Anão no dos outros é refresco
Kid- Bom, gente a conversa ótema, mas vamos finalizando, né? Quero aproveitar esse restinho de domingo e amanhã é dia.
João- Parada aí! Onde você pensa que vai?
Kid- Vou tomar meu virilon, andar de pedalinho, sei lá! Te interessa?
João- O único lugar que você vai, Quid, é pro mais fedorento dos presídios femininos mais próximo.
Kid- Pro mais fedorento ou pro mais próximo?
João- Sem mais gracinhas! Já perdi minha paciência com você muito tempo atrás, na terça-feira, na cena do Barenco.
Kid- E você, pequenino, se me chamar de Quid de novo vai se arrepender amargamente.
João- Nem mais um pio!
Maira- Que arma grande você tem, João!
João- Não, minha cara. Esse aqui é meu acendedor de charutos. A minha pistola é essa aqui!
Todas- Óoooooooooo!!!
Kid- Não aponta isso pra mim!
Mulher Chumbo-Que pesadelo! Eu não devia estar morta agora?
Maria- Seu pulso está ok. Só está um pouco quente. Um pouco febril, talvez?
Mulher Chumbo- Não… deve ser o láudano.
Maria- Ah, sei. Essa dieta eu não conheço.
João- Irmazinha. Pare de pavonear a obesa e pege logo sua peruca e seu shortinho de volta. Você assim, nua e careca, parece uma leitoa.
Kid- Tome a peruca! O shortinho ninguém tasca! Lembre-se que ainda tenho a gravação.
Mulher Chumbo- Tem alguma coisa aqui embaixo, que está me incomodando.
Fifi- Au..Au… Au…
João- Sem movimentos bruscos, Quid… vai tirando no shortinho, vai…
Kid- Você me deseja. Eu sinto que sim.
João- Ora, Quid… você caiu de para-quedas em nossas vidas, me provocou uma ereção. Mas não confessarei meus desejos sombrios nem sob tortura.
Kid- Eu não matei ninguém, seu anão-demente-travesti-infantilóide da policia federal! Pare de me perseguir!
João- Você foi pega em flagrante, Quid! não foi ninguém que contou não! Nós vimos você estrangulando a cadela!
Fifi- Au… Au…
Kid-Essa desgraçada não vale o bonzo que come.
Mulher Chumbo- Nem todo láudano do mundo passa incólume pelo meu sistema digestivo. Se pelo menos eu tivesse uma seringa… Ai, tem alguma coisa aqui embaixo?
Maria- Levanta logo e pára de reclamar, gorda ensebada!
Mulher Chumbo- Meu Deus! O que ele estava fazendo ai embaixo?
Todos- Óóóóó!!!!!!!!!!!!!
João- Que fim levou o Robin?
Maria- Adoro essa banda!
Kid- Ah, Cachinhos dourados. Além de uma pequena monstruosidade, você também tem um gosto musical péssimo. Você e o Hugo Chávez.
Maria- Quem cantava “chupa toda” lambrecada de papinha de ameixa não era eu!
Mulher Chumbo- Espera! Eu conheço vocês!
Kid- Não era papinha de ameixa! Era Activia!
João- Não mudem de assunto! Mataram o Robin e não foi o Coringa! Foi você, Quid!
Mulher Chumbo- A gente só queria se suicidar de um jeito esdrúxulo. O tédio… a infindável repetição do cotidiano… sabe como é…
Maria (informativa)- O primeiro Robin virou o Asa Noturna, O segundo morreu nos idos anos oitenta…
Mulher Chumbo- Crianças! Sou eu! Não me reconhecem?
Kid- Não pode ser… Ariana?
Mulher Chumbo- Sou eu, Kid!!! Me dá um abraço!
Kid- Deus em livre! Bem feito! Abusar de crianças para pedir esmola dá estrias e colesterol ruim.
João- Este não é o Robin… É o Harry! O Harry Potter!
Kid- Pra mim basta desse caos!!! Eu tenho um para-quedas alugado pra devolver!
