A verdadeira história de Elvis Presley

Narrador: Ano de 1934, cidade, Barbalha, estado, interior do Ceará, país, Brasil. Dona Santa, casada com seu Cícero, estava grávida de seis meses, mas não queria ter aquele filho.

Dona santa: Oh, meu Santinho. Sou, pobre, sou feia, tenho sede, tenho fome, e você ainda me arranja um filho pra desgraçar a minha vida! Tira a vida esse infeliz que tá dentro de mim, e me dê dinheiro!

Seu Cícero: Não fala assim muiér! Que o santo é santo mas não é otário. Se ele te ouvir falando desse jeito vai é desgraçar ainda mais com a gente.

Narrador: Ouvindo as sábias palavras de seu marido e temendo a ira do santinho, Dona Santa, passou a amar, a acarinhar, a beijar, aquela barriga, que era grande, mas não era d’água, era dele. Resolveu ter aquele filho, que daria o lindo nome de Evaldino. E não é que nasce em 8 de janeiro de 1935, Evaldino Precipício de Almeida, o filho mais querido da cidade.

Dona Santa: Vai ser padre.

Seu Cícero: Vai ser porreta.

Vizinho1: Vai ser doutor.

Vizinho 2: Vai ser cantor.

Dona santa: Não me fale uma coisa dessas que música é coisa do capeta.

Vizinho 2: To falando cantor de igreja, a música do senhor.

Dona Santa: Ah, bom. Mas música não enche a barriga de ninguém.

Vizinho 2: Então tá, vai ser fazendeiro.

Dona Santa: Vai ser padre.

Seu Cícero: Vai ser porreta.

Vizinho1: Vai ser doutor.

Vizinho 2: Vai ser fazendeiro.

(Evaldino começa a chorar)

Evaldino: Quero comer.

Dona santa: Eu não disse que o infeliz…

Seu Cícero: Dona Santa!!

Dona Santa: Eu disse que tô muito feliz, muito feliz! (fala pra si) Ah, mas se esse menino não botar dinheiro em casa, eu vendo ele pras madames da cidade.

(trovão)

Dona Santa: Desculpe, santinho. Eu quis dizer que esse menino não botar dinheiro em casa, eu vendo minha pele se for preciso.

(barulhos de passarinhos)

Narrador: E assim Evaldino cresceu. Em meio a muito carinho e muita expectativa também. Teve educação religiosa. Desde pequeno assistia cultos da igreja Culto de Padre Cícero, que ficava do ladinho de sua casa. E já se interessava pelas músicas paroquiais.

(Evaldino jovem no culto da igreja muito empolgado).

Evaldino: Vive o senhor! oooh! Viva o senhor! Oooh, é! Vivaaaaaa. Oooohhh!!!

(Todos olham para ele assustados com tanta empolgação).

Vizinho 2 (para a Dona Santa): Não disse que esse menino ia ser cantor.

Dona Santa: Vê se não dá idéia, senão, eu é que vou cantar pra subir.

Narrador: Mas a agonia de Dona Santa, de nada adiantou. Quanto mais passava o tempo, mais o jovem Evaldino se ocupava cantando no culto da igreja até não poder mais. Se ocupou tanto, que aprendeu a tocar rabeca pra colocar um instrumento musical no coral.

Dona Santa: O que eu fiz, meu Padim Padre Cícero, para ter um filho assim? É tão religioso, que só sabe rezar, mas colocar dinheiro em casa que é bom, nem se mexe. Eu tô lascada.

Seu Cícero: Eu já falei pra não falar assim, muiér, que quanto mais você reclama, parece que mais o santinho coloca o nosso filho pra cantar. Não tá vendo que isso vem do céu?

Dona santa: Vem do céu o que não presta. Eu quero ver vim do céu uma boa chuva que é pra acabar com essa desgraceira, isso eu quero ver.

(Forte trovão)

Dona Santa(para o céu): Não adianta ameaçar sem chover. Cão que ladra não morde.

