Processo de criação

NOME – Camilo Silveira Pellegrini

IDADE – 32 anos

Que coisas considera importantes para ter criado o gosto pela escrita?

A impossibilidade de montar autores cujos direitos são muito caros. Amor pela fantasia.

Qual a sua formação? Como ela interferiu no seu trabalho como dramaturgo?

Sou formado em interpretação e direção teatral pela UnB e UniRio. Meus autores preferidos eram caros e decidi escrever as peças que fosse montar.

Fale um pouco sobre o seu processo de criação.

Preciso de personagens da vida real para me inspirarem.

Qual o maior desafio em escrever para o Drama Diário?

A rotina. O formato curto.

Você acha que existe uma carência de novos autores?

Não. Acho que existe um desafio em nos comunicarmos com e sobre nossos contemporâneos.

Quais as referências mais importantes para o seu trabalho? O que lhe inspira a escrever?

O que me faz rir me inspira. O que me dá medo também. Minhas referências são os melodramas, os besteiróis e os filmes de terror.

Tem crises de criação? Quando elas surgem, como você lida com isso?

Sim. Quando surgem vou pra praia que melhora.

O que considera de mais específico no trabalho de alguém que escreve dramaturgia?

Linguagem.

É ligado a SBAT? Por quê?

Não. Nunca me deu vontade de me afiliar.

Um dramaturgo e livro de cabeceira?

Sou fã do Lorca e do Brecht e meu atual de cabeceira é “A Grande Arte” do Rubem Fonseca.

Como é o seu trabalho com a direção/diretor de um espetáculo? Como lida com os cortes e mudanças no texto?

Prefiro sempre dirigir minhas peças.

Uma peça que gostaria de ter escrito.

“Vestido de Noiva” do Nelson Rodrigues.

Como avalia seu caminho até agora? O que acha que foi mais importante para conseguir realizar seu trabalhos e ver seus textos encenados?

Acho que estou indo ok. Sinto que me afasto do teatro. O que me possibilitou ver a maioria dos meus textos encenados foram os projetos “Nova Dramaturgia” do Roberto Alvim e o “Centro de Estudo Artístico Experimental” de Ana Kfouri.

Tem alguma rotina diária com a escrita?

Quase sempre.

Está escrevendo algum texto neste momento?

Estou escrevendo um texto para uma instalação de Iain Mott onde Simone Reis interpretará diversas personagens em imagens projetadas.

Fale sobre algo que não foi perguntado.

Escrever engorda.

Por fim, qual o seu drama diário?

Invento um novo a cada dia.

Processo de criação

NOME Carla Faour

IDADE: sob consulta

Que coisas considera importantes para ter criado o gosto pela escrita?

Ter sido estimulada desde muito cedo a ler e a escrever.

Qual a sua formação? Como ela interferiu no seu trabalho como dramaturgo?

Caótica. Cursei três faculdades, duas de jornalismo (PUC- RJ e UERJ) e outra de Teoria Teatral (UNIRIO) e quase me formei em todas elas. Parei no quase. Alías, tudo parou quando comecei a estudar Teatro, tudo ficou em segundo plano. Mas me formei como atriz, pela CAL.

Acredito que a formação de um artista, no caso um dramaturgo, é complexa demais para ser resumida a uma formação acadêmica, que é importante sem dúvida, mas não é suficiente. Fiz algumas oficinas de dramaturgia, que para mim foram fundamentais, com autores como o Bosco Brasil, Marco Antonio de La Parra e Sinisterra. Acho também importante assistir muito teatro. Eu vejo em média dois espetáculos por semana, assisto boa parte das peças que estão em cartaz. Aprendo com os bons espetáculos tanto quanto com os ruins.

Fale um pouco sobre o seu processo de criação.

Caótico também. Gosto de anotar coisas, recortar jornais e revistas com matérias que me interessam, gosto de escrever ouvindo música… Geralmente sento em frente ao computador, ou melhor, coloco o computador no colo (sim, eu sei que é péssimo para a coluna!) e saio escrevendo sem saber ou me preocupar, com o que vai sair e onde vou chegar. O ponto de partida pode ser qualquer coisa, qualquer estímulo. De concreto tenho apenas a certeza de que, se a idéia for boa e render, reescreverei, enlouquecidamente, e não ficarei satisfeita.

Qual o maior desafio em escrever para o Drama Diário?

Trabalhar com a urgência de escrever algo novo toda semana e não ter o tempo necessário para burilar o texto ou uma idéia. Postar no blog algo que dificilmente terá chegado a um formato ideal é um desafio pra mim. Um exercício de “desapego” rsrsrsr!

Você acha que existe uma carência de novos autores?

Não. Tem muita gente bacana e talentosa escrevendo.

Quais as referências mais importantes para o seu trabalho? O que lhe inspira a escrever?

