua cara&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Você não entende.Você, por exemplo, tá no auge. Tá perfeita. Só precisa ficar mais calminha&#8230;mais passiva&#8230;só isso.</p>
<p>NAIR – Cala a boca! Deixa eu falar!</p>
<p>ROBERTA – Fala, meu amor&#8230;</p>
<p>NAIR – Cara&#8230;a Josí&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Pra inicio de conversa, Nair: Josí é homem!</p>
<p>NAIR – Mulher!</p>
<p>ROBERTA – Homem, meu deus!!!!</p>
<p>NAIR – Mulher!!! Mulher!!! Mulher!!!</p>
<p>ROBERTA – Só porque ele tem uma vagina? Ele age como homem, pensa como homem, é um homem! Na verdade se ele não tivesse esse problema, ele seria, gay, né&#8230;</p>
<p>NAIR – Ai, como a sua cabeça é pequena, Roberta! Ele nasceu mulher! Sempre foi mulher. Eu era menina. Eu me lembro bem dela. Usava vestidinho, fez primeira comunhão, crismou. Era menininha. Depois foi embora. Levaram ela. E agora voltou assim. E eu estou apaixonada&#8230;E nós&#8230;nós&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Nós o que&#8230;?</p>
<p>NAIR – Foi lindo!</p>
<p>ROBERTA – Vocês dormiram juntas?</p>
<p>NAIR – Sim! E nunca senti o que eu senti na minha vida!</p>
<p>ROBERTA – Mas, peraí&#8230;tá dando um nó aqui&#8230;você não gosta da fruta, mulher?</p>
<p>NAIR – Você jamais vai acreditar no que eu senti&#8230; Na grande verdade eu não senti falta nenhuma, nenhuma&#8230;eu me senti inteira&#8230;completa&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Meu deus&#8230;</p>
<p>NAIR – Meu deus o que? Não te entendo, Roberta!!</p>
<p>ROBERTA – Me conta os detalhes!</p>
<p>NAIR – Que detalhes?</p>
<p>ROBERTA – Como foi! Como é a Josí!?</p>
<p>NAIR – Ah&#8230;não vou contar&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Onde foi parar o seu despudor, criatura?</p>
<p>NAIR – Descobri que quando a gente ama, não tem pudor e nem despudor.</p>
<p>ROBERTA – Tem o que?</p>
<p>NAIR – Não sei&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Ô, lindinha&#8230;</p>
<p>NAIR – Você tem que me ajudar, Roberta.</p>
<p>ROBERTA – E o que você quer que eu faça, minha santa?</p>
<p>NAIR – Ainda não sei&#8230; vou pensar. Vai lá em casa hoje à noite que eu vou ter um plano.</p>
<p>ROBERTA – Um plano. Oquêi.</p>
<p>NAIR – Preciso ir.</p>
<p>ROBERTA – Peraí. Ainda não acabei meu chope.</p>
<p><strong>Nair se apressa e deixa Roberta sozinha na lanchonete.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 4<br />
<strong>Casa de Tania. Tania, sozinha, faz anotações sobre todos os produtos eróticos que vende. Dezenas de vibradores estão espalhados pelo sofá e pela mesa. Hugo entra devagar e meio perplexo ao ver os produtos. Hugo pega um vidro de óleo aromático, uma algema, um chicote e por fim pega com as mãos trêmulas um consolo de borracha. Tania olha tudo enquanto faz anotações.</strong></p>
<p>TANIA &#8211; Que cara de espanto é essa, Hugo?</p>
<p>HUGO – <strong>(Após uma pausa)</strong> O que você quer que eu faça, meu amor? Diz. Eu sei que eu sou um marido falho&#8230;mas eu amo você. Amo. Me diz que eu faço qualquer coisa pra te deixar feliz.</p>
<p>TANIA – Olha, Hugo, eu estou trabalhando. Você ainda não percebeu?</p>
<p>HUGO – Taninha&#8230;eu sei que você quis fazer esse negócio porque você não se aguenta&#8230;você é muito fogosa&#8230;eu sei, pode admitir&#8230;eu sei disso&#8230;você está dando vazão aos seus desejos&#8230;vai, confessa pra mim&#8230;</p>
<p>TANIA – Ai, que inferno, Hugo! Não é nada disso! E você sabe muito bem. Eu quero trabalhar, fazer alguma coisa pelas pessoas, sabe? Isso aqui é o meu trabalho.</p>
<p>HUGO – Você não precisa de trabalho. <strong>(Aproxima-se de Tania e pega seu rosto) </strong>Precisa se amor.</p>
<p>TANIA – Desencosta, Hugo.</p>
<p><strong>Hugo a pega nos braços com atitude.</strong></p>
<p>HUGO – <strong>(Com voz sedutora)</strong> Diz pra mim&#8230;</p>
<p>TANIA – Diz o que?</p>
<p>HUGO – Diz pra mim qual o seu maior fetiche&#8230;</p>
<p>TANIA – <strong>(Gargalha)</strong> Ah, querido&#8230;você não vai gostar&#8230;</p>
<p>HUGO – Vou! Eu vou gostar! Eu estou disposto a tudo! Tudo! O que você quiser. Tudo o que te fizer feliz eu faço.</p>
<p>TANIA – <strong>(Malévola)</strong> Tudo né? Há-há. Então tá. <strong>(Pega alguns produtos envelopados.)</strong> Toma. Vai vestir isso. Daqui a uma hora você me encontra na cozinha.</p>
<p><strong>Hugo olha o envelope com certo receio.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 5<br />
<strong>Josí está de roupão de banho no seu quarto da pousada. Toca a campainha. Josí vai atender.</strong></p>
<p>JOSÍ – Oi, Roberta.</p>
<p>ROBERTA – E aí, beleza?</p>
<p>JOSÍ – Beleza.</p>
<p>ROBERTA – Não vai me convidar pra entrar?</p>
<p>JOSÍ – Desculpa os trajes&#8230;Eu tava no banho&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Se liga, não.</p>
<p>JOSÍ – Pois não.</p>
<p>ROBERTA – Cara&#8230;me diz uma coisa. Você se considera homem ou mulher?</p>
<p>JOSÍ – Os dois.</p>
<p>ROBERTA – Como assim os dois? Isso não dá.</p>
<p>JOSÍ – Por que não?</p>
<p>ROBERTA – Ih, rapaz&#8230;</p>
<p>JOSÍ – E você? Me considera o que?</p>
<p>ROBERTA – Homem. Pra mim você é homem. Igual mulher de amigo meu. É homem.</p>
<p>JOSÍ – Então está resolvido. Pra você eu sou homem.</p>
<p>ROBERTA – Mas peraí. Também não é assim. Você é possuidora de um órgão sexual feminino&#8230;</p>
<p>JOSÍ – <strong>(Rindo)</strong> “Órgão sexual feminino”&#8230;</p>
<p>ROBERTA – E não é isso?</p>
<p>JOSÍ – Sim, sim. Eu tava aqui me lembrando&#8230;quando eu era adolescente&#8230;meu professor perguntou na prova onde ocorria a fecundação. Um amiguinho imbecil respondeu: nas pálpebras. Sabe o que são pálpebras?</p>
<p>ROBERTA – Agora confundi&#8230; Bom&#8230;tem as trompas, né? Pálpebras&#8230;pálpebras&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Querida, Pálpebras estão aqui. Nos olhos. É isso aqui que são as pálpebras.</p>
<p>ROBERTA – Nossa, seu amigo era burro mesmo.</p>
<p>JOSÍ – Pra você ver&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Mas o que é que tem isso com o que eu te falei?</p>
<p>JOSÍ – Deixa pra lá. O que você quer de mim?</p>
<p>ROBERTA – Bom, vamos lá&#8230;Eu nunca estive com um cara antes&#8230;e sinceramente&#8230;não tenho a menor vontade. Mas&#8230;A Nair falou tão bem de você&#8230;que&#8230;sinceramente&#8230;mas SINCERAMENTE mesmo&#8230;eu fiquei curiosa&#8230;se é que você me entende.</p>
<p>JOSÍ – E&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Deixa eu ver?</p>
<p>JOSÍ – O que?</p>
<p>ROBERTA – Ah, bicho! Não se faça de tonto! Você queria o que? Que eu te cantasse com bombons de licor? Faça-me o favor, né.</p>
<p>JOSÍ – Nossa, quanta grosseria&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Ihhh, não tou dizendo&#8230;Eu disse pra Nair que se você fosse homem seria gay.</p>
<p>JOSÍ – Roberta, nunca vi ninguém tão intolerante como você.</p>
<p>ROBERTA – Intolerante com o que? Eu só quero ver o seu encanto&#8230;Tem algo demais nisso?</p>
<p>JOSÍ – Você quer ver o “meu órgão sexual feminino”?</p>
<p>ROBERTA – Enfim.</p>
<p>JOSÍ – Pois é pra já. Olha. <strong>(Abre o roupão)</strong></p>
<p>ROBERTA – Gente&#8230;mas é perfeita&#8230;Mas pel’amor de deus&#8230;é linda&#8230;rosadinha&#8230;GENTE&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Chega! .<strong>(Fecha o roupão)</strong></p>
<p>ROBERTA – <strong>(Com voz aveludada)</strong> Ô chuchu&#8230;desculpa se eu fui grosseira contigo&#8230;não era essa a intenção&#8230;de verdade&#8230;tou te falando de coração&#8230;vem cá. Senta aqui. <strong>(Os dois sentam na cama)</strong> Eu sou assim mesmo&#8230;mas eu sou legal&#8230;todo mundo aqui gosta de mim&#8230;é que eu não tenho muita paciência com  os caras, sabe? Eu encaro. Encaro mesmo! Então&#8230;eu sou meio cabreira&#8230;mas você não merecia&#8230;aliás não merece grosseria! E pra provar que eu te quero bem, eu&#8230;eu quero que você aceite o meu convite pra sair&#8230;por minha conta!</p>
<p>JOSÍ – É? Por sua conta? Tudinho?</p>
<p>ROBERTA – Tudinho. Sem hora pra voltar.</p>
<p>JOSÍ – Tá bom. Passa aqui às nove.</p>
<p>ROBERTA – Mas&#8230;hoje?</p>
<p>JOSÍ – Hoje.</p>
<p>ROBERTA – Hoje não dá&#8230;mas&#8230;nesse exato instante eu tou livre&#8230;tenho até às seis com liberdade total&#8230;</p>
<p>JOSÍ – É mesmo?</p>
<p>ROBERTA – Podes crer. Deixa eu ver de novo? Deixa?</p>
<p><strong>Josí, com sorriso no rosto, encara profundamente Roberta.</strong></p>
<p><em><strong> </strong></em></p>
<p><em><strong><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/xFrGuyw1V8s?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/xFrGuyw1V8s?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></strong></em></p>
