Abençoado
Sempre foi mulherengo. Vivia cercado de mulheres. Para cada mulher, uma função diferente. Eurico tinha uma esposa, uma amante, uma noiva, uma namorada e várias paqueras. Seu sucesso com as mulheres tinha uma explicação mística científica. Recém nascido, foi levado por sua mãe para conhecer uma prima ilustre. A Miss Espírito Santo.
O concurso de Miss Brasil teve seu auge na década de 1960. As finais, realizadas num Maracanãzinho sempre lotado, paravam o país. As Misses se hospedavam no tradicional Hotel Glória. E foi lá que Eurico conheceu sua prima. E todas as outras Misses que estavam reunidas no saguão do hotel esperando o ônibus que as levaria para um passeio turístico pelo Rio de Janeiro.
Eurico: o bebê mais sortudo do mundo. Ao adentrar no Hotel Glória, foi festejado pelas mulheres mais bonitas das mais diversas regiões do país. A Miss Rio Grande do Sul beijou sua barriguinha. Miss Minas Gerais apertou suas buchechas. Miss Santa Catarina alisou sua cabecinha. Miss Bahia colocou-o no colo. Miss São Paulo acariciou o seu rostinho. Miss Pernambuco apalpou sua bundinha. Enquanto a Miss Amazônia cantarolava uma música muito popular nos puteiros de Manaus, que sua mãe, uma ex-mulher de vida fácil, cantava para ninar os filhos.
- Que lindinho! Que coisa fofa! Deixa eu apertar esse neném! Que bonitinho!
Bendito o fruto entre as mulheres. Daquele dia em diante, Eurico, por obra e graça da divina Miss Espírito Santo, foi abençoado, escolhido e eleito para ser o centro das atenções das mulheres brasileiras.
Nenhuma mulher resistia ao ‘sei lá o quê’ de Eurico. Crianças, jovens, mulheres de meia idade, adolescentes e até mesmo idosas se derretiam diante de um simples olhar de Eurico. Não importava em que situação, e até mesmo nas mais improváveis, Eurico era sempre assediado por uma mulher. Na fila do supermercado, parado num engarrafamento, no velório de um ente querido… Certa vez foi parar na emergência de um hospital muito debilitado, de pijamas, sujo, despenteado, vítima de uma forte e constrangedora diarréia. Mesmo assim, enfermeiras e médicas de plantão ficaram perdidamente apaixonadas.
Até que um dia… Um dia, Eurico foi apresentado à Janaína. Uma cabocla deslumbrante, de pele morena e cabelos negros. Eurico ficou encantado por Janaína. Mas para sua surpresa, Janaína não demonstrou nenhum interesse pela sua pessoa. Na ânsia de conquistar a mulher de seus sonhos, Eurico mandou vários buquês de rosas vermelhas, fez inúmeros convites, escreveu dezenas de cartas perfumadas, mas de nada adiantou. Janaína ignorava Eurico. Pior: desprezava-o. Louco de paixão, Eurico consultou vários especialistas no assunto: Tarólogos, Numerólogos, Pais de Santo… Até que uma cigana desvendou o mistério. Janaína tinha nascido no Tocantins, estado criado em 1989 e que, por conseqüência, não existia nos já distantes anos 60. Eurico só exercia forte atração nas mulheres oriundas dos estados que compunham a República Federativa do Brasil no ano de 1969. A notícia deixou Eurico desesperado.
- Que destino cruel!
Foi assim que, contrariado por uma mulher pela primeira vez na vida, diante de tamanha decepção, perplexo e transtornado, Eurico atirou contra o próprio peito na manhã do dia 30 de maio de 2010, deixando milhares de viúvas desconsoladas, espalhadas pelos quatro cantos do país.
Fim.
Descentralizadora
[Esse texto pode ser dito por duas atrizes ou dois atores andando todo o tempo em uma esteira ergométrica]
Mara – Tá com pressa, é?
Penha – Muita!
Mara – Calma. O mundo não vai sair do lugar, não, viu.
Penha – Ah não começa, pelamor! Se você veio até aqui pra me recriminar, é bom pegar o caminho da esquerda!
