O eterno retorno
Ela: Você vai fazer o quê?
Ele: Você ouviu.
Ela: Eu não ouvi.
Ele: Eu não te amo mais.
Ela: Não se diz mais isso no século XXI.
Ele: A vida é curta.
Ela: Toma um remedinho.
Ele: Eu não estou bem.
Ela: Eu já disse o que fazer…
Ele: O quê?
Ela: Eu quero que você me beije.
Ele: Eu quero que você entenda.
Ela: Crise é bom.
Ele: Eu preciso da tua ajuda.
Ela: Então tira a roupa.
Ele: To me sentindo sufocado.
Ela: Por acaso sou eu que te deixo assim?
Ele: Eu to com uma cara péssima.
Ela: Toma um remedinho.
Ele: Você acha que isso passa?
Ela: Isso passa.
Ele: Eu to ficando com medo.
Ela: Ainda bem.
Ele: A gente tá junto há tanto tempo…
Ela: Todo mundo precisa passar por um momento desses.
Ele: Ontem, quando a gente transou, eu só conseguia pensar na Finlândia.
Ela: Finlândia?
Ele: Agora eu tô com uma coisa com Finlândia.
Ela: Teve uma época que você tinha fixação na orelha do Lima Duarte.
Ele: Eu não consigo parar de pensar em você congelada.
Ela: Que loucura.
Ele: Eu fico pensando no futuro e só me vem a imagem de bolos solados.
Ela: Relaxa e pronto!
Ele: É estranho. Eu não consigo relaxar.
Ela: O seu nariz tá tão bonito hoje.
Ele: Eu vou parar de pensar bobagem.
Ela: Pára.
Ele: Você já se imaginou a trinta graus abaixo de zero?
Ela: O quê?
Ele: Você já se imaginou num lugar impossível de respirar?
Ela: Tipo quente?
Ele: To me sentindo esquisito…
Ela: Respira no azul, solta no verde.
Ele: O que eu faço?
Ela: Vem aqui.
Ele: Minha pálpebra tá palpitando e minha cabeça zunindo.
Ela: Hora de preparar alguma coisa pra comer.
Ele: Que horas são?
Ela: Não sei.
Ele: Tem aspirina?
Ela: Acabou.
Ele: Queria beber um whisky.
Ela: Fica aqui comigo.
Ele: To indo.
Ela: Vem aqui.
Ele: Me dá um abraço?
Ela: Eu faço o que você quiser.
Ele: Você é uma mulher muito especial mesmo.
Ela: Tá melhor?
Ele: Eu te amo.
Ela: Eu te amo.
Agora leia o texto DE BAIXO PARA CIMA, e descubra o que vai acontecer com este casal em outro dia.
Sem metáforas
CLARA: Bom dia.
PEDRO: Bom dia.
CLARA: Dormiu bem?
PEDRO: Dormi.
CLARA: Quer um café?
PEDRO: Quero.
CLARA: Aconteceu alguma coisa?
PEDRO: Nada.
CLARA: Mesmo?
PEDRO: Nada.
CLARA: Tá.
PEDRO: Tem leite?
CLARA: Na geladeira.
PEDRO: Pão?
CLARA: Não sei.
PEDRO: Você não comprou?
CLARA: Nem você.
(Silêncio. Pedro, aos olhos de Clara, começa a sumir literalmente.)
CLARA: Pedro?
PEDRO: O quê?
CLARA: O que está acontecendo?
PEDRO: O quê?
CLARA: O que está acontecendo com você, Pedro?
PEDRO: Por quê? Nada.
CLARA: Nada? Olha para você.
PEDRO: O que tem eu?
CLARA: Pedro, olha para você!
PEDRO: Tô me olhando. O que é que tem?
CLARA: Você não tá vendo nada?
PEDRO: Vendo o quê?
CLARA: Pedro, tem uma parte do seu corpo… Pedro, você tá sumindo.
PEDRO: Sumindo?
CLARA: Já tá pela metade.
PEDRO: Você às vezes é bem direta, né?
CLARA: Não, isso não é uma metáfora. Você está sumindo de verdade!
PEDRO: Senta aqui, Clara. Não dá mais mesmo pra evitar essa conversa.
CLARA: Não é conversa, é verdade. Você não está percebendo?
PEDRO: Eu estou percebendo, Clara. Por isso nós temos que conversar. Mas eu estou do meu jeito de sempre, tá?
CLARA: Não, você não está do jeito que você é. Não está!
PEDRO: Clara, eu realmente preciso falar com você.
CLARA: Olha pra você.
PEDRO: Já entendi que essa situação tá a olhos vistos.
CLARA: Não é metáfora, não é metáfora. Me abraça! (ela abraça ele) Ah, meu Deus! Eu só sinto um lado seu, só uma mão, só metade das costas, só uma bochecha, só metade do seu cheiro!!
PEDRO: Clara, não é pra você ficar desse jeito. Não adianta fugir da situação!