<p><strong>Fim do quinto capítulo.<br />
Até sexta que vem!</strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Josí e o sexo &#8211; cap. 04</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/06/josi-e-o-sexo-cap-04/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2011 17:44:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[JOSÍ E O SEXO]]></category>

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		<description><![CDATA[No capítulo anterior&#8230; Na sala da casa de Nair&#8230; Josí, gargalhando, filma Nair dançando, rebolando e fazendo caras e bocas, nua, pela sala, sobre a mesa, com o abajur, na parede&#8230;Josí e Nair se divertem. Vê-se o fantasma branco de vovó Leda sentado em uma cadeira assistindo com ar sério a farra de Nair e <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/06/josi-e-o-sexo-cap-04/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No capítulo anterior&#8230;<br />
Na sala da casa de Nair&#8230;</p>
<p>Josí, gargalhando, filma Nair dançando, rebolando e fazendo caras e bocas, nua, pela sala, sobre a mesa, com o abajur, na parede&#8230;Josí e Nair se divertem. Vê-se o fantasma branco de vovó Leda sentado em uma cadeira assistindo com ar sério a farra de Nair e Josí. Josí não vê vovó. Nair se diverte.</p>
<p>Ouça a música tema:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/cst2ZRephN8?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/cst2ZRephN8?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 1<br />
Vemos um belo dia amanhecendo nessa pequena cidade. O mar é sereno visto do alto do morro. O navio gigante atravessa o horizonte. O trem cargueiro faz seu caminho rotineiro pelos trilhos da orla.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 2<br />
Vemos as pessoas em suas infinitas idas e vindas pela cidade. Todos sempre bem arrumados e austeros. Porque sempre que se olha uma pessoa, o que se vê é o seu querer. Depois que a pessoa esquece por um segundo o que quer e é convidada a estar frente a frente com o aguilhão do mundo, então podemos ver a pessoa, seus buracos e seus soldados. Bonequinhos renitentes no estapafúrdio do ser.</p>
<p>CENA 3<br />
No ponto principal da cidade, tem uma praça. Como já foi dito. Na praça, tem uma pequena pousada. É o que vemos escrito: “Pousada do Clove”. Se bem que não deveríamos dizer que o estabelecimento do senhor Clove é uma pousada. Mas para fins que só são necessários a esta dramaturgia, os pequenos quartos do pequeno prédio de três andares do Senhor Clove compõem o que se chama de pousada da cidade. É nesse abrigo que se hospedam os próprios habitantes do lugar sempre que precisam: maridos que são postos para fora de casa depois de uma briga (Ernesto, o marido de Nair, é cliente assíduo), recém-casados, amantes, quem se excede com álcool e todas as pessoas com toda a espécie de segredos. O hotel de Seu Clove é mesmo um baú onde se guarda os segredos mais secretos. E na verdade todos os nossos segredos mais secretos não são tão secretos assim&#8230;</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 4<br />
Vemos Seu Clove na recepção de sua pousada. Seu Clove nunca dorme, no entanto, todos acreditam que ele está sempre dormindo.<br />
Josí toca a tradicional sineta sobre o balcão. De olhos cerrados, Seu Clove, com balangandãs e mistérios pendurados no pescoço, responde ao novo cliente.</p>
<p>S. CLOVE – Bom dia.</p>
<p>JOSÍ – Bom dia. Eu preciso de um quarto. Com TV.</p>
<p>S. CLOVE – Todos os quartos tem TV. Porque é impossível nessa vida ficar sem TV. Sua graça&#8230;?</p>
<p>JOSÍ – Josinaldo Parreras.</p>
<p>S. CLOVE – Registrado.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 5<br />
Nair dorme nua sobre o sofá. O cão Fábio Júnior lambe com gosto o pé da dona.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 6<br />
Recepção da Pousada do Seu Clove.</p>
<p>S. CLOVE – Seja bem vindo, Sr. Josi&#8230;naldo&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Obrigado.</p>
<p>S. CLOVE – Como o senhor deve saber, nós pedimos uma taxa não-obrigatória no ato desse registro. Mas veja, não é obrigado, viu, rapaz&#8230;você pode dar cinquenta, cem, quinhentos reais, um milhão&#8230;quanto você quiser&#8230;é apenas uma taxa&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Sei. Pra ajudar na manutenção do prédio&#8230;</p>
<p>S. CLOVE – É&#8230;na verdade é uma taxa pra selar as boas relações, entende? Mas você é quem sabe. Com essa taxa você pode pedir o que quiser&#8230;entendeu?</p>
<p>JOSÍ – Entendi. Aqui está. É o que eu tenho.</p>
<p>S. CLOVE – Ah, cinquenta. Muito bom. Grandiosa a sua atitude. Aqui está a chave.</p>
<p>JOSÍ – Obrigado. (Josí já vai saindo)</p>
<p>S. CLOVE – Espere. Vamos comemorar. Sente aí. Vamos beber uma coca-cola.</p>
<p>Seu Clove abre uma garrafa de coca-cola.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 7<br />
Nair acorda com seu Cão Fábio Júnior lambendo sua orelha. Nair desperta com seu riso histérico ao sentir a língua quente do cachorro.</p>
<p>NAIR – AAAI! Cadê Josí!? (Grita por Josí) Josí!! Cadê você?!</p>
<p>Nair sente o frescor da manhã na pele nua. Ajeita os cabelos e rebola prazerosamente até o chão relembrando a alegria de ter sido uma estrela sensual na noite anterior aos olhos da câmera de Josí. Fábio Júnior quer brincar com a dona. Corre, late.</p>
<p>NAIR – Que foi, coisa mais linda da mamãe? Que foi? Você é meu amorzinho! Vem cá! Vem cá, Fábio Júnior! (Muda o tom) Onde será que se meteu Josí!? (Suspira intensamente) Aiii, estou me sentindo uma flor&#8230;preciso ver como vou ficar na televisão. Onde Josí se meteu! (Chama) Josí! (Corre a casa chamando Josí e o não encontra) Ué&#8230;cadê Josilene, meu deus&#8230;? Josinaldo&#8230;ele&#8230;ela&#8230;sei lá&#8230;me fez muito feliz essa noite&#8230;(Muda o tom como num susto) Ernesto! Cadê o retardado do meu marido!?</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 8<br />
Recepção da pousada do Seu Clove.</p>
<p>S.CLOVE – Um brinde.</p>
<p>Josí e S. Clove brindam com o copo de coca-cola. Bebem.</p>
<p>JOSÍ – O senhor não me reconheceu.</p>
<p>S. CLOVE – (Bebe o refrigerante num gole só) Josilene&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Josinaldo.</p>
<p>S. CLOVE – O neto de Dona Leda.</p>
<p>JOSÍ – Vovó.</p>
<p>S. CLOVE – Se eu não fosse velho, minha filha&#8230;eu diria que estava vendo uma visão&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Eu preciso da sua ajuda. Por isso voltei pra cidade.</p>
<p>S. CLOVE – A chave do seu quarto! Está aqui.</p>
<p>JOSÍ – Eu estou dizendo que preciso da sua ajuda, S. Clove. Vovó Leda&#8230;</p>
<p>S. CLOVE – Você sobe a escada e vira à direita. Seu quarto é na segunda porta.</p>
<p>Entra Ernesto com uma mala.</p>
<p>ERNESTO – Aquele quarto está vago, Seu Clove?</p>
<p>S. CLOVE – Nair te expulsou de casa de novo&#8230;</p>
<p>ERNESTO – Não. Dessa vez eu que saí.</p>
<p>Entra Nair.</p>
<p>NAIR – (Para Ernesto) Sabia! Quem mandou você sair de casa, Ernesto?! (Vendo Josí) Você também está aqui, Josí? Já pra casa os dois! O que que é isso, minha gente!</p>
<p>JOSÍ – Vou ficar por aqui mesmo, Nair. Não quero incomodar ficando na sua casa&#8230;</p>
<p>NAIR – Não incomoda, não. (Discreta) Me dá a fita.</p>
<p>JOSÍ – Que fita?</p>
<p>NAIR &#8211; A fita que você filmou ontem. Preciso ver!!</p>
<p>JOSÍ – Depois. Depois eu te mostro.</p>
<p>NAIR – Agora, Josilene!</p>
<p>ERNESTO – Vai embora, Nair! Não adianta que você não vai me tirar daqui.</p>
<p>NAIR – Cala essa sua boca! Quer apanhar de novo? Te dou outra surra com a toalha molhada! Anda, vai indo, Ernesto, que preciso resolver isso aqui. Vai!!</p>
<p>ERNESTO – Eu vou mandar te internar! Eu vou vender aquela casa e quero você amarrada com camisa de força&#8230;</p>
<p>NAIR &#8211; A casa é minha! Minha! É tudo meu e você não vai fazer nada! (Josí se dirige para seu quarto) Volta aqui, Josí! Ainda não terminei.</p>
<p>Josí não atende e continua a seguir para seu quarto. Nair vai atrás de Josí. Os dois sobem a escada.</p>
<p>ERNESTO – Vai atrás dele, né, sua maluca?! Eu tou indo pra casa! E vou te esperar lá! Você vai ver! (Fala para Seu Clove) Dessa vez ela está me traindo com uma aberração, Seu Clove!! (Pega sua mala e vai embora) Uma aberração! Essa vida é demais. Era melhor eu não ter nascido, Seu Clove! Pra quê viver?!! Pra quê?!!</p>
<p>Seu Clove nada diz e se serve de mais um copo de coca-cola.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 9<br />
