O feriado se foi, Suzana

o feriado se foi, Suzana. Só nos resta contar os inevitáveis minutos para o natal…

e depois o ano novo…

isso.

o que você quer de natal, Suzana?

oi?

o quê?

ah… não quero nada.

sono. passa a dobradinha?

nossa relação já foi melhor.

oi?

havia fogo em nós.

fogo…?

tudo que há na gente enferrujou.

merda. derramei. você me fez derrubar. a toalha, limpinha.

Suzana…

cala a boca, vai.

tá bom.

Fim da relação

Escrito em parceria com André Boucinhas

Mulher sentada na mesa lendo o jornal e tomando café da manhã. Chega o marido.

— Quero terminar o nosso casamento.
— Precisa conversar? Senta aí…
— Já disse: quero terminar nosso casamento.
— Você tem pensado muito em alguma coisa nos últimos dias?
— Ãh?
— Você parece abatido, como se estivesse com uma angústia enorme, uma agonia… como se tivesse uma dúvida muito grande e não encontrasse forças para tomar a decisão certa.
— Mas eu já te disse a decisão!
— Não tenha medo, pode se abrir. O nosso relacionamento só vai durar se for baseado na compreensão e na confiança mútuas.
— Mas eu não quero que ele dure! Eu quero terminar o nosso casamento!
— É o trabalho, não é? Você acha que está na hora de investir no seu crescimento profissional e está imaginando que vou ficar magoada, exigindo mais sua presença ao meu lado… que bobeira, meu amor! Eu só quero o melhor para você.
— Crescimento profissional? Que crescimento profissional? Tá maluca? Eu sou taxista! O problema é que não agüento mais você! Tudo em você me irrita!
— Já entendi… não sou eu o problema, é você.
— Não!! É você! Só você!
— Deixa de besteira, tchuthcuco. Eu te amo tanto quanto você me ama, não precisa ficar inseguro.
— Mas eu não te amo…
— Se você quer mais tempo para você, não tem problema…
— Eu não quero tempo para mim, eu só NÃO quero tempo para você…
— A gente pode fazer mais coisas individualmente… você sai com seus amigos, volta a jogar seu futebol, tomar aquele choppinho depois do trabalho… e eu também, volto a sair com as minhas amigas, vou ao shopping, revejo o pessoal da faculdade… Você sabia que o Paulo terminou o casamento?
— Ãh?
— É… parece que ele foi chutado pela esposa e agora tá reunindo o nosso grupo da faculdade, principalmente as mulheres, porque a gente era muito próximo, para se consolar… Tadinho, parece que está no fundo do poço… dizem que tentou até se matar…
— Nada disso.
— Nada disso o que?
— Nada de rever Paulo ou qualquer outro falso suicida… se ele quiser se matar mesmo, é só falar comigo que eu ajudo.
— Meu amor, vai começar com esse ciúme bobo?
— Não tem ciume bobo nem ciume não bobo. Não vai ver o cara e pronto.
— Olha só, se vai ficar de machismo, eu saio de casa. Não to aqui para tolerar ataque de criancice… não preciso disso! Mas não preciso mesmo!
— Calma meu amor, também não é assim…
— Calma o que? Parece que não me conhece… se vai regredir pro século XIX, leva outra!
— Não fala isso…
— Falo o que quiser! E sai daqui antes que eu me aborreça. Fica de palhaçada… vai logo trabalhar e me deixa em paz com as minhas coisas…
— Ta bom. Te amo, tá fofucha?
— Te amo tambem, fofuchinho… Homem é brincadeira… fica enrolando e nunca diz o que quer de verdade. E a gente tem que se virar para adivinhar…

Las Vegas

1: Quer casar comigo?

2: Que horas?

1: 16:30.

2: Não posso, tenho dentista.

1: A gente transfere pra sábado, pode ser?

2: Meio longe, não acha?

1: Ah, você é quem sabe. O pedido foi feito.

2: Pode ser amanhã?

1: Noitinha?

2: É. Depois das sete estou tranquila.

1: Por mim, ok.

2: Então tá.

1: Então é isso. Amanhã.

2: Tá marcado!

1: Legal.

2: Qual é o seu nome mesmo?

1: Fernando.

2: Ok, Fernando. Está marcadíssimo.

1: Depois a gente pode jantar no Bellagio… Pode ser?

2: Pra mim tá ótimo.