Tudo. Poesia. Prosa, Música. Pintura. Quadrinhos. Jornais. Filmes. Pessoas que eu vejo na rua. Conversas de bar. Fotografias. Viagens. Sensações, impressões, memória, Machado, Eça, Elliot, Cecília Meirelles, Clarice, Walt Disney, Hanna Barbera, Google, Michael Jackson, Vanusa, o Tadeu (meu cachorro), Roth, Auster…

Tem crises de criação? Quando elas surgem, como você lida com isso?

Tenho crises de ansiedade. Elas acontecem quase todos os dias. Não lido. Não penso sobre isso, eu procuro fazer. Ah, malhar também ajuda.

O que considera de mais específico no trabalho de alguém que escreve dramaturgia?

Descobrir sua voz como autor. Saber que tipo de criador você é e quem você quer ser.

É ligado a SBAT? Por quê?

Não. Como sou produtora dos meus espetáculos, não sinto necessidade, mas a idéia de uma sociedade de autores me mobiliza verdadeiramente.

Um dramaturgo e livro de cabeceira.

Nelson Rodrigues. O próximo a ser lido.

Como é o seu trabalho com a direção/diretor de um espetáculo? Como lida com os cortes e mudanças no texto?

Acredito nas parcerias, nos encontros artísticos e na contribuição individual de cada integrante da equipe para a construção do espetáculo. Costumo ouvir todo mundo e sei reconhecer quando as mudanças e cortes no texto são necessários, alguns “cacos” são até incorporados ao texto original. Mas sou contra a banalização e o empobrecimento do texto por alguns atores que por desleixo têm preguiça de decorar as falas como elas realmente são, há que se ter critério para as mudanças. Como atriz, mesmo antes de começar a escrever, sempre fui muito respeitosa com o texto alheio. Acho importante respeitar as palavras. Lar é diferente de casa. Desejo é diferente de tesão. Se o autor escolheu aquela, dentre tantas palavras é porque ele queria dizer isso e não aquilo. O ritmo de cada frase, sua construção, a colocação do verbo, a sonoridade… dizem muito de um autor. Não gosto que desfigurem meu texto. Trabalho muito para chegar à forma final.

Uma peça que gostaria de ter escrito.

Só uma? Covardia! Longa jornada noite à dentro. A Morte do Caixeiro Viajante. Hamlet. Beijo no Asfalto. À Margem da Vida, A Gaivota, A Megera Domada…

Como avalia seu caminho até agora? O que acha que foi mais importante para conseguir realizar seu trabalhos e ver seus textos encenados?

Produzir meus textos foi fundamental. Como autora, estou começando. Tive uma resposta muito positiva logo no meu primeiro texto original, o que pra mim foi e ainda está sendo, uma grande surpresa e satisfação. Consegui fazer um trabalho no qual vejo identidade e coerência, e ainda consegui tocar a platéia, isso não é pouco. Mas acho que nada me caiu do céu, não foi sorte ou obra do acaso. Há muito tempo eu me preparava para começar a escrever. A autora sempre existiu. Estava numa incubadora. Agora tudo ficou muito claro: quero escrever tanto quanto atuar. Não tem volta.

Tem alguma rotina diária com a escrita?

Escrevo todos os dias nos horários possíveis.

Está escrevendo algum texto neste momento?

Sim. Minha nova peça que estréia no começo do ano que vem “Açaí e Dedos” e estou desenvolvendo o argumento para outro livro.

Fale sobre algo que não foi perguntado.

A política brasileira me envergonha e me revolta.

Por fim, qual o seu drama diário?

Lidar com a escassez de tempo e com a vontade de fazer muito mais do que faço e muito menos do que minha curiosidade me desafia.

Processo de criação

NOME Jô Bilac

IDADE 25 anos

Que coisas considera importantes para ter criado o gosto pela escrita?

Passei a infância fora do país, como exercício de escrita da língua portuguesa, a minha mãe estimulava a criação de pequenos livros infantis (que na maioria das vezes, tinha mais desenhos que palavras!). Peguei gosto. Achei que podia. Estou aqui.

Qual a sua formação? Como ela interferiu no seu trabalho como dramaturgo?

Estudei teatro na Martins Pena. Dentro da escola tive a oportunidade de estudar o panorama da evolução do teatro na História da Humanidade, o que interferiu diretamente na minha visão como dramaturgo dentro do meu país, a responsabilidade do meu papel como artista representante do meu tempo.

Fale um pouco sobre o seu processo de criação.

Primeiro penso no meu desafio: sobre o que eu quero falar, o que vou expor em mim. Escrever é um processo de gravidez. É um processo de gerar vidas e isso é trabalhoso e cansativo (e inegavelmente incrível e recompensador, é claro.) Penso muito nos personagens, no enredo, na trama, em como posso contar essa história, na relevância dela pra mim e para o outro. Daí só depois coloco o laptop no colo e escrevo de fato, quando já estou bem familiarizado com tudo.

Qual o maior desafio em escrever para o Drama Diário?