KID PULA PELA JANELA DO APARTAMENTO, SEU PARA-QUEDAS É LEVADO PRO ALTO POR UMA CORRENTE DE AR QUENTE, ELA É PUXADA COM UM TRANCO TÃO FORTE QUE SEU SHORTINHO É ARRANCADO DO CORPO, POUSANDO NO CHÃO DO APÊ.
Kid- Partiuuuuuuuuuuuu…
João- Vai levar chumbo, ordinária!
Mulher Chumbo- Não se a mulher chumbo puder impedir.
Maria- Ariana! Não!!!
JOÃO ATIRA NA DIREÇÃO DE KID, MAS MULHER-CHUMBO-ARIANA SE COLOCA NA FRENTE E TOMA DIVERSAS BALAS.
Mulher Chumbo- Obrigada… Obrigada…
MULHER CHUMBO CA MORTA COM TANTO IMPACTO QUE O PRÉDIO COMEÇA A RUIR.
Todos- Não!!!
Maria- Socorro!
João- Não pode acabar assim!
Fifi- Au! Au! Au!
PRÉDIO DESABA… SILÊNCIO… ESCURIDÃO…
FIM…
queridos
estréio no sábado que vem “Caminhos de Sangue” – 04/abril, 22:30, Gláucio Gill, Copacabana, Rio…
os dois traillers da peça abaixo
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Os abóboras selvagens
Mulher acorda sem nada entender, do mesmo jeito que está essa autora que vos escreve…
Mulher – Hein? Onde estou?
João – Espera, pára, pausa…
Kid – O quê? João- É o seguinte, eu sou personagem do Jô Bilac, aquele que foi capa do segundo caderno de hoje. E você “Mulher” é um erro de percurso, pois o Rodrigo Nogueira, aquele que foi considerado pela Bárbara H. o melhor autor de 2008 se confundiu e postou errado no site…
Kid – O Jô foi capa é?
João – Foi.
Kid – Já você foi um personagem roubado de outro autor, sendo assim, sou a única legítima da história.
Entra um dos três porquinhos.
Porquinho – Puta merda! Casa de palha nessa altura do campeonato!
Kid – Você é um porco que fala?
Porquinho – E você é uma personagem confusa criada por um autor que foi capa do segundo caderno?
Kid – Como é que todos sabem disso, menos eu??? Que traição! Dei tanto de mim todos esses anos e meu próprio autor não quer dividir seu momento de glória comigo.
Mulher – Quem é Bárbara H.?
João – Uma senhora que gosta de fazer pessoas que sofrem, sofrerem um pouco mais.
Porquinho – Fala baixo que ela ainda não fez a crítica de minha nova peça…
Kid – Mas você não é personagem de um livro?
Porquinho – Livro é uma coisa muito parada. Não tem movimento. Estou com artrite e retenção de líquido por falta de exercícios, então resolvi montar uma peça.
Mulher – Eu também posso montar uma peça?
Kid – Cala a boca! Meu autor foi capa!
Mulher – Eu queria ser personagem de peça…
João – Personagens de sites não viram personagens de peça…. às vezes participam de leituras, mas peça nunca.
Mulher começa a chorar.
Porquinha – Palha… nunca mais… Isso! O nome da minha peça “ A Palha Atrapalha”!!!
Mulher – Rodrigooooooooo!!!!!!! Socorro! Me tira do site! Me coloca numa peça! Eu quero ser interpretada pela Fernanda Felix!
Kid – Deixa de ser ridícula! Eu sou a cara da Fernanda!!!
Porquinho – Posso colocar vocês duas na minha peça!
João – Eu também quero!
Porquinho – Não tem lugar para meninos chamados João…
João – Meu nome não é João!
Kid – Lá vem…
Porquinho – E qual é???
João – Meu verdadeiro nome é “Maria”.
Kid – Peraí! Você é a Maria?
João – Sou. Porquinho – Se você é a Maria… então… quem é o João?
Todos se olham.
Kid – Não olhem para mim!
Mulher – Eu não sei nem quem sou!
