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	<title>Drama Diário</title>
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	<description>Toda semana um tema, todo dia uma cena.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Sep 2010 02:30:18 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Terra do fogo</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 02:29:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[ABUSO]]></category>

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		<description><![CDATA[Cena 2 de TERRA DO FOGO. Peça escrita em 2003 / 2005. 2 Entra a Mãe Dendê: A bença minha Mãe. Mãe: Cadê a televisão do meu quarto? Dendê: Num sei, Mãe&#8230; Mãe: Tu roubou a televisão do meu quarto. Dendê: Num pode ter sido o Chupeta?! Mãe: Seis horas eu quero a televisão do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cena 2 de <em>TERRA DO FOGO</em>. Peça escrita em 2003 / 2005.</p>
<p style="text-align: center"><strong><em>2</em></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong>Entra a Mãe</strong></p>
<p>Dendê: A <em>bença</em> minha Mãe.</p>
<p>Mãe: Cadê a televisão do meu quarto?</p>
<p>Dendê: Num sei, Mãe&#8230;</p>
<p>Mãe: Tu roubou a televisão do meu quarto.</p>
<p>Dendê: Num pode ter sido o Chupeta?!</p>
<p>Mãe: Seis horas eu quero a televisão do meu quarto!</p>
<p>Dendê: Mas num fui eu, mãe. Tou chegando agora!</p>
<p>Mãe: Tu tá acusando o Chupeta?</p>
<p>Dendê: Se num fui eu&#8230;!</p>
<p>Mãe: Chupeta acabou de me pagar o que me devia. Só pode ter sido você!</p>
<p>Dendê: E se num fui eu quem pode ter sido?</p>
<p>Mãe: As almas Santas Benditas, coitadas das Almas! Olha aqui, Dendê! Tu toma teu rumo que eu tou cansada de você! Mas antes traz a televisão do meu quarto!</p>
<p>Dendê: Peraí, Mãe&#8230; volta&#8230; vamo descobrir quem foi que fez isso, ué!</p>
<p>Mãe: Tu tá blefando comigo, garoto? Tá me fazendo de idiota?</p>
<p>Dendê: Deus me livre, Mãe!</p>
<p>Mãe: Já deu fim na televisão do meu quarto, né?</p>
<p>Dendê: Não&#8230;</p>
<p>Mãe: Compra outra!</p>
<p>Dendê: Não tenho dinheiro!</p>
<p>Mãe: Rouba!</p>
<p>Dendê: A Sinhora acha que eu ia me dar bem com um treco que é seu?</p>
<p>Mãe: Tu é um cachorro! Cachorro!! <strong>(Dá uns tapas em Dendê)</strong></p>
<p>Dendê: Ai, ai! Peraí!</p>
<p>Mãe: Que <em>qui</em> tu aprontou dessa vez, hein? Fala! Anda!</p>
<p>Dendê: Mas num foi com a sinhora!</p>
<p>Mãe: Foi com quem?!</p>
<p>Dendê: Foi culpa do Sukita, Mãe! Ele encasquetou que queria assaltar a farmácia e assaltou!</p>
<p>Mãe: Marmanjo de araque! Me dá essa arma!</p>
<p>Dendê: Num pega bem pra sinhora&#8230;</p>
<p>Mãe: Me dá essa droga!</p>
<p>Dendê: Que qui a sinhora tá fazendo?</p>
<p>Mãe: Cala a boca!</p>
<p>Dendê: Vira isso pra lá!</p>
<p>Mãe: Cala a boca! <strong>(Dá um tiro pro alto.)</strong></p>
<p>Dendê: Por que a sinhora tá fazendo isso comigo?</p>
<p>Mãe: Porque tu é um otário! Deita no chão! Deita no chão!!!</p>
<p><strong>Dendê deita no chão com as mãos na nuca.</strong></p>
<p>Mãe: Joga tudo o que tu tem de dinheiro aí.</p>
<p>Dendê: Tenho nada, Mãe&#8230;</p>
<p>Mãe: Vou te dar um tiro no cu, seu filho da puta!</p>
<p>Dendê: Tá aí!</p>
<p>Mãe: Ó que merreca! Tira a roupa!</p>
<p>Dendê: Que é isso, minha Mãe!</p>
<p>Mãe: “Que é isso, minha Mãe!” Parece um bobão! Tá com medo, né,  seu puto?! Vai, tira a roupa!</p>
<p><strong>Dendê tira a roupa e fica de cueca.</strong></p>
<p>Mãe: Por enquanto é isso. Se sair vai passar vergonha! Vou queimar tuas roupas! Tou pra fazer isso faz tempo!</p>
<p>Dendê: Mas Mãe&#8230; a sinhora num pode&#8230; eu tenho que me safar&#8230; tenho que sumir&#8230;tão me caçando&#8230; vão me pegá&#8230;</p>