Criar semanalmente uma cena minimamente instigante, seja para leitura, seja para encenação.

Você acha que existe uma carência de novos autores?

Acho que existe uma carência de espaço para novos autores. Escolas ou festivais que estimulem a produção dramatúrgica nacional. Um lugar para evoluir, errar, experimentar, pesquisar, fazer.

Quais as referências mais importantes para o seu trabalho? O que lhe inspira a escrever?

O amor e suas variantes. A falta de amor. O excesso de amor. A desmedida. A eterna busca… Fonte inesgotável de inspiração e ponto de referência imediato.

Tem crises de criação? Quando elas surgem, como você lida com isso?

Tenho crises como qualquer ser humano artista ou não. A vida é uma crise o tempo todo, criar é a subversão disso. A crise artística é o reflexo da condição humana. Refletir a respeito já é uma forma de lidar com isso.

O que considera de mais específico no trabalho de alguém que escreve dramaturgia?

O fato de ser uma espécie de semi deus. O poder de escrever vidas, criar trajetórias, a partir de suas emoções e visão de mundo.

É ligado a SBAT? Por quê?

Não. Tenho meus advogados.

Um dramaturgo e livro de cabeceira.

Nelson Rodrigues no palco. Agatha Christie na cabeceira.

Como é o seu trabalho com a direção/diretor de um espetáculo? Como lida com os cortes e mudanças no texto?

Tive muita sorte em trabalhar com bons parceiros até agora. A sensibilidade de toda uma equipe redimensiona seu texto e isso é fantástico. Cortes e mudanças no texto não me incomodam, se convencido da coerência do responsável!

Uma peça que gostaria de ter escrito.

“Hamlet”, “A cantora careca”, “O auto da compadecida” e “ A vida como ela é…” (que não é peça, mas ainda assim, gostaria de ter escrito.)

Como avalia seu caminho até agora? O que acha que foi mais importante para conseguir realizar seu trabalhos e ver seus textos encenados?

Venho construindo o meu caminho com um passo de cada vez. Entrei no teatro por acaso aos 19 anos escrevendo textos curtos, nesse mesmo ano ganhei dois prêmios em dramaturgia nos principais festivais da cidade do Rio de Janeiro, o que me atinou que era possível ganhar dinheiro escrevendo. Não tive pressa, precisava entender como me articular no mercado de forma inteligente, preservando a minha autonomia, que tanto estimo. Dois anos mais tarde escrevi meu primeiro espetáculo teatral, entrando no circuito profissional, percebendo a dimensão do caminho que o meu texto percorre do meu computador até os aplausos da estréia. Julgo ser fundamental estar ciente do que você quer fazer da sua carreira ( articulando-se para essa finalidade), compreender os meandros mercadológicos, criando parcerias e abrindo os meios.

Tem alguma rotina diária com a escrita?

Minha rotina é intelectual. Penso mais do que escrevo. Penso diariamente sobre o que escrever, ou como resolver tal cena. A rotina insana da criação de histórias que só existem em sua cabeça.

Está escrevendo algum texto neste momento?

Sim, estréia inclusive dia 10 de outubro na Cia dos Atores (escadaria da Lapa).Chama-se “Rebú”, encenado por minha Cia Teatro Independente.

Fale sobre algo que não foi perguntado.

Em uma das minhas primeiras entrevistas, o jornalista me perguntou:

“Você acredita que as pessoas ainda estão interessadas em teatro e literatura?” respondi em seguida: Acredito que as pessoas estejam interessadas no humano e em suas manifestações e sempre estarão, independente da linguagem. O teatro e a literatura fazem parte disso. Claro que por razões sociais de desigualdade, a procura e o acesso dessas manifestações variam. Mas enquanto tiver uma boa história pra ser contada, existirá um alguém do outro lado querendo ouvir…. Mantenho!

Por fim, qual o seu drama diário?

O equilíbrio.

Processo de criação

Queridos leitores,

Depois de algumas semanas em busca de um novo autor para o site e muitos e-mails de leitores-dramaturgos dispostos a dividirem seus dramas diários conosco – a vida que dá muitas voltas e às vezes parece retornar ao mesmo lugar (só parece, pois a volta é sempre em estado diferente) – Julia Spadaccini pode reintegrar o site. Deixamos aqui um agradecimento especial a Fabio Porchat e Leandro Muniz, que por um “quase” não estiveram conosco. Em breve traremos novidades em “Convidados” com o intuito de dar espaço a outros inúmeros e talentosos dramaturgos de todo o país.

Com a volta de Julia, uma dança das cadeiras: ela assume os domingos e Renata Mizrahi passa para as sextas-feiras! Divirtam-se!

Equipe dramadiario.com

NOME
Julia Spadaccini

IDADE
31 anos

Que coisas considera importantes para ter criado o gosto pela escrita?

Desde pequena, quando passava por situações pessoais dramáticas, tinha um distanciamento crítico tão profundo que pensava ter problemas psicológicos, só depois entendi que era artista, o que dá no mesmo.