(Trovão bem mais forte)

Dona Santa: Me desculpe, meu santinho. Mas assim fica difícil.

(Chega o jovem Evaldino cantando todo animado).

Jovem Evaldino: Ô mainha, ô painho. Tô sabendo que vai ter um concurso de música na cidade. Eu já fui o primeiro a me inscrever.

(Dona Santa desmaia).

Jovem Evaldino: O que aconteceu com ela, painho?

Seu Cícero: Nada não filho, deve ser de tanta emoção de ter um filho artista.

Jovem Evaldino: E tudo isso graças a vocês que me colocaram na igreja.

Seu Cícero: Então é graças a Padim Padre Cícero que levou todos nós pra esse caminho.

Narrador: Mas a vida de cantor da igreja do jovem Evaldino, como bem sabia Dona Santa, nada ajudava na renda da família. Um dia Dona Santa não agüentou e colocou o menino pra trabalhar.

(Evaldino está tirando uma música na sua rabeca, entra Dona santa enfurecida).

Dona santa: Pare já com essa música de satanás, menino!

Evaldino: Não, mãe, essa música é de Deus.

Evaldino: Não quero saber de Deus nem de música

(Forte trovão)

Dona Santa (olhando para céu): E pode me ameaçar com esse barulhinhos, que eu não tenho medo, mas tenho fome. (Para Evaldino) O senhor já está com 20 anos nessa cara e só sabe fazer é tocar e cantar. Nem muéir você arranjou!

Evaldino: Mas mainha, é a música de Deus, da igreja…

Dona Santa: Não me interessa música de Deus, de lugar nenhum. (trovão) Eu não tive filho para ficar ouvindo música, seja ela da onde for. Eu falei agorinha mesmo com amigo Severino e ele te arranjou um trabalho de caminhoneiro.

Jovem Evaldino: Não, mãe, eu tenho que …

Dona Santa: O senhor não tem é que nada. Vai agorinha mesmo começar a colocar um pouco de farinha nessa casa que seu pai já tá muito cansado. E tenho dito!

Evaldino: Mas…

Dona Santa: Só volte para casa com dinheiro!!!

Narrador: Sem escolha, o jovem Evaldino começou a trabalhar de caminhoneiro, mas nunca deixou de cantar e tocar com sua rabeca nas noites de céu estrelado, no meio da estrada e nos bares que entrava para fazer uma pausinha.
Juntava dinheiro para um dia poder voltar para casa e fazer sua mãe feliz.
Foi numa dessas viagens no caminhão que conheceu Sam Phillips, um ameriacno poderoso que trabalhava na gravadora Records e estava no interior Brasil a procura de um novo talento musical para lançar no mundo. Sam Phillips almoçava num bar a beira de estrada quando viu o jovem Evaldino entrando com sua rabeca, sentando numa mesa e compondo uma canção para Jesus.
E assim como já havia chamado a atenção na sua cidade, chamou atenção do americano. Estranhamente o jovem Evaldino, sem jamais ter conhecido a musica americana, puxava notas e sílabas como se fosse um verdadeiro ícone do rock. Era algo surpreendente que estava dentro dele. Como todos os gênios já nascem gênios, ele era sim, um gênio. Sam observava Evaldino de longe.

Evaldino (tocando): Viva o senhoooor! Uooouuoou! Quem vem do céu, eeeiiieéé´!

(Evaldino vai se empolgando e batendo com os pés no chão)

Evaldino: Eu amo o senhorrrr. Amo amo, ooouuuééééé´.(começa a fazer sons estranhos) Bod, bod bura, u bod bem bu.

(Sam Phillips aplaude energicamente)

Sam: Underful, terrific, estupendo!

Jovem Evaldino: É comigo? Estúpido é você !

Sam: Im glad to meet you.

Jovem Evaldino: É voce!

