The end
Um casal no cinema. Já está no final do filme. Ela é cega, ele narra o filme baixinho para ela. Conforme ele fala, ela vai reagindo.
Voz do mocinho do filme: Venha comigo Claire, rápido.
Ele (narrando para ela): Eles estão fugindo. O Robert pegou na mão dela.
Voz da mocinha do filme: Ah!!!
Ela: Por que ela gritou?
Ele: Quase que ela caiu no precipício.
Ela: Ah, não!
Ele: Mas ele a segurou.
Ela: Qual a cor da roupa dela?
Ele: Vermelha.
Ela: Que lindo!
Ele: Agora eles estão correndo. Os nazistas estão atrás deles. Eles vão atirar
(barulhos de tiros)
Voz da mocinha do filme: Ah!!!
Ela: Ela morreu?
Ele: Não. Ela foi capturada.
Ela: Por quem?
Ele: Pelo nazista. O capitão Hegel.
Voz do vilão do filme: Quero ver você se livrar de mim.
Voz do mocinho do filme: Larga ela. O seu problema é comigo.
Ela: O que ele tá fazendo?
Ele: Ele vai lutar.
Ela: Ah, meu Deus!
Ele: Ele pegou a sua espada.
Ela: Espada? E o nazista?
Ele: O nazista pegou sua arma.
Ela: E ela? O que ela tá fazendo?
Ele: Ela tá assustada.
Ela: Tadinha.
(barulhos de tiro)
Ela: O que tá acontecendo?
Ele: O capitão Hegel atirou em Robert.
Ela: Ah!
Ele: Mas ele desviou e o atingiu com a espada.
Ela: Ufa!
Ele: Agora ele… ele…
Ela: Ele o quê?
Ele: Ele matou o capitão Hegel com só um golpe.
Ela: Ai, que bom!
Ele: Tá desamarrando ela.
Ela: Ai, que bom!
Ele: Tá colocando-a em seu cavalo.
Ela: Ai, que bom!
Ele: E eles estão partindo.
Ela: Ai, que bom! Como é a paisagem? A paisagem?
Ele: É por do sol.
Ela: Uau! Eu adoro por do sol.
Ele: O cavalo corre com as montanhas austríacas atrás.
Ela: Aposto que o vestido vermelho dela está esvoaçando.
Ele: Está mesmo. É uma linda imagem.
(Ela suspira. Música de final de filme. O filme acaba. Tempo.)
Ela: Acabou, né? O filme acabou?
Ele: Não.
Ela: Não? Mas essa música…
Ele: Eles pararam de correr.
Ela: Pararam? Por quê?
Ele: Ele a levou para a sombra de uma árvore.
(Ele continua falando com ela como se o filme ainda estivesse passando)
Ela: Por que ele não diz nada? Nem ela?
Ele: É só a imagem mesmo.
Ela: Que pena…
Ele: Ele pega uma folha de papel e uma caneta…
Ela: Folha de papel e uma caneta? Da onde ele tirou uma folha de papel e uma caneta? Eles estavam fugindo no cavalo…
Ele: Ele está escrevendo algo para ela.
Ela: O quê?
Ele: Ele tá mostrando.
Ela: O que tá escrito?
Ele: Eu te amo.
Ela: Ah! Que lindo! Eu sabia…
Ele: Mas desculpa. Eu não posso ficar com você. Eu te amo, mas não posso.
(Silêncio)
Ele: Eu tentei. Tentei mesmo, mas não posso. Não posso. Não consigo. Você é linda. Mas… Desculpa.
(Ele vai embora. Ela fica sozinha. Silêncio.)
Ela: E o que ela faz?
(Silêncio)
Ela: Carlos?
(Silêncio)
Ela: Carlos?
(Silêncio. Ela entende que ele não está mais lá)
Ela: Ela chora?
(Silêncio. Pequeno choro contindo)
FIM.
Navalha
2: Por que?
1: Achei vulgar…
2: Vulgar?
1: Muito anos 80.
2: A peça foi escrita nos final dos 70.
1: Ah…Não gostei.
2: É super atual…Os atores estão ótimos. Como você não gostou?
1:Ih, Sérgio…Não gostei e pronto. Me deixa!
2: Não pode ser assim. Não gostar e pronto, tem que saber a razão, a fonte, a raiz.