CLARA: Fugir?? Quem tá fugindo aqui é você, Pedro. Você não quer admitir que tá sumindo.
PEDRO: Tá bom. Eu realmente admito que não me sinto mais inteiro.
CLARA: Viu! Viu! Confessou, confessou!
PEDRO: Não é questão de confessar, é o que você tá vendo.
CLARA: É, eu tô vendo, eu tô vendo mesmo.
PEDRO: Toma uma água e senta aqui.
CLARA: Pedro, como você vai viver daqui pra frente desse jeito?
PEDRO: Clara, não se preocupa comigo…
CLARA: Como não? Se você sair na rua assim, vão te internar. Você vai virar objeto de experiência cientifica, a mídia toda vai atrás de você. Nem Moisés que abriu o mar vermelho conseguiu ficar assim, pela metade.
PEDRO: Eu realmente acho que você tá exagerando. Pára de querer desviar do assunto, pára com essa história e encara os fatos de frente! Isso pode acontecer com todo mundo, é normal.
CLARA: Normal? Tá louco? Eu nunca vi alguém ficar pela metade.
PEDRO: Talvez porque eu seja seu primeiro homem. Mas tem fases que as pessoas não se sentem mesmo inteiras numa relação, entende? É o momento de a gente conversar pra ver o que tá acontecendo…
CLARA: Pedro, Pedro! Eu não estou louca. Olha pra você, você não tá inteiro.
PEDRO: Mas é exatamente disso que estou falando! Eu sei que você não está louca.
CLARA: Não, Pedro. Seu corpo tá pela metade.
PEDRO: Isso é uma projeção psicológica.
CLARA: Não, não é projeção! (Ela toca nele de novo) Tá vendo? Minha mão passa por aqui e é um vazio, você tá vazio, você tá vazio.
PEDRO: Chega, Clara, puta que pariu! Não dá pra conversar com você assim. Eu realmente não estou mais inteiro na relação. Mas é maneira de falar, você não é burra pra não entender isso. Faz tempo que vem acontecendo e hoje chegou num ponto que não dá pra evitar, você mesma reparou. Então…
CLARA: (chorando) Eu te amo, Pedro.
PEDRO: O quê?
CLARA: Eu te amo, Pedro, eu te amo muito.
PEDRO: O quê?
CLARA: Eu te amo, eu te amo, eu te amo.
PEDRO: Você me ama, Clara?
CLARA: Muito.
PEDRO: Você me ama mesmo, Clara?
CLARA: Muito.
PEDRO: Porra, sabe há quanto tempo que você não me fala isso?
CLARA: Precisa falar? A gente vive junto…
PEDRO: Precisa, Clara, precisa. A gente vive junto, mas às vezes eu acho que não é isso que você queria.
CLARA: É sim, é sim, Pedro. Eu te amo.
PEDRO: Porra, Clara. Você pensa que eu também não me sinto inseguro? Insegurança não é sinônimo de sexo feminino não.
CLARA: Eu não sabia que você tava inseguro, meu amor…
PEDRO: Você não percebeu o jeito que eu tava começando a tremer, não conseguia me apoiar nas coisas, caía o tempo todo na rua?
CLARA: Então era por isso?
PEDRO: E não estou falando metáforas não.
CLARA: Eu não liguei uma coisa à outra…
PEDRO: Você só me diz que ama agora, depois de eu passar um processo enorme de retorno da minha auto-estima?
CLARA: Então saiba que eu não quero te perder! E eu nunca quis que você se sentisse tão inseguro. E não é metáfora…
PEDRO: Eu também, eu também não quero te perder.
CLARA: Pedro, você está voltando.
PEDRO: Sim, meu amor, sim, eu também sinto.
CLARA: Não, não é metáfora. Seu corpo está reaparecendo de verdade.
PEDRO: Deixa essa história de corpo pra lá, tá?
CLARA: Tá bom. Deixa. Que bom que você tá aqui de verdade.
PEDRO: Que bom ouvir você falar assim, sinto que meu corpo vai parar de tremer.
CLARA: Eu te amo, Pedro.
PEDRO: Eu também, Clara.
CLARA: Sem metáforas.
FIM
Quem ama educa
Uma mesa e duas cadeiras. O casal está sentando e elegantemente vestido. Os dois apresentam comportamento contido e classudo. A atmosfera é de uma reunião de negócios temperada por uma emoção inglesa.
MULHER
Querido, creio que é importante resolvermos nossa situação de uma vez por todas.
MARIDO
Amada, devo dizer que esse diálogo muito me honra… Visto que eu praticamente dava por acabada sua paixão por mim. (Contendo uma única lágrima)
MULHER
Por favor, sem excessos. Respire fundo. Vamos nos concentrar. Você releu o contrato?
MARIDO
Sim.
MULHER
Todas as cláusulas?
MARIDO
Todas as cláusulas.
MULHER
Incluindo as notas de rodapé.
MARIDO
Que notas de rodapé?
