Concurso de mau humor
Flávio liga para Márcio.
Márcio –..Alô…
Flávio – Oi…
Márcio – Oi, o que?
Flávio – Tudo bem?
Márcio – Cê tá de sacanagem…
Flávio – Nem sei mais o que é isso…
Márcio – Perguntar se TUDO está bem…
Flávio – ….
Márcio – Tudo é muito pô!
Flávio – Tem razão…
Márcio – Fala…
Flávio – Falar o quê, cara?
Márcio – Você me ligou.
Flávio – E daí? Porque liguei tenho que falar…
Márcio – É uma regra social, quem liga é quem fala, caramba!
Flávio – Caguei para as regras sociais, fodam-se as regras sociais!
Márcio – Pára de gritar caralho!
Flávio – Não fala palavrão porra!
Márcio – Telefone tá caro!
Flávio – Eu é que tô pagando!
Márcio – Então fala logo o que você quer!
Flávio – Quem disse que quero alguma coisa? Não posso ligar para um amigo?
Márcio – Quem disse que eu sou seu amigo?
Flávio – Ainda bem que não é!
Márcio – Prefiro a morte!
Flávio – Sabia que você tava depressivo… pela voz.
Márcio – O que tem?
Flávio – Você atende o telefone morrendo.
Márcio – Eu estou morrendo… de tédio!
Flávio – Não estou nem aí para o seu estado emocional! Você tem que me ouvir! Afinal de contas eu sou o único que te liga!
Márcio – Ainda bem!
Flávio – Que eu te ligo?
Márcio – Que é o único!
Flávio – Você não tem amigos.
Márcio – Amigo é perda de tempo.
Flávio – É melhor a gente desligar.
Márcio – Quem tem que desligar é você que me ligou!
Flávio – E se eu não quiser?
Márcio – Vai prender a linha e gastar mais dinheiro.
Flávio – Te liguei porque vou participar de um concurso.
Márcio – Concurso é a coisa mais idiota que o ser humano inventou.
Flávio – Você diz isso porque nunca passou em nenhum.
Márcio – Claro! Nunca me inscrevi… tem que pagar taxa de incrição e sou contra pagar para ser testado.
Flávio – É um concurso de poesias.
Márcio – Mas você escreve mal pra cacete!
Flávio – Sou bom em poesias.
Márcio – Poesia é a coisa mais tola que o ser humano já inventou. Alguém escreve uma coisa sem noção e outros tentam entender o que não faz sentido.
Flávio – Você acordou de mau humor?
Márcio – Não, eu estava bem até você me ligar.
Flávio – Vou desligar.
Márcio – Já era hora.
Flávio – Tchau.
Flávio desliga o telefone. Márcio liga para Flávio.
Flávio – … Alô…
Márcio – De quanto é a taxa do concurso?
FIM
Na atual conjuntura…
_Eu não vou mais fazer o concurso.
_Por quê?
_Não é isso o que eu quero.
_Não interessa. Concurso a gente não faz porque quer. A gente faz porque precisa.
_Quem disse que eu preciso?
_A sua conta bancária diz isso.
_É só uma questão de tempo. A minha conta bancária vai mudar
_Quando?
_Não importa.
_E até lá? Vai viver de quê? Não pense que eu vou te sustentar não.
_Eu não conto com isso.
_Dani, cai na real. Vocâ já é escritor há dez anos e vive na maior pindaíba. Não acha que tá na hora de dar uma virada?
_E você acha que dar uma virada significa fazer um concurso público?
_Na atual conjuntura, sim
_Um concurso para ser contínuo?
_Na atual conjutura, sim.
_Não acha que é muita humilhação?
_Na atual conjutura não.
_Um cara como eu , formado em letras, autor de mais de 40 ensaios, 30 contos e 8 peças?
_Na atual conjuntura, não.
_Se você acha que não, faz você.
_Eu já sou funcionária pública.
_E você gosta de ser escrava do Tribunal de Contas?
_Isso não me importa.
_Esse é o problema. Pra mim importa muito. Já parou para pensar no sentido da vida? Que a gente tá aqui para ser instrumento do nosso talento e não ser oprimido por um sistema que só pensa em dinheiro?
_Sim, já parei pra pensar nisso.
_Então?
_Deduzi que não vale a pena ter talento sem dinheiro para financiá-lo.
_Que triste.
_Nunca disse que não é.