1: Eu não posso só não gostar?
2: Faz um esforço, Marisa.
1: Que chato… Não quero me esforçar pra refletir sobre algo que não despertou meu interesse. Posso?
2: Não pode. Fica superficial.
1: Eu sou super superficial. Adoro ser superficial. Sou uma cidadã livre, com meus impostos em dia e tenho direito de ser superficial sim.
2: Tá vendo como você não sabe dialogar? Tudo pra você é na base do “encerra a questão”. Isso dá câncer, Marisa. Câncer na garganta. Fica tudo entalado.
1: Que saco Sérgio, vou ao teatro com você e pego câncer!
2: Que saco, não! Ora essa! Que saco… veja só! Eu não sei de você, Marisa, mas eu quando vou ao cinema ou teatro, gosto de debater o que vi com a pessoa que está comigo. Do contrário, eu vinha sozinho. E não tem nada mais angustiante do que você sair de uma peça doido pra falar com alguém, saber o que achou, trocar idéias, redimensionar a sua existência e não ter esse alguém aqui… É muito triste… Eu fico tristinho.
1: Ai tá. Então por que você não gosta da minha mãe?
2: Ah, Marisa…Totalmente diferente.
1: Diz, Sérgio. Por que você não gosta da mamãe?
2: Ah, Marisa…Você sempre volta nesse assunto.
1: Estou esperando a resposta , Sérgio.
2: Ah, Marisa. Não gosto e pronto…
1: ué, Sérgio, não foi você que acabou de dizer da raiz, a fonte, o diabo a quatro?
2: É diferente…
1: Sei…
2: Não gosto da sua mãe…Porque sei lá, não gosto, não bateu o santo…
1: Nossa Sérgio, como você é profundo! Puta argumentação!
2: Não sacaneia, tá…
1: Fala, Sérgio! Por que você não gosta da mamãe?
2: Quer saber?
1: Diga.
2: Não gosto da sua mãe porque acho agressiva, ultrapassada e mal intencionada…
1: Digo o mesmo sobre a peça.
2: Quer comparar esse clássico nacional com a sua mãe?
1: Sérgio!
2: Ah, Marisa, leva mal não. Mas dizer que a sua mãe e a peça, estão no mesmo patamar, ah…não dá… Sua mãe é no máximo uma “Dona baratinha”!
1: E os seus pais são “O santo e a porca”, porque pra aturar a sua mãe só sendo um santo!! E hoje você dorme no sofá!
2: Marisinha…
1: No sofá, Sérgio! E sabe qual é nome do filme? “A Era do gelo”…
FIM
A quinta estação
“(…)Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido cada dia mais curto…”
Minha história – Chico Buarque
Hedda disléxica
HEDDA se encontra com LOVEBORG numa duna ao luar.
Funny Bones – A gaivota para comediantes
(Nina em pé no fundo da cena preparando-se para a apresentação. Ouvimos ao longe a ária Vesti La Giubba da ópera Il Pagliacci (http://www.youtube.com/watch?v=Ky271W94VHA). A ária sai em fade.Nina vai para o centro do palco e segura um microfone)
NINA – Boa noite! Meu nome é Nina! (pausa) Todos deveriam ter dito boa noite, Nina! Vou recomeçar… Oi boa noite! Meu nome é Nina! (microfone para a platéia) Boa noite, gente! Eu estou aqui não para falar da minha mania, não para falar que eu odeio que falem comigo, que encostem em mim, que sentem do meu lado no ônibus… Eu estou aqui… Eu estou aqui para provar que eu não sou engraçada.
Meu nome é Nina – significa cheia de alegria e desde pequena todos me acham uma pessoa muito engraçada… Então eu falava era engraçado, eu andava era engraçado, eu corria era engraçado, eu falava uma grande grosseria e era muito engraçado.
Então eu cresci um pouco e fui para a escola de interpretação onde todos me consideraram muito engraçada. Certa vez fui fazer um exercício dramático e o professor com brilho nos olhos, olhou para mim e disse: você tem uma habilidade natural para a comédia! Uma outra vez fui fazer um exercício muito mais dramático que o anterior e o professor com um riso nos lábios, olhou para mim e disse: Nina, não passa de mais uma das suas gracinhas.
