Tudo o que vai

Cena:

Beto e Agenor bêbados num bar.

Agenor: Tudo o que vai volta.

Beto: O mundo é redondo como uma bola redonda…

Agenor: Volta sem perdão.

Beto: E tudo o que volta…vai…

Agenor: Pra onde?

Beto: Pro lugar de onde veio.

Agenor: E se o lugar da volta for o mesmo da ida?

Beto: Aí, o retorno é para o mesmo lugar.

Agenor: Mas o retorno não é sempre para o mesmo lugar?

Beto: Dizem que é uma espiral, volta para um lugar sempre um pouco acima do que era antes de ir…

Agenor: Acima do que?

Beto: Do que era abaixo.

Agenor: Mas e se não voltar for a melhor opção?

Beto: A melhor opção sempre volta.

Agenor: Ou sempre fica?

Beto: Se você fica não tem retorno…

Agenor: Mas, se você for, pode acabar não voltando para o mesmo lugar.

Beto pede mais bebida para o garçom.

Agenor: Por que ela me deixou?

Beto: Por que ela não quis ficar.

Agenor: Ela era a mulher da minha vida.

Beto: A mulher da sua vida tem que estar na sua vida.

Agenor: Então por que ela foi embora?

Beto: Por que não era a mulher da sua vida.

Agenor: Mas eu daria a minha vida por ela.

Beto: Seria um desperdício de vida.

Agenor: Ela foi embora como se apagasse uma guimba de cigarro na sola do sapato.

Beto: Usou e jogou fora.

Agenor: O que não servia nem para mais um trago.

Beto: Você vai encontrar outra.

Agenor: Esse é o problema.

Beto: Qual?

Agenor: Eu vou encontrar outra.

Beto: Isso é bom.

Agenor: Mas encontrando outra, eu vou esquecer como queria ficar com ela.

Beto: Essa á a solução.

Agenor: Mas se ela quiser voltar, já estarei com outra.

Beto: Não é maravilhoso?

Agenor: Ela vai voltar, mas a espiral…

Beto afirma com a cabeça.

Agenor: Eu queria tanto que fosse ela que ficasse.

Beto: Mas se ela ficasse, não seria ela.

Agenor: Seria outra…

Pausa.

Beto: Um brinde a que não é ela!

Agenor brinda com Beto. Tempo.

Agenor: Tudo o que vai, volta…

O mais fraco

Sr. X
Rapaz Y

num café)

(depois de um longo silêncio)

Sr.X: Preciso que você me devolva a Cíntia.

(silêncio)

Sr.X: Não é pra agora… É pro natal… Estou avisando antes pra vocês não planejarem nada…

(Rapaz Y encara o Sr.X, incrédulo)

Sr.X: Por favor. Me empresta a Cíntia. Te devolvo antes do ano novo. Não é a minha intenção ficar com essa cretina! Muito pelo contrário…você me livrou de uma. Mas é que… Natal é natal. Vem os meus primos, e tem as crianças… E o pessoal do condomínio… E sem a Cíntia por lá, fica tudo muito… Vazio… Sabe?

(tempo)

Sr.X:(muda o tom) Claro que não sabe! Você é tão cretino quanto ela! Mora em Copacabana. Não vale nada!!! Acha que com seus 23 anos conhece o mundo, está “descolado”! É “esperto”! “Legal pra caramba”! “Muito maneiro”! Mas eu não me troco por dois de você!!! E se a Cíntia fez isso comigo é porque vocês são tudo farinha do mesmo saco!

(respira)

Sr. X: Ela tem idade pra ser sua tia avó.

( tempo)

Sr. X: Olha. Nosso natal já é tradicional. Vai ser o primeiro natal sem ela lá em casa! Você pode ir, se quiser. Mas sem agarramento! Eu digo que você é um sobrinho de longe… Um estagiário dedicado… Um moço do campo tratado como um filho! Não tem problema… Se ficar na sua quietinho, ninguém estranha.