Porquinho – Tá bom, gente… sou eu, pronto. Sou o João… Ai, falei… tava guardando isso…
João – Você é o João?
Porquinho – Subornei a bruxa e comi a casa toda.
João – Não acredito que você fez isso com sua própria irmã.
Porquinho – Que saiu escondida da casa com as minhas roupas para enganar a todos!
(Continua…>)
Pra lá não vou!
Olá, vejam abaixo a continuação da saga da Kid misturando com o texto do Rodrigo Nogueira. Divirtam-se e boa sorte à Julia e Camilo.
PRA LÁ NÃO !!! de Renata Mizrahi
(Kid está correndo desesperada de João que está atrás dela.)
Kid(Correndo): Me deixa em paz, João. Eu não quero saber de você. Seu anão fedentino.
João: Não adianta correr, Kid com Qu, eu sei muito mais tudo sobre você. Eu lembro de você naquela nave espacial, eu lembro de você dançando axé, eu lembro, eu lembro! (riso macabro)
Kid (correndo): Não! Não! Não era eu, você deve estar me confundido com outra Kid.
João: Só existe uma Kid no mundo. E é você.
(Kid correndo encontra uma cadelinha perdida, é a Fifi)
Fifi: Por aqui!
Kid: Meu Deus! Você fala.
Fifi: Não discuta. Me siga. Antes que ele te alcance.
Kid: Oh, não! O que aquele maldito me deu para beber?
Fifi: Vai ficar aí parada?
Kid: Ok.
(Kid segue a cadelinha Fifi, entra num prédio antigo e encontra uma mulher pesando 130 kilos, pelada e um rapaz de 28 anos vestido de Robin. Ambos deitados no chão.)
Kid: O que é isso?
(A cadelinha começa a latir)
Kid: O quê? Vai começar a latir? Logo agora? Pode começar a falar. Anda fala.
(a cadelinha late)
Kid: Não me venha com esse joguinho cínico. Foi você que me trouxe até aqui.
(a cadelinha late)
Kid: Malditos cachorros! Eu vou acabar com a tua raça!
(A cadelinha late. Kid pega a cadelinha pelo pescoço)
Kid: Fala! Fala, desgraçada. O que significa isso tudo? O que você quer de mim? O que você quer de mim?
(João aparece)
João: Te achei Kid com Qu
(Ele vê Kid estrangulando a cadelinha e os corpos no chão)
João: Kid? O que é isso? Você matou o Robin? E essa mulher gorda…
Kid: Não pense besteira, João. Foi essa maldita cadela que me trouxe aqui e eles já estavam assim. Agora ela não quer me dizer por quê.
João: (rindo) O quê? Não vai me dizer que a cadela e disse: “me siga”. (rindo) Você está em apuros, Kid com Qui.
Kid: Se você é uma anão disfarçado de criança, qual o problema dessa cadela falar?
(a cadela late)
João (sacando uma arma): Você está presa, Kid. Além de ser anão, eu sou um policial infiltrado nos contos de fadas.
Kid: Presa? Por quê?
João: Não se faça de sonsa! Você foi pega em flagrante no assassinato do Robin e mulher chumbo. E ainda por cima estava tentando estrangular uma cadelinha desprotegida.
Kid: Não , João. Não fui eu que matei. E que é a mulher chumbo?
João: Diga isso na cadeia. O lugar de onde você nunca devia ter saído.
Kid: Eu não quero voltar pra lá, João!!!Não!!!!!!
João: É melhor ficar quieta, senão, eu atiro.
Kid: Não!!!!!!
Continua…
A volta
antes de tudo uma explicação: eu tenho problemas com computadores. eles quebram, não ligam, a internet não funciona. é um problema. e essa semana vivi um desses problemas. fiquei sem internet e mosquei na continuação das cenas. portanto, vim para a casa de um amigo pra não perder a postagem e, lendo os e-mails, descubro que era pra continuar. mil desculpas. mas a renata pode continuara as duas! beijos a todos nossos leitores, r.
agora sim. a cena:
Mulher: Láudano?