(Sam saca do bolso notas de dinheiro)

Jovem Evaldino: Opa, sente aqui.

Narrador: E foi assim que começou a verdadeira amizade entre Evaldino e Sam Phillips.
Sam, empolgado com aquela vida de caminhoneiro de Evaldino, decidiu acompanhá-lo na estrada enquanto gravava aquelas notas peculiares que Evaldino fazia com a voz. Evaldino, com o objetivo de voltar para casa com dinheiro, preparava um repertório para sua mãe perdoá-lo por todos aqueles que não colocou nem um grão de milho em casa.
Sam, decidido fazer de Evaldino um músico reconhecido mundialmente e ganhar muitos dólares as suas custas, começou a ensinar inglês durantes as longas viagem que faziam no caminhão. Evaldino que não era besta nem anda, pensando no dinheiro da sua mãe, cobrou para
receber as aulas, que ele não conseguia entender pra que aprender aquela língua estranha.
E foi em junho de 1953, aniversário de Dona Santa, que Evaldino, dinheiro no bolso e falando inglês, retornou a sua cidade com um repertorio completo para cantar para sua mãe, que ele não duvidava: Era uma santa.

(Dona Santa, Seu Cícero, e os vizinhos na igreja)

Seu cícero: Parabéns , minha Santinha.

Dona santa: Não gosto de aniversários.

Seu Cícero: Se nosso filho tivesse aqui…

Dona santa: Não fala naquele traste que ele ainda não colocou…

(nessa hora adentra a igreja Evaldino com a rabeca e Sam. Ele canta em inglês.)

Evaldino: Happy Birthday to you…

Seu Cícero: Meu filho!

Dona santa: Ah, meu Deus, voltou cantando na lingua do demônio!

Seu Cícero: Não fala assim, não tá vendo que ele tá todo feliz!

Evaldino: Minha mãezinha querida, queria agradecer imensamente por ter me colocado na estrada. Se não fosse por isso jamais conheceria esse homem maravilhoso.

Sam: Muito prazer, Sam.

Evaldino: Que me fez me apaixonar ainda mais pela música

Dona santa: Oh não!

(Dona Santa desmaia).

Evaldino: Calma, mãezinha, não fica emocionada. Ainda juntei uns dólares da aula de inglês…

(Dona Santa levanta na hora)

Dona santa: Dólares? É isso o que eu ouvi? Dólares?

Evaldino: Que foi pelas aulas de inglês que tomei com…

Dona Santa: Milagre! Milagre! Milagre! O meu filho é bom! O meu filho é bom!

Evaldino: e eu alguma vez já fui ruim?

Seu Cícero: Eu não disse minha Santinha! O Nosso filho sempre foi uma benção.

Narrador: Dona Santa morreu naquele dia de tanta alegria e nem pode curtir os 15 dólares que o jovem Evaldino ganhara com as aulas de inglês. Aproveitando o luto de Evaldino, Sam Phillips o convenceu a viajar para os Estados Unidos e gravar uma música para ver se ia dar um caldo. Sem saber pra onde ir, ou o que fazer, Evaldino aceitou a proposta com a condição de levar seu pai, seu Cícero, que nessas alturas já não prestava pra nada. Sam aceitou a condição de Evaldino, com a condição dele encurtar seu nome Evaldino Precipicio de Almeida para Elvis Presley, que era mais comercial. Evaldino aceitou mudar seu nome com a condição de jamais deixar de visitar sua cidade natal a quem tanto devia a iniciação musical. Sam aceitou com a condição de Evaldino, agora Elvis, dizer para mundo que era um cidadão americano, que era mais comercial. E de condição em condição foi fechada a parceria. Elvis, já em 1954 começava a gravar suas primeiras músicas, iniciando sua carreira profissional. Em julho de 1954, duas músicas de Elvis ( “Take” e “Blue Moon of Kentucky”), que compunham seu primeiro disco single, começam a tocar nas rádios de Memphis. O sucesso foi imediato e espalhou-se por outras cidades rapidamente. Em 17 de julho, Elvis fez seu primeiro show na cidade de Memphis, e se tornou mundialmente famoso.
Obs: seu pai viveu até os 95 anos e pode acompanhar toda o sucesso do filho, morrendo antes deu sua decadência, crendo assim, que seu filho jamais caiu nas drogas e no álcool. Mas Elvis, nome correto Evaldino Precipício de Almeida, nunca deixou de visitar Barbalha, sua verdadeira cidade no interior do Ceará.
E dizem que até foi lá que ele decidiu morrer.