(Rapaz Y se levanta, com desprezo)

Sr. X: (se humilha, gritando) Um dia você vai ter filhos. E esses filhos lhe darão netos. E na ceia de natal, terá uma mulher flácida te sorrindo. E juntos, ali, dividirão a noite mais melancólica do ano, numa troca de abraços e presentes, numa tentativa inútil de resgate familiar, numa alegria muda e triste. E por mais estranho que esse quadro possa te parecer agora, no futuro será a lembrança mais terna, fixa em sua cabeça, assombrando a sua felicidade senil.

( Rapaz Y recua)

Sr. X: (sarcástico) Se fosse em outro tempo, eu te daria um tiro. E estaria com a razão, sabia? Claro. A lei estaria ao meu lado. Muitos como você não tiveram a sorte de envelhecer justamente por conta disso.

(Rapaz Y recua mais)

Sr. X: Quer um tiro? Eu te dou um. Eu seria bem capaz, não acha?

(Rapaz Y recua mais ainda)

Sr. X: (choroso) Natal é natal…poxa.

( Sr. X se joga aos pés do Rapaz Y )

Sr.X: (implorando, agarrado no Rapaz, aos prantos) Libera a Cíntia no natal!!!! Ela é a nossa vaca do presépio!!!! Libera a Cíntia!!!!! Libera!!!! Natal é natal!!!! Cíntiaaaaaaaaaaaa!!!!!!! Cíntiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

( Rapaz Y, num sinal, pede a conta ao garçom e coloca o Sr.X num táxi.)

fim

Antes que ele chegue

Texto para Paula Alexander a partir de seus escritos

(mulher esperando em seu apartamento.)
Mulher: Ele não vai chegar. Eu sou muito idiota. Sabia que ia me arrepender. Ele não vai chegar. Me angustia um pouco isso de não saber se ele vai lembrar.
(Ela continua buscando ações pra se ocupar)
_ Eu odeio esperar, eu odeio. Ele sabe disso. Ele sabe disso. Ele sabe tanta coisa. Por que faz isso? Me angustia um pouco, isso, de não saber se ele vai lembrar desse nosso encontro.
(Busca mais ações)
_ Chega, chega você não precisa disso, você não precisa disso! Vou desmarcar tudo. Vamos parar com essa palhaçada. Isso é uma palhaçada. Olha pra mim, olha pra mim! Que ridículo. Eu não deveria estar assim, eu não deveria. Eu sou ridícula, que ódio! Que vergonha! Vamos lá dignidade! È a única coisa que me resta. Dignidade. Melhor nem aparecer! Você tá ótima, um avião, emagreceu oito kilos. Oito kilos em uma semana. Tá todo mundo te querendo.
Minha mãe é que tem razão. Ela sempre me diz. Temos que amar ao próximo como a si mesmo. Como a si mesmo. Si. Si mesmo. Eu me amo, me acho o máximo. Sou o máximo. U! (ela sorri-muda) Pena que ele não tá aqui pra ver isso! Ele ia ficar orgulhoso de me ver assim. Ah! Ia. Ia me querer. Ia me olhar de cima a baixo e ficar cheio de tesão.
Ah, Chega! Porra, por que eu tenho mania de buscar a sua aprovação nas coisas que faço? Como se eu não pudesse ser feliz sem você está autorizando. Eu não posso conversar com alguém sem você medir as minhas palavras. Não posso fazer algo de que me orgulhe sem que você se orgulhe antes de mim. Quem é você pra aprovar alguma coisa em mim? Quem é você? Quem sou eu pra me sentir assim? Quem sou eu assim? Quem?
Mas porque que você tá demorando?
Me angustia um pouco, isso, de não saber se ele vai lembrar desse nosso encontro pra acertar os pontos. Penso, com quase toda certeza que ele esqueceu. Não o vejo lembrando, dando importância a isso. Mas lembro que foi ele que quis me ver. Então, não tem o direito de esquecer.
Eu vou ligar, vou ligar agora! Eu tenho esse direito. Vou ligar. Ele vai ver como a minha voz tá ótima.
(ela treina primeiro)
1- Alô? Oiiii! Oiiii, querido. Tudo bem? Tô ligando pra saber se você tá chegando, porque se você demorar eu vou dar uma saidinha com um amigo. (desliga)
2- Alô? Tá vindo? Vem logo que eu não posso esperar. (desliga)
3- Alô, Oi. (desliga)
4- Alô, beleza? Olha, desculpe aí ser em cima da hora, mas eu lembrei que tinha um outro compromisso e vou ter que desmarcar, tá? Beijinho, tchau.
(Ela pega o telefone, disca.)
_Tá chamando. Tá chamando. Atende! Ele não atende. Atende? Atende. Atende. Atende! ATENDE!
(ela desliga)
_Pronto! Merda! Merda! Era pra ele ter atendido. Merda! Ai! Eu tava tão forte! Que é que tá acontecendo comigo? Eu tava indo tão bem. Tão bem, tão bem!
Meu deus! Eu não posso enlouquecer
(ela vai até o espelho)
_Olha pra só pra você! Você é bonita, já te disseram isso. Você tem mistério, talento. Você tem. Você tem. Não precisa ficar assim, não precisa…
(ela volta correndo pro telefone)
_Você vai ter que me atender. (disca) Atende, atende. Atende.
Ele não atende! Ele não atende! (para o telefone) Por que você faz isso comigo? Por quê? Por quê? Tudo bem. Eu vou esperar mais seis horinhas. Seis horinhas. Se ele não chegar ou não me ligar eu… Eu… ligo de novo. Pronto, nada demais. Eu ligo de novo.
Até lá, vou me divertir!
(Ela senta, pega um cigarro e fuma. Tempo.)
_Tô me divertindo.
(tempo)
_O casamento é igual ao cigarro, você sabe que aquilo vai te fazer mal, sabe que vai te matar um dia, mas mesmo assim continua fumando, porque o prazer do presente é maior do que pode acontecer no futuro. Que divertido. (fuma)…