Mara – Da esquerda nunca.
Penha – Da direita, como você quiser!
Mara – Do meio. O melhor é o caminho do meio. Não deixa dúvida.
Penha – Ilusão, amorzin! Você também acredita nisso, né, de que não há início, nem fim. Só o meio.
Mara – Já dizia, Raul.
Penha – Não, coisa-pouca. Raul dizia que ele era Ô início. Ô fim. E Ô meio. Ele era Ô cara. Mara, aperta o passo que eu tenho que trocar esse veludo! Você sabia que no inverno os veludos somem das lojas? Encontrei esse, mas preciso trocar, porque é o veludo lavado que eu descobri que preciso!
Mara – Você não sabe a diferença entre veludo lavado e o veludo normal?
Penha – E eu vou imaginar que existe um veludo que se chama veludo lavado? Já detesto ser cliente! Fico super irritada quando sou cliente. E ainda tenho que voltar?!
Mara – A vida é assim. Quando a gente pensa que a gente se livrou da gente, a gente volta a ser de novo a mesma coisa…
Penha – Afffff!
Mara – Calma. Você vai encontrar, vai conseguir trocar, vai dar tudo certo. Não tem errada!
Penha – Não tem errada??!! Já está tudo errado, meu amor! Só d’eu ter que comprar alguma coisa e no meio da sessão de consumo sou apresentada a um mundo de coisas que quero, mas que não preciso tanto…mas que quero! Isso já me deixa totalmente desequilibrada, cara… você nem imagina… detesto ser cliente!
Mara – Desse jeito você vai morrer, cedo, Penha! Vai ter um ataque e vai morrer!
Penha – Olha, você tá fazendo uma coisa que eu detesto!
Mara – O que eu tou fazendo, criatura divina?
Penha – Você repete! Repete! Repete! Não chega, não? A coisa que mais me irrita é repetição! E tudo isso que você fala, Mara, não são palavras suas! Não são! Procura perceber! Você vive de frase feita, meu amor!
Mara – Você devia fazer uma yoga, pilates… Alguma coisa. Você tem muita energia…
Penha – Muita! Pra ter que trocar uma merda de um pano e depois ir ao banco esperar aqueles benditos caixas almoçarem, porque tá na hora do almoço deles, né, já viu! Quando você vai ser atendida, eles fecham o caixa! E dane-se todo mundo! Não tem coisa que mais me irrita do que banco!
Mara – Essas coisas não me irritam tanto assim, não…
Penha – Porque você é um zumbi!!
Mara – Eu penso em mim em primeiro lugar!
Penha – E você acha que eu não penso em mim?! É o que eu faço o tempo todo! Só que tudo o que aí está é avacalhação, Mara!
Mara – Avacalhação de que, meu deus?!
Penha – Avacalhação! Avacalhação! “Tudo que eu faço é ilegal, é imoral ou engorda”!
Mara – Vai fazer uma yoga, vai, Penha.
Penha – Tudo se torna um estorvo! Quer ver? Se vamos à praia, por exemplo! Vendedores gritam, mal educados passam, te jogam areia, o vento leva a canga, você pode ser assaltada, você pode morrer na ciclovia…
Mara – Vai fazer uma yoga, Penha.
Penha – Para de repetir isso!!
Mara – Pra você fazer uma yoga?
Penha – Que saco! Tá me escutando? Tou falando aqui e você não escuta, não entende! A coisa que mais me irrita é eu falar e ser ignorada!
Mara – Não estou te ignorando. Estou dando a solução.
Penha – Que solução? E yoga é solução??? Acorda, querida! E engole esse sorrisinho, porque não há coisa mais insuportável que alguém tentar me convencer de alguma coisa que eu não quero com sorrisinho nos lábios! Isso me irrita!
Mara – Penha, você precisa sair… dançar, ver gente… ir a um show… se divertir…
Penha – Você tá falando de entretenimento?
Mara – Claro! Entretenha-se!