MULHER
É o detalhe, exatamente o detalhe que faz toda a diferença em uma relação.
MARIDO
Não compreendo.
MULHER
Eu sei. Se compreendesse teria lido tudo, quando eu disse para você ler tudo. Como você não leu tudo. Eu vou reler para você em voz alta, o que pode ser entendido como uma espécie de agressão. (retira uma lupa da bolsa) Cláusula primeira: A mulher tem o direito de receber pelo menos uma ameaça por semana.
MARIDO
Eu ameaço.
Mentira. Não venha com afirmações levianas. Dias desses, eu saí e não recebi um telefonema.
MARIDO
Mas, querida você foi jogar golfe com seu irmão…
MULHER
Quem garante?
MARIDO
Que você foi jogar golfe?
MULHER
Não. Que ele é mesmo meu irmão. Você poderia ter sujado suas mãos num telefone público, colocado um lenço no gancho, para que eu não reconhecesse sua voz, e gritado: se eu te agarro com outro te mato!
MARIDO
Mas, querida…
MULHER
Cláusula segunda: A mulher tem o direito de ser agredida e expor com orgulho as marcas do ato para fazer recalque na vizinhança.
MARIDO
Céus! O que você quer que eu faça?
MULHER
Acabei de dizer! Por que você não é capaz de realizar simples desejos?
MARIDO
Eu compro o que você quer. Seu closet é um capricho. E as jóias? Os mimos? Não valem nada?
MULHER
Seu cartão de crédito não me emociona.Todos os dias sou obrigada a sair com sobretudo e camisa de gola alta. Até os empregados zombam de mim. Tenho que esconder esse corpo pálido sem um hematoma, uma escoriação. Uma marca de chupão no pescoço, um olhinho roxo que fosse e eu já me sentiria mais bem amada!
MARIDO
Eu sou um homem fino, educado, enólogo. Sei reconhecer o valor e a nobreza de um queijo azul. Mas, se você quer um brutamontes, um débil ignorante vá mais vezes a oficina mecânica, sua louca!
MULHER
Se querer realizar as próprias necessidades é loucura, então sou louca! Você não sabe como é difícil… Eu não freqüento mais os almoços de família porque você é incapaz de deslocar o meu braço. Meu sonho é chegar desconjuntada no evento, com um óculos escuro enorme para esconder meu olho inchado, e quando mamãe perguntar porque estou manca, responder: dormi de mal jeito!
MARIDO
(Tirando o cinto da calça) Seu desejo é uma ordem!
MULHER
Apesar do amor… Não sei aonde estava com a cabeça quando me casei com você… (Debocha) Um homem que ri baixo.
(MARIDO dá um tapa na mulher que oferece a outra face.)
MULHER
Quem ama educa!
(Barulho de tapas, beijos, gemidos e estalos de cinto. Luz desce em resistência)
FIM
Felicidade
MULHER E HOMEM VENDO TV. OUVIMOS BARULHO DO PROGRAMA QUE ESTÁ PASSANDO. É UM PROGRAMA DE TV DE PERGUNTAS E RESPOSTAS. OUVIMOS APRESENTADOR: “ANIMAL SAGRADO NA ÍNDIA?”
Eduardo – Vaca!
Arlete – O quê?
Eduardo – A resposta.
Arlete – Eu não sei…
Eduardo – É sim. É vaca!
Arlete – Não é isso…
Eduardo – Será que é bode?
Arlete – Não tô falando disso, Eduardo.
Eduardo – Como?
Arlete – Eu não estou bem.
Eduardo – É?
Arlete – Estou me sentindo meio…
Eduardo – Meio o quê? Quer uma massagem? Faço aquela massagem gostosa em você mozinha…
Arlete – Não quero Eduardo.
Eduardo – Um suco?
Arlete – Que parar.
Eduardo – O que eu posso fazer minha florzinha de laranjeira?
Arlete – Esse é o problema. Você faz coisas demais.
Eduardo – Não estou entendendo, moza.
Arlete – Entrei para a terapia ontem.
Eduardo – É? Por que, meu bem?
Arlete – Ontem eu peguei o telefone de um desses institutos de psicanálise e quando fui
preencher a ficha percebi que meu problema é real. Muito real.
Eduardo – Mas que problema?
Arlete – Na ficha eles pedem para a gente descrever todos os nossos problemas. No plural!
Eduardo – Meu amor! Não sabia que você estava com um problema assim. Não sabia.
Arlete – Nem eu.
Eduardo – como assim?
Arlete – Não sabia o que responder.
Eduardo – Não?
Arlete – Não Eduardo, não! Não sabia responder.
Eduardo – Mas qual é o problema?
Arlete – Não tenho.
Eduardo – Não tem o quê? Eu compro para você!
Arlete – Não tenho nenhum problema, Eduardo. Nenhum. Nada vezes nada. Sou feliz. Sou a
mulher mais feliz do mundo.
Eduardo – Que bom, minha tulipa!