(continua…)

A volta dos que não foram

uf… uf… uf… (cansado)
….
Oh, fuck! What’s that???
its a point of no return!!!
Noooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!
anjo, por que você está falando inglês?
ãn?
por que está falando inglês?
n tô falanu ingles……..
querido, estás sim. está sim, querido.
no no no no no no
sim sim sim sim sim
nope
yes…
que ingles qui I falei, por acaso?
por exemplo, o verbo to fuck.
Ha! Ha! Ha! Ha! Ha!
fuck não é ingles, dude! fuck is universal.
sei….
….
….
tá calada….
….
cansou?
tédio mesmo.
e se a gente voltasse atrás? let’s try again.
Nope. tarde demais.
NÃO TEM VOLTA.
AAAAAAAAAAAAAAAAhhhh!!!
volta vai!!!
CORO>>>
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
VOLTA!
the end

Turning around again ou I believe in love

(Noite. Uma rua larga com apenas uma luz de poste amarelada. Luzes de neon dos anúncios ao fundo. Algumas pessoas passam ao longe. Chove fininho. Céu azul cinzento. Um carro em alta velocidade freia bruscamente. Pára. Uma mulher sai do carro e fica em pé na rotatória da pista chorando)

Mulher: (desce do carro chora como se fosse protagonista de um filme francês)

CONTINUA…

Em frente

(Alberto e Stela estão no trânsito, dentro de um carro. Ele dirigindo, ela segurando um mapa. Ele está vestido com a camisa do Corinthians, boné, faixa de campeão e uma bandeira no banco do carro, ela vestida de preto e branco)

Stela: Entra na próxima à direita.

Alberto: Tem certeza?

Stela: Ta aqui no mapa, Alberto.

Alberto: Deixa eu ver.

Stela: Não confia em mim, não, é?

Alberto: Não é isso, amorzinho, é que depois de vir de São Paulo até aqui eu não quero correr o risco de errar o caminho e perder a entrada do Timão em campo. Tá quase na hora do jogo começar.