Josí e Nair entram no quarto da pousada do Seu Clove.</p>
<p>NAIR – Você mudou, Josí. Você está mudado de ontem pra hoje&#8230;eu estava muito feliz! Você me fez muito feliz ontem, Josilene. Eu nunca senti o que eu senti&#8230;eu preciso que você continue me fazendo feliz&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Do que é que você está falando, Nair?</p>
<p>NAIR – Do que você fez comigo&#8230;você me amou&#8230;</p>
<p>JOSÍ – EU?! Mas não aconteceu nada entre nós. Você sonhou.</p>
<p>NAIR – Você me viu nua, Josí&#8230;você me viu inteira, cara&#8230;</p>
<p>JOSÍ – (Irônico) Ah, quanto pudor você tinha&#8230;</p>
<p>NAIR – Não fale assim comigo&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Nair, nada aconteceu entre nós. Você só ficou igual louca desfilando e rebolando pela casa, se mostrando pra minha câmera! Você bebeu bastante e depois apagou no sofá. E eu esperei amanhecer pra vir pra cá. Foi só isso. Não inventa.</p>
<p>NAIR – (Decepcionada) Mas&#8230;mas&#8230;você me viu&#8230;você me viu&#8230;</p>
<p>JOSÍ – E só! Não aconteceu mais nada!</p>
<p>NAIR – (Gritando) Mas poderia ter acontecido!!!!!!!!! Você poderia ter me amado!!! Mas não, né! Eu pensei que você fosse diferente! Porque tem uma vagina no meio das pernas, eu pensei que você fosse me entender! Mas não! Você é um homenzinho, um machinho babaca! Um estúpido! Um sacana!</p>
<p>JOSÍ – Para de gritar comigo!</p>
<p>NAIR – Agora! Vai! Me ama agora! Por favor&#8230;Eu não preciso mais de homem pra me fazer feliz. Você tem tudo o que eu preciso. (Agarra Josí) Vai, me ama agora, Josí! Anda! Me pega, porra!</p>
<p>JOSÍ – Sai daqui. Você tem que se tratar mesmo, como seu marido disse. Você é maluca, mulher!</p>
<p>NAIR – (Vingativa) Se você não me amar&#8230;eu vou acabar com você, Josí. Eu vou te reduzir a pó nessa cidade.</p>
<p>JOSÍ – HÁ-HÁ. Sai daqui, Nair. Você como sempre tem um senso de humor inigualável. (Pausa) Sai, vai.</p>
<p>Os dois se olham profundamente. Os olhos de Nair misturam ódio e amor. Nair está realmente decepcionada.</p>
<p>Ouça a música que sublinha o sentimento de Nair:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/S-uLWJWi0Mw?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/S-uLWJWi0Mw?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Fim do quarto capítulo.</p>
<p>Até a próxima sexta!</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Josí e o sexo &#8211; cap.03</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/05/josi-e-o-sexo-cap-03/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 04:55:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[JOSÍ E O SEXO]]></category>

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		<description><![CDATA[No capítulo anterior&#8230; Na casa de Nair&#8230; Josí vê o vulto de uma pessoa próximo à porta. Caminha um pouco tentando distinguir. NAIR – Vai aonde, Josilene!? Fica aqui! ROBERTA – Volta, Josilene! Josí para. Parece reconhecer o vulto. JOSÍ – Vovó? É a Senhora? Os rostos de Nair e Roberta iluminam-se de terror. CORTA <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/05/josi-e-o-sexo-cap-03/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>No capítulo anterior&#8230;<br />
Na casa de Nair&#8230;</strong></p>
<p><strong>Josí vê o vulto de uma pessoa próximo à porta. Caminha um pouco tentando distinguir.</strong></p>
<p>NAIR – Vai aonde, Josilene!? Fica aqui!</p>
<p>ROBERTA – Volta, Josilene!</p>
<p>Josí para. Parece reconhecer o vulto.</p>
<p>JOSÍ – Vovó? É a Senhora?</p>
<p><strong>Os rostos de Nair e Roberta iluminam-se de terror.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p><strong>Ouça a música tema desta história.</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/YbWDeOcqRUE?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/YbWDeOcqRUE?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>CENA 1</p>
<p><strong>Hora do jantar na casa de Tania e Hugo. O casal, à mesa, janta iluminado por uma vela. Toda a cidade está sem luz. O vento está muito forte.</strong></p>
<p>TANIA – Onde será que o Thiago se meteu!</p>
<p><strong>Hugo janta em silêncio.</strong></p>
<p>TANIA – Agora está com essa mania de chegar tarde.</p>
<p>HUGO &#8211; Um dia os filhos passam a chegar tarde.</p>
<p>TANIA – Melhor você sair e procurar o seu filho.</p>
<p>HUGO – Ele está bem.</p>
<p>TANIA – Como é que você sabe?</p>
<p>HUGO – Porque está.</p>
<p>TANIA – Todos ficam bem nessa cidade, não é, Hugo?! Aqui não há perigo, não há maldade, não há violência, não há inveja, nem nada! Aqui não tem nada! Aqui todos prosperam, são felizes! E quando querem morrer se afogam no mar&#8230;</p>
<p><strong>Hugo fica em silêncio.</strong></p>
<p>TANIA &#8211; &#8230;pra conseguir sair desse lugar é só se jogar no mar. Ou seja, só morrendo. Ir nadando até o horizonte. E morrer. Puf!</p>
<p>HUGO – Eu te pedi pra não começarmos esse assunto novamente&#8230;</p>
<p>TANIA – Ah, mas não dá, meu bem. Não dá. Você parou no tempo. Você não se move. Isso aqui não muda. E eu estou me tornando uma pessoa sem sal também. E esses ventos constantes vão me desfazer inteira. Meu sal vai voar por aí. Eu vou ficar morta em pó salgado antes de virar cinzas.</p>
<p>HUGO – Meu amor&#8230;eu te amo. Eu só quero cuidar de você&#8230;Parece incrível&#8230;mas eu sinto o mesmo desde que nos casamos&#8230;eu só quero ver você feliz.</p>
<p>TANIA – Então vamos embora. Vamos pro Rio de Janeiro. Pra Barra da Tijuca, de preferência. Eu preciso sair daqui. Eu não suporto mais. Se aqui você é dono do maior supermercado da cidade, lá você pode ser dono de uma rede inteira. Viveremos com inúmeras possibilidades. No Rio de Janeiro tem tanta coisa pra nos entreter&#8230;ai! Só de pensar eu sinto um gostinho de felicidade na boca&#8230;</p>
<p>HUGO – E o Aldo.</p>
<p>TANIA – Que tem o Aldo?</p>
<p>HUGO – Você vai deixa-lo?</p>
<p>TANIA – Vou. Ele é igual a você. Acha que um restaurantezinho na pracinha já é o suficiente. Aliás, o Aldo não é totalmente um imbecil. Sabe que investimento em gastronomia é bem interessante. Ninguém para de comer. Assim como ninguém para de fazer sexo. E eu quero abrir uma loja no Rio.</p>
<p>HUGO – Não fale assim&#8230;Que loja, meu amor? Você nunca me falou desse outro desejo.</p>
<p>TANIA – Sou uma mulher de muitos desejos, sim, Hugo. Eu quero abrir um sex shop.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 2<br />
<strong>Josí está ao lado de fora da casa de Nair. Procura, com sua câmera, a sua avó. Josí mal consegue abrir os olhos para filmar. O vento é forte demais. No visor da câmera vemos a silhueta de uma mulher. Mas a olho nu, nada é visto. Josí não repara nisso porque mal consegue abrir os olhos.</strong></p>
<p>JOSÍ – Vovó&#8230;<strong>(Tempo)</strong> Vovó!</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 3<br />
<strong>Nair e Roberta estão na sala. Estão aparentemente nervosas.<br />
</strong><br />
NAIR – O que Josí foi fazer lá fora!?</p>
<p>ROBERTA – Ele é ingênuo. Essas pessoas da cidade grande são muito ingênuas.</p>
<p>NAIR – Josí virou um homem e tanto&#8230;ai se não fosse o problema que ele tem&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Que problema?</p>
<p>NAIR – O que ele é.</p>
<p>ROBERTA – Fala, criatura!</p>
<p>NAIR – <strong>(Quase para si)</strong> Ai, será que eu provo&#8230;? Confesso que me deu vontade&#8230;</p>
<p><strong>As luzes acendem. Josí entra.</strong></p>
<p>NAIR – Ai! Graças a Deus!</p>
<p>ROBERTA – Já era hora dessa luz voltar!</p>
<p>NAIR – Josí! Tinha alguém lá fora?</p>
<p>JOSÍ – Não consegui ver. É assim mesmo&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Assim mesmo o que?</p>
<p>NAIR – <strong>(Muda o tom da conversa)</strong> Olha, Roberta! <strong>(Levanta a camisa de Josí)</strong> Não é uma loucura esse homem! Josinaldo!!!</p>
<p>JOSÍ – <strong>(Rindo)</strong> O que é isso, Nair!</p>
<p>NAIR – Mostra pra Roberta, vai!</p>
<p>JOSÍ – Nair! Para com isso!</p>
<p>NAIR – Mostra, por favor, Josí!</p>
<p>ROBERTA – Mostra o que, gente!? O que vocês tão me escondendo?</p>
<p>JOSÍ – Para, Nair&#8230;acabei de ver vovó&#8230;por favor.</p>
<p>ROBERTA – Que tem sua avó?</p>
<p>NAIR – Josí vê gente morta. Sempre foi assim. Desde pequeno. Eu também via.</p>
<p>ROBERTA – Ai, bicho. Pel’amor! Coisa macabra.</p>
<p>JOSÍ – Vovó não aparecia faz tempo&#8230;tenho algumas imagens aqui&#8230;<strong>(Abre a cam e retira a fita)</strong> onde dá pra ver nitidamente vovó Leda&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Você não vai querer me mostrar isso, né!</p>
<p>JOSÍ – Vocês não querem ver?</p>
