Quando despertarmos entre os mortos

Personagens:

Mauro

Fatinha

(Mauro, armado, coagindo Fatinha num quarto barato de um motel.)

Mauro: (violento, descontrolado, sacudindo a jovem) Cadê a vagabunda da sua amiga?

Fatinha: Me larga, você está me machucando!!!

Mauro: É pra machucar mesmo, sua pilantra! Ordinária!

Fatinha: Covarde! Me solta!

Mauro: Escuta aqui, escuta! (num controle viril) Vocês pensam que eu tenho cara de
otário? Olha aqui! Olha aqui na minha cara, sua vagabunda! Olha! Diz se eu tenho cara de otário! Diz! Diz aqui na minha cara!!!!

Fatinha: Vai pro inferno! (cospe nele)

(tempo)

Mauro: (mais calmo, diabólico) Tudo bem. Eu vou esperar. Ela vai chegar uma hora. Isso. Uma hora ela chega. Daí… Daí a gente bate um papo.

Fatinha: (caída no chão, num sopro) Vai embora… Eu já disse que eu não sei de nada…

Mauro: O lance é com sua amiga. E se você é parceira dela, sinto muito. Vai pagar
junto.

Fatinha: Você pensa que eu tenho medo de você? Eu não tenho medo de você.

Mauro: Não? Pois deveria ter…

Fatinha: E por causa de que? Só porque você está armado? Isso não faz de você uma
ameaça. Eu não tenho um pingo de medo.

Mauro: Qual é seu nome?

Fatinha: Não interessa.

Mauro: (puxa o cabelo dela) Minha paciência tem limite! Responde! Qual é o seu nome!

Fatinha: Ai! Me solta!!!! Socorro!!! Socorrro!!

(solta a jovem)

Mauro: Fatinha. Seu nome é Fatinha.

Fatinha: Bruto! Se sabia, por que perguntou?

Mauro: Ela também se chama Fatinha. E a que morreu também se chamava Fatinha…
Deveria ser proibido, ouviu? Deveriam proibir mulheres como vocês usarem o mesmo nome que o dela. Ela não merecia ter o nome maculado de maneira tão ordinária!

Fatinha: Ela era a pior de todas!

Mauro: Cala a boca!

Fatinha: (numa gargalhada satânica) A pior! Não valia nada! Esgoto, estrume,
estrupício de marca maior!

Mauro: Eu não permito!

Fatinha: Ah, você não permite! Não permite o que? O que você não permite? Vai lá!
Fala! Agora eu quero saber! Não permite o que?

Mauro: (infantil, agarrado na lembrança vã) Fatinha…

Fatinha: Fatinha pintava os canecos!

Mauro: Não a que morreu!

Fatinha: A que morreu sim!

Mauro: Você está confusa. Está falando da sua amiga ordinária…

Fatinha: (deprimida, chorosa ) Sim. A minha amiga ordinária… Ela não vai voltar
Mauro.

Mauro: Você não pode ter certeza…

Fatinha: Ela deixou esse bilhete pra você…

Mauro: (toma o bilhete e lê rapidamente) Quando foi isso?

Fatinha: Ontem. De tarde. Quando cheguei já não havia mais nada além do bilhete.

Mauro: Cadela! Cadela!!!!!!!!!!!!!! Como ela foi fazer isso comigo?

Fatinha: A que morreu te amava, Mauro, assim como eu. Mas a que foi embora só queria o seu dinheiro! Será que você não consegue perceber? Seu estúpido! Fatinha é uma rameira gananciosa, seu coração apodreceu dentro do peito.

Mauro: (desnorteado) Mentira! Isso é mais um golpe de vocês duas!!! Eu vou esperar
aqui! Ela vai chegar!

Fatinha: Aceita a verdade, Mauro!

Mauro: Não…

Fatinha: Aceita!

Mauro: Não!!!

Fatinha: Então vai embora e me deixa em paz!

Mauro: A sua amiga não presta. Você não presta.

Fatinha: E você presta, Mauro? (possessa, com lágrimas, firme!) Você presta? Me diz! Quem aqui presta? Ninguém, entendeu? Ninguém aqui presta! Estamos com a lama até o pescoço e isso nos basta!

Mauro: (chora) Um bilhete escrito a batom… Foi tudo o que ela me deixou: um
bilhete escrito a batom…

Fatinha: Eu escrevi o bilhete.

Mauro: O que?

Fatinha: Ela foi embora, fiquei com pena de você e escrevi o bilhete.

Mauro: Mentira!

Fatinha: Verdade! Cheira a minha boca. Cheira! É o mesmo cheiro desse batom. Está
vendo. Ela foi embora sem te dar satisfação. Ela se lixou pra você e você fica aí, que nem um babaca chorando, com arma na mão. Ela não merece uma bala, Mauro! Uma bala!

Mauro: Por que você fez isso?

Fatinha: Pena! Eu tenho pena de você. Eu vi toda a cena. Você chegando aqui, armado,
procurando por Fatinha… A que foi embora. Ela saiu daqui gargalhando, fazendo a sua caveira. Fiquei com dó de você. Achei que poderia aplacar a sua dor com um bilhete supostamente escrito por ela. Um bilhete de amor. Escrito a batom.

Mauro: Mas isso não é um bilhete de amor! Ela diz aqui que me odeia!

Fatinha: (muito digna) Na metade do caminho fiquei com raiva e acabei colocando
algumas verdades.

Mauro: Eu odeio você, Fatinha! Você não vê a minha cara nunca mais!

Fatinha: (se agarra aos pés dele) Não! Mauro! Não! Foi tudo da boca pra fora!

Mauro: Não se brinca com os sentimentos dos outros, Fatinha! Você nos usou como
marionetes em suas mãos! E nós dançamos a sua música! Mas agora: acabou!

Fatinha: (agarrada nele) Mauro! Não! Não vá embora! Por favor!

Mauro: Me solta!

Fatinha: Eu não quero ficar aqui sozinha!!! Não me deixa!

Mauro: Pois é assim que você vai ficar a partir de agora: sozinha! Largada!
Desistida! Recusada!

Fatinha: Não me deixa, Mauro! Pelo amor de Deus! Não me deixa!

Mauro: (cruel) Tá com medo agora?

Fatinha: Estou.

Mauro: Com medo de que?

Fatinha: Dela.

Mauro: (interessado) Fatinha?

Fatinha: (num pavor cego) Fatinha…

Mauro: Ela volta aqui?

Fatinha: Volta… Sempre depois da meia noite…

Mauro: Ela vem hoje?

Fatinha: Seguramente.

Mauro: Ela não fugiu com o meu dinheiro! Foi tudo uma invenção sua, não é? (animado,
animalesco)Diz, vagabunda! Você me atraiu até aqui com seu orgulho de mulher rejeitada e quis envenenar o meu amor! Não é isso? Diz! Fatinha me ama! Isso você nunca poderá mudar! Você é um monstro, uma fossa entupida de rancor!

Fatinha: Estúpido! (transportada, vidrada) A que morreu… Estou falando da que morreu… Ela volta aqui… Se sente culpada… Quer o meu perdão…

Mauro: Perdoa…

Fatinha: Não. O que ela me fez não merece perdão.