_Como você é fria.
_Eu já fui como você.
_E?
_Virei funcionária pública.
_Eu não quero acabar como você.
_Então morra de fome.
_Morro de fome, mas não mato a minha alma.
_Você é quem sabe.
_Aonde você tá indo?
_Trabalhar. (vai saindo)
_ E se eu passar?
_ O que é que tem?
_ Se eu virar um homem frio, escravo da rotina, chegando em casa cansado, sem assunto pra conversar…
_ Deixa de ser clichê.
_ Perder a minha criatividade e o interesse pelas artes…
_ Quer saber? Não faz o concurso. Não faz. Continua como você é. Mas, pelo menos, dá um jeito de ganhar dinheiro. Sei lá. Inventa algo genial, vende alguma coisa. Sei lá. Mas você não vai ter mais o direito de reclamar da sua situação financeira. Não vai
_ Como você é cruel.
_ Como você é ingênuo.
_ Eu vou pensar.
_ Eu vou trabalhar.
(Ela sai. Silêncio. Passagem de tempo. Ela tá em casa vendo TV. Ele chega.)
_ Passei!
_ Passou?
_ Passei! De agora em diante virei funcionário público. Passei! (silêncio) Ué? Não entendi. Não era pra você ficar feliz?
_ Eu andei pensando.
_Andou pensando o quê?
_ Você tinha razão.
_ Razão em quê?
_ Não vale a pena. Não vale a pena trabalhar só pra ganhar dinheiro e ter segurança fincanceira. Olha pra mim. Olha o meu estado. Eu não tenho mais forças pra fazer nada. Eu queria mesmo era ser dançarina, não tenho forças para dançar. Meu trabalho me consome. Desculpa, eu não quero o mesmo pra você. (ela chora)
(ele a abraça)
_ Meu amor, não fica assim. Você mesmo me falou. Na atual conjuntura não dá pra se dar o luxo de não ter um emprego fixo. Não fica sssim.
_Eu não quero que você vire um funcionário público, Dani. Eu tava mentindo. Eu te sustento que se você quiser. Já basta eu.
_Calma. Eu só vou trabalhar para bancar as edições dos meus livros.
_ Não, não é verdade. No começo todo mundo fala isso, que vai trabalhar para bancar seu sonho, mas depois , depois de um tempo, tudo fica apenas no plano da idéia. Não há tempo para nada, e quando há, só pensamos em descanso, em viajar para um lugar distante, longe da vida burocrática. Não, meu amor, me perdoa se eu fiz a sua cabeça. Talvez tenha feito isso por inveja da sua vida livre de artista. Você não devia ter me escutado.
_Fica tranquila, isso não vai acontecer comigo!
_ Não! Não! Não!
_Pensa na atual conjuntura. Pensa na atual conjuntura
(silêncio. Ela diz sem forças.)
_ É…. A atual conjutura…
FIM
Eleições para um novo Deus
A criança chegou em casa e propôs a seus pais que fossem abertas eleições para a escolha de novo Deus, Pai de todos. Tudo porque ela viu na internet uma imagem chocante.
CRIANÇA – Será que se Deus existisse de verdade, Ele permitiria tanta maldade?
A mãe, é claro, não soube o que responder. E proibiu o uso do computador.
FIM?
Infelizmente, muitas famílias enfrentam um drama diário triste e doloroso no Rio de Janeiro. Não tem graça. Deus do Céu, olhai por nós! Amém.
Could you be Cassandra?
……………………………………………………………………………………………………Concurso de paciência
(Mulher de óculos entra no banco. Retira um senha na máquina e tenta passar pela porta de detector de metais e não consegue)
Guarda 1: Senhora, retire o objeto de metal da bolsa, por favor.
(Mulher de óculos retira um molho de chaves da bolsa. A porta trava novamente)
Guarda 1: Senhora, volte, por favor.
(Mulher de óculos retira 2 celulares da bolsa. A porta volta a travar)
Guarda 2: Abra sua bolsa e deixe eu ver. Por favor, senhora. É questão de segurança.