<p>NAIR – Não, Josí! Eu quero ver outra coisa. Vai! Mostra pra Roberta! Ela não fala pra ninguém. Vai! Tira a roupa!</p>
<p>ROBERTA – Ah, não! Não quero, Nair! É uma visão deturpadora da realidade! Quero não.</p>
<p>NAIR – Ele tem uma coisa que você vai gostar!</p>
<p>JOSÍ – Nair, o Ernesto, Nair! Você não pensa?!</p>
<p>NAIR – Ernesto já tá dormindo. O Fábio Júnior já nem está mais aqui. Deve estar na cama com ele&#8230;tem problema, não!</p>
<p>JOSÍ – Não vou mostrar nada.</p>
<p>NAIR – Ele tem vagina, Roberta.</p>
<p>JOSÍ – NAIR!!!!</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 4<br />
<strong>Após o jantar, Tania está relaxando no sofá com uma taça de champanhe. Hugo beija os pés de Tania. Tania está quase em êxtase.</strong></p>
<p>TANIA – Hummm&#8230;hummmm&#8230;.hummmm&#8230;.<strong>(Tania Assopra o champanhe)</strong></p>
<p>HUGO – Não há pés <strong>(Beija)</strong> dedos <strong>(Beija)</strong> unhas <strong>(Beija)</strong> tornozelos <strong>(Beija)</strong> mais lindos&#8230;</p>
<p><strong>Tania despeja toda a champagne de sua taça no rosto de Hugo. Ele adora. Hugo continua lambendo os pés de Tania. Tania empurra com força a cabeça de Hugo. Hugo cai no chão. Tania sobe em Hugo. Ele adora.</strong></p>
<p>HUGO – Meu moranguinho&#8230;eu te amo demais&#8230;te amo muito&#8230;você é minha fada&#8230;</p>
<p><strong>Ouve-se barulho na porta. Entra Thiago com um amigo. Ambos correm e entram no quarto de Thiago. Tania vê o filho e sem querer pisa na cara de Hugo. Hugo grita, mas adora.</strong></p>
<p>TANIA – Thiago!  Onde é que você tava?</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 5<br />
<strong>Roberta, Nair e Josí na sala de Nair.<br />
</strong><br />
ROBERTA – Tá de sacanagem!</p>
<p><strong>O telefone celular de Roberta toca.</strong></p>
<p>ROBERTA – Oi, chuchu. Já tô deitadinha na cama&#8230;já jantei, a luz voltou&#8230;e você? Hummmm&#8230;tá cheirosinha, é? Hummm. Ai, meu Senhor&#8230;Quer que eu vá praí? Quer? É&#8230;pois é, tou deitadinha&#8230;de pijaminha&#8230;</p>
<p>NAIR – <strong>(Para Roberta) </strong>Quantos diminutivos!</p>
<p>ROBERTA – Amanhã acordo cedo e vou pro hospital. E é meu dia de plantão&#8230;é. Dorme pensando e sonhando comigo&#8230; beijo, gostosa&#8230;tchau. <strong>(Desliga)</strong> Onde paramos? Você falou vagina?</p>
<p>JOSÍ – Olha só, Roberta, a Nair é louca. Não esquenta. Olha, preciso dormir. Boa noite pra vocês.</p>
<p>ROBERTA – Eu também vou embora. Depois você me conta essa história direito, Nair.</p>
<p>NAIR – Tá. Tchau.</p>
<p><strong>Roberta sai. Nair se volta em silencio para Josí. Nair para em frente a Josí e o olha fixamente. Nair tira toda a roupa. Fica nua.</strong></p>
<p>JOSÍ – Ai, vai começar de novo&#8230;</p>
<p>NAIR – Não. Eu quero te pedir uma coisa.</p>
<p>JOSÍ – Depende. O que é?</p>
<p>NAIR – Me filma.</p>
<p>JOSÍ – Como? Agora?</p>
<p>NAIR – Agora. Vai. Pega essa câmera! Anda. Olha meu corpo. Vê se eu sou de se jogar fora! Hein!?</p>
<p><strong>Josí cai na gargalhada. Nair coloca uma música.</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/2OVxroo7rgg?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/2OVxroo7rgg?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>NAIR – Adoro essa música!</p>
<p><strong>Josí, gargalhando, filma Nair dançando, rebolando e fazendo caras e bocas, nua, pela sala, sobre a mesa, com o abajur, na parede&#8230;Josí e Nair se divertem. Vê-se o fantasma branco de vovó Leda sentado em uma cadeira assistindo com ar sério a farra de Nair e Josí. Josí não vê vovó. Nair se diverte.<br />
</strong></p>
<p><strong>Fim do terceiro capítulo.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Até a próxima sexta!</strong></p>
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		<item>
		<title>Josí e o sexo &#8211; segundo capítulo</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/05/josi-e-o-sexo-segundo-capitulo/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 12:44:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[No capítulo anterior&#8230; No quintal da casa de Nair&#8230; JOSÍ – Sou eu, Nair. NAIR – Josí foi o menino que nasceu sem “pirú”! Nasceu com uma vagina! Uma perfeição de vagina! Só Nair teria coragem de baixar a sunga de Josí agressivamente para conferir. Sim. Era ele. Era Josí. Trinta anos depois. Vemos Nair <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/05/josi-e-o-sexo-segundo-capitulo/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>No capítulo anterior&#8230;<br />
No quintal da casa de Nair&#8230;</strong></p>
<p>JOSÍ – Sou eu, Nair.</p>
<p>NAIR – Josí foi o menino que nasceu sem “pirú”! Nasceu com uma vagina! Uma perfeição de vagina!</p>
<p><strong>Só Nair teria coragem de baixar a sunga de Josí agressivamente para conferir. Sim. Era ele. Era Josí. Trinta anos depois.<br />
Vemos Nair olhando perplexa uma vagina em um corpo de um homem. Era incrível. Era mesmo Josí.</strong></p>
<p>NAIR – Ai, mamãe!</p>
<p><strong>Ouça a música tema da história com Carmélia Alves.</strong></p>
<p><object width="480" height="390"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/IDaeT1fPLe8?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/IDaeT1fPLe8?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>CENA 1<br />
<strong>Nair olha cirurgicamente a vagina de Josí.</strong></p>
<p>NAIR – Mas é mesmo uma perfeição! Estou “estupefáquita”! </p>
<p><strong>Josí, tímido, recoloca a sunga e se apressa para vestir toda a sua roupa.<br />
</strong><br />
JOSÍ – Para&#8230;</p>
<p>NAIR – <strong>(Com assombro)</strong> Josilene! </p>
<p>JOSÍ – Josinaldo.</p>
<p>NAIR – <strong>(Nervosa)</strong> E eu que pensava que quando você crescesse, ia crescer um “pirú” junto! Como eu pude acreditar nisso! Você era uma menininha! E por onde você andou esse tempo todo?! Eu pensei que você tinha morrido, sumido no vácuo&#8230;Como você conseguiu virar esse homão? Você nasceu mulher&#8230;Mas que coisa horrível! Deus não existe! Deus não existe, meu Deus! Como isso pode acontecer!?</p>
<p>JOSÍ – Deus existe, sim, querida. E é homem e é mulher ou um e outro conforme a conveniência. E por que eu haveria de morrer?</p>
<p>NAIR – <strong>(Catatônica)</strong> Bom&#8230;todo mundo morre um dia&#8230;<strong>(Muda o tom)</strong> Meu Deus, que vergonha! Que vergonha! Imagina eu tendo relações com uma mulher&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Não sou mulher, Nair.</p>
<p>NAIR – Mas também não pode dizer que é homem! <strong>(Pausa. Autoritária.)</strong> Tira a roupa.</p>
<p>JOSÍ – Que?</p>
<p>NAIR – Quero ver de novo.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 2<br />
<strong>Essa cidadezinha parece mesmo um caminho sinuoso feito por ratos. Uma cidade com estrutura curvilínea como os seios das mulheres. Ruas que levam a todos os lugares. Tudo plano. Sem nenhuma ladeira. Onde os passos caminham sempre em direção às portas e janelas. E as portas e as janelas são como esconderijos, grutas, buracos feitos por seres escavadores. Ao atravessar as soleiras desses buracos, estão eles. Cada um deles. Eles.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 3<br />
<strong>O sino da Igreja da praça toca bem alto às seis. Ali todos estão ao sair do trabalho, da Igreja, dos bares, dos supermercados ou simplesmente a passear. Toda aquela gente em massa. Com atitudes e desejos em massa. Trocando cumprimentos em massa. Todos são distintos demais, quietos demais. E obtusos. E parvos. E plúmbeos. A noite cai devagar. Os carros andam com dificuldade pelo meio da multidão que ocupa desenfreadamente o lugar mais amplo da cidade: a praça. Ali, todos parecem respirar melhor antes que o vento da hora chegue. Ali todos estão no calor e no cheiro dos outros. O cheiro dos outros.<br />
</strong><br />
CORTA PARA</p>
<p>CENA 4<br />
<strong>Roberta está em seu carro estacionado. Uma mulher está com ela sentada no banco do carona. Ambas comem hot-dog. Roberta é uma mulher bem rechonchuda, branca, de estatura mediana, tem 39 anos, cabelos picotados com alguns fiapos brancos, seios avantajados, mas sempre disfarçados &#8211; não se sabe como. Usa óculos. É estrábica. A mulher que está com ela é Amanda. Uma bela negra que faz corar até um tolo jumento.</strong></p>
<p>ROBERTA – “Vamo” rodar?</p>
<p>AMANDA – Pra onde?</p>
<p>ROBERTA – Rodar, filha&#8230;</p>
<p>AMANDA – Tá, mas qual o destino?</p>
<p>ROBERTA – No quilômetro 32 tem um motelzinho que tô louca pra ir.</p>
<p>AMANDA – É novo?</p>
<p>ROBERTA – Não. Namoro esse motel há algum tempo. Daqui a pouco a gente vai. Deixa o povo esvaziar a praça. </p>