Um dia minha mãe com muita esperança, provavelmente não devia ser um domingo ou feriado porque nesses dias ela faz faxina, olhou para mim com brilho nos olhos e amor no coração e exclamou: Minha filha, um dia você será a sucessora natural da Denise Fraga! (tira microfone da boca e chora) Não que eu tenha alguma coisa contra a Denise Fraga.
Mas, enfim hoje estou aqui para provar de uma vez por todas que eu sou uma atriz capaz de grandes vôos dramáticos! E para isso farei um exercício difícil e cruel comigo mesma! Farei uma adaptação de um grande clássico da comédia: o número da torta de creme na cara. Numa versão vegetariana, integral e trágica! (para a platéia) Estamos preparados?
(Deixa microfone no chão vai até a bandeja de prata repleta de tomates. Escolhe dois tomates batendo os mesmos na cabeça e gritando: Ai de mim! Pára. Levanta pega microfone)
Eu acabei de ser Medéia! Acabei de interpretar uma tragédia grega!
(Deixa microfone no chão vai até a bandeja escolhe dois tomates batendo os mesmos na cabeça e gritando: Ai de mim! Espreme dois tomates nas mãos. Pára. Levanta pega microfone)
Eu acabo de ser Medéia. Eu acabei de ser Medéia na cena em que ela mata os próprios filhos com as próprias mãos. (pausa) Se eu não tivesse dito para vocês que isso é uma tragédia grega, vocês teriam realmente acreditado que eu acabei de ser Medéia? (microfone para a platéia) tomarei o silêncio da platéia como um sim!
Mas, agora… agora eu quero interpretar para vocês! (aponta para um lado do palco. Para a platéia) Pode ser aqui? Está todo mundo me vendo?
Então eu vou me preparar, e vou interpretar para vocês.
(Vai até o meio da cena, sugestão de movimentos de Gaivota nos braços. Luz cai em resistência)
Quando eu entro em cena fico como que embriagada e tenho a sensação de que fico linda!
(Ouvimos a ária Vesti La Giubba da operai il Pagliacci. trecho do refrão:
“ridi, Pagliaccio, e ognun applaudirà!
Tramuta in lazzi lo spasmo ed il pianto;
in una smorfia il singhiozzo il dolor, Ah!
Ridi, Pagliaccio,
sul tuo amore infranto!
Ridi del duol, che t’avvelena il cor!”)
[Cai o pano]
FIM
A megera domada / A new generation
Megera – Por quê? Pra que? Que necessidade?
Amiga – Você tem razão.
Megera – Não tenho?
Amiga – É verdade.
Megera – Não preciso.
Amiga – Precisar a gente não precisa mesmo.
Megera – Nem quero.
Amiga – Eu queria ser assim como você. Convicta.
Megera – Tudo é uma questão de prioridade. Eu tenho as minhas prioridades…
Amiga – Claro, mas… Como é que eu posso dizer? Eu, eu sou fraca. Acabo cedendo. Sinto falta, sabe?
Megera – Você romantiza tudo!
Amiga – Do cheiro, dos pelos, da voz, das mãos…
Megera – Do ronco, do chulé…
Cena 2 – Dois homens tomando num café.
Homem – Palavra de honra, eu to fora. Não quero mais saber. Só traz problema, dor de cabeça, não dá pra confiar.
Amigo – O meu lema é: desconfie sempre e espere o pior.
Homem – Só arranjo sarna pra me coçar!
Amigo – Tudo chave de cadeia.
Homem – Buraco Negro!
Cena 3 – Megera e amiga no bar.
Amiga – São todos iguais.
Megera – Não valem o prato que comem.
Amiga – Tudo farinha do mesmo saco.
Megera – Não prestam pra nada. (risinhos sarcásticos) Quer dizer, quase nada!
Cena 4 – Homem e amigo tomando café.
Homem – Quem ela pensa que é?
Amigo – Quem?
Homem – A megera. Se ela aparecer na minha frente eu não respondo por mim.
Amigo – Calma, nunca te vi assim.
Homem – Tem mulher que não se enxerga
Amigo – Como tem.
Homem – Essa me tirou do sério.
Amigo – Gostosinha?
Homem – Não é nenhuma beldade, mas se acha.
Homem – Novinha?
Homem – Tem um gênio que Deus me livre.
Amigo – Nenhum homem atura uma mulher dessas.
Homem – Por isso que ta aí. Sem ninguém, aposto.