FIM

Bares vermelhos

(Antes do espetáculo começar, cartas de amor amareladas e rosas são distribuídas para a platéia)

(silêncio luzes apagadas surge um contra luz vermelho marcando a silhueta da cantora)

CANTORA: (fala tocando o próprio corpo – provocante) Boa Noite senhoras e senhores! Hoje é uma noite muito especial, muito importante e para que ela continue eu peço licença, peço permissão… senhores consintam que eu, que meu corpo seja um instrumento de prazer. É o que sentiremos nessa noite: Muito prazer.

(Canta, após a música muitos aplausos gravados. Coreografia: pegar microfone com ares de libido, aproximar o mic da boca, aplausos, repetir a mesma partitura até a exaustão, aplausos, abraçar o pedestal, só mostrar a respiração sem o microfone e receber os aplausos. Parar os aplausos.)

L is for the way you look at me.
O is cause you are the only one I see.
V is so very, very
Extraordinary…

Love…

Senhoras e senhores, a história é minha, mas não se enganem, não se deixem enganar por seu fio condutor, na vida só há um único e absoluto protagonista: o amor.

L is for the way you look at me.
O is cause you are the only one I see.
V is so very, very
Extraordinary…

Love…

(coreografia do amor: mostra como se apaixonou em determinado momento alguém da platéia joga uma rosa, esfrega a rosa no corpo)

Todas as noites ele aparecia com o mesmo sorriso e um topete lindo. Ele assistia em silêncio, e no fim do show olhava profundamente para os meus olhos e atirava uma rosa. (recebe uma rosa da platéia) (ri) Olhava para os meus olhos e atirava uma rosa (recebe uma rosa da platéia, repete várias vezes, esfrega todas as rosas no corpo ri muito, faz bem me quer mal me quer com algumas, sempre dá bem me quer, comemora. Pára. Fixa o olhar. )

Um dia ele apareceu no camarim, cada perna minha queria correr para um lugar diferente, eu tonta e apaixonada sorria! (tentando se controlar) Ele me olhou daquele jeito, enquanto falava mexia os quadris (olha para os quadris). Eu que pensava que se conhecia um homem pelas mãos… um homem se conhece pelo quadril! Ele me olhou profundamente e falou… falou…. Eu não conseguia ouvir nada, não prestei atenção em nada… Eu flutuava querendo mergulhar nos olhos dele. Só me recordo das últimas palavras: ele me estendeu a mão grande e linda e exclamou – It´s now or never! Agora ou nunca!

(corre pelo palco gritando agora ou nunca, pára segurando uma rosa. Música It´s now or Never do Elvis. Pára e corta o palco como uma noiva que vai para o altar)

(ri sem graça)
Eu fiquei esperando por ele! Ah, gente um atrasinho à toa acontece, o trânsito deve estar horrível, é tão difícil encontrar vaga para estacionar; eu aborrecida? Imagina… (chora) Eu esperei por uns (conta nos dedos) 3 anos, arranquei um fio de cabelo para cada dia de espera – fiquei careca!