<p>AMANDA – Quilômetro 32 é longe&#8230;e depois vai ficar tarde&#8230;</p>
<p><strong>Toca o celular de Roberta.</strong></p>
<p>ROBERTA – Aaaalôôn! Oi, chuchu. Oi? Não. Não. Tô saindo agora. Fiquei presa no hospital. Problemas, chuchu. Problemas. Tô indo pra casa. Tô morta. Só quero comida da mamãe e cama&#8230;Oi? Que isso, chuchu?! Você é a coisa mais linda que aconteceu na minha vida&#8230;Você é maravilhosa&#8230;Olha só, sabe aquele motel que te falei? Tá com uma promoção ótima. Vou te levar lá. Comprei aquele oleozinho que você me pediu. Tá ok? É&#8230;tô doida pra te pegar&#8230;você nem imagina&#8230;Sábado tô aí depois do almoço. Beijo na boca. De língua. Também te adoro. Tchau, chuchu. <strong>(Desliga o celular.)</strong></p>
<p>AMANDA– Ela está desconfiada, hein&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Tá nada. Relaxa. <strong>(Muda o tom)</strong> Já te falei que nunca vi pernas mais lindas que a tua? Benza-te deus, filha!</p>
<p>AMANDA – As duas são pra você.</p>
<p>ROBERTA – Opa! Então vamos!<strong> (Muda o tom)</strong> Você tá com dinheiro aí?</p>
<p>AMANDA – Acho que sim&#8230;</p>
<p>ROBERTA – É, porque eu tô lisa. Você paga e depois a gente vê isso&#8230;Meio a meio.</p>
<p>AMANDA – Tudo bem&#8230;</p>
<p>ROBERTA – Gostosa da mamãe&#8230;</p>
<p><strong>Roberta prepara-se para arrancar com o carro.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 5<br />
<strong>Nair está na frente do carro de Roberta. Faz um escândalo ao vê-la. Nair está com Josí. Josí está com sua câmera filmando todo o movimento na praça.<br />
</strong><br />
NAIR – A salsicha tá boa, hein, Roberta! <strong>(Gargalhada histérica)</strong></p>
<p>ROBERTA – Não fala isso de salsicha nem de brincadeira, Nair! Minha pressão já não anda boa!</p>
<p>NAIR – Olha, esse aqui é o Josí. Josí, esta aqui é a Roberta!</p>
<p><strong>Josí cumprimenta Roberta filmando-a com sua câmera.</strong></p>
<p>JOSÍ &#8211; Oi, Roberta.</p>
<p>ROBERTA – Vira essa câmara pra lá, bicho! Tá maluco! Que porra é essa? Quem é esse “viado”, Nair? </p>
<p><strong>Roberta, nervosa, sai do carro.</strong></p>
<p>JOSÍ – Desculpe.</p>
<p>ROBERTA – Pô, cara! Sem noção. Te dei autorização da minha imagem? </p>
<p>NAIR – Calma, Roberta! Ele já desligou a câmera! Calma!</p>
<p>ROBERTA – Olha só, meu chapa, não gosto disso não, hein! Tu é muito do abusado! </p>
<p>NAIR – Já falei que ele já desligou, Roberta! Para de ser barraqueira!</p>
<p>AMANDA –<strong> (Saindo do carro) </strong>“Vambora”, Rô! Eu fico nervosa com essas coisas! “Vambora”!</p>
<p>ROBERTA – Calma aí, preta&#8230;Fica nervosa, não. Mas esse sujeito tem que aprender a ser homem!</p>
<p>JOSÍ – Desculpa&#8230;já pedi desculpas&#8230;É que eu&#8230;</p>
<p><strong>Roberta acerta um soco na cara de Josí. Josí cai desacordado. Confusão geral. Nair grita desesperada, Amanda se afasta correndo com medo assim que percebe que as pessoas começam a se aproximar.</strong></p>
<p>NAIR – Olha o que você fez! Ele desmaiou! Detesto violência!!</p>
<p><strong>Nair com fortes unhas agarra nos cabelos de Roberta. Roberta grita. Pessoas se aproximam assustadas.<br />
</strong></p>
<p>ROBERTA – Ai, porra! Me larga! Tu vai me deixar careca, sua maluca!</p>
<p>NAIR – Quero ver você bater em mim! Anda! Bate! Quero ver! </p>
<p>ROBERTA – Me larga, Nair! Tu sabe que eu não bato em mulher!</p>
<p><strong>Nair larga Roberta.<br />
</strong></p>
<p>NAIR – <strong>(Para todos)</strong> E vocês? Tão olhando o que? Hein? <strong>(Dando uns tapas no rosto de Josí) </strong>Acorda, Josí! Acorda! </p>
<p><strong>O vento frio habitual daquelas horas começa a soprar ficando cada vez mais forte. Os fios e as gambiarras se embalançam. Algumas lâmpadas estouram como fogos de artifício das noites da Aleluia. O sino da Igreja toca novamente. É o sinal pra que todos se recolham em suas “tocas”. A praça vai rapidamente esvaziando. Josí acorda sem entender o que aconteceu. Nair ajuda Josí a se levantar. Nair se apressa.</strong></p>
<p>ROBERTA – Tudo bem, gata! Eu errei. “Vamo” logo sair daqui. Vai começar a tempestade. Entra no carro, vou levar vocês!</p>
<p>NAIR – Cadê a garota que tava aí com você?</p>
<p>ROBERTA – Schhh! Relaxa. Depois eu amanso a onça. </p>
<p><strong>Os três entram no carro. </strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 6<br />
<strong>Roberta dirige o seu Uno branco e velho pelas ruas já desertas da cidade. Parece madrugada, mas não é. É que o medo quase sempre faz pensar que é madrugada. Os papéis voam loucos pelo ar. O vento sopra forte. Vê-se que Josí, no banco detrás, ainda não se recuperou do soco de Roberta. Josí sangra na boca e tenta ligar sua camera. Nair vai à frente com a motorista.<br />
</strong><br />
NAIR – Você tá muito lerda! Acelera isso!</p>
<p>ROBERTA – Se acalma, Nair&#8230;</p>
<p><strong>O carro engasga e enguiça.</strong></p>
<p>NAIR – Isso é brincadeira comigo!</p>
<p>ROBERTA – Ai-meu-Deus-ai-meu-Deus! É hoje!</p>
<p><strong>Roberta tenta ligar o carro.</strong></p>
<p>NAIR – Não fica nervosa que eu fico também!</p>
<p>ROBERTA – E não é pra ficar?! </p>
<p>NAIR – Você tá com medo?</p>
<p>ROBERTA – Não. Só tô apavorada! Vamos empurrar que ele pega! </p>
<p>NAIR – Ai!</p>
<p>ROBERTA – <strong>(Para Josí)</strong> Hei, meu brother, dá uma mão aqui rápido!</p>
<p><strong>Os três saem do carro. Um névoa cobre o chão. O silêncio nas ruas é sepulcral.</strong></p>
<p>JOSÍ – Cadê todo mundo, hein?</p>
<p>ROBERTA – Cala a boca, bicho! Empurra! Anda!</p>
<p><strong>Eles ouvem gritos e gargalhadas. O Suor de Roberta escorre frio nas têmporas.<br />
</strong><br />
ROBERTA – Vou ligar o carro! Empurra, gente!</p>
<p><strong>Eles continuam ouvindo os gritos e gargalhadas que se aproximam.<br />
</strong><br />
NAIR – Pegou! Entra, Josilene! Entra no carro! Corre!</p>
<p>JOSÍ – Que está acontecendo, hein?</p>
<p><strong>De dentro do carro, eles veem uma turma de rapazotes pulando, correndo, zoando.</strong></p>
<p>ROBERTA – Olha isso&#8230;</p>
<p>NAIR – Aquele ali não é Thiago, filho da Tania?</p>
<p>ROBERTA – <strong>(Olhando os rapazotes)</strong> Meu Senhor, nunca vi tanta bichinha junta&#8230;de onde surgiram?</p>
<p><strong>Roberta grita da janela do carro.</strong></p>
<p>ROBERTA – Vão pra casa, suas frescas! Olha a tempestade!</p>
<p><strong>Os rapazolas gritam e xingam Roberta. Roberta arranca com o carro. Os rapazes fazem mais alvoroço.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 7<br />
<strong>Casa de Nair. Josí, Roberta e Nair estão na sala. Fábio Júnior, o cão de Nair, agarra na perna de Roberta e não larga. Josí tenta ligar sua câmera.</strong></p>
<p>ROBERTA – Sai, nojento! Sai! Sai! </p>
<p>NAIR – Não fala assim com o amor da mamãe! <strong>(Para Fábio Júnior)</strong> Não é, amor da mamãe? Hein!?</p>
<p>ROBERTA – Esse cachorro é tarado igual a você, Nair.</p>
<p>JOSÍ – Minha câmera precisa de conserto. E eu preciso de uma pedra de gelo. </p>
<p>NAIR – Pode pegar, Josilene. Vai lá.</p>
<p>JOSÍ – Josinaldo.</p>
<p>NAIR – Ah. Josinaldo.</p>
<p><strong>Josí vai até a cozinha.</strong></p>
<p>ROBERTA – Por que você chama ele de Josilene? <strong>(Para Josí) </strong>Tu é bicha, né, bicha?<strong>(Gargalha)</strong></p>
<p>NAIR – E ele por acaso tem cara de bicha?</p>
<p>ROBERTA – Bicha não tem mais cara.</p>
<p>NAIR – Tem sim. Você não viu o menino? O Thiago, filho da Tania? </p>
<p>ROBERTA – Jamais um homem vai conseguir ser uma mulher&#8230;pode operar e o escambau! Não adianta! Mulher é bicho raro&#8230;não tem coisa mais perfeita&#8230;Por mim o mundo era feito só de mulheres! Um mundo de guerreiras Amazonas! </p>
<p>NAIR – Hummm.</p>
<p>ROBERTA – Nem tanto guerreiras. Gosto de mulher calminha. Passiva&#8230;</p>
<p>NAIR – Otária.</p>
<p>ROBERTA – Otária, não. Cínica, talvez.</p>
<p>NAIR – Ainda bem que nunca fui da tua laia.</p>
<p>ROBERTA – Deixa de ser burra, Nair&#8230;tu não sabe o que tá perdendo&#8230;</p>
<p>NAIR – Para hein.</p>
<p>ROBERTA – <strong>(Dando uma risadinha marota)</strong> Quando tu quiseres, é só falar. Estou em riste.</p>
<p>NAIR – <strong>(Gargalha escandalosa)</strong> Em riste? Faz-me rir, Roberta! Jamais você terá um “pênis” se é o que deseja.</p>
<p>ROBERTA – Eu já tenho, meu amor. Está aqui ó <strong>(Aponta a própria cabeça)</strong>. Está tudo aqui. O que você acredita que é, você é.</p>
<p><strong>Josí volta da cozinha. Nair começa a trancar a casa toda. Fecha janelas, cortinas, portas. Coloca todas as trancas inimagináveis na porta principal.</strong></p>