Stela: Você ta dirigindo, Alberto, não vai conseguir ver mapa nenhum.

Alberto: Deixa eu ver. (ele pega o mapa)

Stela: Temoiso!

Alberto: Não te disse? Você não esta posicionando o mapa direito, meu bem.

Stela: Como não, Alberto? Eu viajei a Europa toda com mapa…

Alberto: Europa é diferente do Rio de Janeiro, Stela. Aqui é tudo uma bagunça. Não dá pra confiar 100% num mapa carioca. Deve estar desatualizado. Se a gente virar à direita, como você quer, a gente vai parar sabe Deus lá onde.

Stela: Quer prestar atenção no trânsito, você está dirigindo.

Alberto: Stela, nós estamos nessa rua aqui, acompanha comigo, a gente tem que pegar o próximo retorno e seguir toda vida, aí sim a gente sai em frente ao Maracanã.

Stela: Se você sabe o caminho por que fica me perguntando?

Alberto: (ele pega o retorno) Já deve estar perto. Nem acredito que eu vou ver o Corinthians golear o Flamengo em pleno Maracanã. Vou dar um palpite: 3×0 pro Timão! Não tem pra ninguém.

Stela: Quem diria: a “Cidade Maravilhosa” não tem uma placa sinalizadora.

Alberto: Isso tudo é marketing. Aquelas imagens que aparecem na TV é tudo montagem. Photoshop. (pausa)

Stela: Alberto, tem certeza que você tá certo?

Alberto: Amorzinho, deixa comigo.

Stela: Tô achando esse caminho estranho.

Alberto: Estranho por quê?

Stela: A gente ta se afastando.

Alberto: Se afastando de onde, Stela, a gente ta se aproximando. Fica quietinha que você não conhece o Rio de Janeiro.

Stela: Nem você.

Alberto: Mas eu tenho senso de direção.

Stela: Você quer dizer o que? Que eu não tenho senso de direção?

Alberto: Stela, eu sei o que eu estou fazendo.

Stela: Então por que as ruas estão mais esburacadas, escuras…

Alberto: Rio de janeiro é assim mesmo. Um caos, não tem política urbana.

Stela: Não vejo nem sinal do Maracanã.

Alberto: Dá pra ficar quietinha, Stela? Assim você me desconcentra.

Stela: O Maracanã fica em cima de um morro?

Alberto: Claro que não.

Stela: Então porque a gente ta subindo essa ladeira?

Alberto: O Maracanã fica do outro lado do morro, na descida, né Stela, que pergunta mais besta.

Stela: Isso aqui ta parecendo uma favela.

Alberto: Meu amor, o Rio de Janeiro, “é”, uma grande favela.

Stela: Eu nunca viveria numa cidade assim. Deus me livre. Olha o esgoto, lixo…

Alberto: Isso aqui é um bairro de pessoas simples, trabalhadores, operários… (pausa)

Stela: Operários do crime?

Alberto: Por que você diz isso?

Stela: Porque tem um homem armado mandando a gente parar o carro, Alberto.

Alberto: Quem?

Stela: Aquele ali com um fuzil na mão. (dois homens chegam um de cada lado do carro, estão vestidos com camisas do Flamengo) Minha Nossa Senhora.

Homem1: Paradinho aí chefia! Parado! Quer morrê, meu irmão?

Alberto: Hã?

Homem2: Abaixa a porra do farol, ô Mané.

Alberto: Hã?

Stela: Alberto, não ouviu o que ele disse? Abaixa o farol.

Homem1: Sai todo mundo pa fora do carro!

Homem2: Os dois! Com as mãos na cabeça, vamo! Tão surdo? Pa fora do carro, com as mãos na cabeça!

Stela: Esse seu senso de direção, Alberto…

Alberto: Quer calar a boca e fazer o que eles estão mandando?

Homem1: Não… Num acredito! O que nós temo aqui, Zoinho?!

Homem2: Cês são maluco ou tão quereno provoca, nóis?