Mauro: Então fica aqui com seus fantasmas!

Fatinha: Eu quero um tiro! Eu mereço um tiro!

Mauro: Não. Aqui só tem duas balas. E essa bala já tem dona. Eu vou até o fim do
mundo, se for preciso, para entregar pessoalmente.

Fatinha: E a outra? A outra bala!

Mauro: A outra é minha. Vai ficar aqui, bem aqui. (em sua fronte)

Fatinha: Mauro! Eu quero um tiro! Me dá um tiro! Prefiro um tiro a ter que ficar
aqui com ela!! Eu não quero ficar aqui com ela!!

Mauro: Um cemitério de Fatinhas… Isso… Um cemitério com todas elas…
(entrada lenta, espectral de todas as Fatinhas, mortas. Rostos cobertos por véu.)

Mauro: Um cemitério de Fatinhas e você será o coveiro!

Fatinha: Não! Isso nunca!

Mauro: Você fica viva pra contar a história! Enterrada viva! No meio das mortas!

Fatinha: (desesperada) Não! Me dá um tiro! Eu te imploro! Eu mereço! Eu mereço esse
tiro!

Mauro: (saindo gargalhando) Um cemitério de Fatinhas e você de coveiro!!!

( Mauro sai)

Fatinha: Não!!!! Não!!!! Isso nunca! Nunca!!! (tomada por cólera, para as mortas) Vai embora! Vai embora!!!! Eu nunca vou perdoar você! Nunca! Nunca!!!!!!!!!!!!!!!!! Vai embora!!! Vai embora!!!

(luz caindo em resistência)

(escuridão)

Thriller

AUTORA e ESPOSA DA AUTORA no apartamento DELAS. A AUTORA é negra. (Se possível, negra de cabelos brancos, tal qual a Tempestade dos X-MEN.)

A- Fudeu! Não consigo! Não sai nem uma frase!

E- Já não era pra você ter entregue o tal do texto?

A- Óbvio! Faz duas semanas que estou com a maldita cena na cabeça.

E- E por que não escreveu essa bosta ainda?

A- (DESESPERADA) Eu não sei como começar! É o Michael! A culpa é dele! Ele provoca algo em mim, amor! Bloqueei!

E- Bota o Elvis junto. Pronto.

A- Eu era fã, entende! Dancei “Thriller”milhões de vezes. Fiz um montão de coreôs.

E- Bota assim, olha. Bota o Elvis e o Michael escondidos numa praia deserta. O Elvis olha pro Michael e pergunta assim, presta atenção…

A- Não dá pra botar o Elvis sem botar a filha dele junto.

E- Ele pergunta: “Michael, você, por aqui?”

A- A gorda da Lisa Marie.

E- E aí o Michael responde.

A- (IRRITADA) Amooor!!! Elvis já foi tema! E eu nem escrevi porra nenhuma na caceta da semana dele!

E- Então! Melhor ainda! Aproveita! E aí o Michael responde: Pois é. Tive de me isolar. Neverland estava uma África!

TOCA O TELEFONE, É CRIS FAGUNDES (se possível, interpretada por ela mesma) do outro lado da linha. ELA aparece do outro lado do palco ou na platéia de celular em riste.

C- Não recebi seu e-mail ainda, querida.

A- Ai, Cris! Desculpa! É que não consegui terminar.

C- Camila, meu anjo. O sorteio é hoje. Amanhã os atores começam a ensaiar.

A- Desculpa mesmo, Cris. Eu bloqueei. O Michael mexe muito comigo. A Pina morreu também. Sei lá. Estou confusa.

C- São 17 horas e 22 minutos do sábado. A apresentação, como você está bastante a par, é as nove da noite. Você tem por volta de três horas e pouco pra se inspirar, benzinho. Boa sorte. Até breve.

CRIS desliga o telefone e sai de cena.

A- (DRAMÁTICA) Não fala assim comigo! (P) Alô? (P) Cris? (P) Cris, responde! Brincadeira sem graça! Cristina! (P) Desligou…

E- Eu vou apertar um baseado.

A- (FAZ BIRRA) Não amor! Não vai! Não me deixa aqui sozinhaaaaa!!!

ESPOSA sai de cena (a mesma atriz pode fazer PINA, que entrará em seguida.)

A- Concentração. Vamos lá.

AUTORA se senta na frente do computador (pode ser só o teclado no colo) Ela digita enquanto fala.

A- Anos oitenta. Num lado do palco, Estados Unidos, no outro lado do palco, Alemanha. Michael está nos Estados Unidos dançando faceiro em uma boate. Ele ainda é negro.

MICHAEL entra em cena dançando animado. É o Michael dos anos 70, cabelo black power, calça boca de sino, negro.

A- Na Alemanha, Pina Bausch dança Café Muller.

PINA entra por outro lado do palco, dançando como em café Muller. AUTORA continua a escrever.

A- Então ouvimos a voz de Deus que fala tanto com Pina quanto com Michael. Deus diz: “Olá.”

MICHAEL e PINA escutam a AUTORA como se ela fizesse as vezes de Deus. AUTORA sempre escrevendo enquanto fala.

M- Quem disse isso?

A- Deus.

P- Deus?

A- Sim… Deus… Sou eu…. Eu sou Deus… Deus sou eu…

M- O que você quer, Deus?

A- Vocês revolucionaram a dança contemporânea, cada um a sua maneira. Por isso resolvi conceder um desejo a cada um de vocês.

M- Desejo! Oba!

P- Como assim, desejo?

A- Pode pedir o que quiser, Pina. O que você deseja, assim, de estalo.

P- Ah… eu gostaria de fazer um espetáculo de dança onde tivesse… sei lá… uma pedra! Uma pedrona no meio do palco! Uma pedrona e água caindo! Uma pequena lagoinha! (MUDA DE IDÉIA, ANIMADA COMO UMA CRIANÇA) Não, não! O palco cheinho de flores! O chão todo! Como se fosse o meio de um belíssimo campo de cravos, ali, na frente de todo mundo!

MICHAEL cai na gargalhada.

A- O que foi, Michael?

M- Ridículo!

A- O quê?!

M- Isso é coisa que se peça a Deus?

P- (FECHA O TEMPO) Qual o problema?

M- Tão bobo.

P- Você vai pedir o quê, por acaso?

M- Não te interessa. (PARA DEUS) Posso pedir?

A- Vai firme.

M- Eu quero ser branco, Deus.

(PAUSA)

A- Perdão?

M- Eu quero ser branco!

A- Branco?

M- Sim! E se não for pedir demais, queria uma covinha no queixo, um nariz bem fininho, olhos amendoados, cabelos lisos como a crina de uma égua.

P- Nazista!!! Nazista!!!

A- Calma, Pina! Você tem vergonha de ser negro?

M- Não é vergonha! Eu só não quero, poxa! (SONHADOR) Queria mesmo era ser uma menininha de oito anos de idade! Bem branquinha! Como a neve… e aí eu ia namorar o Macauley Culkin. Nós seriamos tão felizes. Íamos brincar de tantas coisas, contaríamos segredos um para o outro… dividiríamos a vida juntos. E nossos filhos seriam todos bem branquinhos e de olho claro também.