<p>JOSÍ – <strong>(Meio irritado, para Roberta)</strong> Olha, rapaz, não sei qual o prazer que você teve em me dar esse soco!</p>
<p>ROBERTA – Olha, foi mal. Gostei de você. Na hora fiquei meio irritada, confesso. Esse negócio de câmera na minha cara&#8230;isso não dá certo, não. Eu sou muito discreta&#8230;sabe qual é?</p>
<p>JOSÍ – Sei. </p>
<p>ROBERTA – É só pegar leve comigo. <strong>(Muda o tom)</strong> Mas diz aí. Tu é bicha?</p>
<p>JOSÍ – Que diferença faz?</p>
<p>ROBERTA – Toda, meu amigo. Toda.</p>
<p>NAIR – Ih, que conversa nojenta, hein! Meu marido tá em casa! Querem parar?!</p>
<p>JOSÍ – Nair, por que você está trancando a casa desse jeito? Ainda não são nem nove da noite!</p>
<p>ROBERTA – Ai, meu Deus, como é que eu vou embora&#8230;?</p>
<p>NAIR – Você não é louca de sair com esse vento! Fica por aí, Roberta! </p>
<p>JOSÍ – O que vocês tem? O que acontece que todo mundo tem medo de vento!?</p>
<p>NAIR – Eu tenho. </p>
<p>ROBERTA – Eu também.</p>
<p><strong>O vento assobia. A luz pisca até que&#8230;acaba. Escuro total.<br />
</strong><br />
ROBERTA e NAIR – AI!MEU DEUS!</p>
<p>JOSÌ – Que houve?!</p>
<p>NAIR – Eu tenho tanto medo de morrer!</p>
<p>ROBERTA – Eu também!</p>
<p><strong>Josí vê o vulto de uma pessoa próximo à porta. Caminha um pouco tentando distinguir. </strong></p>
<p>NAIR – Vai aonde, Josilene!? Fica aqui!</p>
<p>ROBERTA – Volta, Josilene!</p>
<p><strong>Josí para. Parece reconhecer o vulto.<br />
</strong><br />
JOSÍ – Vovó? É a Senhora?</p>
<p><strong>Os rostos de Nair e Roberta iluminam-se de terror. </strong></p>
<p><strong>Ouça a música tema dessa história com Bibi Ferreira.</strong></p>
<p><object width="640" height="390"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DN3PP0UpMvE?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/DN3PP0UpMvE?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="390" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Fim do segundo capítulo</p>
<p>Até a próxima sexta!<br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Josí e o sexo &#8211; capítulo 01</title>
		<link>http://dramadiario.com/2011/05/josi-e-o-sexo-capitulo-01/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 03:16:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[JOSÍ E O SEXO]]></category>

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		<description><![CDATA[CENA 1 Do alto do morro que se precipita ao mar &#8211; mesmo sem nunca ter conseguido saber que mar é esse, de onde vem e pra onde escorre – Josí, com sua câmera, filma a sua Cidade natal que neste exato instante lhe parece bem tranquila. Josí, pelo “olho” de sua câmera, tenta sondar <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2011/05/josi-e-o-sexo-capitulo-01/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>CENA 1<br />
<strong>Do alto do morro que se precipita ao mar &#8211; mesmo sem nunca ter conseguido saber que mar é esse, de onde vem e pra onde escorre – Josí, com sua câmera, filma a sua Cidade natal que neste exato instante lhe parece bem tranquila. Josí, pelo “olho” de sua câmera, tenta sondar o que acontece naquelas ruas planas, nas casas soltas e o que tem sob os “tampões” daquelas cabeças que se fazem quietas e cínicas. Josí, ao longe, filma alguns habitantes na beira do mar, as ondas estourando, um navio de carga que atravessa o horizonte como quem teme se aproximar daquele lugarzinho frajola&#8230;<br />
Josí filma a si mesmo no alto do morro, com a Cidade ao fundo.<br />
Josí olha para a própria câmera em silêncio e nós vemos um homem alto, calvo, barba rala, bons dentes, pele corada e com uma masculinidade gritante. Nós que o vemos pela primeira vez, logo cogitamos fazer um mau juízo e talvez não confiássemos nosso dinheiro ou a guarda dos nossos filhos. Mas se os olhos de Josí te fisgam feito um arranhão de anzol, você vê que um bom ser ali mora.</strong></p>
<p>JOSÍ – <strong>(Para sua própria cam)</strong> Oi&#8230;eu sou o Josí. E aquela ali&#8230;<strong>(Sua cam mostra a cidade)</strong> é a minha cidade&#8230;e eu não venho aqui há uns trinta anos. Minha família foi quem praticamente fundou essa cidadezinha&#8230;todos eram primos, irmãos, meio-irmãos&#8230;e num passado distante, esse lugar ficou conhecido como a cidade dos incestos. Eu saí daqui quando estava na puberdade&#8230;depois da morte da minha avó Leda, que disse que um dia eu ia voltar pra&#8230;pra&#8230;pra na verdade não sei o quê! É, vovó Leda era muito autoritária&#8230;e ainda é! Castigava as adúlteras, os ladrões&#8230;os maridos assanhadinhos, beberrões&#8230;ninguém tirava farinha com vovó!&#8230;<strong>(Josí começa a andar em direção à cidade e continua falando para a cam)</strong> Ela controlava a natalidade, o comércio, até a luz das ruas, racionava a alegria&#8230;Mas quando ela ficou doente e vovô já tinha morrido, ela mandou que eu a levasse embora daqui. Tinha medo de que a esquartejassem viva. E era isso mesmo que ia acontecer mais dia ou menos dia. A gente saiu de madrugada&#8230;eu era muito frágil naquela época&#8230;tinha medo de tudo, coisa e tal&#8230;<strong>(Muda o tom)</strong> Ai, preciso fazer xixi, urgente&#8230;! <strong>(Desliga a própria cam. Vemos Josí correndo para algum lugar na beira do caminho).</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 2<br />
<strong>Vemos Josí com a calça totalmente arriada. Está urinando agachado com aquela grande sensação de prazer de quem fica por muito tempo com a bexiga cheia.</strong></p>
<p>JOSÍ – Que isso!?! Desliga essa câmera de vocês aí também!</p>
<p><strong>Desligamos a nossa câmera como Josí pediu. Ele não quer que o vejamos nessa situação.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 3<br />
<strong>Ouçam a música tema dessa história.</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/cst2ZRephN8?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/cst2ZRephN8?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Josí já está na cidade. Ele filma com sua cam tudo o que pode pelas ruas. Para acelerar o processo de reconhecimento de Josí em sua própria cidade, vemos um clipe de imagens aceleradas de todo o lugar. Também vemos os rostos em close de muitas pessoas no meio dessas imagens. Vemos todos os personagens dessa história: Clove, Thiago, Hugo, Tania, Roberta, Nair&#8230; Até vovó Leda aparece em fotografias antigas em preto e branco. Nós podemos continuar ouvindo a música do vídeo acima enquanto Josí nos apresenta à cidade e aos habitantes. Estes, vistos por nós pela primeira vez podem até nos parecer simpáticos. Talvez sejam realmente. Josí também é olhado com bons olhos enquanto caminha por ali e reconhece muitos, mas não é reconhecido. Nada parece ter mudado por ali, assim como nada parece ter mudado por aí onde você, que está lendo, mora – se nos permitem dizer.</strong></p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 4<br />
<strong>Josí caminha por uma das ruas principais com sua câmera desligada, mas quando enxerga uma mulher, prontamente empunha a lente e aperta o zoom. Vemos Nair lavando a calçada. Nair veste um mini-short que comprime indecorosamente seus glúteos avantajados. Ela canta, tenta refrescar ingenuamente a copa de uma árvore enorme na porta da sua casa. A cada passagem de um transeunte, Nair empina as nádegas mostrando um dom admirável para bons alongamentos. Josí se aproxima.<br />
</strong><br />
JOSÍ – Naiiiiiirrrr! <strong>(Muda o tom. Fala para a nossa câmera.) </strong>Só existem duas pessoas que talvez me reconheçam nessa cidade. Um é o Seu Clove, se ainda estiver vivo. E a outra é Nair. Mas com Nair eu tenho que tomar todos os cuidados impossíveis! <strong>(Muda o tom. Chama Nair)</strong> Naiiiirrr!</p>
<p><strong>Com a voz de um homem berrando seu nome, Nair se alonga mais chegando a tremelicar a bunda. Ao terceiro chamado de Josí, Nair olha para nosso herói, mas parece não lhe reconhecer.</strong></p>
<p>JOSÍ – Naiiiirrr! <strong>(Rindo, para a cam) </strong>Ela não me reconhece, a lerda! <strong>(Gritando para Nair)</strong> Sou eu, Nair!</p>
<p><strong>Nair, rápida no gatilho, ajeita o mini-short que incomoda o interior das suas coxas.<br />
</strong><br />
NAIR – Que é? Que você quer? Meu marido está ali na esquina, hein!</p>
<p>JOSÍ – Como você está bem, Nair! E não pinta mais o cabelo&#8230;ficou ótimo com as mechas brancas&#8230;de verdade! E como está o Ernesto?</p>
<p>NAIR – <strong>(Desconfiada)</strong> Meu marido&#8230;? Está bem&#8230;Quem é Você? Não me lembro de você, não&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Pensei que você fosse lembrar de mim! Estava pensando nisso agora&#8230;mas vejo que não vai ser fácil!</p>