Amigo – Solteirona encalhada.
Homem – Arrogante mal amada!
Amigo – Quantos anos ela tem?
Homem – E algum homem sabe quantos anos tem uma mulher? Aprende uma coisa: quando a mulher começa a esconder a idade, não quer dizer, é porque tem o dobro da idade que a gente acha que ela tem.
Cena 5 – Megera e amiga no bar.
Megera – Com a idade a gente vai ficando mais exigente. (risos confiantes) Eu não como qualquer porcaria.
Amiga – Tô bem mais seletiva.
Megera – O que eu quero é muito simples. Um programinha rápido. De vez em quando.
Amiga – Tipo um drink?
Megera – (+ risinhos confiantes) É, como “entrada para o prato principal” pode ser um drink, mas atenção: cuidado pra ele não se empolgar, é só um, no máximo dois drinks, porque não tem coisa mais chata do que bêbado com bafo de cachaça, enrolando a língua. Acabam não rendendo o que poderiam. Excesso de álcool pode comprometer uma noite.
Amiga – Então, é melhor um jantarzinho…
Megera – Eu prefiro não sair da minha dieta. Mas se ele estiver com muita fome ou fizer “muita” questão, for daqueles que precisam conversar antes, ok, você janta, mas atenção: não dê muito papo, porque se der trela eles não param de falar. Como homem fala!
Amiga – Você acha? Pensei que as mulheres é que falassem muito…
Megera – Tá doida? Homem é uma matraca. Vai falar de futebol, falar da mulher, da ex-mulher, do trabalho… Eu corto logo e vou direto ao assunto: “Que tal a gente dar uma esticadinha, meu bem?”
Amiga – Você é bem direta. Funciona?
Megera – Até hoje não houve um que não topasse. Tem que ser objetiva. Lembra das prioridades? Tudo é uma questão de prioridade.
Amiga – Eu sou muito boba, nunca penso nas minhas prioridades.
Megera – Ah, e anota aí: Nunca na sua casa porque ele pode gostar, pode querer dormir de conchinha e ainda se convidar pro café da manhã, detesto homem grudento de manhã. Nem vá pra casa dele, fuja do território inimigo. Campo neutro, de preferência. E quer um conselho? A noite tem que ser por sua conta, vai por mim.
Amiga – Como assim?
Megera – Pague a conta. As contas. Eu faço questão, não deixo ele nem se coçar. Quando ele vai meter a mão no bolso eu saco meu cartão seis estrelas. Intimido logo. Restaurante, estacionamento, motel… Tudo por minha conta. Pra deixar bem claro quem está no controle, no comando, uma questão psicológica.
Cena 6 – Homem e amigo tomando café.
Homem –Tava na cara que não ia dar certo. Ela me pegou em casa no horário que ela determinou, jantamos no restaurante que ela escolheu, comemos o prato que ela queria, o vinho que ela gostava, ela fez o pedido ao garçom, ela pagou a conta. Ela, ela, ela… (pausa) Ela não ligou. Amigo – Sério?
Homem – Nem um telefonema.
Amigo – Insensível.
Homem – Prepotente.
Amigo – Preguiçosa.
Homem -Será que eu fiz alguma coisa de errado? Quem ela pensa que é pra me usar desse jeito e depois sumir? Depois de tudo?
Amigo – Tudo o que?
Homem – De tudo o que nós vivemos juntos.
Cena 7 – Megera e amiga no bar.
Amiga – E pelo menos foi bom? Valeu a pena?
Megera – Hum. Não tenho do que reclamar. Foi uma noite…
Amiga – Já entendi: Bom investimento, retorno garantido.
Megera – Olha pra mim.
Amiga – Tô olhando.
Megera – O que é que você vê?
Amiga – Eu vejo…
Megera – Uma mulher…
Amiga – Apaixonada!
Megera – (ela bate na madeira) Realizada! Pra que eu vou querer alguém me enchendo o saco, dizendo o que eu devo ou não fazer? Homem adora dar palpite, se mete em tudo, e a gente tem que fazer concessões, odeio concessões. Eu tenho uma vida maravilhosa. Saio com quem eu quero, quando eu quero. Tenho um apartamento muito confortável. Sou bem sucedida no meu trabalho. Tenho dois cachorros, sobrinhos, amigos. Carro. Meu celular não pára de vibrar, eu tenho 800 amigos no facebook, 800, sabe lá o que é isso? Viajo pelo menos duas vezes por ano. O que eu quero mais? Não me faz falta. Não tenho tempo. Não tenho paciência.