Rapaz: Mantém o corpo quente.
Mulher: Pra quê?
Rapaz: Pras pessoas acharem que ainda tá vivo.
Mulher: Tem certeza que funciona?
Rapaz: Sabe a Fifi?
Mulher: Ahn.
Rapaz: Ela não tá dormindo.
Mulher: Você envenenou minha cadela?
Rapaz: Eu tinha que testar em alguém.
Mulher: Mas precisava ser na Fifi?
Rapaz: Qual a diferença? A gente vai estar morto daqui a meia hora.
Mulher: A cachorra não tem nada a ver com isso.
Rapaz: Melhor morrer envenenada do que morrer de fome.
Mulher: Morrer de fome?
Rapaz: Não ia ter quem cuidasse dela.
Mulher: Alguém ia cuidar.
Rapaz: Quem?
Mulher: Quem quer que encontrasse a gente.
Rapaz: Você quer dizer nossos corpos.
Mulher: É. A gente.
Rapaz: Ela morreria de fome até então. Vai demorar até que encontrem a gente.
Mulher: Os nossos corpos?
Rapaz: Isso. A gente.
Mulher: Por quê?
Rapaz: Eu já te falei. Láudano mata mas mantém o corpo quente.
Mulher: E daí?
Rapaz: Não fede até o terceiro dia.
Mulher: Ah, então não quero.
Rapaz: Não feder até o terceiro dia?
Mulher: Uma morte tão discreta.
Rapaz: Mas a graça é essa. Ninguém vai ter percebido que a gente morreu.
Mulher: Mas não tem a menor graça. O que é que os vizinhos vão dizer?
Rapaz: Por um bom tempo nada.
Mulher: Não pode. Daí o suicídio não faz sentido. A graça tá no comentário. Suicídio só tem graça porque gera comentário.
Rapaz: Agora não tem mais volta.
Mulher: Como não tem mais volta?
Rapaz: Eu já comprei o láudano.
Mulher: Troca por sicuta.
Rapaz: Ele não tinha sicuta.
Mulher: Estricnina então.
Rapaz: A gente tá falando de veneno não de polaina.
Mulher: Polaina?
Rapaz: Que pode trocar em loja. Não é que nem veneno de laboratório. Consegue o que tem.
Mulher: Achei sem graça esse láudano.
Rapaz: É o que tem.
Mulher: Então vamos fazer de uma forma bem ridícula.
Rapaz: De uma forma bem ridícula?
Mulher: Pras pessoas comentarem.
Rapaz: Como assim?
Mulher: Você se veste de Robin e eu fico pelada.
Rapaz: Hein?
Mulher: E a gente toma o veneno deitado na porta da frente.
Rapaz: Deitado na porta da frente?
Mulher: Pra todo mundo ver.
Rapaz: Você pelada e eu de Robin?
Mulher: Se você preferir vai de outra coisa. É que já tem a fantasia do Robin.
Rapaz: E você pelada?
Mulher: Não tem fantasia pra mim.
Rapaz: Você está com cento e trinta quilos.
Mulher: Justamente por isso não tem fantasia pra mim.
Rapaz: Você não tem nem um pouquinho de vergonha?
Mulher: Vergonha de quê?
Rapaz: De ficar pelada em público com cento e trinta quilos?
Mulher: Eu vou estar morta. Pelo menos vai dar o que falar. Vão ficar achando que era algum ritual.
Rapaz: Envolvendo uma mulher de sessenta anos pelada e um homem de vinte e oito usando uma fantasia de super herói?
Mulher: É contemporâneo. Vai pegar a fantasia que eu vou tirando a roupa. O láudano tá onde?
Rapaz: Na garrafa de suco de luz.
Mulher: Suco de luz?
Rapaz: É contemporâneo.
Mulher: Eu vou pegar.
(mulher sai, enquanto rapaz se veste de robin. Ela volta completamente nua)
Mulher: Como é que você sabe que a Fifi morreu mesmo?