(Mulher de óculos retira um guarda-chuva e um porta moedas da bolsa. A porta trava mais uma vez. Irritada por ouvir tantas vezes o alarme e se sentir constrangida com a chatice da porta, retira recarregadores de celular da bolsa, um rinoceronte, um piano de cauda… Também retiraria um rifle, uma granada de mão e uma espada de samurai afiada se de fato tivesse essas coisas na bolsa. Finalmente a mulher de óculos consegue entrar na agência bancária e seus olhos se enchem de esperança! A mulher sobe as escadarias da agência triunfante até chegar no setor de atendimento)
Mulher de óculos: (para um atendente homem sem sal) Meu cartão foi bloqueado e…
Atendente homem sem sal: Você deve retirar uma nova senha lá embaixo. Esse problema não será resolvido no caixa. Você deve retirar uma senha para o atendimento.
(A Mulher de óculos agradece. Desce as escadarias desanimada. Retoma o processo de luta com a porta com detectores de metal. Vai até a máquina retira uma nova senha e volta a subir as escadarias da agência perseverante)
Mulher de óculos: (sentando numa poltrona azul para esperar o atendimento. Pensando) Nossa como esse banco está mal decorado. Aposto que a agência do Bank Boston não seria assim… (o celular toca. Mulher de óculos atende) Alô.
Atendente no celular com voz chata: Alô. A senhora pode falar?
Mulher de óculos: (pensando) O que ela espera que eu responda? Não. Não posso falar porque quando eu era pequena eu caí do balanço, desloquei a glote e aconteceu de novo agora. Que pergunta imbecil. Se eu disse alô é porque eu estou falando veja você que extravagância. (responde no celular) Sim.
Atendente no celular com voz chata: Eu sou de uma empresa de telefonia móvel e gostaria de saber por que você não pagou a conta do mês, senhora? Aconteceu algum problema?
Mulher de óculos: (pensando consigo) Que pergunta mais idiota. Quem é que não paga a conta? Quem não tem dinheiro. Óbvio. O que essa infeliz espera que eu responda? Sabe o que é querida… é que eu sou supersticiosa e a conta vence no dia 13. Aí fica difícil pagar. (no celular) Porque meu cartão está bloqueado. (barulho do monitor de senhas apita. Mulher de óculos desliga o celular e vai até o atendimento).
Atendente simpática com moderação: Em que posso ajudar?
Mulher de óculos: O meu cartão foi bloqueado e…
(Atendente simpática com moderação tecla loucamente no computador e faz uma rápida seqüência de muxoxos como quem quer dizer que tudo será muito complicado)
Mulher de óculos: Tudo começou na semana passada tentei pagar uma conta no débito e meu cartão não passou. Inicialmente pensei que seria um problema da máquina. Tentei pagar outra conta no débito e não consegui. Tentei sacar e não deu certo. A máquina avisou que meu cartão estava bloqueado e tentei o atendimento por telefone, mas como meu cartão estava bloqueado não consegui atendimento. Enfim…
Atendente simpática com moderação: Entendi.
Mulher de óculos: Por que isso aconteceu?
Atendente simpática com moderação: (pensando) Não sei você deve ter errado sua senha.
Mulher de óculos: (pensando) Essa mulher deve estar pensando que isso aconteceu porque eu consegui errar minha senha. Mas, como eu poderia errar uma série de números que eu criei.
Atendente simpática com moderação: Segurança. (Pausa.)
Mulher de óculos: (pensando) Sim é muito perigoso pra mim saber que eu sou capaz de sacar dinheiro da minha própria conta. Com o cartão bloqueado me sinto mais segura e econômica!
Atendente simpática com moderação: (Enquanto fala pede para a mulher de óculos digitar novamente a senha várias vezes e explica as coisas com muita rapidez) Muitos cartões foram clonados. Você precisa digitar sua senha. Ok. Confirme a senha, por favor. Agora dirija-se ao caixa do andar de baixo. Se você tiver algum problema peça para o funcionário ligar pra mim. Você receberá uma nova senha de letras. E a tendência é que apareçam cada vez mais letras. Nós cuidamos da sua segurança.
Mulher de óculos: Obrigada!
Atendente simpática com moderação: (num discurso imaginário) Não há de quê. Esse é o meu trabalho. Eu lutei muito para estar aqui. Passei num concurso. Numa lista de milhares de nomes eu fui a vencedora. E sentada nessa cadeira, por trás dessa mesa barata eu posso arruinar a vida de milhares por questões de segurança. Bloqueio cartões, corto limites de crédito, imponho valores para os saques. Pense bem. Sua vida foi muito mais econômica no último final de semana. Você repensou os seus gastos e ações. Comeu menos. Viu só. Nós cuidamos de você. O banco cuida da sua segurança. O banco sabe o que faz.