Qual a sua formação? Como ela interferiu no seu trabalho como dramaturga?

Me formei em Artes Cênicas, Arte-terapia e Psicologia. Tudo o que eu aprendi me levou a escrever, mas as minhas experiências pessoais são o que mais interfere na minha arte.

Fale um pouco sobre o seu processo de criação.

Agora é mais disciplinado, mas já foi bem caótico. Acho que tudo é válido. Estou experimentando o exercício de uma dramaturgia mais clássica, mas gosto do fragmento, do inacabado, do que é menos burilado, mais sentido e menos pensado.

Qual o maior desafio em escrever para o Drama Diário?

Tentar transgredir o meu próprio estilo e dar uma cara diferente para cada cena. Conseguir me livrar toda a semana da autocrítica e simplesmente escrever.

Você acha que existe uma carência de novos autores?

Existe uma carência de incentivo cultural, isso sim!

Quais as referências mais importantes para o seu trabalho? O que lhe inspira a escrever?

Tudo me inspira, até cartório.

Tem crises de criação? Quando elas surgem, como você lida com isso?

Sempre que vejo um bom filme tenho uma idéia.

O que considera de mais específico no trabalho de alguém que escreve dramaturgia?

Presenciar, a cada dia de apresentação, o amadurecimento da sua peça.

É ligada na SBAT? Por quê?

Não, porque sempre produzo meus trabalhos.

Um dramaturgo e livro de cabeceira?

Bernard-Marie Koltès.

“A Invenção da Solidão” de Paul Auster

Como é o seu trabalho com a direção/diretor de um espetáculo? Como lida com os cortes e mudanças no texto?

Tem diretores que trabalham em sintonia com a sua imaginação e outros que imaginam formas diversas do que você pensou. As duas maneiras são ricas, pois concretizam sua idéia ou te mostram um jeito novo de percepção. É claro que, às vezes, dá vontade de subir no palco e estrangular alguém, mas isso também faz parte do teatro.

Uma peça que gostaria de ter escrito.

“Apenas o Fim do Mundo” de Jean-Luc Lagarce

Como avalia seu caminho até agora? O que acha que foi mais importante para conseguir realizar seu trabalhos e ver seus textos encenados?

O mais importante é não parar, nunca!

Tem alguma rotina diária com a escrita?

Antes gostava da noite e agora gosto de ouvir o galo cantar… vai entender…

Está escrevendo algum texto neste momento?

Minha próxima peça que se chama “Aos Domingos”.

Fale sobre algo que não foi perguntado.

De enfermeira (rsrsr).

Por fim, qual o seu drama diário?

Conseguir escrever sem contratos, só os que fiz comigo.

Processo de criação

NOME Felipe Barenco

IDADE 26 anos

Que coisas considera importantes para ter criado o gosto pela escrita?

Meu pai trabalhava na Editora Vozes quando eu era pequeno, então vez por outra ele trazia livros para eu colorir e até hoje tenho a lembrança muito forte dele chegando do trabalho com os livros… era uma alegria enorme. E como eu não sabia ler, via as imagens e criava as histórias na minha cabeça. Acho que esse foi o estímulo mais fundamental para ter se aberto esse “espaço” dentro de mim, de gostar de ler, escrever, inventar histórias. Meus pais nunca foram de me levar ao teatro ou ao cinema, mas por causa da editora, eu lia muito gibi, tinha coleções. Meus presentes de Natal eram gibis e maletas de lapis de cor e canetinha. Era sempre eu quem comandava as histórias de RPG com meus amigos ou a minha irmã que me chamava pra brincar de boneca com ela e eu sempre criava tramas onde uma Barbie descobria que era filha da outra, fingiam-se de paralíticas, morriam em acidentes de carro, hahaha. E além de tudo eu fui uma criança que assistia muita novela.

Qual a sua formação? Como ela interferiu no seu trabalho como dramaturgo?

Eu sou formado em Direção teatral e nunca pensei que iria trilhar um caminho como dramaturgo lá dentro, não foi premeditado. Ter feito direção foi essencial pelo volume de leitura e referências que ela lhe dá, que é o maior acervo de alguém que escreve, né? Mas acho que eu me sentia um pouco angustiado em imaginar que só falaria de coisas já escritas, que se eu quisesse contar uma história de uma quadrilha de velhinhas sanguinárias que sequestram uma vaca eu dependeria de alguém ter escrito sobre isso. Eu fiquei muito assustado quando entrei na faculdade, pois vim do interior sem noção. Fazia teatro de rua e cheguei aqui as pessoas já tinham currículo, conheciam diretores, acho que eu fiquei tão desesperado que isso me ajudou (rs). Daí em 2003 eu escrevi despretensiosamente uma novelinha pela internet, Edificio 256, e sem esperar, o negócio estourou. Foi um “corte” fundamental, quando eu ganhei segurança e percebi que tinha jeito pra coisa.