Penha – Me entreter pra que? Hein? Pra abafar o que? Esconder o que? Que tá tudo uma bosta? Que o ser humano não tem jeito? Que tomam meu dinheiro toda hora? E outra que multidões me irritam! E agora os supermercados não dão mais sacolas! Se ligou nisso? Você tem que levar suas bolsas de casa. Tudo bem. A onda do ecologicamente correto. Eu detesto esse ecologicamente correto! E me diz: POR QUE ELES VENDEM AS SACOLAS????? Antes eles davam as sacolas, agora ELES VENDEM! Você tá entendendo? Você tá entendendo????? E você quer que eu vá me entreter??? Pra fingir que não tou vendo, né? Não vou me entreter, não! Tou super ligada na sacanagem! Mas tudo bem, Mara, da próxima vez quando eu for mandar alguém tomar no cu, vou falar: Vá se entreter!
Mara – Mas, amiga… assim… você vai se destruir…
Penha – Que destruir o que! Eles é que vão ser destruídos! Pessoas como eu estão aqui pra isso!
Mara – Ah, amiga… eu não apóio loucos! Você me desculpe. Não apóio os loucos, não apóio os bandidos que no fim da história se dão bem e viram heróis.
[Curta pausa]
Penha – Até que enfim você disse alguma coisa que pareceu não ser frase repetida! Pelo menos pareceu!
Mara – E o que não é repetido, amiga? Você acha que você é o que?
Penha – Ó a palhaçada…!
Mara – Acho que você precisa tomar “passe-florim”…
[Ouve-se um som alto de um carro que passa]
Penha – É! Talvez! Olha aí! Olha aí! Você tá vendo? Isso mata um!
Mara – Já foi, Penha… calma!
Penha – Já foi nada! Meu vizinho tem um som que vive mal equalizado! A vida toda foi isso! Detesto som mal equalizado! Quando ele cisma de ouvir música alta, as paredes do meu prédio tremem! Tremem por causa do grave! Sabe o que é a parede da sua casa tremer? A minha vida acaba ali, Mara! Não consigo fazer mais nada!!! Nada! Você tá me entendendo?????????? Ou tou falando grego!?
Mara – Calma…
Penha – Para de me dizer pra ficar calma com esse risinho nos lábios… já falei…
Mara – Parei…
Penha – (Dá três grandes espirros.Um atrás do outro.) AAAA! Meu deus! Como odeio espirrar! Nossa! Um espirro ainda vai lá! Seguro a onda! Mas três??!! Um atrás do outro??? Esse bando de bactérias no ar! Insuportável!
Mara – Calma…
Penha – Calma o cacete!
Mara – Iiiii Não encrenca comigo, não!
Penha – Então para de dizer “calma”!
Mara – Parei…
Penha – Meu avô dava dezenas de espirros! Uma vez contei! Foram vinte e três! É pra se matar, né!
Mara – Você tá andando muito rápido!
Penha – Claro! Se eu ficar lerdando aqui nessa rua, vou ser pisoteada!
Mara – Tá me chamando de lerda?
Penha – Tou! Tu é lerda!
Mara – Olha, Penha.
Penha – iiii lá vem!
Mara – Você é uma pessoa…incrível. É. Incrível.
Penha – Obrigada, Mara…poxa… Mas eu já esperava isso de você.
Mara – Por quê?
Penha – Porque, na boa, Mara. Você é bem previsível…
Mara – Putz.
Penha – É! Você é. Sempre centrada. Como você consegue? Não vai me dizer que é a yoga?
Mara – Não. Não é só a yoga, não.
Penha – É o que então? Vamos lá. Entrega esse ouro. Descentraliza esse poder, querida!!!!
[esse diálogo não tem fim].
Umbigo
Cena 1 – INTERIOR / NOITE - Festa em casa de Glorinha. Glorinha e Martha conversam.
Martha: Quem é aquele cara que acabou de chegar?
Glorinha: Aquele de camisa preta?
Martha: Esse mesmo. Interessante…
Glorinha: Acha?
Martha: Muito.
Glorinha: (com um pequeno sorriso entre os lábios) Te apresento a ele.
Martha: Jura?
Glorinha: Vai ficar me devendo essa.
Martha: Ele esta sozinho?
Glorinha: Acabou de terminar um relacionamento.