<p>NAIR – Olha aqui, rapaz&#8230;seja lá quem você for, não é uma boa hora. Meu marido está passeando com o Fábio Júnior! É arriscado! Ele pode chegar! Te manda!</p>
<p>JOSÍ – (Gargalhando) Nair&#8230;não sou nada disso que você está pensando! <strong>(Gargalha mais)</strong> Ai, Nair&#8230;</p>
<p>NAIR – Tá rindo de mim, por quê? Hein? Odeio quando riem de mim! Olha que te arrebento a boca! Não tenho medo de homem, não! Some daqui! Anda!</p>
<p><strong>Nós que somos meros observadores, só podemos mesmo nos impressionar com o escândalo que Josí faz ao rir da “fé cênica” de Nair. Josí ri a tal ponto que urina na calça.</strong></p>
<p>JOSÍ – <strong>(Segurando a virilha)</strong> Ai, Nair&#8230; Ai&#8230;!! Pelo amor de Deus! Eu me mijei todo! Ai! Hoje eu estou com o “mijador” solto!</p>
<p>NAIR – <strong>(Meio confusa, fala entre os dentes)</strong> Entra&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Oi?</p>
<p>NAIR – Pode entrar. Entra aqui rapidinho&#8230;</p>
<p>JOSÍ – <strong>(Gargalhando mais)</strong> Você não mudou nada, Nair&#8230;!!Você me deixa tomar um banho?&#8230; Trocar de roupa?&#8230;Cheguei hoje na cidade&#8230;</p>
<p>NAIR – Entra&#8230;tem um chuveiro ali atrás da casa&#8230;você pode tomar banho ali&#8230;assim Ernesto nem vai te ver caso volte com o Fabio Júnior.</p>
<p>JOSÍ – Fábio Júnior é seu filho?</p>
<p>NAIR – Não. É meu cãozinho xameguento.</p>
<p>CORTA PARA</p>
<p>CENA 5<br />
<strong>Vemos Josí tomando banho de ducha no quintal de Nair. Percebemos que Nair está ansiosa, morde os lábios, varre o quintal, anda para lá e para cá sempre se ocupando e esperando que Josí fique completamente nu. Mas Josí toma banho de sunga.</strong></p>
<p>NAIR – Acabou com esse banho?</p>
<p>JOSÍ – Delícia!</p>
<p>NAIR – <strong>(Se aproximando)</strong> Aqui a toalha.</p>
<p>JOSÍ – Eu tenho toalha na minha mochila&#8230;</p>
<p>NAIR – Pois é essa.</p>
<p>JOSÍ – Ah.</p>
<p>NAIR – Você é um pão! Mas não consigo me lembrar de você!</p>
<p>JOSÍ – <strong>(Sempre rindo de Nair)</strong> Você vai lembrar já-já.</p>
<p>NAIR – Se bem que seus olhos não me são estranhos&#8230;</p>
<p>JOSÍ – Tá esquentando&#8230;</p>
<p>NAIR – Você tem olhos de bobo! É isso! Tem cara de bundão!</p>
<p>JOSÍ – <strong>(Doce)</strong> Por que, Nair? Que que eu te fiz?</p>
<p>NAIR – Porra&#8230;ficou horas nesse banho&#8230;meu marido já deve estar chegando agora! Anda! Coloca logo a roupa! <strong>(Olhando fixamente o corpo de Josí) </strong>Saradinho, hein&#8230;</p>
<p>JOSÍ – <strong>(Sempre rindo) </strong>Tudo bem, Nair&#8230;eu ainda estou sem lugar pra ficar&#8230;vamos apressar isso tudo!</p>
<p>NAIR – <strong>(Colocando os seios pra fora) </strong>Ai, Vamos! Vamos!! Anda logo! Tem que ser rápido!</p>
<p>JOSÍ – <strong>(Gargalhando)</strong> Meu Deus, Nair! Guarda isso! <strong>(Gargalha) </strong>Guarda teus peitos!</p>
<p>NAIR – <strong>(Guarda os seios decepcionada) </strong>Porra&#8230;um homem desse tamanho!</p>
<p><strong>Agora vemos Nair desabrochando o riso em verdadeiras cólicas escandalosas. Na verdade risos agudos e escandalosos.</strong></p>
<p>NAIR – <strong>(Rindo)</strong> Tem vergonha, não, rapaz! Um homem desse tamanho! Ai, ai! Tudo bem! Tudo bem! <strong>(Ri mais ainda)</strong> E eu passando vergonha aqui!</p>
<p>JOSÍ – Nair.</p>
<p>NAIR – Vai, rapaz! Vai embora! Entre você e o meu motoboy fofinho, fico com meu motoboy!</p>
<p>JOSÍ – Nair.</p>
<p>NAIR – Como é que você sabe meu nome? E que cara e voz de machão você tem! Sujeira!</p>
<p>JOSÍ – Nair.</p>
<p>NAIR – Fala, porra!</p>
<p>JOSÍ – Lembra de Josí?</p>
<p>NAIR – Josí&#8230;? Lembro&#8230;onde você conheceu ela?</p>
<p>JOSÍ – Sou eu.</p>
<p>NAIR – Ah, para, garoto! Isso já era.</p>
<p>JOSÍ – O que já era?</p>
<p>NAIR – Essa menina aí, a Josí! Isso é velho. Faz tempo demais! Já acabou. Mais de trinta anos! Agora se ponha daqui pra fora.</p>
<p>JOSÍ – Eu sou Josí, Nair!</p>
<p>NAIR – Deixa de ser xexelento, rapaz! Imagina! Josí era um menino, menina, sei lá! Nem sei! Uma história horrível! Uma aberração! Eu hein!</p>
<p>JOSÍ – Josí foi o menino que nasceu&#8230;</p>
<p>Enfim Nair parece querer escutar. Silêncio de ambos.</p>
<p>NAIR – Não é você.</p>
<p>JOSÍ – Sou eu, Nair.</p>
<p>NAIR – Josí foi o menino que nasceu sem “pirú”! Nasceu com uma vagina! Uma perfeição de vagina!</p>
<p><strong>Só Nair teria coragem de abaixar a sunga de Josí agressivamente para conferir. Sim. Era ele. Era Josí. Trinta anos depois.<br />
Vemos Nair olhando perplexa uma vagina em um corpo de um homem. Era incrível. Era mesmo Josí.</strong></p>
<p>NAIR – Ai, mamãe!</p>
<p><strong>Podemos ouvir novamente a música tema dessa história.</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="390" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/cst2ZRephN8?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="390" src="http://www.youtube.com/v/cst2ZRephN8?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Fim do primeiro capítulo.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Até sexta que vem!</strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Da última vez que Cora e Allan estiveram juntos</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/12/da-ultima-vez-que-cora-e-allan-estiveram-juntos/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/12/da-ultima-vez-que-cora-e-allan-estiveram-juntos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 11:53:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[LIVRE]]></category>

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		<description><![CDATA[Allan e Cora em um “café” no meio da tarde&#8230; Allan – Como você demorou. Cora – Amor, você me acha gorda? Allan – Não. Cora – Mas eu tou gorda? Fala. Allan – Você é magra, como pode estar gorda? Para com isso. Cora – Dá uma olhada na minha barriga, vai. Olha. Tá <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/12/da-ultima-vez-que-cora-e-allan-estiveram-juntos/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Allan e Cora em um “café” no meio da tarde&#8230;</em></p>
<p>Allan – Como você demorou.</p>
<p>Cora – Amor, você me acha gorda?</p>
<p>Allan – Não.</p>
<p>Cora – Mas eu tou gorda? Fala.</p>
<p>Allan – Você é magra, como pode estar gorda? Para com isso.</p>
<p>Cora – Dá uma olhada na minha barriga, vai. Olha. Tá muito horrível. Eu tou um lixo, não tou? Olha bem, isso aqui está uma colmeia&#8230;</p>
<p>Allan – Para de chorar.</p>
<p>Cora – O Geraldo me disse que eu estou um bagulho.</p>
<p>Allan – Ele disse “bagulho”? Ele falou assim?</p>
<p>Cora – É. Ele disse que não encontrou uma palavra em inglês que falasse tão bem do meu estado físico. Daí disse em brasileiro mesmo.</p>
<p>Allan – Não chora, não.</p>
<p>Cora – (Fio de voz) Porra&#8230;</p>
<p>Allan – Você fica tão bonita chorando, Cora&#8230;</p>
<p>Cora – Ah é?</p>
<p>Allan – É.</p>
<p>Cora – (Pega o espelho na bosa) Nossa&#8230; é mesmo. Eu tou tão bonita&#8230;</p>
<p><em>Cora e Allan na festinha de aniversário da amiga em uma “buacthi”</em></p>
<p>Cora – Allan, aquela mulher está me dando mole.</p>
<p>Allan – Tá esperando o que?</p>
<p>Cora – Mas eu tou toda doída.</p>
<p>Allan – Não se preocupa que ela não viu o tombo que você levou na entrada.</p>
<p>Cora – Aquela bicha deve ter contado pra ela. Olha a cara daquela bicha, Allan. Bicha uó.</p>
<p>Allan – Que isso&#8230;</p>
<p>Cora – A minha calça tá rasgada, Allan.</p>
<p>Allan – Não tem problema. Mulher não liga pra isso em outras mulheres.</p>
<p>Cora – Acho que você tem razão. Acho que vou me aproximar. Ela deve ter outra calça na bolsa. E pode me emprestar, né?</p>
<p>Allan – Vai lá.</p>
<p><em>40 minutos depois Cora volta com Dulce para encontrar Allan.</em></p>
<p>Cora – Dulce. Esse é o Allan, amor da minha vida.</p>
<p>Allan – Oi.</p>
<p>Cora – Acho que vamos casar, Allan. Eu e Dulce.</p>
<p>Allan – Dulce&#8230; nome forte, né?</p>
<p>Cora – Ela tá bêbada, Allan.</p>
<p>Allan – Você também.</p>
<p>Cora – Ela é advogada, Allan.</p>
<p>Allan – Ah é?</p>
<p>Cora – Ela tem a moral flexível, Allan&#8230; sempre quis muito conhecer uma pessoa com moral flexível&#8230;você sabe&#8230;</p>
<p>Allan – Sei.</p>
<p>Cora – Ela ama Diana Ross, Allan. Eu disse que gosto também. Pra me sentir menos sozinha perto dela&#8230;</p>
<p>Allan – Cala a boca&#8230;você detesta Diana Ross</p>
<p>Cora – Ela tá bêbada, Allan.</p>
<p>Allan – Chega, Cora.</p>
<p>Cora – Pedi um emprego pra ela. E nós vamos ter um filho.</p>