Eu me considero um dramaturgo que dirige e não o contrário. A minha mestre, Eleonora Fabião, que é performer, uma vez disse uma coisa que me marcou, ela falou que é “performer na vida”. E eu entendi isso, que a profissão de um artista é mais que um trabalho, é uma posição sobre a vida, uma opinião política. E hoje eu sei que sou um cara que cria histórias, que na frente do computador ou na fila de mercado está presente como um dramaturgo.

Fale um pouco sobre o seu processo de criação.

Eu ainda estou entendendo um pouco como funciono. Como eu sou geminiano, se eu não me controlar, eu tenho uma idéia nova por dia. E como geminiano, as chances dessas idéias ficarem sempre pela metade são grandes também, porque a próxima idéia sempre parece mais interessante. Então agora eu tento focar, diferenciar o que são idéias passageiras de idéias que merecem investimento. Eu adoro escrever de manhã e com música. Hoje em dia me cobro a sentar e escrever, sem ficar refém de inspiração. É um trabalho, então eu tenho que sentar e produzir. Não gosto de escrever pingado também. Geralmente eu tenho um trabalho longo de gestação da idéia e isso faz muito diferença pra mim. Que é ficar um período com a idéia na cabeça… até o momento de parí-la. Daí nasce um primeiro borrão e depois a sucessão de revisões. As idéias surgem das coisas mais estaparfúrdias. Às vezes um amigo diz uma fala que me dá idéia pra uma peça – Felipe Herzog e Kika são meus maiores colaboradores. Tenho que pagar royalties pra eles, hahaha.

Qual o maior desafio em escrever para o Drama Diário?

Um internauta gasta em média 30 segundos a 1 minuto num site, querem ler coisas dinâmicas, não vão ficar 30min lendo um texto. Então a dramaturgia da internet é bem diferente do palco. Procuro manter sempre o espírito de não-cobrança e experimentação, mas ao mesmo tempo não abrir mão de alguma “qualidade” pois é ingênuo também achar que o nosso trabalho não está sendo avaliado por quem entra no site e só conhece nossos textos ali. E outra coisa que me preocupo é como explorar os “temas da semana”, porque o Jô (Bilac) já comentou comigo que a tentação é grande em ser picareta e num tema “Felicidade” abrir a cena com um “Lavanderia Felicidade, pois não”, hehehe.

Você acha que existe uma carência de novos autores?

De maneira alguma. O que eu acho que existe é uma falta de entendimento, isso sim, do que é ser dramaturgo e do trabalho que dá. Muita gente acha que contribuir com uma fala no texto ou dar o nome de um personagem já lhe faz ser dramaturgo também. Mas isso eu acho que se resolve com a postura de quem escreve. Eu não dou mole para diretores ou atores que querem ser co-autores e por isso eu morro de medo quando me convidam para “processos colaborativos”. Primeiro porque eu considero todo processo uma colaboração (o autor ajuda o diretor que ajuda o ator que ajuda o autor…. isso é trabalho coletivo, né?) Mas fico incomodado quando não respeitam essas fronteiras e quatro cabeças querem assinar um mesmo texto. Geralmente o resultado nesses processos é bem frágil, pelo menos do ponto de vista dramatúrgico. Daí o grupo despeja 4 meses de ensaios diários no colo do autor e o pobre coitado tem que filtrar 50 minutos daquilo pra contar numa história e todo mundo quer assinar o trabalho como dramaturgo também. Precimos ter o bom-senso para diferenciar o que é uma “aventura” e uma “profissão”. Se amanhã eu fizer algum trabalho como ator, ele estará no plano de uma aventura, de uma experimentação. Mas daí eu me considerar ator também é uma sacanagem com quem estuda ou se dedica a isso.

Quais as referências mais importantes para o seu trabalho? O que lhe inspira a escrever?

O Mauro Rasi é a minha maior fonte de inspiração e quando eu sinto que tô sem rumo, eu leio as suas peças, me ajuda muito. Eu também decidi fazer teatro porque fiquei 6 anos ininterruptos assistindo o programa Sai de baixo. Tenho todos os episódios gravados, então eu via, revia, transcrevia os roteiros…. No primeiro dia de aula na faculdade falei isso pra minha professora e ela ficou horrorizada, os alunos me olharam torto, hahaha. Que inocência falar de Sai de baixo numa academia com Artaud, Goethe. Então minha primeira peça na faculdade foi dirigir um besteirol do Mauro Rasi, lá do início da carreira dele. Nunca tinham montado o Mauro na universidade, eu achava aquilo um absurdo. A minha referência são as pessoas, são as situações diárias. As referências artísticas e de linguagem vem depois, de acordo com a necessidade do trabalho. Para escrever “Meu caro amigo” mergulhei no Chico e hoje, de certa forma, ele já é uma referência que entrou dentro de mim. As referências vão se somando.