<p>Mãe: Quem? O bicho papão?!</p>
<p>Dendê: Num me sacaneia&#8230;</p>
<p>Mãe: E desde quando entra polícia aqui? Hein? Aqui só entra quem eu quero, tu sabe disso! Corro com eles!</p>
<p><strong>Dendê, arisco, salta sobre a Mãe e tenta resgatar a arma. A Mãe se desvencilha e acerta um tiro no pé de Dendê</strong></p>
<p>Dendê: AI!!!!! PORRA!!!</p>
<p>Mãe: Pronto. Se deu mal. Agora vai se cuidar. Anda! Vai cuidar dessa droga que num foi nada demais! Num é home, não!? Seja home, rapaz! Vai! Vai cuidar dessa droga que tu fez aí! Vai!</p>
<p style="text-align: center"><strong>Dendê sai</strong></p>
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		<title>Abusada</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/08/abusada/</link>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 14:35:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camilo Pellegrini</dc:creator>
				<category><![CDATA[ABUSO]]></category>

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		<description><![CDATA[que foi, titio? que cara é essa? minhas mãos estão dormentes&#8230; já já eu solto o senhor. isso já foi longe demais, querida. não me chame de querida. prefiro &#8220;minha menininha&#8221;. loudes maria&#8230; PAF!&#8230;PAF!.. &#8220;minha menininha&#8221;, como o senhor costumava dizer. isso é loucura! o senhor acha, titio? seu pai sabe que estou aqui? que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>que foi, titio? que cara é essa?</p>
<p>minhas mãos estão dormentes&#8230;</p>
<p>já já eu solto o senhor.</p>
<p>isso já foi longe demais, querida.</p>
<p>não me chame de querida. prefiro &#8220;minha menininha&#8221;.</p>
<p>loudes maria&#8230;</p>
<p><span style="color: #b819e5"><strong>PAF!&#8230;PAF!..</strong></span></p>
<p>&#8220;minha menininha&#8221;, como o senhor costumava dizer.</p>
<p>isso é loucura!</p>
<p>o senhor acha, titio?</p>
<p>seu pai sabe que estou aqui? que você está fazendo isso comigo?</p>
<p>papai nunca soube de nada.</p>
<p>o que você quer? eu te dou tudo. tudo!</p>
<p>só uma coisa.</p>
<p>o quê?</p>
<p><span style="color: #339966">(baquetas no prato)</span></p>
<p><a href="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/bateria.jpg"><img class="size-full wp-image-1705 alignnone" src="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/bateria.jpg" alt="" width="160" height="160" /></a></p>
<p>o quê?! fala!!!</p>
<p>seu último desejo.</p>
<p>Nãããããããããão!!!</p>
<p>titio, acalme-se.</p>
<p>SOCORRO!!! SOCORRO!!!</p>
<p>aqui ninguém vai ouvir o senhor.</p>
<p>Sua LOUCA!!!</p>
<p>não tem último desejo então? posso mandar entrar os rapazes?</p>
<p>espera! lourdes, eu desejo uma coisa sim.</p>
<p>estou ouvindo.</p>
<p>me perdoa. do fundinho do seu coração. esquece de uma vez isso que houve. olha nos olhos do titio e diz, minha menininha, diz assim: tito, eu perdôo o senhor.</p>
<p>(pausa)</p>
<p><a href="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/pause2.gif"><img class="size-thumbnail wp-image-1706 alignnone" src="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/pause2-150x150.gif" alt="" width="105" height="105" /></a></p>
<p>isso não é um último desejo, titio. isso é um <span style="color: #ff0000">ABUSO</span>.</p>
<p>(risadas gravadas)</p>