Rapaz: Eu misturei láudano com Bonzo.
Mulher: Mas e o efeito? Como é que você sabe que fez efeito?
Rapaz: Eu não sei tirar pulso de cachorro.
Mulher: Ela tá respirando?
Rapaz: Não. Mas a Fifi tem um respirar bem leve. Nem dá pra reparar.
Mulher: É verdade. Ô cadelinha de respiração leve. (pausa) Mas e se ela volta?
Rapaz: Como assim volta?
Mulher: À vida. E se ela volta à vida.
Rapaz: Ela não vai voltar.
Mulher: Como é que você pode ter certeza?
Rapaz: Ela não vai voltar.
Mulher: Tá pronto?
Rapaz: Super.
(os saem da casa e deitam na porta da frente)
Rapaz: Vamos logo que se alguém passa aqui eu morro de vergonha.
Mulher: Melhor. Sobra mais veneno pra mim.
Rapaz: Você vai botar a bunda na minha cara?
Mulher: Tem que ficar um pose ridícula.
Rapaz. Mas assim tá demais…
Mulher: Deixa de ser chato.
Rapaz: Me dá logo esse veneno que eu já tô louco pra morrer.
(Rapaz toma o veneno. Mulher também. Os dois morrem. Trinta segundos depois Fifi volta à vida)
Flashback
(Névoa de fumaça anunciando o flasback. Som de móbile angelical é cortado pelo som da algazarra das crianças)
Branca: (viciada) Eu quero um copo de leite!
Zangado: (com ares de traficante) Será que você agüenta essa dose?
Branca: Eu bebo isso todo dia! (desesperada se atira na pequena mamadeira nas mãos de Zangado)
Zangado: Você me deve. Vai ter que arrumar o meu berço!
Branca: Tudo o que você quiser! Eu preciso de mais uma dose, mais uma dose de leite!
(Dentro do cercadinho)
Cinderela: Devolva o meu sapatinho de Cristal!
Rapunzel: Cale a boca, Gata Borralheira!
Cinderela: Devolva o meu sapatinho agora ou eu corto o seu cabelo!
(As duas gritam e se mordem rolando pelo chão. Num recanto da sala fumando charutos, com ares de gângsteres João e Maria. João misterioso retira um plano de batalha da calça plástica)
Maria: (má) Vamos plantar feijões que crescerão até o céu? De novo?
João: O que você sugere? Seguir por uma estrada de tijolos amarelos e comprar sapatos vermelhos. (gargalhada diabólica) Você nunca me enganou. Está na cara que você morre de inveja da Dorothy!
Maria: Ah, seu fedelho! Você não vale a cacaca da minha fraldinha!
João: Calma, bebê! O plano é o seguinte: Vamos fugir! Seguiremos migalhas de pão e encontraremos uma casa de doces.
Maria: Interessante!
(Som de sirene. As crianças marcham, espécie de exército macabro. Ariana entra na sala. Ao sinal de Ariana um de cada vez executa o seu trabalho.
Dunga: (na linguagem dos sinais) Senhores, desculpe estar interrompendo o silêncio da sua viagem.
Lobo mau: Eu poderia estar matando,
Zangado: trabalhando numa mina de diamantes,
Branca: mordendo maçãs envenenadas,
Rapunzel: jogando minhas tranças por aí,
Cinderela: praticando alpinismo social em bailes da elite,
João: roubando,
Maria: mas eu estou aqui pedindo.
Harry Porter: Quem não quiser ajudar eu vou furar o olho com essa varinha!
Ariana: Opa! Assim não! O passageiro tem que sentir pena. Tem que pensar: ajudei essa criança, cumpri meu papel de cidadão. Entendeu querido? Você está muito limpinho. Acho que vale a pena investir numa ferida, uma pereba para mostrar para quem não quer contribuir. E esses óculos? Vai querer bancar o pedinte intelectual? Agora é hora de pagar a chefe: quero 50% aqui na minha mão. (Crianças entregam dinheiro) Isso!
(Batidas na porta. Entram Jacobs e Martone.)