<p>Allan – Você já tem um filho, Cora.</p>
<p>Cora – Mas preciso ter um filho com uma mulher, Allan. Preciso. Você sempre soube disso.</p>
<p>Allan – Você tá bêbada, Cora.</p>
<p>Cora – O Geraldo disse que vai me levar pra Hamburgo. Preciso ir. Ele tá me esperando.</p>
<p>Allan – Agora?</p>
<p>Cora – É. Leva a Dulce em casa, Allan.</p>
<p>Allan – Mas Cora&#8230;</p>
<p>Cora – Dulce&#8230;desculpa&#8230; você é uma fofa. Mas não sei por que você quer ter um filho comigo. Você já tem sua filha. Preciso ir.</p>
<p>Allan – Cora, volta aqui.</p>
<p>Cora – Minha calça está rasgada, Allan. Tou pagando o maior mico.</p>
<p>Allan – A aniversariante ainda não chegou&#8230;</p>
<p>Cora – Não tem nem bolo nessa festa, Allan.</p>
<p>Allan – Cora, se você for pra Hamburgo, eu vou te odiar muito.</p>
<p>Cora – Para. Vou ser feliz. Juro.</p>
<p>Allan – Não vai. Lá é frio.</p>
<p>Cora – Não faz mal. Para com isso. (Muda o tom) Allan.</p>
<p>Allan – Quê?</p>
<p>Cora – Faz um favor&#8230; come a Dulce&#8230;ela tá muito só. Ela disse que tem a noite livre hoje. Come ela tá, Allan.</p>
<p>Allan – Não quero não. Minha tia tá me esperando. Vamos tomar vinho e dançar nossas rumbas. Adeus, Cora.</p>
<p>Cora – Adeus, Allan. Te amo. Mas e a Dulce?</p>
<p>Allan – Te amo também. Não chora.</p>
<p>Cora – Mas a Dulce, Allan?</p>
<p>Allan – Ela vai ficar bem, acredite. Para de chorar.</p>
<p>Cora – Mas eu fico bonita quando choro&#8230;</p>
<p>Allan – Você tá linda chorando.</p>
<p>Cora – Quando eu chegar em Hamburgo eu mando dinheiro pra você enviar minha bagagem. Tá?</p>
<p>Allan – Hu-hum.</p>
<p><em>Cora entra no táxi. Allan entra em outro táxi. A cidade do Rio de Janeiro fica um breu total com um black-out repentino. </em></p>
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		<title>Homenagem aos comediantes</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2010 02:34:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[LIVRE]]></category>

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		<description><![CDATA[ou Não há mais nada pra rir ou Pareço uma enguia ou Saudade da minha vitrola ou Isso aqui não tem graça ou É tudo culpa da guerra ou Eu só quero é ser feliz Hans e Anelisa na Confeitaria Colombo: Hans – Quando eu acabar meu sanduíche, você fala com ele, pergunta como ele <a class="leiamais" href="http://dramadiario.com/2010/12/homenagem-aos-comediantes/">leia mais...</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ou</p>
<p>Não há mais nada pra rir</p>
<p>ou</p>
<p>Pareço uma enguia</p>
<p>ou</p>
<p>Saudade da minha vitrola</p>
<p>ou</p>
<p>Isso aqui não tem graça</p>
<p>ou</p>
<p>É tudo culpa da guerra</p>
<p>ou</p>
<p>Eu só quero é ser feliz</p>
<p>Hans e Anelisa na Confeitaria Colombo:</p>
<p>Hans – Quando eu acabar meu sanduíche, você fala com ele, pergunta como ele está.<br />
Anelisa &#8211; Ele já está velho. Nunca esperei que ele fosse envelhecer tão rápido, Hans. Me passa a maionese.<br />
Hans &#8211; Pergunta pela mulher dele, tá? Da última vez que eu a vi, ela se sentia mal.<br />
Anelisa &#8211; É? O que ela tinha?<br />
Hans &#8211; Frescura.<br />
Anelisa &#8211; Acabou seu sanduíche?<br />
Hans – Olha, ele está acenando pra você&#8230;olha o jeito dele acenar&#8230;que estranho&#8230;(GARGALHA)<br />
Anelisa &#8211; Acenei também. Ele sorrindo ficou melhor, menos velho.<br />
Hans &#8211; Você tem algum problema com a velhice ou é impressão minha?<br />
Anelisa &#8211; Me passa maionese de novo.<br />
Hans &#8211; Tá estragada.<br />
Anelisa – Então, joga fora. Maionese é um perigo!<br />
Hans &#8211; Não. Alguém vai querer depois e não vai ter.<br />
Anelisa &#8211; Olha, ele vem vindo. Como ele é bonitinho&#8230;<br />
Hans &#8211; Deixa eu terminar meu sanduíche. Já falei!<br />
Anelisa &#8211; Calma, grosso. Ele está a passos curtos. Bem curtos.<br />
Hans &#8211; Ele está com uma mancha na perna.<br />
Anelisa &#8211; Onde?<br />
Hans &#8211; Na perna.<br />
Anelisa &#8211; Mas onde?<br />
Hans &#8211; Na perna.<br />
Anelisa &#8211; Como você viu?<br />
Hans &#8211; Ele está com essa mancha.<br />
Anelisa &#8211; Não vejo.<br />
Hans &#8211; Ele está longe. É por isso. Toma, bebe.<br />
Anelisa – O que é isso?<br />
Hans – Groselha.<br />
Anelisa – Detesto groselha.<br />
Hans &#8211; Adoro groselha. É bonito falar: gro-se-lha.<br />
Anelisa &#8211; Seu sanduíche é de quê, hein?<br />
Hans &#8211; Enguia defumada.<br />
Anelisa &#8211; Ui!<br />
Hans &#8211; A aura dele está verde. Pode ser que ele esteja bem de saúde.<br />
Anelisa &#8211; Se as aviações não caírem sobre nós, ele chega até aqui. Ai, ai&#8230;essa guerra&#8230;<br />
Hans &#8211; Ele vai chegar. A guerra está dentro de nós. Está silenciosa.<br />
Anelisa – Que medo.<br />
Hans &#8211; Ele me deve uma coisa.<br />
Anelisa &#8211; O que?<br />
Hans &#8211; Uma agulha de vitrola.<br />
Anelisa – Não brinca. Não sabia disso.<br />
Hans &#8211; Pois é. Você sabe muito pouco de mim, Anelisa.<br />
Anelisa &#8211; Desde que nos casamos, não é, Hans.<br />
Hans &#8211; É. Terminei meu sanduíche.<br />
Anelisa &#8211; Mas eu não terminei o meu.<br />
Hans – Não briga comigo. Olha, vou falar com ele assim, veja o que acha: Oiiii! Por onde você andou? Estava com saudades! Você está muito bem, jovial, talmente-totalmente, e sua esposa como vai? Ainda difusa-confusa? Carrega ainda as premissas para sensibilidade, inova pós-guerra, torra salmão?&#8230;<br />
Anelisa &#8211; Hans, olhe pra mim.<br />
Hans – (CONTINUA)&#8230;trouxe aquela agulha de vitrola que me prometeu ou a maracujina não deixou? Tem tomado seu ginko biloba?<br />
Anelisa – Hans&#8230;<br />
Hans – Você é o maior comediante do Brasil! Eu sempre quis ser igual ao senhor! Dercy quem diria! Te ameaçava a Dercy hein! Queria te enterrar! Te urucubacava. Olha aí quem é o mais forte! (GARGALHA)<br />
Anelisa &#8211; Hans, a frescura&#8230;<br />
Hans &#8211; Que frescura, Anelisa?<br />
Anelisa &#8211; A frescura da Tania.<br />
Hans &#8211; Tania? Que Tania?<br />
Anelisa &#8211; A mulher dele. Ali&#8230;<br />
Hans &#8211; Ele é surdo. Fala mais alto.<br />
Anelisa – Não!<br />
Hans – Então come e não me enche.<br />
Anelisa &#8211; A enguia está morta.<br />
Hans &#8211; Está!<br />
Anelisa &#8211; Esta enguia era elétrica, Hans?<br />
Hans &#8211; Para, por favor, Anelisa. Por favor.<br />
Anelisa &#8211; Ele está te fitando, Hans. Ele está te reconhecendo.<br />
Hans – Ele está? Vou lá dar um abraço nele!<br />
Anelisa – Não!! Ele tem ponte de safena, Hans. Cuidado com ele.<br />
Hans &#8211; Ponte de safena?<br />
Anelisa &#8211; É.<br />
Hans &#8211; Dá um teco da sua enguia pra ele provar. Ele não vai negar essa enguia!<br />
Anelisa &#8211; Que vergonha&#8230; tá suja de maionese&#8230;<br />
Hans &#8211; Maionese estragada. Você comeu assim mesmo?<br />
Anelisa &#8211; Comi&#8230;era isso que eu tentava te dizer&#8230;mas você nem&#8230;<br />
Hans &#8211; Agora se afasta. Me deixe só aqui. Preciso da minha agulha!! Ele tá se levantando! Ele vai vir aqui! Tá tentando dizer alguma coisa. Parece nervoso!<br />
Anelisa &#8211; É por causa da guerra, Hans. Todos nós estamos assim.<br />
Hans &#8211; Maldita hora que me casei com você, Anelisa.<br />
Anelisa &#8211; Não fala isso, Hans.<br />
Hans &#8211; Você me faz ser absurdo, Anelisa.<br />
Anelisa &#8211; Nunca te fiz isso.<br />
Hans &#8211; Você me responde, me incita, me convicta!<br />
Anelisa &#8211; Ele já está indo, Hans.<br />
Hans &#8211; Você me dá bola, me crê, me engloba, me satiriza, me cozinha.<br />
Anelisa &#8211; Ele já foi, Hans.<br />
Hans &#8211; Você vive daí, aí sempre luzidia. Me concorda. Me fofoca.<br />
Anelisa &#8211; Para, Hans.<br />
Hans &#8211; Come mais. Anda.<br />
Anelisa &#8211; Me deixa.<br />
Hans – Engole a enguia, Anelisa!<br />
Anelisa &#8211; Tou sofrendo, Hans.<br />
Hans – Engole.<br />
Anelisa – AIII! ME DEU CHOQUE!<br />
Hans – Besta! Eu só queria ter sido um pizzaiolo, Anelisa.<br />
Anelisa – Comediante!<br />
Hans – Isso! E olha o que você me fez! Eu não consigo mais ser fresco, contente, não consigo mais ser gente.<br />
Anelisa &#8211; Mas isso é culpa da guerra, Hans. Não é culpa minha.<br />
Hans &#8211; Tudo que te peço você me dá. Não consigo mais sorrir.<br />
Anelisa &#8211; Eu sorrio sempre com você, Hans.<br />
Hans &#8211; Eu não quero mais sorrisos. Eu não vejo mais graça em nada. Eu preciso de uma vela.<br />
Anelisa &#8211; Pra quê?<br />
Hans &#8211; Vou rezar. Não há mais nada pra rir.<br />
Anelisa – Cruzes.</p>
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