<p><a href="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/rindo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1707" src="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/rindo.jpg" alt="" width="138" height="126" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Tem um monstro debaixo da minha cama!</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/08/tem-um-monstro-debaixo-da-minha-cama/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 14:20:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Henrique Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[TEMPO]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma menina de mais ou menos seis anos&#8230; Maaanhêêêê!!! Tem um monstro debaixo da minha cama!!! (pausa) Dormiu! Maldita hora para a minha mãe dormir! Logo agora! (consulta o relógio na mesinha de cabeceira) São só duas horas da madrugada e ela já estão dormindo. E eu estou sozinha. Sozinha não! Tem um monstro debaixo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma menina de mais ou menos seis anos&#8230;</p>
<p>Maaanhêêêê!!! Tem um monstro debaixo da minha cama!!! (pausa) Dormiu! Maldita hora para a minha mãe dormir! Logo agora! (consulta o relógio na mesinha de cabeceira) São só duas horas da madrugada e ela já estão dormindo. E eu estou sozinha. Sozinha não! Tem um monstro debaixo da minha cama!!! Por quê será que os pais cismam em dormir justamente na pior hora do dia? A noite! Eu não consigo entender por que a minha mãe dorme tão cedo. Ela não faz nada o dia inteiro! Já eu sou muito ocupada. Não tenho tempo pra nada. Fiz um montão de coisas hoje e não estou nem um pouco cansada. Tive um dia terrível! De manhã bem cedo minha mãe me acordou, me deu café da manhã, me vestiu, me levou na natação&#8230; Eu já cheguei pronta. De toca, maiô e bóia. Tive que ficar batendo pernas por horas. Depois a minha mãe me trouxe de volta pra casa, me deu banho, me vestiu, penteou o meu cabelo e serviu o almoço&#8230; (na verdade eu nem queria almoçar, ela até poderia ter poupado tempo e trabalho) Bom, depois que a minha mãe me obrigou a almoçar, ela me levou de carro até a escola. Quando cheguei na escola a Tia colocou a turma para dormir um pouquinho. Depois a gente brincou, teve o lanche, o recreio&#8230; Mais tarde minha mãe me buscou na escola com o carro cheio de compras, me levou na aula de balé e eu tive que ficar dançando durante horas. Depois minha mãe me levou de volta para casa, me deu outro banho, serviu o jantar&#8230; (na verdade eu nem queria jantar, ela até poderia ter poupado tempo e trabalho) Bom, minha mãe me obrigou a jantar, corrigiu o meu dever de casa, viu A Pequena Sereia comigo pela centésima oitava vez, contou uma história e me colocou para dormir. Eu fiz tudo isso e não estou nem um pouco cansada. Já a minha mãe não. Tá morta. Eu não consigo entender como é que essa mulher fica tão exausta! E me deixa aqui sozinha com esse monstro! Maaanhêêêê!!! Tem um monstro debaixo da minha cama!!! Que vontade de sair correndo e pular na cama da mamãe e do papai. Ficar ali bem juntinho dos dois, bem apertadinho entre os dois, protegida&#8230; Quero ver se você tem coragem de me atacar com os meus pais por perto seu monstro de meia tigela! Mas eu não posso fazer isso. Afinal, eu já sou uma quase pré-adolescente. Faz seis meses que eu parei de fazer xixi na cama! Esse negócio de dormir com os pais é coisa de criancinha. E eu não sou mais criança. Eu sei que monstros não existem. O que eu tenho que fazer é me acalmar e me comportar como uma adulta. Não tem nenhum monstro debaixo da minha cama. É só fruto da minha imaginação. Pronto. Agora eu vou dormir! (pausa) Maaanhêêêê!!! Tem um monstro debaixo da minha cama!!! Ai! Que vergonha! Uma quase pré-adolescente como eu com medo de um monstro! Onde será que os meus pais se meteram? Será que eles saíram? Será que eles esqueceram de mim? Será que eles esqueceram de mim 2 em Nova York? Será que eles deixaram a porta do quarto fechada! De vez em quando isso acontece! Que horror! Eu estou perdida! Maldita hora que