Tem crises de criação? Quando elas surgem, como você lida com isso?

Geralmente eu não tenho. O que acontece é demorar a encarar a folha em branco, porque eu sempre acho que vou sentar e não vou conseguir escrever nada.

O que considera de mais específico no trabalho de alguém que escreve dramaturgia?

Ouço muito que teatro é ação. Daí eu penso no público, que senta ali e quer ver uma história acontecer. Não quer o
uvir apenas falas bonitas ou ricas em poeisa, caso contrário pode ler um livro. Ao mesmo tempo, o teatro não tem as possibilidades do cinema, algo simples como “cortes” são difíceis de realizar no palco. O efeito especial acaba sendo o ator mesmo. Então o teatro transpira um certo trabalho artesanal que é muito interessante. Acho que conseguir dentro de um tempo muito curto, sei lá, uma hora e meia, contar uma história rica e coesa, com falas bonitas, divertido e inteligente, é desafiador. Gosto de uma imagem que a Joana (Lebreiro, diretora) usa que é “o público assistir o espetáculo e dar a mão para o ator e ir junto com ele até o final”. Eu penso em escrever textos que façam o público querer dar a mão para o ator. E gosto do teatro porque o jogo acontece em tempo real com a platéia, o retorno é imediato.

É ligado (a) a SBAT? Por quê?

Não sou, mas tenho pensado muito em nossa relação com a Associação de uns tempos pra cá, pois é muito importante e está representada por profissionais muito respeitados. Só que eu acho a SBAT abstrata demais. Você vai no site da associação de roteiristas e está lá o quadro com os pisos salariais. No da SBAT você encontra divagações poéticas sobre o dia que a fundação foi criada. E uma associação como a SBAT existe, além de tudo, para cuidar do nosso dinheiro. De qualquer maneira, tenho me sentido irresponsável com a SBAT, no sentido de dialogar, repensar e reconstruir.

Um dramaturgo e um livro de cabeceira.

Estou sempre acompanhado pela santíssima trindade: Mauro Rasi, Clarice Lispector e José Saramago.

Como é o seu trabalho com a direção/diretor de um espetáculo? Como lida com os cortes e mudanças no texto?

Procuro trabalhar com diretores que confio e, o mais importante de tudo, que entendem o meu texto. E entender o texto é bem mais profundo que entender a idéia ou significado das falas, das cenas. Porque existem profissionais ótimos e a química não rola. É como o casal de mocinhos da novela. O diretor tem que entender o tom do texto, o clima geral, a pegada. Nesse sentido, amo trabalhar com Felipe Herzog, Joana Lebreiro e Vinicius Arneiro – entrego meus filhos nas mãos deles, diretores da minha geração que considero geniais. E fico bastante irritado com os atores que antes mesmo de decorarem as falas querem meter cacos no texto. Detesto, acho um desrespeito com o autor.

Uma peça que gostaria de ter escrito.

A partilha. Eu amo a história dessas quatro irmãs.

Como avalia seu caminho até agora? O que acha que foi mais importante para conseguir realizar seu trabalhos e ver seus textos encenados?

O espírito empreendedor, que é não esperar ninguém para trabalhar. O lance é inventar uma mentirinha. No caso, eu comecei a divulgar que era dramaturgo, as pessoas foram comprando a idéia e de repente a coisa anda.

Tem alguma rotina diária com a escrita?

Procuro escrever todos os dias.


Está escrevendo algum texto neste momento?

Vou escrever um texto chamado “A mulher do diabo” e espero estrear no ano que vem, finalmente, um infantil.

Fale sobre algo que não foi perguntado.

Vou falar dos atores da minha geração que eu amo. As minhas idéias sempre vem associadas a um rosto, levo muito em consideração um ator – embora eu saiba que o personagem independa disso, pois depois de escrito o personagem é autônomo. Tenho muita vontade de escrever para Arlindo Lopes, Rodrigo Pandolfo, Marcio Machado, Gregorio Duvivier, Felipe de Carolis, Fabiula Nascimento, Brunella Provvidente. Acompanho o trabalho deles e vez por outra me pego criando personagens para eles! Eu sou apaixonado por atrizes, por mulheres. Então Carine Klimeck, Lidiane Ribeiro, Talita Werneck, Sabrina Araujo Costa, Julia Marini, Paula Alexander, Dominique Arantes e Aline Paula são presenças constantes, anjos da guarda dos meus personagens, mulheres intensas e divertidas, atrizes mega-talentosas que eu quero sempre por perto.
E eu amo a Kelzy Ecard, agradeço todos os dias pelo privilégio de ter escrito para uma atriz tão sensacional. Isso tem que ser dito.
Por fim, qual o seu drama diário?

A preocupação. Estou sempre preocupado pensando como vai ser “depois” e isso é péssimo. A Eleonora escreveu algo mais ou menos assim “Não vamos nos perder na nostalgia do presente do passado nem na ansiedade do presente do futuro”. Viver o presente do presente é o meu lema.