Homem1: O gato comeu a língua de vocês?

Stela: Desculpe, senhor, é que nós não somos da cidade. Nós nos perdemos. Meu marido… Eu disse a ele que a gente estava no caminho errado, mas ele é teimoso. A sinalização é muito ruim, não havia placa, estava tudo escuro…

Homem1: Tão perdido, é? E pa onde cês tão indo?

Stela: Mara…

Alberto: Parentes! Nós vamos visitar uns parentes.

Homem1: Ele veio visitar uns parente, Zoinho!

Homem2: (olhando para a camisa, boné, faixa de Alberto) Mas, mermão, cê ta muito mal vestido pa visitar a família desse jeito.

Homem1: Bota mal vestido nisso. Melhor trocar de roupa, né Zoinho?

Homem2: Sabe que ta rolando um jogaço no Maraca?

Alberto: Verdade?

Homem1: Mengão e Corinthians. Quanto tu acha que vai ser esse jogo, brother?

Alberto: Não faço a menor idéia. (Homem1 está tirando a faixa de campeão de Alberto)

Homem2: Dá um palpite.

Alberto: (com um fiapo de voz) Empate?

Homens 1 e 2: (rindo) Hahahahaha! Empate?! Tu acha, mermão, que o Mengão vai empata com um time de merda como o Corinthians, em pleno Maraca? Acha?

Stela: Claro que não, Alberto.

Homem2: Sabe que eu acho? Que vocês dois são uns paulista corinthiano otários que vieram aqui tira onde com a nossa cara!

Alberto: Imagina, eu nem gosto de futebol…

Homem1: (pegando a bandeira no banco do carro e quebrando) E o que que isso ta fazendo aqui?

Stela: Que loucura, não faço idéia de como isso foi parar aí.

Homem2: Seguinte, cês tão a fim de morrê?

Alberto: Pelo amor de Deus! Podem levar tudo: celular, cartão de crédito, carro… Tá aqui a chave…

Stela: Tudo!

Homem1: Não quero nada dessas porcaria. Tira a roupa, os dois.

Stela: Hã?

Alberto: Por favor, faça qualquer coisa comigo, mas não toque na minha mulher…

Homem2: Ô se liga, mermão! Olha bem pa nossa cara, a gente tem bom gosto.

Homem1: Pa que que eu vou quere um bagulho desse? Tenho coisa muito melhor em casa, otário!

Homem2: Tira a roupa! Agora, os dois! Que eu to mandano! (eles começam a tirar as roupas)

Homem2: Eu falei tudo! (Homens 1 e 2 também tiram a camisa do Flamengo que estão vestindo e passam para Alberto e Stela).

Homem1: Veste aí! (Stela e Alberto fazem cara de nojo)

Homem2: Agora sim cês tão elegante.

Homem1: Aposto até que “os mano” agora tem até um palpite pro jogo, né? Fala aí! Hã? (Alberto balbucia alguma coisa) Não ouvi, fala mais alto.

Alberto: 1×0 Flamengo.

Homem2: Só?

Stela: 2×0.

Homem1: Que tu acha, Zoinho?

Homem2: Acho pouco. Acho que o Flamengo vai dar um sacode. 3×0! (Homens 1 e 2 riem. Homem1 pega a faixa de campeão do Corinthians amassa e enfia na boca de Alberto).

Homem1: Lembrancinha do Rio de Janeiro.

Homem2: Pá vocês guarda de recordação. (ajeitando a camisa do Flamengo em Stela) />
Homem1: Acho melhor vocês se apressa, senão vão chegar atrasado po jogo. Vou ensinar o caminho uma vez só, hein, presta atenção: cês desce essa rua aqui, lá no finzinho tem um retorno. Olha pra mim: Não pega o retorno, Mané!! Segue, toda vida. Vai sair em frente ao Maraca. Do lado da torcida do Mengão!!!! Conhece a Raça Rubro Negra? (Homens 1 e 2 gargalham).

FIM.