A- Por que isso, Michael?

M- Por que eu quero!

P- Aprende a se aceitar, Michael!

A- Você é lindo do jeito que você é!

M- Não me contento com pouco. Eu sou um astro! O homem mais famoso do planeta! Mais famoso do que Jesus Cristo! E ele também embranqueceu!

A- Não vai por aí, Michael! (DOÍDA) Essas cirurgias vão te ferir demais. O nariz, que hoje tem utilidade, não servirá pra mais nada. Perdendo o nariz, vai perder também o gosto das coisas, como se estivesse gripado pra sempre. Sua pele irá se consumir no vitiligo. O rosto não será mais teu, mas somente uma máscara de dor.

M- (DÁ DE OMBROS) Nem te ligo…

A- E tanta dor, vão acabar te metendo morfina. E aí já era.

M- (HERÓICO) Pelo menos serei livre. Livre pra fazer no meu corpo o que eu bem entender! (LENTO, SOFRIDO) Pra ser a criança que eu nunca fui. E ninguém poderá me impedir. Ninguém.

MICHAEL sai correndo para fora de cena. ESPOSA DA AUTORA volta. (se estiver de PINA, ela apenas muda de roupa na frente da platéia.)

E- E aí, meu anjo. Aca
bou?

A- Acho que sim… Sei lá… Está ruim pra cacete a cena, meio caga-regra.

E- (SEDUTORA) Esquece essa cena. Vem pra cá.

A- Amorzinho. Tenho que terminar. Os atores precisam ensaiar.

E- Escreve aí, os atores dançam Thriller… e pronto.

A- (REPROVA) Anjinho…

E- É sério! Michael não deixa de ser um artista sem igual só porque não nasceu no corpo que queria! Você está sendo dura demais com ele.

A- (HISTÉRICA) Não sei o que fazer!!! Droga!!! Vou jogar essa cena no lixo!!!

E- Escreve pra dançarem o thriller! Pode não ser uma boa cena, mas vai ser bonitinho!

A- Ai meu Deus… (TECLA) “ Ouve-se Thriller ao fundo. Os atores dançam Thriller”. Pronto.

ESPOSA vai puxando AUTORA, sedutora.

E- Vem pra cama, vem.

A- Acho que era melhor botar o Elvis…

E- Vem.

ELAS namoram um pouquinho, dão uma bitoquinha. ESPOSA abraça AUTORA, que se vira para a platéia e sorri, revelando dentes de vampiro. Ouve-se a gargalhada final de Thriller.

FIM.

Neverland 24 horas

Sala de um apartamento. Um homem está sentado no sofá, vestido toscamente como o Michael Jackson. Ele está vendo um clipe do Michael na TV. Está totalmente apático. Em volta um monte de acessórios, artigos, CDs sobre o Michael.
Sua mulher fala do lado de fora.

Mulher de fora: Michel! Michel abre essa porta.

(ele não atende, continua foco na televisão.)

Mulher: Michel abre. Michel abre.

(ele não se mexe, continua na televisão. Finalmente a mulher consegue entrar)

Mulher: Michel? Meu amor, já faz 24 dias que ele morreu, meu amor. Já tá mais que na hora de dar a volta por cima. Aposto que nem os filhos deles ficaram assim desse jeito.

(ele não fala nada. Ela começa catar as coisas no chão)

Mulher: Meu amor, eu não vou permitir que você continue desse jeito, tá entendendo? Eu sei que você ficou muito triste. Mas tudo tem um limite. A vida continua. Eu sou sua mulher. Você não olha mais pra mim, eu na aguento mais. Sue chefe te liga todo dia, e eu já não sei mais que desculpa inventar. O pior é que ele ligou os fatos. Você começou a faltar desde o dia da morte dele, ele tá achando que é por isso, tá até te chamando de marica e quem tem que escutar sou eu! Michel, você tá ouvindo o que eu to falando?

(ele não fala nada)

Mulher: Olha só o que eu tô vestindo, hein? Aquela camisolinha sexy que você mais adora. (ela rebola) Olha que gostosinho, olha. Eu tomei um bainho, tô cheirosinha, olha pra mim, olha, meu gostosinho.

(ele não reage)

Mulher: Michel, assim não dá. Eu vou acabar indo embora, sumindo da tua vida. Não tem mulher que agüente um negócio desses. Você tá me ouvindo?
(silencio) Pelo o amor de Deus, fala alguma cosia. Eu sei que é duro, que é difícil, mas você não pode continuar assim. Nem com a sua mãe você ficou desse jeito. Nem um terço de como você está. (silêncio) E se fosse eu? Hein? Se fosse eu? Você ficaria assim também? Hein? Ficaria? Eu espero que sim, porque eu não tô entendendo. O homem tava lá. Distante. Eu também gostava dele, fiquei mal pra caramba, mas isso o que você tá fazendo vai além da compreensão humana. (silêncio) Michel, pára de olhar essa televisão e olha para mim! Chega! Não aguento mais! Chega, minha paciência acabou.

(ele continua olhando fixamente para a televisão)

Mulher: Michel, desliga essa televisão, faz alguma coisa. Olha pra você. Você tá ridículo. Fala comigo, por favor, olha pra mim. Maldita TV. (tenta desligar a TV mas não consegue) Essa TV… Tá travada. Porque será que eu não consigo desligar essa TV? Michel, não vai me dizer que você bloqueou os botões? Meu amor, você já viu esse DVD mais de 1856 vezes. Não sei como esse negócio ainda não explodiu. Alô! Tem alguém aí? (vai ficando muito desesperada) Meu amor, eu faço de tudo. O que você quiser. Olha, eu até danço o moonwalk pra você. (ela tenta fazer o passo). Tá vendo? Você tá vendo ao que eu me submeto? Michel, sai dessa, por favor.

(ele não responde)

M: Já sei o que você quer. Eu vou chamar a equipe do Fantástico aqui. A equipe do Wagner Montes. É isso o que você tá querendo. Né? Ta querendo disputar qual fã ficou pior. É isso. Confessa. Mas eu não vou fazer isso. Eu não vou te dar o gostinho de morrer de alma e ainda ganhar a fama. (ele não responde) Caramba! Você tá me fazendo odiar esse homem. Eu não consigo nem mais falar o nome dele. Você tá me fazendo destruir toda a minha admiração e ter desejado que ele não existisse. Será que ele sabe o desastre que ele tá cometendo? Não é possível. Que poder é esse, meu Deus?! Que poder é esse?

(ela sai de cena. Ele continua olhando fixamente para a TV. Ela volta com um prato de comida na mão)

Mulher: Olha o que eu fiz para você. O prato que você mais gosta. Sente o cheiro, ó. (ele não responde) Chega! Chega! Chega! Eu tô cansada, esgotada, acabada! Chega!!! Eu não suporto mais isso, eu não suporto mais isso.

(ela vai entrando num transe louco e acaba fazendo gestos e gemidos do Michael Jackson. Aos poucos vai conseguindo chamar a atenção dele)

Mulher: Au! Uuu! Ihi!!!OOOh!!!

(como se tivesse possuída pelo Michael, fala como ele)

Mulher: Michel!! Michel!!! Michel!! Me encontre em Neverland dentro de 24 horas. Neverland. 24 horas!!