Ariana: Olá! As crianças estão todas aqui conforme o combinado. Infelizmente não tenho nenhum exemplar albino para oferecer. Mas, posso providenciar rapidinho!
Martone: Nós queremos adotar uma menina baiana!
Maria: Ôxi!
João (cutucando-a): Cala a boca! Você vai querer um pai que usa saias!
(Jacobs puxando Martone pelo braço)
Jacobs: Não era esse o combinado!
Martone: Meu amor, pense bem. A menina poderá render muito dinheiro. Baiano não nasce estreia!
Jacobs: Uma criança baiana não poderá ajudar nos trabalhos da casa!
Martone: Meu amor, nossa filha será uma estrela: uma grande cantora de axé. Parece que já estou vendo a nossa menina no alto do trio elétrico!
Jacobs: De onde você tirou essa idéia?
Martone: Eu sou fã da Ivete Sangalo!
Jacobs: Eu não acredito! Eu não o reconheço. Você jurou que preferia a Claudia Leitte!
Branca: (espumando) Alguém falou em Leite! Eu quero Leite!
Jacobs: Dissimulado! Desclassificado! Brasileiro!
Martone: Retire o que disse se não quiser ver minha adaga girando no ar.
Jacobs: Fale baixo comigo! Ou farei uma coleção de porta níqueis baratos com a sua pele!
(Os dois brigam. Todos tentam acalmar os ânimos. Ao longe aparece uma criança nua andando num andador à la nave espacial, com um rádio de pilha que toca Arerê, nas nádegas da criança podemos ler a seguinte palavra escrita com papinha de ameixa: KID. A criança passa pela briga. O tempo fica suspenso. Jacobs e Martone olham para a criança e se entreolham sorrindo repletos de esperança)
Continua…
Fui mas voltei!
(Kid segue rindo, diabólica e onipotente, quando ouve uma outra gargalhada, agora de João).
João – Kid, Kid, Kid… Você pensou que seria assim, tão fácil? Você teve a pretensão de imaginar que tudo seria resolvido no primeiro capítulo?
Kid com as sombrancelhas arqueadas.
João – Que a Maria é uma criança suja, escrota e careca, no fundo todos nós sabíamos.
Kid – O que está querendo insuar?
João – Que você não sabe o que eu sei.
Kid – E como você sabe que eu não sei o que você sabe?
João – Eu sei que você não sabe o que eu sei porque só eu sei. É um segredo que nunca contei pra ninguém, nem pra Maria.
Kid – Então quer dizer que…
João – Sim….
Kid – Meu Deus!
João – Na verdade…
Kid – Não, por favor.
João – Eu não sou uma criança!
Kid – Óooo!
João – Eu sou um adulto!
Kid – Óoooo!
João – Adulto e anão!
Kid – Não é possível. Essa revelação foi como um óculos que sempre esteve na minha cara e eu nunca percebi! Estou me sentindo mais enrolada que carretel… estou me sentindo uma estação de metrô vazia.
João – E tem mais.
Kid – Tem?
João (tira um pedaço de papel do bolso) – Pergunte a sua mãe… você ainda tem mãe, né Kid? Pergunte se ela lembra do anão que registrou o nome de sua filha no cartório.
Kid – Como assim?
João – Na verdade… Kid… você foi registrada com QU!
Kid – Óooo!
João – Quid Bauhaus! (gargalhadas) Abrasileirada! E pobre!
Continua…. >
A volta dos que não foram
(João e Maria, perdidos no meio da floresta)
Maria: (puta da cara) Eu te disse que esse lance de migalhas de pão não ia dar certo!
João: Ok, Maria. Por que não deu idéia melhor?
Maria: Agora estamos com fome, sem ter como voltar pra casa, perdidos no meio dessa floresta perigosa, cercada por animais selvagens! Seu imbecil! A vontade que eu tenho é de socar a sua cara.
João: Pega leve! Ficar estressada não ajuda em nada. Vamos pensar juntos. Não deve ser tão difícil sair daqui.