1: Amanhã, sem falta!!!

2: Maravilha!

1: Quer cigarro?

2: Quero um beijo.

(Beijam-se sem fim)

Carta de amor

“ O que adianta acordar todos os dias ao seu lado, e tentar te arrancar um sorriso pra fingir que está tudo bem, que a vida tá boa e eu não preciso de mais nada, se você nem sequer entende que é necessário fingir, pelo menos que está mais ou menos bem, e só assim poderemos seguir nossos caminhos juntos nas aparências, mas inteiramente sozinhos na intimidade. O que adianta viver nessa farsa dia após dia, andando na rua sem saber por que, saindo para trabalhar sem saber por que, para construir uma família sem saber por que, e depois envelhecer sem saber por que, fazendo tudo aquilo que mandam sem saber por que. Então estive pensando. Sim, de repente me peguei pensando, pensando de verdade, porque descobri que nem isso eu fazia, talvez para não entrar em contato com o que está dentro de mim. O fato é que entrei em contato e me surpreendi com meus desejos. Pensei que seria melhor pra nós dois, e só digo nós dois porque não te vejo feliz há muito tempo, talvez porque não ache que isso seja tristeza, ou porque já tenha se conformado que não há felicidade permanente, ou então, nada. Mas pensei que seria melhor pra nós dois ser livres. E quando digo livres não é largar tudo, pegar o carro e andar sem rumo pelas estradas da vida. Ser livre é não precisar fingir. Ser livre é não fazer sem saber por que. Ser livre é redescobrir o amor. Nem que para isso tenhamos que sumir um do outro. Sim. Separar. Para depois de tantos anos, sentir na pelo o que é estar vivo. Pelo menos para nos sentir vivos e parar de fingir. Porque a separação é a dor do desacostume. É a readaptação do contato com a alma. É a descoberta de outras coisas que deixamos dormir. Mas se essa for a solução para a nossa prisão, se for a única coisa que nos salvará, nos salvará da morte interna, e nos fará sofrer a princípio, sofrer para sobreviver e depois reviver até que. Viver. Então conseguiremos ser felizes. Desculpa se minhas palavras são um tanto confusas. Expressar o que se passa dentro é impossível. Palavras serão sempre limitadas em ocasiões como essa. Espero que me compreenda. Ou melhor, não espero que me compreenda. Não espero. Eu faço. Eu te amo. E por isso te escrevo. Escrever é maior que falar, porque permanece pra sempre. A fala se transforma em memória e a memória falha. Mas a escrita é a fala que nunca se perde. Eu te amo. Porque o amor tem a ver com liberdade. Portanto te liberto, me liberto.”

Após ler a carta, Marcelo coloca a seguinte música

http://www.youtube.com/watch?v=WIF4_Sm-rgQ

FIM.

Maryage

não recomendado para daltônicos

paixão, o que houve

com seu olho?
uma pedra.
uma pedra?…
ué…
o que foi johnny?
praqueoespanto?
mas…
quer que te mostre?
(mary tira a venda.)
UoOOOOOOAAaaaa!!!
oquefoi?
quem é o responSÁvel por essa vioLÊNCIA?
(mary ri numa doçura plena enquanto amarra o cadarço da venda)
nada amor! que bobagem! as crianças brincando!
As criANçAS???
elas brincavam com uma pedrinha
dessas meio ovais, bem lisas, uma lâmina
a pedrinha caiu no jardim do vizinho
onde aquele agradável senhor pilotava o aparador de grama.
quando o aparador passou pela pedrinha…
puf!
foi um triste acidente, anjo
ela veio voando no meu olho.

mas mary? mary? meu dEUS! MEU Deus!
passou já.
não vamos chorar o humor aquoso derramado.
sempre tão positiva.
bola pra frente.
você podia ter morrido!
o importante é que emoções eu vivi.
pomba! mas logo no verde?
o que tem de errado com o castanho?
nada… nada… mas tinha que acertar o verde?
achava que você fosse daltônico, jonh.
nunca fez distinção entre os dois olhos.
mas agora, sem o verde, faz uma puta diferença.
(mary séria. decidida)
o verde era míope, via coisa onde não tinha.
tenho certeza que ficaremos melhor sem ele.
poxa vida… (P/ SI) e agora?
(ouviu) agora você fica com o que tem em volta do buraco.
(risadas gravadas)