(ela volta a urrar como o Michael até voltar ao normal)

Mulher: Chega, eu vou, Michel. Você passou de todos os limites…

(pela primeira vez ele fala com dificuldade)

Michel: Neverland.

Mulher: Oi?

Michel: Neverland. 24 horas.

Mulher: O que você tá falando, homem?

Michel: Você disse Neverland. 24 horas.

Mulher: Eu disse? Tá maluco, pirou de vez, tomou manga com leite?

(ele vai levantando com a dificuldade de quem levanta pela primeira vez em 24 dias. Olha fixamente na mulher e vai em direção a ela)

Michel: Neverland, 24 horas, Neverland, 24 horas…

Mulher: Pára com isso, você tá me assustando.

(ele parece que vai abraçá-la, ela tem segundo de felicidade, mas ele devia)

Michel (numa imensa alegria) : Neverland! Neverland! Neverland!!!(para ela) Obrigado Michael, obrigado Michale! Você veio! Você veio!!!. Ooooohh!!!!!! (sai correndo)

Mulher: Michel, o que é isso? Michel. Michel, pelo o amor de Deus! Volta aqui, homem! Michel, o que é isso? Michel!!!!!

(ela percebe que ele foi)

Mulher: “Neverland, 24 horas. Você veio?”

(sil^necio. deixa escapar um gesto do Michael e se assusta)

Mulher: Michael? Michael, é você? Você tá…

(Início da risada macabra do clipe Triller. )

Mulher: Não! Não! Não! Não ! Nâo!!!!

(volta o marido, vestido normalmente)

Michel: Janete!! Janete!!! Acorda, meu bem. Acorda!

Janete: Michael! Michael!

Michel: Sou eu, meu amor. Calma.

Janete: Michael! Michael!! Michael!!!

Michel: Janete, calma. Sou eu, Seu marido, Michel. Calma. (ele a abraça) Vai passar, meu amor, vai passar. Fica calma.

Janete: Michel? Ué? Você… Michel?

Michel: Calma, meu amor. Calma. Você dormiu, foi isso. Deve ter sonhado. É normal nas suas condições. Desliga essa TV. Se não daqui a pouco ela vai explodir.

(ele desliga a TV normalmente. Ela estranha)

Janete: Mas… você…

Michel: Calma, meu amor. O médico disse que é normal esse comportamento. Vai passar.

Janete: Médico? Do que você tá falando?

Michel: Da sua síndrome, meu amor.

Janete: Síndrome?

Michel: Uma nova síndrome chamada: Trauma de fã dos Michael Jackson. É uma nova doença psicológica que está assolando os milhares de fãs espalhados pelo mundo. Mas eu tô aqui com você e nada vai te acontecer.

Janete: Síndrome? Então eu… Mas você…

Michel: Olha. Eu preparei a comida que você mais gosta e você não comeu nada? Meu amor, vai passar. É uma fase, mas você precisa se alimentar.

Janete: Neverland, 24 horas

Michel: Oi?

Janete: Neverland, 24 horas

Michel: Ih. Tá pior que eu imaginava.

Janete: Michael?

Michel: Michel.

Janete: Michel, há quanto tempo eu tô aqui?

Michel: Há exatamente 24 horas, meu amor.

Janete: 24 horas?

Michel: Agora chega, né? Tudo tem um limite. Você tem que voltar a trabalhar, a curtir o maridinho…

Janete: Michael.

Miche: Michel! Eu me chamo Michel!

Janete: Michel, há quanto tempo? Há quanto tempo ele morreu?

Michel: Há exatamente o tempo que você ficou assim. 24 horas.

Janete: Michael, Michel, meu amor. Me leva pra Neverland, por favor, Neverland. Ele e
stá me esperando lá. Eu sei.

Michel: Neverland? Tá doida? Fica no outro país. Não tô gostando.

Janete: Neverland, por favor, eu preciso ir à Neverland. Em 24 horas.

Michel: Janete. Chega. Assim você não coopera. Eu sei que você é fã, que o amava acima do bem e do mal, mas tudo tem um limite. Vamos parar com essa história. Morreu. Acabou. Foi-se.Vê se arruma essa bagunça. Eu vou ligar para seu analista e marcar hora. Quando eu voltar quero te ver ótima. Tá bom?

(Silêncio)

Michel: Eu disse: Tá bom?

Janete (como que saindo de um transe): Tá. Tá.

(Ele sai. Ela tenta se recuperar, respira fundo, levanta e se ajeita. Confere o ambiente para ver se tá tudo bem)

Janete: Tá bom. Tá bom. Morreu. Acabou. Foi-se. Tá bom.

(Volta o final da risada macabra de Triller. Ela desmaia)

FIM

Blood on the dance floor

Tema: Michael Jackson

Personagens:
Susie – Cabeleireira leviana, um figurino extravagante cravejado de brilhantes
John – Um homem velho, um rosto coberto por um chapéu.
Júnior – O filho do John.

(Luzes piscam dentro de uma boate. Todos dançando loucamente ao som da música “blood on the dance floor” de Michael Jackson. Susie pára de dançar deita e dá à luz a um menino. Grito agudíssimo de Susie. Luzes se apagam. Luzes acendem anos depois. Na mesma pista de dança, um homem velho sentado numa cadeira com seu filho ao lado. Susie entrando.)

Júnior: Você deve ser…

Susie: Susie sou eu mesma.

Júnior: Obrigado… Muito obrigado por ter vindo.

Susie: Imagine querido é meu trabalho.

Júnior: Está assustada com o lugar?

Susie: De jeito nenhum. O lugar me parece familiar.

Júnior: O meu pai… Ele…

Susie: Ele é o cliente?

Júnior: Isso mesmo ele está bem ali.

(Susie olha para o homem velho e a cena congela por um tempo. A platéia deve perceber afeto no olhar de Susie)

Susie (recompondo-se): Vai ser o básico?

Júnior: Como assim?

Susie: Barba, cabelo e bigode.

Júnior: Acho que sim. Faça o que você achar melhor.

Susie: (quase rude num ataque de bicha extravagante) Olha só meu querido. Você não me chamou aqui a essa hora da madrugada para eu fazer o que quiser. Eu já fiquei quase cega de um olho por causa de um cliente que não gostou de uma costeleta. Sinceramente, é muito para a minha cabeça. (enfática) Eu não quero discutir conceito. Diga que você quer?

Júnior: (pequena pausa começa a chorar) Eu… é… (chora escondendo o rosto entre as mãos)

Susie: Ai, eu e minha boca grande! Desculpe. Eu sempre acordo de mau humor. Desculpe, menino.

Júnior: Júnior, meu nome é Júnior.

Susie: Eu sei, eu lembro. Você ligou para mim.

Júnior: Com licença. Eu preciso me recompor já volto (vai sair e volta rapidamente) Barba, cabelo e bigode.

Susie: Pode deixar vai ser no capricho!