Maria: (chorosa) Entramos pro hall das crianças mais burras dos contos infantis!
João: Não é verdade… Chapeuzinho ainda é a top. Confundir a avó com um lobo, é ruim de engolir.
Maria: Cala a boca, seu retardado!
João: Cala boca você, mala!
Maria: Bola de catarro!
João: Vaca chupada!
Maria: Cú de babuíno.
João: Varejeira pestilenta!
Maria: Ninguém me chama de varejeira pestilenta! Você vai pagar caro, João!
João: Tenta a sorte, Maria!
( Maria avança no irmão. Os dois rolam pelo chão, brigando)
(Surge Kid Bauhaus, completamente nua, presa em um pára-quedas. Perdida)
Kid: Oi.
(João e Maria paralisam)
Kid: (sempre natural) Você me empresta o seu shortinho?
(silêncio)
Kid: É que eu saltei de pára-quedas, nua…
(silêncio)
Kid: Era pra entrar no Guinness Book…
(silêncio)
Kid: Não conhecem o Guinness Book? É um livro de recordes…
(João e Maria ainda paralisados)
Kid: Pois é… Essa era a idéia. Mas veio um vento maluco e embolou o meu equipamento… Tô toda enrolada… (mexendo no pára-quedas) Arrastando essa porcaria pra cima e pra baixo… E o pior é que é alugado, né… Tenho que devolver na segunda, bonzinho… Se rasgar, pago uma baba… E meu dinheiro só cai dia 15, então já viu…
(João e Maria sem mover um músculo)
Kid: Eu preciso voltar pra casa, mas tô pelada… Me empresta aí o seu shortinho, vai. Criança pelada ninguém repara…
(sem reação)
Kid: E aqui é uma mosquitada! Vocês moram por aqui? Meio paradão o lugar, né. Eu sou muito animada… Ah!!!!! Vocês bem que podiam quebrar outro galho pra mim, héin…
( Kid desenrola do seu pulso uma cordinha que prende uma máquina digital)
Kid: Tira uma foto pra registro? Eu sei que não deve valer muita coisa, já que eu estou no chão, mas vai que o pessoal do helicóptero errou o foco, aí não vai dar pra ver que sou eu. Vocês podem mirar bem no quadro geral… Eu posso fingir que estou caindo agora. Tipo: acabei de aterrissar… Eu dou um pulinho e vocês clicam nesse instante… Entenderam? Pulinho: clicada! A gente pode treinar, porque a bateria está descarregando e não vai dar pra ficar errando… Saca? Qual de vocês é o melhor pra isso?
(silêncio)
Kid: Ai gente, fala alguma coisa! Vão ficar aí com essa cara congelada?
(silêncio)
Kid: (muda a tática) Qual é o nominho de vocês? Falem pra titia…
(silêncio)
Kid: (infantilóide) Estão assustados, é? A madrasta de vocês deu um chute nas suas bundinhas magrelinhas, foi? (fofíssima) Mas a titia promete, que se vocês tirarem uma fotinho e emprestarem o shortinho, a titia leva vocês pra comer um super cachorro quente com direito a um copão de coca cola bem grandão. O que acham?
João: Vai tomar no cú.
Kid: ( fula) Que isso? Seu merdinha desgraçado! Boca suja!
Maria: Tia, eu tiro a sua foto e empresto o meu shortinho.
Kid: As meninas são sempre bem educadas! Não dão trabalho! Obrigada, meu bem.
Maria: Obrigada nada, são 95 pratas.
Kid: O que?
Maria: 50 pela foto e 45 pelo shortinho. E ainda leva a minha faixa de cabelo grátis, pra cobrir os peitos. É pegar ou largar!
Kid: Por que meu deus? Por quê? Nos momentos mais difíceis da minha vida só aparecem as criaturas mais mercenárias do mundo!
Maria: Não quer não queira, ninguém é obrigado a nada. Eu tenho o que você precisa. E tudo nessa vida tem um preço e se não está disposta a pagar, paciência!