Processo de criação

NOME: Renata Mizrahi

IDADE: faço 30 dia 25 de setembro de 2009

Que coisas considera importantes para ter criado o gosto pela escrita?

Em primeiro lugar está o gosto natural pelas artes. A descoberta que sem ela não posso ser eu. Depois vem a observação do mundo e suas peculiaridades. O ponto de vista das coisas. As pessoas também. Como cada pessoa e seu mundo particular possuem a riqueza que todo escritor precisa. Está lá. É só perceber. Outro ponto fundamental é a urgência natural de realizar uma obra artística. A necessidade de fazer, de falar, de produzir e transformar o pensamento em obra de arte.

Qual a sua formação? Como ela interferiu no seu trabalho como dramaturga?

Sou formada em artes cênicas pela Uni- Rio. Fiz curso de dramaturgia com o Bosco Brasil, Adriana falcão, José Sanchis Sinisterra, e de roteiro com o David França Mendes. Antes de entrar para a faculdade eu já escrevia pequenas cenas, esquetes. Eu cursava o curso livre O tablado e lá tinha (e ainda tem) um festival de esquetes interno. Eu queria participar mas não sabia com o que, então eu escrevi uma cena e foi um muito bem recebida. Aí fui desenvolvendo. Mas foi durante a faculdade com os estudos que pude aprimorar. Comecei escrevendo esquetes e montei minha primeira peça “ 5 atos” logo no início da faculdade. Eram 5 cenas sobre solidão. Depois, junto com uma amiga de curso, a Elisa Pinheiro, escrevi, com a colaboração dela meu primeiro texto inteiro “ nada que eu disser será suficiente até que o sol se ponha”. Texto que eu atuava junto com a Elisa. Com esse texto nos unimos ao diretor Diego Molina, que na época era aluno de direção, e a atriz Letícia Medella, também aluna, e lá formamos a Cia. Teatro de nós (www.teatrodenos.com). Com o teatro de Nós pude colocar em cena mais 3 textos meus: “Rua dos Sonhadores”, “Um Dia Anita” e “Cuide bem das Orquídeas”. Daí não parei mais. Posso dizer que eu comecei como uma atriz que escrevia. Me sinto a vontade de dizer que hoje que sou uma dramaturga que atua.

Fale um pouco sobre o seu processo de criação.

A primeira coisa é saber sobre o que eu quero escrever. O assunto, o argumento, o por que. Depois o como. Como falar dele. Muitas vezes eu faço uma escaleta para me guiar. Muitas vezes vai direto, está tudo na cabeça. A primeira coisa que faço é um borrão, jogo tudo no papel e depois vou lapidando, corrigindo, revendo e cortando tudo. Aprendi que cortar é uma arte necessária. O grande desafio é falar do essencial de forma interessante e instigante sem mais nem menos.

Qual o maior desafio em escrever para o Drama Diário?

O maior desafio é manter a qualidade dramatúrgica toda semana. Tem semanas que o tema é fácil e escrevo rápido e com prazer. Mas nas semanas que cai um tema que pra mim é mais difícil, eu preciso de mais tempo e esse é um grande desafio. O fator tempo também é um. É preciso reservar um tempo para se dedicar. Acredito que quanto mais temos tempo para rever, revisar, repensar, mais o texto terá qualidade.

Você acha que existe uma carência de novos autores?

Não acho. Eu mesma conheço muitos bons autores da minha geração. O que falta é investimento. Quanto mais autores, maior a necessidade de aprimoração e qualidade. Mas ainda temos que provar muito. O que vejo é o seguinte: O autor tem que montar seu próprio texto, levantar sua verba, mostrar seu texto no mercado teatral para depois tentar um patrocínio, alguém que queira contráta-lo, etc… É preciso provar a qualidade. Ainda concorremos com os estrangeiros, com os clássicos. Estamos chegando com tudo, mas temos que lutar contra o preconceito com a dramaturgia contemporânea nacional. Acredito que estamos conseguindo. Pouco a pouco. É um desafio muito grande, mas muito recompensador.

Quais as referências mais importantes para o seu trabalho? O que lhe inspira a escrever?

Primeiro as pessoas. Gente me inspira, eu adoro ouvir as histórias dos outros, de gente desconhecida, adoro saber dos outros e observar. Adoro ler os jornais e descobrir coisas muito absurdas, porém reais. E a minha própria vida e as pessoas que me cercam, a minha própria história e as coisas que vivi e estou vivendo no momento. Depois os meus ídolos que são: Harold Pinter, Oduvaldo Vianna Filho, Samuel Beckett, Nelson Rodrigues, Shakespeare, Woody Allen, Eugene Oneill e vários outros, sem falar na literatura: sou fã, de Isaac Bashevis Singer, Gabriel Garcia Marques, Clarice Lispector… Não posso enumerar tudo aqui, não dá, mas resumindo , minha inspiração vem dos autores que me identifico. No cinema por exemplo, o Paul Thomas Anderson, Kaufman, Bergam, os orientais como Takeshi Kitano, Kim Ki Duk… Ih! São tantos… Gosto muito das esquisitices, gosto muito dos inusitados e aqueles que não são hipócritas mas usam a hipocrisia para criticá-la. E uma coisa que me inspira muito é a beleza natural da cidade do Rio de Janeiro e seus contrastes. O belo e o feio na cidade é inspiração direta. Moro em Copacabana, perto da praia em frente à favela. Isso é pura inspiração. Sublime e miséria no dia a dia. Não há como não me influenciar e me inspirar.