(Júnior sai)

Susie: (resmungando) Todo Júnior é chorão. Credo! Só fiz uma pergunta. Perguntar não ofende. (vai até a cadeira onde John está sentado. Retira o chapéu que cobria o rosto dele. Aperta as mãos diante da boca em estado de choque) John! (pausa. simpática) Nossa John, você não mudou nada. (saliente) Está feliz em me ver?! Ainda bem que eu sei de cor o seu corte de cabelo favorito. Porque o seu filho não sabe explicar nada… Falei para você… não coloca o nome de Júnior. Eu avisei. (numa imitação boba) Juninho,vem cá Juninho. O moleque vai crescendo no diminutivo e vira um homem de merda. (tapa a boca com uma das mãos) Você não perde essa mania! Adora me deixar falando sozinha. Conversa não é monólogo. Eu já expliquei isso para você. Mas, tudo o que eu digo não vale nada! Nada! Você tem que estar no topo sempre. Eu me sinto uma merda do seu lado. Você me trata como nada e isso eu não mereço. Eu te pergunto: eu mereço, John? E eu respondo não. Não mereço. (Fica alterada quase chora) Desculpe, falei bobagem. (com o rosto entre as mãos, quase ingênua) Ah, que bobagem! Eu estou muito nervosa. Você não sabe pelo que eu estou passando, John. (numa trajetória que levará ao choro) Estou à flor da pele. Meus nervos estão em frangalhos. Nosso filho, John. O nosso rebento que nasceu aqui… nessa pista de dança… Ele… Ele… ( olha para os lados e abraça o rosto de John) Você está tão frio comigo! Ai, credo! John, nosso filho… ele…

(Júnior entra e os dois falam ao mesmo tempo)

Susie e Júnior: Ele está morto!

Susie (assustada) Como é que você sabe?

Júnior: Sei o quê? Que meu pai está morto? (pausa) No leito de morte ele entregou um cartão com seu nome e telefone e disse: ligue para ela se quiser saber a verdade sobre a morte da sua mãe.

Susie: Eu não sei do que você está falando.

Júnior: Mas, eu sei tudo sobre você. Sua cabeleireira golpista. Você arrancou tudo do meu pai. Está feliz agora?

Susie: Não. Estou bem triste. Perdi dois amores na mesma noite. John e o meu filho Michael.

Júnior: Eu não tenho pena de você. Eu quero saber a verdade.

Susie: A verdade é que você deve me agradecer. Eu paguei sua educação porque investi dinheiro no exterior. Eu ajudei seu pai quando o império dele veio abaixo. Seu castelo era de areia, meu querido.

Júnior: Eu não sou seu querido.

Susie: Nem poderia. Eu detesto o seu nome. Mas, se você se comportar eu poderei ajudar.

Júnior: Você matou a minha mãe.

Susie: Ninguém pode provar nada.

Júnior: Meu pai jurou que foi você.

Susie: Ai, John a culpa de tudo é sempre minha. Escute bem garoto. Eu sou rica. Sou a principal acionista de um banco internacional ultra-secreto: o banco Morgan Freeman.

Júnior: Nunca ouvi falar nesse banco.

Susie: Como eu disse é ultra-secreto. Eu sei de coisas que ninguém sabe. Eu sei que seu irmão não morreu.

Júnior: Eu sou filho único.

Susie: Bobinho. John é pai do meu filho Michael Jackson.

Júnior: Eu sou irmão do Michael Jackson?

Susie: Pois é. Viu só, quando Deus fecha uma porta abre um basculante. Você perdeu o pai, mas poderá ganhar uma fortuna.

Júnior: E a minha mãe?

Susie: Sua mãe está morta e enterrada. Agora preste atenção. Nós tempos pouco tempo e quando eu falo, eu não gosto de repetir. Eles estão atrás de mim…

Júnior: Eles quem?

Susie: Eles! Eles sabem que eu sei toda a verdade. (pausa) Michael está vivo. Eu descobri o esquema todo. Michael está vivo. Ele recebeu todas as dicas do esquema através de Elvis Presley, John Lenon e do primeiro Paul Mccartney.

Júnior: O Paul Mccartney está vivo.

Susie: Tolinho. Preciso de um helicóptero aqui agora.

Júnior: Pra quê?

Susie: Eles estão atrás de mim e esse lugar irá se auto destruir em breve. Precisamos chegar rapidamente num cassino em Las Vegas, apostar no preto 17 na roleta e colocar a grana toda num cofre usando a senha Graceland.

Júnior: Não comprendo. Isso é um absurdo.

(barulho ensurdecedor de helicóptero)

Susie: A vida é absurda, bebê. (para ao helicóptero) Aqui James!

(Júnior e Susie ficam próximos tentando agarrar a escada que caiu do helicóptero)

Susie: Júnior, espere! Tem algo errado com a sua costeleta. (retira a navalha do bolso e corta a jugular dele. Júnior cai sangrando)

Júnior: Assassina!

Susie: (debochada) Sangue na pista de dança! Morreu igualzinho a mamãe. (exibida) Well, it´s one for the Money two for the show! (Segura a escada subindo até o helicóptero) Adeus, John! Até Breve, Michael, meu filho. Las Vegas aí vou eu!

(Susie vai sumindo subindo a escada ao som da música blood on the dance floor.
refrão: Blood is on the dance floor
Blood is on the knife
Susie got your number
And Susie says it’s right)

Fim.

Para Natália Simonete.
Para Michal Jackson, the Greatest.

A verdadeira história de Michael Jackson

Um terreiro. Um pai de santo meio afrescalhado. Ele tenta imitar uma coreografia de Brittney Spears como se a estivesse copiando na televisão. É “Toxic”. Pela platéia, entra Michael Jackson de uma multidão. Ouvimos uns gritos “You don’t care about us”, “Care about us”. É importante usar essas frases pra fazer referência à gravação do clipe no pelourinho. O pai de santo afrescalhado se surpreende e dá de cara com Michael Jackson. Os dois ficam um bom tempo se olhando e congelados. O pai de santo afrescalhado está espantadíssimo.

Pai de santo afrescalhado: Zé pilintra?

Michael Jackson: What?

P: Seu zé?

M: What???

P: Seu zé pilintra, meu Deus. Uma visão. Uma visão do seu Zé! Minha primeira visão de babalorixá. Agora aquela vaca da menininha do Gantoá não vai mais poder me chamar de trambiqueiro! Minha primeira visão! Minha primeira visão! (quebra) Boa noite pra quem é da noite, seu exu tá na porteira, exu ê!

(pausa)

M: What???

P: Seu zé, seja bem-vindo ao meu terreiro. A banda daqui é meio fraca mas dá pro gasto. Um exu no meu terreiro! O senhor veio aqui. O senhor veio, seu Zé! O senhor veio. (quebra) Por que é que o senhor veio? Não foi por causa da galinha preta da entrega da semana passada não , né seu zé? Foi né? Eu sabia, eu sabia. Eu não ia comer, eu nunca como comida de entrega, mas a situação tava muito braba, seu Zé. Muito braba, mesmo! E eu ainda deixei a farofa de dendê e os ovo cozido enfiado no meio, mas a galinha eu não resisti. Meu buxo não via carne há sete meses, seu Zé. Era só farinha e pão, farinha e pão, farinha e pão. Ai entrou essa entrega, né, seu Zé? Aproveitei, viu? Aproveitei porque ta difícil. O negócio anda muito devagar aqui no terreiro. Ainda mais com a vaca da menininha me difamando pelos quatro canto do pelô. Ta uma desgraça, seu Zé. Mas ainda bem que o senhor veio aqui abençoar nosso terreiro. A banda é fraca mas dá pro gasto.