eu quis dormir sozinha! É que eu não agüentava mais o chato do meu irmão. Mas pelo menos para isso aquele imprestável servia. Com ele no quarto eu me sentia segura. O chulé daquele moleque é um verdadeiro espanta monstros! Olha aqui seu monstro! Fique o senhor sabendo que eu sou amiga de muita gente famosa que pode acabar com você! Eu conheço o Homem-Aranha, os X-Men, todos os Quatro Fantásticos e as Garotas Super Poderosas! Eles vieram na minha última festa de aniversário! Tu fica esperto se não o bicho vai pegar pra você! É isso aí! Comigo não tem essa não! (pausa) Pensando bem&#8230; Nós podemos ser amigos&#8230; O que você acha da idéia? Eu posso te levar para passear&#8230; Você gosta de algodão doce? Eu também! Eu posso te levar no zoológico&#8230; Você não gosta de zoológico? Tem muitas jaulas por lá e eles podem te prender? Entendo. Eu posso te levar no Circo, você gosta? Eu também. Já sei! Eu vou te levar na minha escola! Você vai adorar a Caroline! Ela é minha melhor amiga! Só não sei se ela vai gostar de você&#8230; Não! Eu só estava brincando! É claro que ela vai gostar de você! A Carolina é muito legal, sabia? Seu Monstro, qual o seu nome? Edgar? Que nome bonito!</p>
<p>OFF – Que barulho é esse, minha filha? Ainda acordada Caroline!</p>
<p>É que eu estou conversando com um amigo&#8230;</p>
<p>OFF – Amigo? Que amigo?</p>
<p>O monstro que vive debaixo da minha cama.</p>
<p>OFF – Vai dormir Caroline! Amanhã você acorda cedo para a aula de piano!</p>
<p>Tá bom mãe! (&#8230;) Liga não amigo. A mamãe não tem um pingo de imaginação. Boa noite. O quê? Eu também te amo, Edgar. Até amanhã. E não tenha medo. Eu estou aqui, pertinho de você. Durma com os anjinhos.</p>
<p>A menina adormece.</p>
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		<item>
		<title>Das atribulações da vida moderna</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/08/das-atribulacoes-da-vida-moderna/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 13:08:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carla Faour</dc:creator>
				<category><![CDATA[TEMPO]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho a sensação de que de uns tempos pra cá, o tempo deu para passar mais rápido, sei lá! Já ouvi, inclusive, uma dessas teorias da hora (perdoem-me o trocadilho), que provam por A + B que o tempo, hoje em dia, passa mais rápido que outrora. Não me perguntem se a teoria é confiável [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho a sensação de que de uns tempos pra cá, o tempo deu para passar mais rápido, sei lá! Já ouvi, inclusive, uma dessas teorias da hora (perdoem-me o trocadilho), que provam por A + B que o tempo, hoje em dia, passa mais rápido que outrora. Não me perguntem se a teoria é confiável que não sou boa entendedora de fórmulas. Mas se me perguntarem pura e simplesmente, posso garantir que meus dias, hoje em dia, não têm mais 24 horas. Se não, como explicar a incapacidade de acomodar todos meus afazeres dentro dos parcos 1440 minutos diários a que temos direito? A prática do dia a dia mostra que os tempos são outros.</p>
<p>Tomemos como exemplo o dia de ontem. Acordei, tomei banho, tomei café, tomei alguns comprimidos, esperei o elevador. Esperei o elevador. Esperei o elevador. Droga! Estava acontecendo alguma coisa. Já eram 8:47h. Devia ter pegado o elevador às 8:30h. 10° andar, 9°, 8°! Chegou! Chegou! Graças a Deus! 4º andar, 3º, 2º, 1º, Play, Térreo! Amém. Corri até a garagem desembestada. Peguei o carro, peguei trânsito, peguei engarrafamento. Fiquei engarrafada um tempão. Olhei pro relógio. 10hs! Como assim? E o trânsito não andava, não andava. Li o jornal, fiz abdominal, fiz sobrancelha, fiz as unhas. Fiz figa para o trânsito andar. Nada. Continuava parada dentro do carro. Peguei o celular. Liguei pra vizinha, tia, irmão, marquei dentista, marquei eletricista, liguei para cancelar o plano de TV com 320 canais, esperei, esperei, esperei. Ouvi musiquinha, falei com atendente, falei com gerente, xinguei a mãe, quando estava prestes a ser atendida , finalmente, cheguei no trabalho a tempo de sair para almoçar.</p>