Arlete – É péssimo! Trágico! Onde já se viu nos dias de hoje alguém ser feliz? Onde?
Eduardo – Mas todo mundo quer ser feliz minha flor!
Arlete – Eu não quero. Nunca quis, mas desde pequena sou. Um estorvo! Minha mãe fez de tudo
para reverter a situação. De tudo. Meu pai então… nem se fala. Coitado, você bem sabe que era uma luta diária. Mas mesmo com toda a família e amigos, eu continuei feliz. Feliz durante todos os meus anos de vida. Até na adolescência eu fui feliz. Muito. Por isso resolvi procurar ajuda
psicológica. Qualquer coisa. Qualquer síndrome. Uma crise de pânico resolveria. Ansiedade generalizada… anorexia, quem sabe? Anorexia dá status, né? As pessoas vêem fisicamente a sua
infelicidade. É lindo!
Eduardo – Arlete, você está ficando maluca!
Arlete – Quem me dera, que sonho! Mas nada, sou normal! Muito! Minha biografia vai ser um desastre! E agora para completar, eu me caso com você!
Eduardo – O que tem isso?
Arlete – Você é maravilhoso Eduardo! Não percebeu o quanto é perfeito para mim? Você é o homem da minha vida!
Eduardo – Mas isso é fantástico minha margaridinha!
Arlete – Coisa horrível Homem da Vida, coisa definitiva, sem saída. As pessoas comentam
Eduardo. Falam da gente. Já percebeu que nós estamos cada vez mais isolados? Ninguém gosta de casais felizes, ninguém.
Eduardo – As pessoas adoram a gente!
Arlete – E por que não convidam mais a gente para nada? Ontem foi o enterro da mãe da Suely e ninguém me convidou. Por que?
Eduardo – Por quê?
Arlete – Porque eu sou feliz! Devem ter medo que eu sorria na frente do caixão.
Eduardo – Ninguém convida ninguém para um enterro as pessoas aparecem, Arlete.
Arlete – (sem ouvir) Por que a gente não faz uma terapia de casal? Hein? A Suely faz. Acho lindo! Tô doida para espalhar que tô fazendo terapia de casal. Adoro o nome “Terapia de Casal”…
Eduardo – Mas, o que a gente vai dizer?
Arlete – A gente inventa, usa a criatividade.
Eduardo – Vamos pagar mil reais por mês para contar mentiras para um terapeuta, (se chegando) então vamos pelo menos usar o divã para alguma coisa, hein mozinha? Hein? Aliás, sempre tive essa fantasia.
Arlete – Eduardo, nenhum marido tem fantasias com a esposa, pára com isso! Que coisa ridícula!
Eduardo – Eu tenho, fico imaginando você nua com geléia de amora pelo corpo, eu vou passando a língua…
Arlete – Ai que inferno!
Eduardo – Eu não vou ao terapeuta para mentir. Não consigo.
Arlete – Deve ter outra saída.
Eduardo – Vamos ser felizes e pronto. Deixe os outros pensarem o que quiserem.
Arlete – Morre!
Eduardo – Como é?
Arlete – Viúva é lindo! Imagina só. Tristeza absoluta. Ainda vou poder usar preto, que me emagrece, todos os dias.
Eduardo – Mas você é tão feliz comigo.
Arlete – Detesto! Detesto! Odeio isso! Acho sem graça. Acho muito sem graça você me amar com tanta certeza. Esse amor certo não pode. Tem que ter uma coisa a mais. Alguma coisa.
Eduardo – Mas o quê?
Arlete – E se você me odiasse um pouco, é! Se você começasse a me achar muito chata, insuportável, péssima. Só um pouco.
Eduardo – Mas eu te amo!
Arlete – Ama nada! Se você me amasse de verdade me odiaria um pouco. Só um pouco. Ninguém que ama faz isso. Ninguém que ama é tão cheio de amor. Isso é doença! Esse teu amor é mentiroso. É falta de amor! Falta de amor!
Eduardo – E o que é que você quer que eu faça?
Eduardo – Vai embora! Some! Me abandona!
Eduardo – Agora? Mas vai começar a novela. Eu gosto tanto de ver a novela com você…
Arlete – Agora! Pega as tuas coisas e some!
EDUARDO PEGA UMA MALA NO QUARTO E QUANDO VOLTA ARLETE ESTÁ CHORANDO.
Arlete – Você vai me abandonar?
Eduardo – Ué? Não foi isso que você pediu.
Arlete – Não coloca a culpa em mim, Eduardo!
Eduardo – Do que você está falando, Arlete?
Arlete – Você sabe muito bem.
Eduardo – Não sei de nada.
Arlete – Os homens são todos iguais! Sempre se fazem de desentendidos!
Eduardo – Quer saber, eu vou embora antes de enlouquecer.
Arlete – Vai! Vai mesmo! Me abandona! Me deixa aqui. Me deixa assim sem nada. Num canto,
num tapete atrás da porta…
Eduardo – Tchau Arlete!
