Abelha rainha

É carnaval, todo mundo pirado.
Um sol de rachar o crânio.
Rio 40graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos, etc.
Samba, suor e cerveja… Muita cerveja.
Um bloco de rua, contornando a pracinha da Urca.
Ah… A Urca! Ainda lembro das meninas de biquíni lilás, os estrangeiros com cara queimada, as velhas enxotando os pombos e a gente correndo pelas ruas da Urca.
É carnaval.
A Bailarina barbada, com seu peitoral exposto, seu tchu tchu ensopado de cerveja, a barba por fazer, sorriso safado, berrando o “Alalaô”. Avista no outro lado do bloco, a Mulher Maravilha, botas vermelhas e cabeleira negra. A Bailarina Barbada vai se esgueirando pela multidão, pipocando de canto em canto até chegar à Mulher Maravilha.
Bailarina Barbada: (ao pé do ouvido da Mulher Maravilha) Você é linda demais!!!!!
Mulher Maravilha: (sambando) Oi?
Bailarina Barbada: (quase ao grito) Você é linda demais!!!
Mulher Maravilha: Obrigada…
Bailarina Barbada: Posso te contar uma coisa?
Mulher Maravilha: (fazendo esforço para ouvi-lo) Oi?
Bailarina Barbada: (articulado) Posso te contar uma coisa???
Mulher Maravilha: Conta.
Bailarina Barbada: Eu só vim até aqui pra te ver.
Mulher Maravilha: Sério?
Bailarina Barbada: Sério.
E o Bloco vai andando, eles acompanhando.
Bailarina Barbada: Eu vi você no ano passado. Estava fantasiada de Mulher Gato. Eu te pedi um beijo e você me deu. Ficamos nos beijando por horas, sem parar. Com fome, com sede, debaixo da chuva, matando todas as vontades um no outro.
Mulher Maravilha: (rindo_ importante frisar que ela já está mais pra la do que pra cá) Ih… Mas ano passado eu beijei tanta gente!… Você estava fantasiado de que mesmo?
Bailarina Barbada: Carmem Miranda.
Mulher Maravilha: hahhahaaha Gente!!! Verdade!!! Que delicia!!! Você curte essa onda de se fantasiar de mulher, é?…hahahhaa
Bailarina Barbada: ahahhahaa E você curte heroínas de história em quadrinhos.
Mulher Maravilha: Eu adoro carnaval. Fico louca.
Bailarina Barbada: Eu também.
Mulher Maravilha: Oi?
Bailarina Barbada: (ao grito) Eu disse que também adoro carnaval!
Tudo é tão despretensioso. Todo mundo leva tudo na esportiva. Tem uma colombina em cada esquina, um pirata bêbado na calçada, parece um ano novo com duração de uma semana.
Mulher Maravilha: Carnaval é tudo!
Bailarina Barbada: Carnaval é beijo roubado, sandália desgastada, pé pisoteado, garganta berrando, cerveja gelada, cara suada, sorriso estampado, a vontade em sua máxima voltagem.
Mulher Maravilha: Carnaval é tudo de bom três vezes!
A Mulher Maravilha faz uma pausa, tira uma nota de dois reais de seu decote e compra mais uma latinha de cerveja, de um camarada que passa com um isopor escorado nos ombros.
Mulher Maravilha: Carnaval é tudo e mais um pouco!
Bailarina Barbada: Carnaval é aquela Mulher gato que não sai da cabeça, essa Mulher Maravilha que mexe com tudo que tem dentro. Não consegui parar de pensar em você durante um ano. Um ano, cara. Se passou um ano e eu ainda gosto de você. Ainda penso em você. Ainda fico virado pensando em você. Um ano.
Mulher Maravilha: Mulata bossa nova
Caiu no hully gully
E só dá ela
Ê ê ê ê ê ê ê ê
Na passarela
.. carnaval é tudo!!!
Bailarina Barbada: Um ano com seu gosto na minha boca, a lembrança de suas curvas, o toque de suas mãos. Um ano e não passou. Não passou a vontade de te devorar inteira, com embalagem e tudo. Não passou a vontade de te dobrar e colocar no meu bolso pra ninguém te pegar. Saber seu nome, do que gosta de fazer, de dividir meus segredos, te telefonar de madrugada, te levar ao cinema, dividir um cachorro quente, rir da nossa falta de grana, brigar por nossas escolhas opostas, beijar até chegar o amanhecer… Um ano. Aqui, nessa praia vermelha de desejo, com esse bondinho derretendo de açúcar, e esse sorriso que não me sai, não me sai, não me sai do pensamento…
Mulher Maravilha: (surda) Oi?
Bailarina Barbada: Você não me sai do pensamento.
Mulher Maravilha: (sem entender) Oi????