Kid: Escuta aqui, sua fedelha, você não é tão criança assim que não possa me entender: se continuar a ser essa criatura mesquinha e arrogante que você é, vai acabar sozinha sem ninguém pra amar. O amor não brota em corações gelados cobertos por recalque, no lugar disso o que se coagula é um tumor maligno cheio de veias entupidas chafurdadas em rancor. A vida ensina, e uma casa de doces pode ser muito mais amarga do que você imagina.
(tempo)
Maria: 115 pratas, sem a faixa de cabelo. Só de raiva. Vai pagar peitinho em praça pública pra aprender o que é bom pra tosse.
Kid: Ordinários!
João: Vamos embora Maria, o ar por aqui está insuportável.
Maria: Concordo plenamente. Quem se junta com porcos, farelos come.
Kid: Esperem! Vocês vão embora e me deixar assim?
Maria: Aceito cartão.
Kid: Mas eu estou sem a minha bolsa aqui… Posso te pagar depois, assim que eu encontrar o meu grupo.
Maria: Eu tenho cara de otária?
Kid: Mas eu não tenho nada comigo agora.
Maria: E essa máquina digital? Tem quanto megapixels?
Kid: Não, não, não… Foi caríssima! Nem vem que não tem.
Maria: Ok, não sou eu que vou circular por aí peladona exposta nessa floresta selvagem.
Kid: Tudo bem. A máquina pelo shortinho, a faixa e… a sua peruca!
Maria: (trágica) Como descobriu que eu uso peruca?
Kid: (gargalhada sádica) Reconheço uma menina careca de longe!
João: (espantado) Maria…Você nunca me contou…
Kid: Acho que a sua irmãzinha, andou escondendo muita coisa de você por todo esse tempo, João…
Maria: Cale a boca, sua vadia!
João: (assustado) Do que ela está falando, Maria?
Maria: Não é nada, João, vamos embora…
Kid: Até quando vai viver nessa mentira? Até quando vai suportar a dor do fingimento, Maria…? Ou devo lhe chamar de… Cachinhos dourados!
João: Cachinhos dourados?
Maria: Como descobriu?
Kid: A criança mais mercenária de todos os contos infantis, foragida dos reinos encantados, se fazendo passar por uma camponesa pobretona. Essa pele maravilhosa não combina com a pele de uma criança criada no campo. E foi só te dar a deixa, que você logo deixou a sua máscara cair… Uma vez flamengo, sempre flamengo. Pau que nasce torto , nunca se endireita!
Maria: Você não pode provar nada! Para todos os efeitos eu ainda sou Maria!
Kid: Isso, confessa tudinho, a minha câmera além de fotográfica é filmadora! Peguei você!
( Maria percebendo que tudo foi filmado)
Maria: (desesperada) Quanto você quer pra manter esse segredo entre nós?
Kid: Ora, ora, ora…Como a vida é irônica. Dando voltas e mais voltas, que nem o 434 Grajaú/ Leblon! (gargalhada)
Maria: Diga logo o seu preço!
Kid: Eu já disse, meu bem: seu shortinho, sua faixa e sua peruca.
Maria: Mas para que você quer a peruca?
Kid: Para te ver humilhada e careca! (nova risada sádica)
Maria: Ok. (Maria tira as coisas e dá pra Kid)
João: (perplexo) Eu não acredito no que estou vendo…
Kid: (vestindo-se) A vida é uma caixinha de surpresa… Nem sempre agradável, é claro. Você vai aprender João, que ás vezes é preciso um osso de galinha se passar por um dedo gordinho, para garantir a sobrevivência! Agora eu tenho que ir! Já perdi muito tempo com vocês, a prosperidade me espera! Livro dos recordes: lá vou eu! É a Kid Bauhuas voltando e
m grande estilo. Afffffffffffffffff!
(fim)
Para Carolina Pismel , que (acreditem) já vi pular nua com um pára-quedas!
Segunda-feira
Terça-feira
Quarta-feira
Quinta-feira
Sexta-feira
Sábado
Domingo