EDUARDO VAI EMBORA.
Arlete – (Grita e chora) Eduardoooo! Não!
CORRE PARA O TELEFONE E LIGA PARA UMA AMIGA AOS PRANTOS.
Arlete – Suely? Sou eu Arlete, você não sabe o que acabou de acontecer… o Eduardo me
abandonou! Me abandonou, Suely! Nem quis tentar terapia de casal, me deixou antes de tentar… Sou a mulher mais infeliz do mundo! Mais infeliz do mundoooo! (E começa a transformar o choro) em gargalhada! Infeliz! Infeliz!!! A mulher mais infeliz do mundoooooo!
FIM
Fome
Darling, voluntariosa e linda
Segunda-feira: Tymoty e Darling estão jantando e surge uma vontade imensa de um dos dois, e se beijam com muito desejo. Darling de repente…
Tymoty – O que?
Darling – Eu quero te comer….
Tymoty - Como assim?
Darling – Te comer. Eu quero te comer….
Tymoty - Aqui?
Darling - Agora.
Tymoty – Não…. agora não.
Darling - Tá vendo? Eu não disse? Você não me ama! Não o suficiente! Aposto que se fosse com elas cederia no mesmo instante, sem hesitar! Mas comigo não… me nega até o último instante!
Tymoty – Não é verdade, Darling, eu amo você. Eu apenas acho que essa não é a hora, nem o lugar…
Darling – Não Tymoty, você não me ama! Se me amasse mesmo, cederia às minhas vontades! Quem ama de verdade não mede esforços para agradar a pessoa amada!
Tymoty -(subto) Darling: Qual parte?
Darling - (volta, maliciosa como um demônio adocicado) O braço…
Tymoty - Você gosta mesmo?
Darling - Hunrum…(tempo)
Tymoty – Quer mais um pedaço?
Darling - Quero…
Tymoty - Meu braço? Nada…
Honey - Cadê seu braço? Tymoty, eu te fiz uma pergunta!
Tymoty - Ela comeu.
Honey - (cai das nuvens) O que? Você deixou! Como você é burro Tymoty! Um idiota! A vontade que eu tenho é de socar a sua fuça pra você falar fofo uma semana!
Tymoty - Honey… eu tive que ceder… você sabe, eu amo vocês e faço tudo para não perde-las…entenda, por favor! Eu faria a mesma coisa por você…
(tempo)
Honey - (imperativa) Eu quero o outro braço…
Tymoty - (ri) Então se eu te der o outro braço, você não fica brava?
Honey – (infantil) Não.
Comeu enfim. Era como se tivesse, pela primeira vez, sentido em sua língua o verdadeiro gosto do amor… e como era maravilhoso…um orgasmo aos pedacinhos…
Cherry – Desculpa, meu amor…. te machuquei?
Tymoty - (sempre muito querido) Só um pouquinho…
(percebe que tirou sangue, lambe o moço)
Cherry - Seus braços…
Tymoty – Elas comeram… entenda, eu dei uma pra Darling e tive que fazer o mesmo pela Honey.
Cherry - (ÁCIDA) Um Braço pra Darling, um braço pra Honey… ( voz animalesca) Cadê o braço da Cherry???????
Tymoty - Cherry…
Cherry - (matraca) É verdade! Você as defende, mas eu sei perfeitamente o tipo de mulherzinhas que elas são…pistoleiras…! Aposto que você nem relutou pra dar seus braços para elas… eu tô cansada dessas mulheres, ouviu, cansada! A vontade que tenho é de d
ar um basta em tudo isso! Por que você sabe Tymoty, mais cedo ou mais tarde, você vai TER que escolher! Pois a vida é feita de escolhas e se você não está pronto pra fazer a sua, talvez você não esteja maduro suficiente pra lidar com responsabilidades em sua vida, porque afinal de contas…
Tymoty - (subto) Quer um pedaço da minha perna?
Cherry - (surpresa) O que?
Tymoty – Eu te dou um pedaço da minha perna se quiser…ou melhor, a minha perna inteira…você gosta tanto…
Cherry (tempo. Emocionada)… Tymoty…que lindo!
Na terça um pedaço do peito.
Na quarta a bochecha.
À cada dia que passava, as meninas ficavam cada vez mais famintas, incontroláveis.
Até que no Domingo Tymoty lhes nega o coração…
Honey - Eu sei… e isso tudo é culpa sua!
Cherry - Minha?
Honey - Sua! Não deixa o pobrezinho em paz…
Cherry - Ah! Não sou eu que fico mordiscando o meu Tymoty de minuto em minuto!
Honey – Meu Tymoty volta aos pedaços dos seus encontros!
Cherry: Seu Tymoty? Hahaha! Minha filha, se localize!!!!
Darling – Porque?
Tymoty – Não dá mais… essa fome de vocês não é normal… é melhor pararmos…
Honey - Eu sabia! Eu sabia que não me amava o bastante! Eu já estava adivinhando que acontecer mais cedo ou mais tarde!