Bailarina Barbada: Você nem se dá conta do que eu sinto.
Mulher Maravilha: Fala mais alto.
Bailarina Barbada: Eu quero mais.
Mulher Maravilha: Cerveja?
Bailarina Barbada: Beijo.
Mulher Maravilha: Na boca?
Bailarina Barbada: Agora!
Mulher Maravilha: Ah, ta! Por que demorou tanto pra pedir????
Ela vai até ele e os dois se beijam demoradamente. Uma chuva fina se encarrega de juntar a massa, escorrer o todo, um chorume de luxúria escoando pelo ralo. O Bloco segue, a Mulher Maravilha termina o beijo numa mordidinha leve nos lábios da Bailarina Barbada.
Mulher Maravilha: (seguindo o Bloco, indo longe, grita) Se a gente não se esbarrar por aí, ano que vem a gente se vê aqui.
Bailarina Barbada: (paralisado, vendo a moça partir) Você vem de que?
Mulher Maravilha: Mulher Biônica. E você?
Bailarina Barbada: Estou na dúvida entre Minnie Mouse ou Maga Patológica.
Mulher Maravilha sorri, lança um beijinho saliente e desaparece na multidão.
Bailarina Barbada fica com cara de babaca ali na chuva. Mas ainda é sábado de carnaval…
Se apaixonará no domingo por uma Branca de Neve, na segunda vai jurar amor eterno pra uma Cigana, morrer de ciúmes na terça pela Nêga Maluca e acordar com puta ressaca na quarta ao lado de uma Abelha Rainha.
Fim.
O palhaço e a bailarina
A poesia é a síntese das palavras. É aquilo que o acaso imaginou. É o êxtase que faz do real a maravilha. É o impossível que já se realizou .
O palhaço encontrou a bailarina. E num instante o tumulto se esvaiu. Era como se o mundo fosse um pingo. E a solidão da folia sucumbiu.
O palhaço cumprimentou a bailarina. A bailarina pela primeira vez chorou. Não chorou por medo do palhaço. E sim porque finalmente alguém sorriu.
O palhaço não sorriu por estar bêbado. Muito menos por causa do batuque ensurdecedor. Se sorriu foi porque viu na bailarina. A beleza escondida atrás da dor.
Eles eram colegas de trabalho. Mas no trabalho nem diziam “oi”. A opressão do corporativismo rompe. E no carnaval sem perceber ela se foi.
Ele pede a mão da bailarina. Só queria dançar pelo salão. Já eram mais de cinco da matina. O clareza dispensava a escuridão.
A bailarina já não tinha sapatilha. Eram apenas pequenos pés no chão. Mesmo assim rodopiou feito Ana Botafogo. E o palhaço não soltava a sua mão.
Eram apenas colegas de trabalho. Mas agora eram homem e mulher. O palhaço a bailarina dançam. Ele se chamava Paulo e ela se chamava Ester.
O momento transforma tudo em eternidade. E num instante o que não era transformou. O palhaço quis beijar a bailarina. E cautelosa por fim ela deixou.
Eles eram colegas de trabalho. Mas agora pertenciam ao carnaval. O palhaço e bailarina juntos. Eram como a lua completando o sol.
De repente a multidão invade. E o salão parecia explodir. O palhaço e bailarina correm. Quem sabe já não era hora de partir?
Eles param em frente ao horizonte. Rio de janeiro, praia, mar, calor. Quarta Feira de Cinzas vem surgindo. E com ela se consome o amor.
Amanhã é dia de trabalho. Quem sabe eles já se digam “olá”. Mas se não, o que importa é o hoje. O agora é que vai ficar.
Daqui a pouco eles vão se despedir. Esse momento deve acontecer. O palhaço e a bailarina juntos. Isso nunca iriam esquecer.
O palhaço amanhã é Paulo. A bailarina talvez seja Ester. E quem sabe nem se digam nada. Porque Paulo não sabe quem ela é.
Mas quando Paulo for palhaço. E Ester quem sabe bailarina. Dancem juntos por toda eternidade. Agora sim. Como homem e mulher.
FIM
Horror no setor treze
Confete e serpentina

Curta de carnaval
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Personagens:
Homem
Mulher
CENA1. EXTERIOR. HOTEL. NOITE.
CENAS COM HUMOR À LA SERIADO THE OFFICE DA FX. AO LONGE VEMOS UMA MULTIDÃO DE FOLIÕES MUITO FELIZES. FOCO NA MULTIDÃO.
TAKE 2: FORA DA MULTIDÃO, UM JOVEM SOLITÁRIO E CABISBAIXO (HOMEM).