Voltei para casa. Nunca me senti tão ridícula. Não pensem que eu fui ingênua! Não! Sou muito acostumada a receber declarações de amor: I´ve got you under my skin, o Frank Sinatra cantava para mim, New York New York ele cantava porque queria que eu fosse morar com ele, mas eu não gosto de Nova Iorque! Futuros amantes, o Chico cantava para mim. O meu sangue ferve por você, Magal cansou de cantar para mim. Sempre tive muitos admiradores. Para alguns eu dava um pouco da minha atenção. Se eu fosse dar atenção integral para todos os meus admiradores eu não teria tempo de respirar. (pausa) Tentei voltar a cantar, sempre desafinada e esquecendo a letra…. (coreografia pega microfone, chora, cai, tenta pegar microfone de novo)

Um dia atiraram uma flor no palco. Não acreditei! Meu coração explodindo! Peguei a flor… era uma palma de Santa Rita, o bêbado do bar jogou várias palmas de Santa Rita no palco! Furiosa, pedi que ele saísse. Eu não sou Iemanjá! Onde já se viu! Irritada e decepcionada voltei a cantar… (coreografia pega microfone, chora, cai, tenta pegar microfone de novo)

(Larga microfone abre uma mala com luz dentro, espécie de camarim, dentro da mala várias cartas de amor amareladas. Pega as cartas com furor, abraça, cheira, beija e chora. Luz acende na platéia para que a platéia leia as cartas que receberam. As cartas lidas pela platéia são a memória da cantora, ela pode ficar parada ou dançar o que escuta. Ela espalha todas as cartas pelo palco, anda entre elas, dança, forma desenhos diferentes com ela. Até formar um coração enorme)

COM FERVOR PARA ELVIS PRESLEY – MEU MODELO DE MASCULINIDADE!
http://www.youtube.com/watch?v=X5JALwwaASg

FIM

Com carinho: Priscilla Presley

Baseado em fatos reais

No avião

Leonardo: Olá…

Mulher: Olá.

Leonardo: Desculpe você está no meu lugar…

Mulher: Estou?

Leonardo: Está.

Mulher: Qual é mesmo o seu nome?

Leonardo: Leonardo…

Mulher: Leonardo, posso me sentar aqui? Gosto de viajar na janela,
vendo a paisagem.

Leonardo: É que eu também gosto de viajar na janela vendo a paisagem.

Mulher: Não custa nada… Por favor… Estou muito melancólica hoje e viajar no
corredor me dá um tédio…

Leonardo: Pois é… Em mim também.

Mulher: Você está muito melancólico hoje?

Leonardo: E quem não está hoje em dia? (sorri)

Mulher: É que eu acabo de perder meu ex-marido…

Leonardo: Sinto muito…

Mulher: Estou indo ao seu enterro…

Leonardo: Isso não é um golpe baixo seu?

Mulher: Não.

Leonardo: Ele morreu de que?

Mulher: Ataque cardíaco, provocado por overdose.

Leonardo: Ah… Que chato.

Mulher: Pois é.

Leonardo: Ajuda se ficar na janela?

Mulher: (faz que sim)

Leonardo: Ok. Tudo bem. Pode ficar.

Mulher: Obrigada.

(31 anos depois)

NO avião

Leonardo: Olá…

Mulher: Olá.

Leonardo: Desculpe você está no meu lugar…

Mulher: Estou?

Leonardo: Está.

Mulher: Qual é mesmo o seu nome?

Leonardo: Leonardo…

Mulher: Leonardo, posso me sentar aqui? Gosto de viajar na janela, vendo a paisagem.

Leonardo: É que eu também gosto de viajar na janela vendo a paisagem.

Mulher: Não custa nada… Por favor… Estou muito melancólica hoje, e viajar no corredor me dá um tédio…

Leonardo: Engraçado…

Mulher: O que?

Leonardo: Eu tenho a sensação de te conhecer de algum lugar…

Mulher: Bem possível.

Leonardo: Já nos vimos antes?

Mulher: Creio que não…

Leonardo: Então?

Mulher: Sou atriz, deve me reconhecer de algum filme que fiz.

Leonardo: Ah…

Mulher: (sorri) Posso ficar?