Tymoty - Não dá mais, será que você não consegue entender.
Cherry - Mais um pedacinho… por favor…eu te imploro….
Tymoty - Não…não…
Honey - Eu não consigo comer mais nada que não seja você…eu preciso de você, eu necessito! Por favor…por favor…
Tymoty – Não dá mais…
Darling – Por que? (quase infantil)
Tymoty – Escuta, acabou. Não dá mais! Isso tudo tá acabando comigo…não está fazendo bem pra gente…. não tá fazendo bem pra voces… não tá fazendo bem pra mim! Olha pra mim! Vocês são lindas………… Terrivelmente lindas e isso é minha cruz e delícia………. Seria incapaz de escolher por uma de vocês…… São pequenas deusas com boquinhas vermelhas que amo beijar, mas que às vezes me mordem com mais força do que realmente posso suportar… Esses olhinhos oblíquos, brilham… mas não sei exatamente por qual natureza de querência. Às vezes chego a ver voces como bichos famintos, me vigiando, que vai me devorar por inteiro a qualquer momento…………às vezes chego a sentir medo de vocês………….da maneira como me olham…………… Não sei se por desejo, ou FOME!
Honey - (num delírio , transportada) É isso mesmo, Tymoty! Sentimos fome de você, não percebe? Ontem mesmo, um rapaz se ofereceu todo para mim. Eu poderia come-lo todinho, mas não é ele que eu quero, é você, só você! Essa dependência me mata, ou você acha que é fácil suportar essa fome…essa ânsia… eu TE quero…cada pedaço seu…
Darling - (desaba numa crise de choro) Você não pode me deixar assim, não pode…. o que é que eu vou fazer se você for embora?….Me diz! Me diz….
Cherry - Olha pra mim, Tymoty…Olha…Eu sou tão linda… Tão linda!!!! Olha pra mim!!!! (numa possessão de choro) Olha pra mim…. Eu sou tão linda….e tão triste…. tão vazia…… nâo me deixa…….
Cherry_ (despertando do transe) Inteiro?
Tymoty - (tempo breve) Inteiro.
Honey - O direito e o esquerdo?
Tymoty - (constatação, entrega) O direito e o esquerdo….
Dia de folga
Vendedor - Pois não.
Ele - Nós queremos dar uma olhada…
Ela (corta) – Em alguns modelos de azulejo.
Ele - Mô… O que foi que a gente combinou? Nesse mês compramos o piso, mês que vêm os azulejos.
Ela - Vê se tem cabimento? Colocamos um piso lindo no banheiro, e na hora de trocar os azulejos, porque o Seu Zezim é desastrado, ela vai deixar cair reboco no chão e risca tudo! (ao vendedor) Me diz se eu não tenho razão?
Vendedor – Leva os dois!
Ela - É o que eu tô querendo, mas ele é cabeça dura. Nunca vi!
Ele (puto, mas fingindo doçura e paciência) – Benzinho, você tinha concordado em comprar o piso primeiro. Nós conversamos sobre isso ontem, não lembra? Você falou sobre esse piso hoje no café da manhã…
Ela - Mas eu pensei que…
Ele - Você tem a péssima mania de não levar a sério as coisas que eu falo!
Ela - Pára de brigar comigo na frente do moço!
Ele - Você é quem gosta de passar vergonha.
Ela - Você quase não tem folga no seu trabalho, aí o dia em que a gente tem pra resolver nossas coisas, pra ficar junto, você briga comigo! (Quase chorando) Ai, que raiva! Grosso!
Vendedor constrangido.
Ela - Se você não tivesse feito aquela maldita prestação pra sua mãe, dava pra ficar com os dois. E você sabe que ela não pagou o último carnê, né? Não, porque por ela, foda-se, nosso nome vai pro SPC, vai pro SERESA, vai pro diabo que carregue, que não é o nome dela!
Ele - Ah, eu sabia que você ia arrumar um jeito de enfiar a minha mãe no meio.
Ela (buscando a cumplicidade do vendedor) - Agora a mãe dele é vítima, coitada.
Ele - Não vai querer discutir isso aqui, vai?
Vendedor - Vocês querem dar uma olhada nos modelos de piso?
Ele - Tá bem, nós levamos os azulejos. Deixa o piso para o próximo mês.
Ela (de cara amarrada) – Não, naninanão, você não queria piso? Não, porque fez tanta questão com a porra do piso, que eu não entendi… Agora eu tô convencida que é melhor levar o piso.
Ele - Você quer destruir o meu bom humor, né, é isso? (ao vendedor) Deixa eu ver os modelos de azulejo, por favor. E desamarra essa tromba.
Ela (podre de mau humor) – Quem disse que eu tô mau humorada? Eu tô ótima. Ó, ótima, aqui ó! Quanta gente queria poder decorar o banheiro e não pode? Eu não vou reclamar que é até pecado.