TAKE 3: NUM OUTRO LUGAR, TB FORA DA MULTIDÃO, VEMOS UMA JOVEM SOLITÁRIA (MULHER)
MULHER: (enquanto fala retira confetes do saco e joga no chão com raiva) Meu aniversário é depois do carnaval. Enquanto todos se divertem ralando tudo na parede chapiscada. Eu estou aqui. Pensando na grande questão de Simba do filme o Rei Leão: Que lugar eu devo ocupar no Ciclo da Vida? Hoje eu vou mudar meu destino. Como diria o Capitão Planeta: O poder é de vocês! (percebemos que ela coloca um adereço, mas não sabemos o que é, na verdade ela irá se fantasiar de bate bola)
TAKE 4 FORA DA MULTIDÃO, UM JOVEM SOLITÁRIO E CABISBAIXO (HOMEM).
HOMEM: Eu jurei que faria isso desde pequeno. Agora sinto que estou pronto. Superarei meu medo. Serei bravo e corajoso. (coloca uma máscara de power ranger ou um adereço qualquer de super-herói) Agora a força está comigo!
TAKE 5: VEMOS O HOMEM CORRENDO COM UMA BUZINA QUE FAZ SOM, OU SERPENTINA, OU SPRAY DE ESPUMA.
TAKE 6: VEMOS UM CONJUNTO DE PESSOAS COM A FANTASIA BATE-BOLA
TAKE 7: VEMOS O HOMEM JOGANDO SERPENTINAS NO GRUPO DE BATE-BOLAS COMO SE FOSSE UMA PROVOCAÇÃO. NA EDIÇÃO E NAS IMAGENS ESSE GESTO DEVERÁ PARECER UMA BATALHA!
TAKE 8: A SERPENTINA ENROSCA NOS PESCOÇO DE UM DOS BATE-BOLAS.
TAKE 9: COMO SE ESTIVESSE VENCIDO O BATE BOLA COM A SERPENTINA ENROSCADA NO PESCOÇO ANDA ATÉ O HOMEM PARA SE RENDER.
TAKE 10: HOMEM E BATE-BOLA MUITO PRÓXIMOS.
TAKE 11: O BATE BOLA RETIRA O CAPUZ. O POWER RANGER RETIRA A MÁSCARA
TAKE 12: NA VERDADE O BATE BOLAS É A MULHER DO INÍCIO DO CURTA. E O POWER RANGER É O HOMEM.
TAKE 13: A MULHER JOGA CONFETES SOBRE A CABEÇA DO HOMEM.
TAKE 14: HOMEM E MULHER SORRINDO.
TAKE 15: OS DOIS DE MÃOS DADAS CAMINHAM NA DIREÇÃO DA MULTIDÃO.
fim
PS: Queridos Leitores farei stand-up domingo,8/11, no Quadro Quem Chega Lá? no programa Domingão do Faustão.
Botei o meu bloco na rua
“Quanto riso, ó! Quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão…”. Já passavam das 11 horas da manhã, quando a bolsa estourou. Não falo da Bolsa de Valores de Tókio ou Nova Iorque. Também não me refiro à bolsa de supermercado, essas de plástico tão fino que usam agora, que não suportam nem um quilo, nem litro de nada. Falo da minha bolsa. A bolsa! Aquilo era hora? Francamente! Só queria era me acabar até a quarta feira! “Se essa porra não virar Olé Olé Olá! Eu chego lá…” - Acho que não chego, não… Estourou! Estava no meio do bloco. O surdo de marcação, o maioral entre os instrumentos da bateria, se impunha acelerando o meu coração! Bum, bum! Bum, bum! Que bumbo enorme.Que barriga enorme! Quanto deve pesar um bumbo? Mais pesado que uma barriga?
- Irresponsável! Foi a última palavra de minha mãe antes de eu cair na folia.
- Irresponsável! Era também o que ela gritava ao telefone quando Caco, vestido de bailarina, ligou pra dar a notícia: - A bolsa estourou!
Tinha colocado o despertador para às 9:30h da manhã. Calculei o tempo de concentração, o “esquenta”, as primeiras músicas, o cortejo… O despertador tocou.
- Tá na hora, Caco, acorda!!!
- Hã?
- Tá na hora, môr! Não vai se atrasar! Pulamos da cama. Escovamos os dentes, café da manhã reforçado pra aguentar o tranco. Enquanto ele tomava o último gole eu já enfiava a meia-calça naquelas pernas cabeludas, maiô rosa – difícil de passar pela barriguinha saliente – sainha de filó, arquinho na cabeça.
- Você não pára quieto!
Caco impaciente: - Já tá na esquina. Tá escutando? Eu atrás fazendo a maquiagem e ele:
- Meu tamborim! Onde está meu tamborim, Neninha?
- Assim vai borrar o batom, Caco! Só falta um sinalzinho no canto da boca. Que charme! Se eu fosse homem te pegava!!! A bailarina estava prontinha para seu solo.