(Mulher de óculos recebe uma nova senha que não decora facilmente. Consegue sacar dinheiro. Finalmente sai do banco e tenta pagar uma nova conta no débito)
Atendente lenta: É débito ou crédito?
Mulher de óculos: Débito.
Atendente lenta: Ah, desculpe coloquei crédito. Vou ter que cancelar e fazer uma nova operação.
Mulher de óculos: (pensando) Eu não entendo como um banco que pensa na minha segurança cria duas operações financeiras distintas com a mesma sílaba tônica. Não devia ser crédito ou débito. Devia ser crédito ou paralelepípedo, ou débito ou Pindamonhangaba. Aí não teria como confundir…
Atendente lenta: É débito ou crédito?
Mulher de óculos: Débito.
Atendente lenta: Qual é o valor mesmo?
Mulher de óculos: Eu vou pagar com dinheiro.
Atendente lenta: (pega a cédula e olha a mesma contra a luz. Sorrindo amarelo) Questão de segurança.
FIM
Os Souza
Era uma família movida a desafios. Pai, mãe e três filhos. Naquele sábado, os Souza acordaram cedo, tomaram café, e sem perder tempo, cada um assumiu a tarefa distribuída na véspera pelo pai, Seu João de Souza.
(Seu João com um bloquinho na mão conferindo o andamento das tarefas)
Seu João – Como estão os cartazes, Pedro?
Pedro – Só faltam dois pra colar.
Seu João – Cartazes ok. As cornetas, Rafa?
Rafa – Já estão na mochila junto com os apitos.
João – Cornetas e apitos ok. Nanda, você ficou com os confetes, as serpentinas e o spray de espuma.
Nanda – Pai, ta tudo comigo e ainda to levando uns pompons de torcida pra gente agitar.
Dª Teresa – Meninos, atenção: Não esqueçam dos chapéus, perucas e caprichem na maquiagem.
Rafa – Bem lembrado, mãe.
João – Tá todo mundo com o grito de guerra decorado?
Todos: “Ouza, ouza, ouza! Ninguém segura a família Souza!”
E assim, foram confiantes para a última prova da gincana do colégio que elegeria a família mais animada. O Prêmio – uma TV LCD, Full HD, 52 polegadas com conversor integrado – não era de se jogar fora. Já no carro, o patriarca fazia planos e enaltecia as maravilhas da imagem de alta definição do televisor, para incentivar o espírito competitivo da prole. Seu João sabia que em qualquer competição o fator psicológico era fundamental e, fundamentais também eram suas preleções antes de cada “combate”. Falava bonito, se emocionava:
João – Teresa, meus filhos: a vida é uma batalha. Do portão para fora de casa somos todos soldados na luta. Juntos somos fortes, mas lembrem-se: nossa força está na capacidade individual de cada um de nós. A vitória é apenas conseqüência e probabilidade que depende do esforço coletivo. Vamos mentalizar a TVD LCD de 52 polegadas na estante da nossa sala. Sim, ela pode ser nossa! Só depende de nós. Se nos empenharmos de corpo e alma, coração e mente, alcançaremos nosso objetivo. Vamos com fé e esperança. Que Deus esteja conosco!
Pedro – Uhuuu!
Rafa – Mandou bem, pai!
Nanda – Arrepiou!
(Dª Teresa dá um beijo no marido. Os filhos, no banco de trás, se abraçam).
Todos: “Ouza, ouza, ouza! Ninguém segura a família Souza!”
O espírito guerreiro era o que movia os Souza. Mas não pensem que eram presunçosos, vaidosos, arrogantes ou que não admitiam derrotas. Longe disso. Apenas não se abatiam quando elas aconteciam porque apreciavam, mais do que a vitória, a disputa leal e franca. Há muito tempo os Souza descobriram que participar de concursos, promoções, sorteios, era um bom negócio. O empenho valia à pena, a família prosperava a olhos vistos e colhia os frutos por tanta disciplina e dedicação. Impossível enumerar todos os êxitos: já tinham ganhado um final de semana em Cabo Frio com tudo pago, no sorteio da maionese de atum, promovido pelo supermercado do Bairro. Mandaram mais de 100 rótulos da maionese e foram agraciados. A geladeira nova, o xodó de Dª Teresa, foi conseguida através da frase mais criativa do dia das mães, no ano passado:
Nanda – Que tal essa? O que vocês acham dessa frase? “Esta geladeira vai esfriar sua cabeça e suas preocupações”.