Ele (ao vendedor) – Você traz os modelos de azulejo, por favor.
Vendedor sai.
Ela (Animando-se) Desculpa… (Dá um beijinho no marido)
Vendedor (retorna) – Qual seria a cor?
Ele e ela respondem juntos.
Ele - Azul.
Ela - Verde.
Ela - Azul, não! Vai ficar igual a casa da sua mãe! (Ao vendedor) Lá é tudo tão azul, mas tão azul, que parece que eu tô dentro de uma caixa de sabão em pó!
Ele (respira fundo, paciente) – Verde, por favor.
Vendedor entrega o catálogo com os modelos. Ela folheia, folheia, folheia e faz cara de desagrado a cada página virada.
Vendedor - Então?
Ela – Não sei, sabe, não sei… Queria um azulejo… tipo… verde-gelo.
Ele - E onde já seu viu gelo verde? Só tem dois tipos de verde: claro ou escuro. Escolhe um dos dois.
Ela – Calma, não grita! Eu tô pensando alto…
Ele - Você sempre quer o que não tem.
Ela - É que as folhas bordadas na cortina que nós ganhamos de presente da Camila são verde-gelo. Queria tudo combinando.
Ele - Não é mais fácil trocar a cortina?
Ela - E fazer desfeita pra Camila? Toda vez que ela vai lá em casa, ela pergunta se a gente não gostou da cortina.
Ele - Nós não temos o dia todo.
Ela - Vamos levar o piso então. Você tem razão. (ao vendedor) Deixa eu ver os modelos de piso.
Vendedor - Qual seria a cor?
Ele - Verde.
Ela - Branco.
Anderluce Vs Detetive Armando
se quiser trilha sonora, copie e cole o link abaixo:
http://songza.com/z/d2vhdd
PERSONAGENS:
ANDERLUCE é uma menina doce e frágil, veste-se de preto.
ARMANDO usa sobretudo e óculos escuros, está disfarçado.
NARRADOR – O detetive Armando investiga uma série de assassinatos brutais que estão aterrorizando Copacabana. Suas investigações o levaram a boate Shampoo. Chegando a boate, ele não imagina que reencontrará sua melhor parceira na polícia, a misteriosa Anderluce, que está desaparecida há três meses.
ANDERLUCE- Você por aqui???
ARMANDO- Anderluce??????
ANDERLUCE- Não é possível?!? Então infelizmente nos esbarramos… eu queria tanto que esse momento não tivesse acontecido. Se eu pudesse ter evitado… Mas ele está aqui, acontecendo exatamente agora…
ARMANDO- Mas é impossível! Anderluce!
ANDERLUCE- Impossível?
ARMANDO- Você está morta!!!
ANDERLUCE- Sim, morta. É verdade. Completamente morta, extinta.
ARMANDO- Mas como…???
ANDERLUCE- No entanto o fato de estar morta não me impediu de tentar me suicidar 15 vezes nos últimos três meses.
ARMANDO- Mas Anderluce??? Eu disse morta e no entanto você está aqui na minha frente respirando!
ANDERLUCE- Respirando, eu não estou.
ARMANDO- Por que você não me procurou??? Por quê??? Eu não entendo!!!
ANDERLUCE- Por que você está fazendo essa voz ridícula???
ARMANDO- É um disfarce, não me entrega! Eu estou disfarçado! Eu tenho certeza de que é aqui que está o assassino que vem aterrorizando as calmas ruas de Copacabana. Vim disfarçado. Todas as pistas desembocam nesse lugar aqui, nessa boate, Shampoo.
ANDERLUCE- Eu já sabia. Descobri antes de você, detetive.
ARMANDO- Mas sabia já??? Como assim???
ANDERLUCE- Eu descobri há três meses atrás. Eu liguei, você tava naquele bendito daquele churrasco, não atendia o celular que eu não sei nem porque você ainda leva isso pra algum lugar porque nunca atende, nunca vi. Liguei tantas vezes, resolvi investigar por mim mesma…
ARMANDO- Eu não me dou bem com aparelhos.
ANDERLUCE- Se você não parar de falar com essa voz ridícula eu vou ter que me retirar.
ARMANDO- Pra onde, Anderluce? Pra onde você iria??? Heim??? Fugir novamente??? Fugir de tudo??? Você não entende, Há três meses que você está desaparecida! Nenhuma pista! Eu achava que você estava morta.
ANDERLUCE- Eu estou morta, querido! Morta!!!
ARMANDO- Essa metáfora pra sua depressão, essa morbidez toda tá ficando um pouco cansativa, Anderluce. Você tem que sair dessa e principalmente sair daqui! Se ele te descobre aqui… Eu começo a desconfiar que este assassino, Anderluce, além de um terrível psicopata, é extremamente poderoso, e muito, muito forte, fisicamente, eu digo. Começo a achar que talvez ele não seja nem deste mundo de meu Deus que todos nós conhecemos. E o pior de tudo, o mais macabro, eu acho que ele se alimenta de sangue.