Tem crises de criação? Quando elas surgem, como você lida com isso?

Muitas. Quando surge uma crise, bloqueio, ansiedade etc., eu paro e faço outra coisa. Vejo um filme, saio de casa, me dou o direito de parar para me recuperar. Uma coisa que funciona muito é ver os amigos, namorar, falar de outras coisas, me distrair. Viajar também. Acredito que toda viagem é um alimento pra alma. Se pudesse viajava todo final de semana, ou pelo menos duas vezes ao mês, dois dias e tá bom. Isso é importante pra mim.

Às vezes quando há um prazo urgente, eu me forço a afugentar a crise . Muitas vezes dá certo, é uma auto-disciplina. Outras não e depois sofro. Mas acho que faz parte.

O que considera de mais específico no trabalho de alguém que escreve dramaturgia?

Seu universo. Como o autor “enxerga” o mundo. Eu consigo, muitas vezes, identificar isso.

É ligado (a) a SBAT? Por quê?

Não. Eu estou formando “platéia” para meus textos. A hora ta chegando.

Um dramaturgo e livro de cabeceira?

Eugene Oneill. Tenho vários livros de cabeceira. No momento “A vida como ela é” de Nelson Rodrigues e “47 contos” de Isaac Bashevis Singer.

Como é o seu trabalho com a direção/diretor de um espetáculo? Como lida com os cortes e mudanças no texto?

Eu dou total autonomia ao diretor. Até agora só trabalhei com diretores que confio plenamente. O bom diretor sabe o que é melhor para peça. Se tiver que cortar, corta! Aprendi a não ter apego e a confiar. Acredito que isso seja muito importante para a saúde do autor rs.

Uma peça que gostaria de ter escrito.

In On It de Daniel MacIvor

Como avalia seu caminho até agora? O que acha que foi mais importante para conseguir realizar seu trabalhos e ver seus textos encenados?

Avalio como sendo um caminho que está cada vez mais conquistando seu espaço e sendo reconhecido. O que acho que foi mais importante para eu consegui realizar meus trabalhos são as minhas parcerias profissionais e pessoais. Tenho certeza que sem elas não realizaria nada. Teatro se faz de união e boas parcerias. Sem dúvida isso foi o mais importante e está sendo (acho que sempre será). Muitos parceiros se tornaram verdadeiro
s e melhores amigos. Todo mundo seguindo junto. Um texto precisa de direção e atores, equipe, etc… Diretores, atores, equipe precisam de texto. Então sozinhos não fazemos verão, mas juntos fazemos todas as estações.

Tem alguma rotina diária com a escrita?

Rendo mil vezes melhor de manhã quando minha mente está “fresca”. Então procuro evitar marcar compromissos de manhã para me dedicar à escrita. Como dou aula, produzo entre outras coisas, sempre separo muitas horas na semana para só escrever.

Está escrevendo algum texto neste momento?

Estou me dedicando a um novo infantil. Começando um adulto (projeto pessoal) e começando a pensar num argumento para uma encomenda. Fora os que já escrevi e estou batalhando para estrear!

Fale sobre algo que não foi perguntado.

A comida que eu mais gosto é chocolate rsrs. Estou em cartaz com o espetáculo Comédia ensaiada, direção de Maíra Graber com Karen Liberman e Zeauro Travassos, no Café do Teatro Gláucio Gil. Todos os sábados, até 17 de outubro. 10 inteira e 5 meia!

Por fim, qual o seu drama diário?

Acabar com a dispersão!

Autores homenageiam textos consagrados

Na versão 3 do site, cada um dos sete autores homenageará um texto diferente – que por sua vez definiu a nova ordem de postagem.

SEGUNDA – CARLA FAOUR – A MEGERA DOMADA (1593)

TERÇA – LARISSA CÂMARA – A GAIVOTA (1860)

QUARTA – CAMILO PELLEGRINI – HEDDA GLABER (1890)

QUINTA – FELIPE BARENCO – VESTIDO DE NOIVA (1943)

SEXTA – FABIO PORCHAT – ESPERANDO GODOT (1948)

SÁBADO – JÔ BILAC – NAVALHA NA CARNE (1968)

DOMINGO – RENATA MIZRAHI – O SILÊNCIO (1968)