Amiga – Jura?
Cena 8 – Homem e amigo no café.
Amigo – Sério?
Homem – Nem um telefonema! Isso não se faz.
Amigo – O que custa dar um telefonema no dia seguinte, não é?
Homem – Será que ela não pensa que eu tenho sentimentos? Se eu te dissesse que… Não, nem vou dizer.
Amigo – O que foi?
Homem – Nada!
Amigo – Fala!
Homem – Você acha que eu me precipitei?
Amigo – Esquece essa mulher. Ela não te merece.
Homem – Que eu não devia ter dormido com ela na primeira noite?
Amigo – Sei, lá.
Homem – Porra, fala!
Amigo – Talvez, se você não tivesse cedido logo na primeira noite, tivesse mais tempo pra rolar um clima, entende? Pra ela te conhecer melhor e ficar a fim de você.
Homem – Mas já tava rolando um clima. Ela tava a fim. Foi ela que sugeriu.
Amigo – Eu sei. Mas você devia ter sido mais… difícil.
Homem – Difícil?
Amigo – Feito um charme. Você já deu o que ela queria. O que você tinha de mais precioso…
Homem – Se fazer de difícil? Qualé?
Amigo – Dependendo da mulher funciona. Era só dizer: “Ai, não sei se devo, melhor não”. E deixava pro dia seguinte. Tinha que fazer um jogo, entende? O jogo da conquista. Você sai pra jantar na primeira noite, cineminha na segunda, na terceira um teatro ou um show, e ela na fissura. Você ia adiando e dando tempo pra vocês se conhecerem, pra ela perceber que você é uma cara bacana. Que você é muito mais do que apenas um corpo sarado.
Homem – Você acha que eu não me valorizei?
Amigo – Mulher é fogo! Tem que usar de psicologia.
Homem – Será que ela não vai ligar? Mas ela disse que foi ótimo pra ela. Quando ela me deixou em casa ela disse: Te ligo, meu bem!
Cena 9 – Megera e a Amiga no bar.
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Amiga – Você disse isso? Não acredito!
Megera – O que você queria? E depois ele tava me olhando tão…
Amiga – Tão?
Megera – Tão… carente!
Amiga – Que você disse: Te ligo, meu bem! Que maldade. Se não vai ligar, não diz nada.
Megera – Eu digo o que eles querem ouvir. Se ele fosse um pouco mais esperto saberia que eu estava sendo apenas educada.
Amiga – Você acha que esse cara rende uma segunda noite?
Megera – Olha, render até que rende. Mas eu não vou arriscar. Esse é daqueles que se apaixonam, fazem planos, são românticos… Quando você vê já estão escolhendo o nome do primeiro filho. Tá na cara que ele ta a fim de ter um filho. O relógio biológico dele ta gritando…
Cena 10 – Homem e amigo no café.
Homem – Por isso é que eu digo. Não quero mais saber. Não vale a pena. Não estão a fim de nada sério.
Amigo – Nada.
Homem – Eu só queria era encontrar mais uma vez.
Amigo – Pra quê? Esquece isso!
Homem – Pra dizer tudo que ta entalado aqui. Ela ia ouvir poucas e boas!
Telefone do homem toca.
Megera – Alô?
Homem –Alô.
Megera – Pedro?
Homem – Ele.
Megera – Catarina, meu bem.
Homem – Um momento. (tapando o fone, se afasta para longe do amigo).
Megera – Pedro, tudo bem?
Homem – Tudo, sumida.
Megera – Então, to ligando pra te convidar pra um drink. Topas?
Homem – Drink? Quando?
Megera – Hoje, pode ser?
Hoje – Hoje?
Megera – É, hoje.
Homem – Um drink? Hum. (pausa) Não sei se devo… Melhor não…
Megera – Tá bom. Você é que sabe. Tchau.
Homem – (rápido no gatilho) Que tal um jantarzinho?
Megera – Estou de dieta, mas… O que eu não faço pra te agradar? Te pego às nove. Não se atrase!
Homem – Combinado.
Megera – Beijo.
Homem – Beijo, meu amor.
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