- Dança um pax de deux comigo, môr?
- Tenho que ir, Neninha!
- Vai… Vai…
- Tem certeza que não vai ficar chateada?
- Claro.
- Não quer que eu fique com você?
- Imagina. Não tem lógica.
- Tem certeza?
- Brinca por mim?
- Então… tá! Meu tamborim? Viu meu tamborim?
Por que ele tinha que ficar fazendo aquela pergunta? Certeza? Alguém lá tem certeza de alguma coisa numa manhã de Carnaval? O Bloco se aproximava. “Sassassaricando! Todo mundo leva a vida no arame! Sassassaricando!”. Minhas pernas começaram a balançar, meus quadris a mexer, meus ombros sacudiam. Estava recebendo um santo?!!! Um santo passista?!!! Ai meu Deus! Morro de medo dessas coisas. E os movimentos aumentavam. Caco percebeu: - O que é que você tem? Tá tremendo. Tá com frio?
Respondi: - Não, tô com fogo!
- Neninha, fico !
- Não, Caco! Eu é que vou! Tirei a camisola.
- Cadê a roupa que você jogou futebol ontem?
- Toda suada.
- E você acha que alguém vai ligar pra suor num bloco? Vesti a camisa do Fluminense com cheirinho de cecê. Short. Tênis. Meião. Fiz um bigode. Purpurina pra dar um brilho, que ninguém é de ferro: - Tô pronta! Vamos?
- Demorô!
“Daqui não saio! Daqui Ninguém me tira!!!!”
Minha mãe estrebuchava na porta do elevador: - Irresponsável! Sossega o facho! Nove meses!Era o que eu devia ter feito. Sossegar o facho! Mas carnaval são 4 dias de facho aceso e de coisas que não devemos fazer. O que fazer, então? O bloco passou embaixo da minha janela, larguei tudo e botei o bloco na rua! Ou melhor, a barriga na rua! Era mais forte do que eu. Sou daquelas que não resiste ao som de uma batida de caixinha de fósforos, quanto mais a uma sinfonia de tamborins, repiques, chocalhos, suor e alegria!!! Alcançamos a multidão. O “santo passista” sossegara. Estava em casa!
“Bandeira branca amor… Eu peço paz….”
Lindo!!! Uma cantiga de ninar pro meu menino. Mas em seguida o repertório mudou bruscamente e não deu tempo de nada:
“Êeeeee Índio quer apito se não der Pau vai comer!!”
O bloco trepidava: -Ai! Ai! O moleque cheio de personalidade respondeu com uma machadinha no meu útero!!!
“Mamãe eu quero! Mamãe eu quero! Mamãe eu quero mamar!!!”
- Guenta mais um pouco, filho que… Ué? Cadê teu Pai? Alguém viu uma bailarina rosa peluda? Caco!!! Era tarde, um mar de gente já nos separava. Bem que me disseram: Carnaval, ninguém é de ninguém…
“Vai! Com jeito vai! Senão um dia! A casa cai! Menina vai!
- Eu vou… Eu vou… Dá licença? Licença!!!! Não é fantasia não, ô Super Homem, dá licença! É barriga de verdade, não tá vendo? A minha barriga é tão verdadeira quanto a sua kriptonita! Ai, que estranho! Um líquido quentinho descia entre as minhas pernas. “Ô Abre alas que eu quero passar! Eu sou da Lira não posso negar!”
Eu sabia que podia ser pra qualquer hora. Mas acho que, inconscientemente, de todas as horas disponíveis eu escolhi aquela. Em pleno domingo de carnaval quando o bloco alcançava a praia de Copacabana. O sol apareceu, folião nato, para dar as boas vindas. “Esse ano não vai ser igual àquele que passou eu não brinquei…” Ah, não! Eu vou brincar! Eu quero brincar! De repente, minhas pernas fraquejaram. Abriu-se um clarão à minha volta. Uma Nêga Maluca me amparou em seus braços e disse: - Não se preocupe, sou médico! A bateria cooperou atacando de “A Estrela Dalva no Céu desponta…” Bem suave. Lá da comissão de frente desponta uma bailarina num “grand jeté”:
- Eu sou o Pai! Eu sou o pai! A bailarina segura minha mão.
- Vai dar tudo certo, Neninha! Eu ainda tenho forças pra dizer:
- Caco, ele vai nascer num domingo de carnaval, em dia de sol, na praia de Copacabana. Vai ter sorte assim lá…
Vejo Caco pegando o celular e berrando:
- A bolsa estourou! Depois não me lembro de mais nada. Quando acordei meu filho já estava nos meus braços vestindo uma camisa listrada. Íamos nos esbaldar até a quarta-feira!
FIM
Segunda-feira
Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
Sábado
Domingo