<p>Pensei que ia relaxar um pouco na hora do almoço porque, enfim, depois de vários dias de intensa negociação, consegui marcar de almoçar com uma das minhas melhores amigas, pra gente botar o papo em dia. Chegamos afobadas. As duas. Ela com o celular no ouvido. Dois beijinhos. Sentamos. Perguntei como iam as crianças.</p>
<p>- Ótimas. Ela perguntou do Pedro.</p>
<p>- Quando a gente se encontra, ele me parece bem. Respondi.</p>
<p>- Ainda estão casados? Claro, só não nos encontramos muito. Sabe como é. Apê grande. Horários diferentes&#8230;</p>
<p>- Ah, entendo. De repente ela perguntou e ela mesma respondeu em seguida.</p>
<p>- Que horas são? Já? Nossa, como o almoço passou rápido!</p>
<p>- Passou, Dani? A comida nem chegou, a gente nem comeu&#8230;</p>
<p>- Desculpa, amiga! Não posso mais esperar. Tenho que estar em Copacabana&#8230; Aliás, já deveria estar em Copacabana. Estou atrasadíssima! Tenho que correr se não&#8230;</p>
<p>E já não escutei mais o que a Dani falava quando ela se levantou, me jogou dois beijinhos econômicos do outro lado da mesa e sumiu atendendo a outra chamada do celular, que tocava pela terceira vez, durante o nosso não-almoço de 15 minutos. Só soube notícias dela quando recebi o seguinte e-mail: Adorei te ver! Vamos marcar mais vezes! Bjs! Não tenho certeza, mas acho que ela se referia ao nosso não-almoço.</p>
<p>Pra variar saí do restaurante atrasada. Restaurante cheio, sabe como é. A conta demorou a chegar. Saí esbaforida para voltar ao trabalho. Decidi ir andando, que eu não ia ficar presa no trânsito de novo. Ah, não! Andando é eufemismo, corri uma prova de 800 metros com muitas barreiras, onde o percurso da prova consistia em ir do local do restaurante até o escritório.  Tentei me desviar de todas as barreiras e obstáculos que me impediam de baixar o recorde de tempo que eu levo para fazer tal percurso, como por exemplo: os distribuidores de panfletos nas ruas. O fato de eu ter que diminuir a velocidade dos passos e fazer o simples gesto de esticar a mão para pegar um panfletinho me toma um tempo incrível. No dia de ontem a oferta de panfletos era variada. A cada cinco passadas, uma panfletada: “Dinheiro na hora a peso de ouro”, “promoção de unha francesinha a R$15,00”, “recarga de cartuchos usados”, o clássico dos clássicos: “trago a pessoa amada em 7 dias”, entre muitos outros. Para adiantar o serviço fiquei com a mão esticada, na posição estratégica, pegando sem questionar tudo o que me foi oferecido. Mas, depois de um tempo, já que atravesso três quadras &#8211; fui atacada por dolorosas câimbras. Não sei como ainda não inventaram uma mão mecânica, ou um gancho, tipo capitão gancho mesmo, em que os distribuidores de papéis espetariam seus panfletos sem que tivéssemos que parar para atendê-los. Muito mais prático e&#8230; rápido!</p>
<p>Estava a apenas uma quadra do trabalho, satisfeita por estar atrasada apenas 20 minutos, quando o acaso me pegou distraída. Parei na esquina, esperando o sinal abrir para atravessar a rua, quando percebi, que ao meu lado, um sujeito segurando um mapa, com cara de “Esqueceram de mim 2” +  “O Turista acidental”, me olhava. Coloquei os óculos escuros e virei para o lado oposto. Não! Tudo menos dar informação! Dar informação toma o maior tempo. Se for em outra língua então, nem se fala&#8230; Demora demais! Cheguei a ficar com taquicardia só de imaginar o relógio passando. Tic tac tic tac&#8230;</p>