Leonardo: Isso não é um golpe baixo seu?

Mulher: Não.

Leonardo: Que filme você fez?

Mulher: “Corra que a polícia vem aí”.

Leonardo: Ah… Que bacana.

Mulher: Pois é.

Leonardo: Me dá um autógrafo?

Mulher: Claro.

(ele cede uma caneta e um guardanapo. Ela assina.)

Leonardo: Obrigado.

Mulher: Não tem de quê.

(ele disfarça e tenta entender o nome no autógrafo. Não identifica o que está escrito, a letra está muito corrida. Desiste de identificar o nome)

( fim)

Elvis não morreu?

Repórter vai até uma cidadezinha lá no interior do país pra entrevistar fãs do “inesquecível cantor Elvis Presley” – como ela mesma frisa ao iniciar a matéria – num especial para a TV comemorando os 31 anos da morte do Rei do Rock. A personagem deve ser representada como uma figura séria, que transmite credibilidade.

Repórter – Estamos aqui hoje nessa cidade com pouco mais de 30 mil habitantes pra mostrar pra vocês como o Elvis conquistou fãs em toda a parte do mundo. E do Brasil. Nós encontramos aqui um senhor com pouco mais de 60 anos, que diz ser o próprio cantor.

Câmera corta para o homem vestido de Elvis Presley. Ele sorri e faz caras e bocas de Elvis.

Repórter – Ele jura que Elvis não morreu! Inclusive nós vamos mostrar aqui a certidão de nascimento dele (câmera na certidão). Reparem só, Elvis Presley.

Elvis cover – Elvis não morreu! (canta um trechinho de Love me tender) “Love me tender… love…”

Repórter – O seu Elvis vive a quase 30 anos como cover do cantor fazendo shows em várias cidades do país. Ele sustenta a família com esse trabalho. Fala um pouquinho pra gente como é subir no palco e reviver os grandes sucessos do cantor.

Elvis cover – Elvis é uma benção na minha vida! (canta) “Love me tender, love me…” Elvis não morreu!

Repórter – E conta um pouquinho como começou essa ligação com o Elvis. Entrevistei a sua irmã, ela disse que o pai de vocês era fascinado pelo cantor também. E decidiu te homenagear com o mesmo nome. Foi isso mesmo?

Elvis cover – Elvis não morreu!

Repórter – As pessoas podem levar na brincadeira, mas pra esse homem é sério, Fátima.

Fátima é a apresentadora do programa.

Elvis cover – Elvis não morreu!

Fátima (ao vivo) – Obrigada, Marcia. Continua aí, que nós vamos dar uma notícia emocionante pra todos os fãs do cantor. (para a câmera) Pois a nossa equipe, em parceria com a CBN, dos EUA, descobriu que o cantor Elvis Presley não morreu mesmo. Pois é, o Elvis foi encontrado vivo numa casinha lá no Mississippi. (câmera ao vivo na cidadezinha)

Repórter – Emocionado, seu Elvis?

Elvis cover (chocado).

Repórter – É muita alegria nesse momento, né?

Elvis cover – O Elvis não morreu mesmo?

Repórter – Não morreu, não. E ele promete voltar com a sua carreira explosiva.

Elvis cover – Tem certeza?

Repórter – Inclusive, nós temos uma notícia um pouco chata pra dar pro senhor. É que o verdadeiro Elvis parece que decidiu proibir as apresentações de todos os covers.

Elvis cover – Aquele Elvis morreu, sim!

Repórter – Infelizmente o Elvis não morreu, senhor Elvis.

Elvis cover – Claro que morreu.

Repórter – Não morreu, não.

Elvis cover – Claro que morreu!

Repórter – Voltamos para os estúdios. É com você, Fátima.

Um mês depois o verdadeiro Elvis Presley sofre um atentado e morre ao desembarcar num aeroporto brasileiro. Os principais suspeitos do crime são os próprios fãs do cantor.

FIM.