Martha: Você já passou essa informação pra alguém?
Glorinha: Só pra você, em primeira mão, que é minha amiga.
Martha: Hoje em dia homem dando sopa numa festa é quase um milagre.
Glorinha: Ainda te dou a ficha completa: sozinho, sem filhos, tem grana e…
Martha: Para por aí que eu já estou me apaixonando.
Cena 2 – FESTA/ INTERIOR/ NOITE – Glorinha, Martha e Paulo.
Glorinha: Paulo, essa aqui é a Martha. Martha, o Paulo é amigo da época de colégio. Nos reencontramos há pouco tempo, não é Paulo?
Martha: Nossa, eu sempre quis manter a amizade com o pessoal do colégio, mas nunca consegui. A vida é tão corrida…
Glorinha: Gente, vocês me dão licença.
Martha: Fica à vontade, Glorinha. (silêncio) Você trabalha com o quê, Paulo?
Paulo: Diretor de uma multinacional. Aliás, trabalhei até tarde hoje, estou vindo direto da empresa.
Martha: Deve ser um cargo de muita responsabilidade…
Paulo: Eu me preparei a vida inteira para assumir responsabilidades.
Martha: É mesmo?
Paulo: Sempre estudei nos melhores colégios, fiz os melhores cursos, graduação fora, pós na Sorbonne, no meu primeiro emprego eu fui promovido em menos de uma semana.
Martha: Nossa, eu estou conversando com um gênio.
Paulo: Gênio é Einstein. Eu estou um pouco abaixo.
Martha: (tímida) Eu diria que eu estou bem abaixo.
Paulo: Aos 20 anos eu já tinha minha independência financeira.
Martha: Eu na minha idade ainda estou querendo sair do vermelho.
Paulo: Eu saí na frente porque tive consciência, desde cedo, da minha vocação e das minhas aptidões…
Martha: Você é… Impressionante!
Paulo: Acima da média, eu diria.
Martha: Sua namorada deve ser uma mulher de sorte.
Paulo: Não tenho namorada. Não tenho tempo pra essas coisas. Estou focado na minha carreira profissional e ainda não me acho amadurecido o suficiente para assumir esse tipo de compromisso.
Martha: Quer dizer que você não pensa em um dia encontrar uma pessoa, casar, ter filhos…?
Paulo: Gosto de crianças, mas não são minha prioridade. Dão muito trabalho, exigem atenção… Não tenho tempo pra essas coisas.
Martha: É… filho muda a vida da gente. E fora o trabalho, Paulo, o que você gosta de fazer?
Paulo: Tenho interesses diversos. Acho que a informação é o diferencial no mundo moderno. Invisto em conhecimento. No meu conhecimento, claro. Leio três jornais diariamente. Estou em dia com os últimos lançamentos nas áreas de literatura, cinema, artes plásticas…
Martha: E quando você se diverte?
Paulo: Como?
Martha: Diversão.
Paulo: Eu viajo muito. A trabalho. Só esse ano já estive em Paris, Londres…
Martha: Adoro Londres! É uma cidade…
Paulo: Praga, Madrid, Cingapura…
Martha: Cingapura! Nossa, e como é Cingapura?
Paulo: Tenho um apartamento na Bélgica, com infra estrutura, carro na garagem…
Martha: O que você mais gostou em Cingapura?
Paulo: … Estudei o mapa da União européia até decidir comprar um imóvel na Bélgica. É a melhor localização…
Martha: Estou falando de Cingapura!
Paulo: O que é que tem Cingapura?
Martha: Eu estou perguntando o que você achou de… Ah, esquece!
Paulo: Desculpe, qual o seu nome?
Martha: Como?
Paulo: Seu nome.
Martha: (ela avista a amiga e chama) Glorinha!
Paulo: Glorinha, eu já viajei muito e, como eu sou muito curioso, estudei desde cedo culturas exóticas. Pra você ter idéia aos 20 anos já tinha visitado mais de 30 países… Falo 05 idiomas fluentemente, estudei história antiga…
Martha (para Glorinha que se aproxima): Você esta me devendo essa.
Glorinha: Do que você esta falando?
Martha: Você sabe.