<p>- Por favor, a senhora sabe onde é a Rua Pires de Albuquerque? Fingi que não era comigo. Ele insistiu.</p>
<p>– Por favor, Rua Pires de Albuquerque?</p>
<p>O “por favor”, confesso, me quebrou, tenho o coração mole.</p>
<p>- O senhor quer chegar na rua Pires de Albuquerque?  O senhor conhece a Rua Aurora?</p>
<p>- Não.</p>
<p>Não? Definitivamente o caso ia demorar. Respirei novamente.</p>
<p>- Então faz o seguinte: pega a primeira esquerda. Depois a segunda direita, passa o primeiro sinal. O senhor é de São Paulo? É, é semáforo, sim. (falar semáforo gasta um tempão) Passa o primeiro semáforo, passa o segundo semáforo, quando passar o terceiro semáforo o senhor vai dar numa praça. Eu não, o senhor! O senhor vai dar numa praça, aí o senhor contorna a praça, vai ver uma banca de jornal. Chegou na banca de jornal o senhor pega uma reta de uns 100 metros, aí sobe uma ladeira. Descendo a ladeira, à direita, tem a Rua Aurora. A Pires de Albuquerque é uma travessa à esquerda da rua Aurora. Entendeu?</p>
<p>Que pergunta idiota. É claro que ele não entendeu! É claro que tive que repetir toda a explicação novamente. Uma espécie de tira teima, com os melhores momentos. Lá se foi quase meia hora, ladeira abaixo.</p>
<p>Não sei por que, mas tenho a impressão que aquela teoria do tempo está certa. Como está certa também aquela outra&#8230;  Aquela que não é teoria! É lei. Qual é mesmo o nome? A lei de Murphy! Pode apostar: Se o dia está ruim, ainda pode piorar. Não deu outra. Depois de finalmente despachar o turista acidental, eis que ouço alguém berrando o meu nome:</p>
<p>- Bebel! Isabel! Maria Isabel! (detesto que me chamem de Maria Isabel).</p>
<p>Era Elisa Coimbra das Neves. Colega da época de colégio. Elisinha, a fofoqueira, como era conhecida. Elisinha veio furiosamente em minha direção, com uma disposição de atleta, para bater um longo papo, com muitas novidades, e claro, várias fofocas. Começou sem introdução e sem cerimônia a emendar um assunto no outro. Eu juro que tentei me livrar várias vezes de Elisinha, sem sucesso. Cada vez que eu insinuava que tinha que voltar para o trabalho e estava atrasada, ela renovava o fôlego e retomava de forma obsessiva sua narrativa abundante em detalhes, adjetivos e dramaticidade, uma overdose verborrágica. Depois de um tempo só conseguia ver na minha frente a imensa boca de Elisinha articulando e cuspindo mil e uma palavras.  Sem conseguir me livrar de Elisinha da forma tradicional, simplesmente virei para o lado e saí correndo, como uma maluca,  com a Lei de Murphy e a Teoria do tempo atrás de mim, dando gargalhadas às minhas custas. Acho que a Teoria do caos também estava junta, pelo menos tive a impressão. Conclusão: Cheguei no escritório já no fim do expediente. </p>
<p>E assim são os meus dias.  Uma corrida contra o tempo na qual sou sempre vencida. Hoje, por exemplo, por causa dos atrasos de ontem, já sei de antemão que estarei atrasada o próximo mês inteiro. Quiçá o próximo verão. Parece, de fato, que o dia encolheu. Estamos vivendo sob a égide dos dias anãos, das horas nanicas, dos segundos pigmeus&#8230; De quem é mesmo a teoria do tempo que passa mais rápido? A propósito, se tudo der certo, e eu colocar meus compromissos em dia, acho que de acordo com os atrasos acumulados &#8211; chegarei em ponto no trabalho, daqui a dois meses novamente.</p>