M: I’m sorry. I don’t understand.

P: Desculpa, seu Zé, mas eu não falo Ioruba.

M: Can I stay here for a while?

P: O senhor quer alguma coisa, seu Zé?

M: Why do you keep saying “seu Zé”

P: Seu Zé.

M: Seu Zé.

P: Seu Zé.

M: Seu Zé.

P: Seu Zé.

M: Seu Zé.

P: Seu Zé.

M: I’m Michael Jackson.

P: É o quê?

(pausa)

M: I’m Michael Jackson.

P: Amaci?

M: Michael. Michael. Mike…

P: Macumba, sim.

M: No. Michael Jackson. M J (lê-se em djei)

P: Iemanjá?

M: Singer.

P: Iansã?

M: Oh, god…

P: Ogum???

M: I need to stay here to escape the crowd.

P: Seu Zé, eu não falo Ioruba…

Michael Jackson ouve Toxic que ainda toca ao fundo.

M: Is that Brittney Spears?

P: Brittney Spears, sim!!! (pausa) O seu Zé conhece Brittney Spears?

M: So you know Brittney Spears and don’t recognize Michael Jackson?!?

P: O senhor também conhece a Brittney Spears, seu Zé?

Michael Jackson explode de raiva.

M: Stop calling me seu Zé. I’m Michael Jackson, damn it! Michael Jackson! Look!

Neste momento Michael Jackson desliga o som de Brittney Spears e começa a cantar e fazer a coreografia de Thriller. Ele fica um tempo cantando e dançando a coreografia. No meio, os passos começam a ficar meio estranhos e Michael Jackson vai recebendo um santo. Ele estribucha, se debate e começa a misturar as coisas.

Michael: Thriller night…(quebra) Êeeeeeeeeee. (quebra) And no one’s gonna save you (quebra) Okêeeeeeeeeeee (quebra) From the beast about to strike (quebra) Okêeeeee, okêeeeeeeeee.

Michael Jackson pára de estribuchar e se acalma. Ele recebeu o caboclo sete flechas. O Pai de santo afrescalhado está muito impressionado.

P: Seu Zé Pilitra, o senhor ta bem?

M (num grito): Êeeeeeeeeeeeeee. Êeeeeeeeeeeeeeee. Fio num pode. Num pode chamá cabocro di esse. Nome feio. Da rua. Êeeeeeeeeee, êeeeeeeeeeeee. Cabocro sete frecha é das mata. Das mata!

P: Seu sete flecha?????

M: Esse… Esse…

P: O senhor é o seu sete flecha?

M: Esse…

P: Mas não era o seu Zé?

M (num grio maio ainda): Êeeeeeeeeeeeeee. Êeeeeeeeeeeeeeee. Fio num pode! Num pode! Nome feio. Da rua. Cabocro é das mata. Das mata!

P: Tudo, bem seu sete flecha. É que eu fiquei meio confuso. Eu achei que…

M: Fio achou que o cavaio di esse era o moço da rua. Mas era só o cavaio.

P: Então quem entrou aqui foi uma pessoa normal.

M: Esse.

P: Mas quem se veste desse jeito, meu Deus? Achei que fosse uma visão de entidade.

M: Entidade aqui só cabocro. Fio viu foi cavaio. E cavaio é forte. Cavaio é bom. É que cavaio nunca pisou numa banda. Mas cavaio é médio. Cavaio é médio dos bom.

P: E eu achando que a banda daqui era fraca…

M A banda é forte. Os cavaio que trabaia aqui é que é fraco.

P: O senhor está insinuando que eu não sou médium? Já não me basta a vaca do gantoá?

M: Sirênço. Sete frecha tem que subi logo porque cavaio tem que ir. E o fio tem eu dá recado pra cavaio.

P: Recado. Eu seu sou lá de ficar passando recado.

M (grito): Êeeeeeeeeeeeeeeeeeee. Êeeeeeeeeeeeeeee. Fio tem que passá recado sim. Cavaio é forte. Cavaio tem obrigação. Cavaio tem que fazer obrigação das braba. E o fio é que vai fala pá cavaio das obrigação

P: Tudo bem, seu sete flecha, desculpe, pode falar.

M: Cavaio tem que assumir a banda. Cavaio é médio forte. Tem que cumpri as obrigação e virar dono da banda.

P: Babalorixá?

M: Esse.

P: Desse terreiro?

M: Esse.

P: O seu cavalo vai virar o pai de santo desse terreiro?

M: Esse.

P: Mas eu sou o babalorixá desse terreiro! Era do meu avô!

M: Fio é trambiqueiro. Num adianta menti pra cabocro porque cabocro vê tudo.

P: Sim senhor.

M: Cavaio Maico Jácsu tem que assumir a banda. É a vontade do conseio.

P: Que conselho?

M: Dos sábio.

P: Que sábios?

M: Da banda!

P: Gente eu nem sabia que a banda tinha conselho.

M: É que fio é trambiqueiro.

P: Ta bom, ta bom, já entendi a idéia.

M: Agora fio tem que ouvir com cuidado. Cavaio vai assumir a banda, mas num pode ser agora.

P: Não, quanto tempo então?

M: Tem que isperá treze anado.

P: Treze anos?

M: Esse.

P: E o que é que ele vai fazer durante esses treze anos?

M: Cavaio vai saber o que fazer. Mas daqui a treze anado cavaio tem que vorta pá Bahia e assumir o lugar de pai maior na banda.

P: Mas como é que eu vou convencer ele a fazer isso? Eu nem conheço esse sujeito?

M: Eu vai contá pro fio uma história que só cavaio sabe. Cavaio virado de sete frecha , sete frecha sabe tudo de cavaio. Fio conta pra cavaio depois que sete frecha subir. Cavaio vai acredita em fio.

P: E qual a história?

Michael Jackson coxixa durante um tempo no ouvido do pai de santo afrescalhado durante um longo tempo.

P (chocado): Então essa é a verdadeira história desse tal Michael Jackson?

M: Esse. Agora cavaio vai subi. Num isqueci. Treze anado. Doisi mil e nove, cavaio Maico Jácsu tem que largar tudo e vir pra Bahia pra se pai maior.

P: Mas se ele é isso tudo o que o senhor diz, o senhor não acha que o mundo vai estranhar o sumiço dele de uma hora pra outra?

M: Cavaio é interigente. Vai saber o que fazer.

P: Se o senhor está dizendo…

M:
Agora sete frecha tem que subi. Salve.

P: Salve seu sete flecha.

M: Okêeeeeeeeeee, okêeeeeeeeeeeeeee. Êeeeeeeeeee, êeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

O sete flecha jovem. Michael Jackson volta e atônito olha para o pai de santo afrescalhado. O pai de santo afrescalhado lança um olhar para Michael.

P: Nega, te prepara que o babado é forte.

M: Babado? What’s babado?

Entra thriller, Black out. Fim.