Glorinha: Não faço a menor idéia.
Martha: Cínica.
Glorinha: Mal agradecida.
Martha: Mui amiga.
Glorinha: Você não queria conhecer o cara? Te fiz um favor e você ainda reclama!
Martha: Anota aí: Tem volta. (As duas olham para Paulo que continua falando)
Paulo: Eu… como posso explicar… Eu me considero um cara….
Fim.
Procura-se o centro
Mulher num estande de informações da Rodoviária.
M: Boa tarde, é aqui mesmo o estande de informações?
H: Sim, senhora, em que posso ajudá-la?
M: Ai, eu estou tão emocionada!
H: Alguma coisa em que possa ajudá-la?
M: É que eu sempre quis encontrar um lugar assim, sabe? Um estande de informações.
Aqui vocês podem me responder tudo, não é?
H (hesita): Sim, senhora, tudo relacionado aos lugares que tem dúvidas de chegar.
M: Nossa, que lindo!
H: Desculpe, senhora, mas o que é lindo?
M: Não é lindo? Um lugar onde a gente tira dúvidas da onde queremos chegar? São tantas…
H: Não, senhora, não é bem assim…
M: Então você não tira dúvidas?
H: Sim, senhora, mas depende…
M: Não é pra isso que você existe? Para tirar dúvidas?
H: Sim, de certa forma…
M: É o que está escrito aqui. Estande de informação, não é?
H: Então, senhora vamos objetivar, qual é a informação que a senhora deseja?
M: Eu ando a procura do centro.
H: O Centro?
M: Sim. Está tão difícil…
H: Essa informação é fácil, senhora.
M: Jura?
H: O Centro é o lugar mais fácil de achar por aqui.
M: Sério? Que loucura. Desde que eu nasci , eu nunca conseguir encontrá-lo. Sempre andei tão perdida… Isso sim é lindo. Finalmente alguém vai me dizer aonde fica o centro!
H: O centro da cidade fica ali à…
M: Oi?
H: “Oi” o quê?
M: Que centro que você disse?
H: O Centro da cidade.
M: Não!
H: Não o quê?
M: Eu não quero saber onde fica o Centro da Cidade!
H: Ué, minha senhora, mas não é por isso que a senhora…
M: Não! Não, não, não! Esse Centro não me interessa.
H (já bem assustado com o que está acontecendo): Ah, então é o Centro da onde que a senhora quer saber?
M: Olha pra mim e tenta descobrir.
H: Desculpe, mas tem outras pessoas precisando…
M: Não dá pra saber? É tão nítido. O meu centro! Olha! Veja como me falta um centro! Eu nunca o encontrei.
(O homem fica estagnado, sem saber o que dizer)
H: Bom…
M (quase chorando): Me ajuda, por favor, o senhor precisa me ajudar. Esse lugar era a minha última esperança. Eu tinha tanta esperança que aqui eu saberia onde fica o meu centro.
H: Fica calma…
M: Ficar calma? Como? Você acha que é fácil ser uma mulher sem centro? O senhor acha?
H: Olha…
M: Toda a minha vida foi isso: Eu sou uma mulher descentralizada! E agora? O que eu faço?
( O homem, após alguns segundos sem saber o que dizer)
H: Olha, eu saio do trabalho em meia hora.
M: E daí?
H: E se… E se… quem sabe?
M: O quê?
H: E se a gente tomasse um chopp?
M: Oi?
H: É que te ouvindo falar, eu percebi que também ando meio sem centro. Me sinto um pouco assim, sabe? Vivo dando informações aos outros, mas as minhas próprias andam meias perdidas. Quem sabe a gente não possa trocar uma ideias sobre isso?
(Um sorriso no semblante da mulher. Silêncio e espera angustiante.)
M: Tá… Te espero no Bar do Rui. Em meia hora.
H: Bar do Rui em meia hora. Combinado.
M (felizinha): Então tá… até… Meia hora… Bar do rui…
(Ela vai saindo)
H: Ah! Onde fica o Bar do Rui?
M: Ali, no Centro!
(O Homem sorri)
FIM
Segunda-feira
Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
Sábado
Domingo