ANDERLUCE- Como eu, Armando.
ARMANDO- O quê???
ANDERLUCE- Eu me alimento de sangue, Armando. Eu. A sua parceira.
ARMANDO- Anderluce, você tá com a cabeça meio turva, vamos sair daqui, eu te levo. Não fala coisa com coisa. Esse lugar que tá mexendo com você, essa fumaça. Vamos ali comigo tomar um ar. Isso aqui é um reduto de…
ANDERLUCE- Vampiros!!!
ARMANDO- Anderluce!!! Não!!!
ANDERLUCE- Sim!!! Vampiros!!! Vamos usar logo a palavra! Vampiros de todos os tipos! E eu fui contaminada, meu bem!!! Eu morri!!!
ARMANDO- Anderluce, não!!!
ANDERLUCE- Sim!!! Eu estou acabada. Por que você não atendeu aquele celular, Armando? Eu te amava tanto! Eu te amei sempre… Eu queria tanto ter filhos…. Não necessariamente com você, caso você não me quisesse, mas… eu te amava, é isso. E depois que eles me mataram, me fizeram tomar o sangue, entende? Eu nunca mais tive coragem de olhar os teus olhos, a tua boca… e esse teu pescoço que você tem que é tão macio…
ARMANDO- Anderluce!!! O que você está fazendo???
ANDERLUCE- Me mate, Armando!!! Por favor, eu lhe peço!!! Eu sou um perigo!!! E sozinha eu não posso! Tentei tudo, com pílulas, calmantes, tentei a forca, meti a cabeça no fogão, nada… Cortar os pulsos foi a experiência mais ridícula de toda a minha vida.
ARMANDO- Cala a boca, Anderluce! Não repita nunca mais o que você está dizendo!!! Você não vai tentar se matar nunca mais!
ANDERLUCE- Eu já estou morta!!! Eu preciso morrer!!! Eu matei gente demais!!!
ARMANDO- Não! Você não está falando nem lé com cré. Isso foi coisa estranha que botaram na tua bebida! Anderluce, você tá me ouvindo?
ANDERLUCE- Tentei com aquelas bolsas de sangue, dessas de hospital. É horrível, eu sinto o gosto dos mortos na minha boca toda. Um nojo. Já um pescoço pulsante, a carne viva se rasgando. Eu matei tantos, Armando, eu confesso. Eu sou uma assassina e sinto nojo de mim mesma e no entanto eu tenho tanta, tanta fome…
ARMANDO (Desolado.)- Não é possível… Anderluce, meu amor…
ANDERLUCE- O que você disse?
ARMANDO- Eu sinto tanto a sua falta. Eu não sabia que te amava até você sumir. Eu não sei o que fazer. E agora… uma vampira.
ANDERLUCE- Me mate, Armando! Olha aqui! Eu trago sempre essa estaca na esperança de tomar coragem, mas sozinha eu não consigo. Tem que ser com força pra enterrar de uma vez só. Se atravessar aqui atrás, entre essas duas costelas, um tanto melhor, por isso, força garotão. Faça agora, por mim.
ARMANDO- Eu não posso, Anderluce. Não me peça mais! Basta!
ANDERLUCE- Me mate, meu amor, meu único amor. Me mate pra que eu seja feliz no vazio.
(ARMANDO tenta se encorajar, mas desiste.)
ARMANDO- Eu não posso! Eu não posso…
ANDERLUCE- Meu querido. Porque eu não te disse o meu sentimento que é tão forte quando eu ainda estava viva? Quando eu ainda podia te abraçar e aí pousar a minha boca ainda quente na sua boca, me entregar a você quando meu cheiro ainda era humano ou quem sabe carregar um filho teu no útero que agora está apodrecido. Tudo que resta em mim é um coração parado, tingido pelo sangue dos outros. E é nele que eu quero que você acerte. Vamos lá. Força.
ARMANDO- Anderluce, eu não posso de jeito nenhum.
ANDERLUCE- Então me deixe. Me deixe pra vagar sombria pelos corredores mofados de Shampoo. É aqui que é meu lugar agora. Nesse lixo.
ARMANDO- Andreluce!!!
ANDERLUCE- Armando???
ARMANDO- Me leve com você! Me leve pra longe de toda essa vida! Vamos vagar sem rumo seguindo as sombras, vamos ser selvagens como animais ariscos!
ANDERLUCE- Mas Armando? O que dizes!
ARMANDO-
Morda! Vamos! E me dê seu sangue para que eu me torne teu. Não é assim que vocês fazem?
ANDERLUCE- Armando? Você tem certeza?
ARMANDO- Sim, meu amor! Eu sei. Olha, eu te digo isso com a minha verdadeira voz. Eu não preciso mais de disfarces. Vamos ser sinceros um com o outro para o eterno sempre.
ANDERLUCE- Beba, meu amor. Beba.
FIM………………..


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