Não brinque com coisa séria

Michella está fazendo comida e cantarola Triller. A sua irmã chega em casa com cara de enterro.

Michella – Já almoçou?

Irmã – Estou sem fome.

Michella – (CANTAROLA) Agora você inventou essa moda de não comer. Depois morre, eu quero ver. Está parecendo um carpaccio de tão magra.

Irmã – Mi, eu tenho uma notícia muito triste pra te dar.

Michella – Pode falar…

Irmã – É muito triste mesmo.

Michella – Pode falar, ué.

Irmã – Eu voltei lá do hospital e…

Michella – A mamãe?

Irmã – A mamãe não resistiu. (CHORA)

Michella – Meu amor, acho que eu já estava me preparando… (ABRAÇA A IRMÃ) Temos que ser fortes. Você pode contar comigo.

Irmã – Como é que vai ser a nossa vida sem ela agora?

Michella – Foi melhor assim. Ela estava sofrendo muito naquela cama de hospital. Ela estará olhando por nós.

Irmã – Eu achava que ela era imortal. Preferia mil vezes ter morrido antes dela pra não passar por uma coisa dessas. Prefiro a morte!

Michella – Também não exagera, vai.

Irmã – A dor é para os que ficam.

Entra uma amiga.

Amiga – Acabei de saber…. (ABRAÇA AS DUAS)

A irmã chora durante toda a cena.

Michella – Obrigado, viu.

Amiga – Todo o noticiário comentando…

Michella – É mesmo?

Amiga – Uma amiga ligou, disse que soube no Plantão da Globo…

Michella – Sério? Mas eu não sabia que…

Amiga – Cara, é um ícone! Uma estrela! Um mito!

Michella – Eu sei, mas passar na Globo eu não esperava…

Amiga – Tá em tudo quanto é site…

Michella – Eu nunca desconfiei que a mamãe tinha essa importância toda. Quer dizer, Deus me perdoe, que pra mim era a pessoa mais importante do mundo.

Amiga – Ah, desculpa… eu preocupada com ele, nem perguntei. Sua mãe como está?

Michella – Tá na dela, né. Em paz. (PARA A IRMÃ) Acalme-se, vai. Quer um copo d´água?

Amiga – Ela teve alta?

Michella – Não, maluca.

Amiga – Mas você acabou de dizer que ela está em paz.

Michella – Modo de falar.

Amiga – Ela piorou então?

Michella – Não, ela está morta!

Amiga – (CHOCADA) Ela também?

Michella – “Também”?

Amiga – É! (ENVERGONHADA) Que cabeça a minha… eu tava falando do Michael. Perdão.

Michella – Que Michael?

Amiga – O Michael Jackson.

Michella – O que é que tem ele?

Amiga – Ele também morreu.

Michella – Que morreu!

Amiga – Morreu, sim!

Michella – Para de palhaçada, garota. Não brinca com coisa séria!

Amiga – Morreu mesmo. Liga a televisão pra você ver. O Michael Jackson morreu.

Michella – (APAVORADA) Meu Deus do céu! Minha nossa senhora! E agora?

Amiga – Mas me fala da sua mãe…

Michella – Foda-se a minha mãe, cara! O Michael Jackson… tá entendendo? O Michael Jackson morreu! Um ícone! Uma estrela! Como é que vai ser nossa vida agora? Ele morreu como? Não, o Michael, não! Eu sou fã dele desde pequena… era quase da família. (DESESPERANDO-SE NUM CRESCENTE) Eu achava que ele era imortal. Preferia mil vezes ter morrido antes dele pra não passar por uma coisa dessas. Prefiro a morte! Michael, não! Eu nunca pude falar isso diretamente pra você, mas eu te amo! Michael, volta! Volta! Como eu vou conviver com essa dor! Michael! Não, não, nãaaaaaaaaaaaao!

Amiga e irmã tentam acalmá-la sem êxito.

FIM

Papo furado (cada macaco no seu galho)

Personagens:
Kid

Tina Basset (vulgo: carinha gorda)

Defunto

(velório)

(Tina se aproxima de Kid, que fuma no cantinho do velório)

Tina: O que é que é isso?

Kid: Cigarro.

Tina: Não. Isso é uma mini cenoura.

Kid: Se sabia, por que perguntou?

Tina: Você está fumando mini cenoura?

Kid: Fala baixo, Tina. Se meu inconsciente descobre, estou ferrada!

Tina: Você está tentando enganar seu inconsciente fazendo uma mini cenoura se passar
por um cigarro?

Kid: Por aí…

Tina: Seu inconsciente é tão estúpido assim?

Kid: Não mais que você.

Tina: Você está pirando, Kid.

Kid: Estou parando de fumar, carinha gorda. Isso tem a ver com a necessidade oral
que o cigarro desperta em mim, entende?

Tina: Mas você podia fumar aquele mini cigarro de chocolate.

Kid: E virar uma mini baleia. Nada disso. Tô com a cenoura e não abro!

Tina: Quantas cenouras você já fumou?

Kid: 34.

Tina: Ai Kid… Tem que variar…

Kid: Variar?

Tina: Sim. Tem mini nabo, mini pepino, mini inhame… Vai ficar viciada em mini
cenoura… E mini cenoura você sabe, né…

Kid: (debochada) Sei o que, Tina?

Tina: Ah… Você sabe… Mini cenoura…

Kid: Não. Não sei.

Tina: Ah… Mini cenoura é fogo…

Kid: Ih, Tina… Que bobajada.

Tina: Mini cenoura atrai…

Kid: Atrai o que? Ih, ta boba. Não gosto de gente boba do meu lado!

Tina: Mini cenoura…

Kid: Deixa de ser boba, Tina! Mulher boba. (muda o tom) Agora, mudando de Walita
pra Brastemp… Tá meio caído esse velório, hein…

Tina: Tá mesmo. Tá meio vazio, né…

Kid: Isso que dá morrer no mesmo dia que Michael Jackson.

Tina: Você acha que tem a ver?

Kid: Claro. A pior coisa do mundo é morrer no mesmo dia que um ídolo pop. Ta todo
mundo em casa vendo o especial na TV.

Tina: E a gente ta perdendo…

Kid: Se eu não tivesse tão dura, eu também não estava aqui.

Tina: A gente fica por aqui só mais dez minutos e se não aparecer ninguém a gente
pica a mula.

Kid: Jamais. Um serviço é um serviço e se fomos contratadas é por que confiam no nosso potencial. Não podemos trair a confiança de quem nos contratou!

Tina: É tão humilhante pagar gente pra fazer volume em velório. Deus me livre.

Kid: Pois é, minha filha. Mas se você morrer no mesmo dia que a Madonna, não conte comigo em seu enterro.

Tina: Que horror. Você me trocaria pela Madonna?

Kid: Tina, você me trocaria pelo Elton John.

Tina: Mas eu amo o Elton John. Você não ama a Madonna.

Kid: Não é questão de amar, Tina. É a Madonna! É a morte de um mito! A queda de um semideus! O supra-sumo da fama! O buraco é muito mais em baixo.

Tina: To passada… Amiga da onça.

Kid: Amiga, Elton John é que não dá…

Tina: Ele é muito maior que a Madonna.