João – Repete, Nanda.
Nanda – “Esta geladeira vai esfriar sua cabeça e suas preocupações”.
João – Genial!
Teresa – Nanda, minha filha, você é um crânio. Essa menina tem umas idéias do arco da velha!
Ah, também conseguiram um par de ingressos para ver o show do rei, sim ele, Roberto Carlos, no Transatlântico!
Dª Teresa: Corre aqui, João! Escuta isso:
Locutor de Rádio: E atenção ouvintes da Rádio Beira-Mar FM: amanhã quem ligar primeiro a partir das 10:00h para o número 2555-0000 e disser a palavra “REI”, vai ganhar dois ingressos para show de Roberto Carlos.
Dª Teresa: João, vamos comemorar nosso aniversário de casamento no Show do Roberto? Vamos?!
Seu João, como bom estrategista, ficou matutando: Como poderiam ser mais rápidos do que os outros? Olhou para a mulher e disse:
João – Deixa comigo. Chama os meninos, quero uma reunião.
E, na sala da casa, com os filhos em volta, armou o quadro negro e começou a rabiscar com giz, seu plano.
Seu João – Não adianta todos tentarmos ao mesmo tempo. Minha idéia é a seguinte: Vamos testar para ver quem consegue discar os números de telefone mais rápido. Teresa você fica no cronômetro medindo o tempo de cada um:
O resultado não foi surpresa para ninguém. Pedro, o filho mais velho, e Rafa, o do meio, eram disparados os mais velozes.
Rafa – Pai, nossa habilidade com vídeo games é que vai fazer a diferença!
Pedro – Confia na gente, mãe. Nossos dedos são mais ágeis e estão treinados para apertar teclas e botões!
Não é preciso dizer que Dª Teresa e seu João de Souza comemoraram as bodas de prata junto com o Rei, Roberto Carlos, ao som de “Como é grande o meu amor por você” à bordo de um lindo Transatlântico. Como bons jogadores a família Souza sabia a hora de avançar e recuar, de ser convencional ou criativa, apoiavam-se nas dificuldades e sabiam explorar as habilidades de cada um. Dependendo da marca, produto ou estabelecimento, dependendo se o que estava em jogo era a qualidade ou a quantidade, eles sempre tinham uma estratégia, um plano, uma motivação. E quando o concurso envolvia a sorte não poupavam esforços, sabiam que para ganhar era preciso investir e arriscar, porque a sorte é caprichosa e sorri para os que lhe tratam bem. Não foram poucas as vezes que os Souza estocaram provisões para um ano: da massa de tomate, da pasta de dente e do sabão em pó que oferecesse algum prêmio ou vantagem. Estavam sempre de olho em jornais, escutando rádios, programas de TV, atentos a aniversários, comemorações e efemérides que lhe trouxessem oportunidades.
Nanda – Mãe, posso ir na casa da Dondinha?
Mãe – Já fez o dever de casa?
Nanda – Já, mãe. Os anúncios das promoções estão recortados em cima da mesa.
Seu João – Deixa ela ir Teresa, eu e os meninos cobrimos pela internet os concursos do dia.
Mãe – Vai minha filha, vai. Mas não esqueça da reunião às 17:00h, em ponto.
Seu João – Vamos traçar a estratégia para o mês.
E foi naquela manhã de sábado, que os Souzas desceram do carro, um Gol cinza metalizado, ano 2000, ganho pela família num programa de perguntas e respostas promovido por um cursinho de pré-vestibular. Seu João, Dª Teresa, Pedro, Rafa e Nanda estavam paramentados com perucas, chapéus, bandeiras, cartazes, cornetas, apitos, confetes, serpentinas e muita disposição. Veteranos em disputas, ainda mantinham o mesmo espírito de iniciantes dos velhos tempos, os pés no chão e o respeito pelos adversários. Fizeram uma rodinha, deram-se as mãos, olharam-se nos olhos, sinal da cruz. Estavam prontos para mais um desafio. Os Souza. A família mais animada do colégio.
Todos: “Ouza, ouza, ouza! Ninguém segura a família Souza!”
FIM.
Segunda-feira
Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
Sábado
Domingo