Kid: Ele já deve ter morrido uns três anos atrás e ninguém divulgou!

Tina: Despeito.

Kid: O lance é não morrer no mesmo dia de uma celebridade. Lembra da tia da Jane?

Tina: Jane Fedô?

Kid: Exatamente, a Jane Fedô. A tia dela teve o azar de morrer no mesmo dia do
Ayrton Senna. Fedô ficou arrasada, não se lembra disso? Ninguém compareceu no
velório.

Tina: Ah, mas Ayrton é Ayrton …

Kid: Exatamente. E quem é a tia de Jane Fedô? Nunca vi o nome dela num pacotinho de
qui suqui. Ainda inventa de morrer no mesmo dia de uma celebridade. Não dá. Tem que esperar no mínimo uns quinze dias pra morrer.

Tina: Que nem a Farrah Fawcett.

Kid: Quem?

Tina: A ex pantera.

Kid: Ah tá. Morreu no mesmo dia do Ayrton?

Tina: Não, Kid. Morreu no mesmo dia do Michael.

Kid: Ih… Nem fiquei sabendo, menina. Morreu de que?

Tina: Ih… Sabe que não lembro…

Kid: Mas famoso ou não famoso, não importa. Pra morrer basta estar vivo.

Tina: Descansou, né…

Kid: É isso aí: acabou o milho, acabou a pipoca.

Tina: O sono dos justos.

Kid: Sono nada. Está melhor que a gente e bem acordado…

Tina: No descanso eterno?

Kid: Não toupeira. Melhor que a gente literalmente. As celebridades dadas como
mortas estão agora bebendo drinque azul na beira da piscina.

Tina: Do que você está falando, criatura?

Kid: Eu tenho uma teoria…

Tina: Ih… Lá vem.

Kid: Escuta. Pra mim, tudo não passou de um golpe da mídia.

Tina: A ex pantera?

Kid: O Michael. Pra mim, veja bem, pra mim! Ele não morreu.

Tina: Tipo o Elvis.

Kid: Tipo Elvis.

Tina: A troco de que?

Kid: Ah, Tina. Jogo de publicidade. Tá tudo armado. O mercado fonográfico é uma
máfia, você sabe disso. Jogos de poder, chantagens, a papelada…

Tina: Que papelada?

Kid: A papelada toda… O governo… A NASA esconde muito coisa da gente…

Tina: A NASA? Que tem a NASA?

Kid: Acorda, carinha gorda. A lua já está loteada.

Tina: Ih, Kid… Ta fumando muita mini cenoura!

Kid: Como você é estreita de pensamento, Tina! É por isso que a Parmalat pinta e
borda com a gente.

Tina: A Parmalat ta envolvida com a morte do Michael?

Kid: Até o pescoço.

Tina: E a Rayovac?

Kid: O que tem a Rayovac?

Tina: Tá envolvida também?

Kid: Não!

Tina: Ai, que bom. Uso tanto Rayovac. Fiquei preocupada em estar compactuando.

Kid: Essas grandes empresas patrocinam a NASA. Eles compram terrenos na lua. E essas
celebridades tipo Michael, Lady Di, o próprio Elvis… Tá tudo morando por lá.

Tina: Ih, Kid, aí ta complicado… Tá duro de acreditar. Leva mal não.

Kid: É sério. Eles estão na Lua. Essas celebridades não morrem, forjam tudo e a NASA encobre.

Tina: Você quer me convencer que a ex pantera mora na lua?

Kid: Não, essa morreu mesmo. A lua é só pra super super. Tem que ter carteirinha.

Tina: Pra ser super super?

Kid: Lógico. Tá pensando que na lua é bagunça? Sem carteirinha, nem rola.

Tina: Elton John tem carteirinha?

Kid: Estamos falando de Super super, Tina.

Tina: Ué, e Elton John não é super super, Kid?

Kid: Meso. Meio barro, meio tijolo. Ele é médio super.

Tina: Médio super?

Kid: Super médio super. Não tem ninguém mais médio super que o Elton John!

Tina: Madonna.

Kid: Super super.

Tina: Brad Pitt e Angelina Jolie.

Kid: Super super.

Tina: Amy Winehouse.

Kid: Super Supérrima.

Tina: Roberto Carlos.

Kid: Ultra Super..

Tina: Roberto Carlos é ultra super e o Elton John médio super?

Kid: Tina, isso não depende de mim. Não sou que determina as coisas, assina os
papéis. O que eu posso fazer? A NASA que avalia o nível de supremacia de um indivíduo em seu meio.

Tina: Elton cantou pra rainha. Virou Sir.

Kid: A rainha no caso que é a super super da situação, etende? É muito complexo.

Tina: E eu sou o que?

Kid: Mini mini, né.

Tina: Tipo a sua cenoura?

Kid: Igualzinha.

Tina: Tipo a tia da Fedô.

Kid: Essa era super mini.

Tina: Super???!!!

Kid: Nesse caso, ser super não é bom.

Tina: Eu não quero ser mini mini.
r />Kid: Eu já te disse, isso não depende de mim… É a NASA…É a NASA!

Tina: E o que as celebridades fazem na lua?

Kid: Vivem uma vida normal. A vida que não conseguiram ter na terra… Na lua é muito mais fácil. Não tem assedio, trânsito, essas coisas…

Tina: Por isso que eu não reclamo da minha vidinha simples, Kid. A gente batalha, mas vive bem. Sem aporrinhação. Essa gente tem as coisas de mão beijada e não valoriza… No fim das contas ser mini mini é muito mais jogo.

Kid: Cabecinha colonizada terceiro mundista!

Tina: Sou feliz anônima e não faço a mínima questão de ir morar na lua.

Kid: Três grandes verdades nesse mundo, aprende: “dinheiro não traz felicidade, mas é melhor chorar na banheira bebendo champanhe do que num ônibus cheio”. “Deus ajuda quem cedo madruga, porque ele acorda depois das duas e precisa de gente tocando os negócios ” e por fim, “Fumar não emagrece, mas parar de fumar engorda.”

Tina: E o que você quer dizer com isso ?

Kid: Que o meu inconsciente super descobriu tudo e estou super doida pra fumar um super cigarro. Você me acompanha? Se a gente correr ainda pega o especial do Michael!

Tina: E o serviço?

Kid: Que serviço?

Tina: Do velório.

Kid: Que velório?

Tina: Esse velório que fomos contratadas para animar!

Kid: Quem?

Tina: Você e eu.

Kid: (saindo, cínica) Quem é você?

Tina: Como assim?

Kid: Meu inconsciente não reconhece você em meus sistemas! (saindo)

Tina: Kid! Volta aqui! Olha o golpe!

Kid: Meu inconsciente não reconhece ninguém que seja mini mini!

Tina: Kid Bauhaus! Você não vai me deixar sozinha aqui com esse pepino!

Kid: Tem mini cenoura! Todas suas! (entrega um pote cheio de cenoura para a amiga)

Tina: Kid!

Kid: Meu inconsciente pisca com alerta: nicotina! Nicotina! (saindo) Nicotina! Nicontina!

Tina: (vai atrás) Kid!!!

(super fim)

para Michael, o nosso eterno mega super.