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		<title>Fervo infindo</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 14:17:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camilo Pellegrini</dc:creator>
				<category><![CDATA[TEMPO]]></category>

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		<description><![CDATA[aperte play aqui antes de ler&#8230; voltou? que fervo! me beija! espera! que foi! perdi! mas onde? repete. voltou? me beija! espera! que foi! perdi! mas onde? já volto. repete. voltou? que fervo! me beija! espera! perdi! mas onde? já volto. repete. voltou? que fervo! me beija! me beija! me beija! perdi! mas onde? repete. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://soundcloud.com/leftside-wobble/teddy-pendergrass-get-down-get-funky-leftside-wobble-edit-320k" target="_blank">aperte play aqui antes de ler&#8230;</a></p>
<p><span style="color: #ff0000">voltou?</span></p>
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<p><span style="color: #008000">que fervo!</span></p>
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<p><span style="color: #008000">que foi!</span></p>
<p><span style="color: #008000">me beija!</span></p>
<p><span style="color: #008000">mas onde?</span></p>
<p><span style="color: #008000">me beija.</span></p>
<p>repete.repete.repete.repete.repete.repete.<br />
repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.<br />
repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.<br />
repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.<br />
repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.<br />
repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.repete.</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p><a href="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/fervo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1682" src="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/fervo.jpg" alt="" width="600" height="800" /></a></p>
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		<title>Se bem que…</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 12:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renata Mizrahi</dc:creator>
				<category><![CDATA[TEMPO]]></category>

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		<description><![CDATA[Mulher: “Que dia lindo! Céu azul, passarinhos. O mar deve estar incrível. Acho que vou dar um mergulhinho, aproveitar, ah&#8230; Se bem que se eu fizer isso não vai dar tempo de fazer mercado. Eu me prometi que ia fazer mercado hoje de manhã, senão, não almoço&#8230; Se bem que se eu cozinhar, não vai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mulher: “Que dia lindo! Céu azul, passarinhos. O mar deve estar incrível. Acho que vou dar um mergulhinho, aproveitar, ah&#8230; Se bem que se eu fizer isso não vai dar tempo de fazer mercado. Eu me prometi que ia fazer mercado hoje de manhã, senão, não almoço&#8230; Se bem que se eu cozinhar, não vai dar tempo de ir na academia, eu tenho hora contada lá, antes do trabalho&#8230; bom, o jeito é comer naquele restaurante a peso perto da minha casa, isso, assim eu ganho tempo. Sendo assim até dá para dar um mergulhinho. Se bem que eu posso aproveitar essa hora e adiantar um trabalho que eu tenho aqui. Se bem que eu podia aproveitar e arrumar minha casa, que, aliás, que bagunça! Ainda bem que eu não tenho tempo de levar ninguém pra cá. Se bem que&#8230; ainda bem? Se bem que esse trabalho pendente vai me ocupar muito mais tempo, de repente é melhor eu não malhar hoje e trabalhar mais. Se bem que se eu trabalhar mais não vai dar tempo de pagar as contas. Puxa, deixei atrasar de novo. Espero que o banco não esteja cheio, se não vai dar tempo. Pior que hoje é dia 5, com certeza o banco vai estar cheio. Bom, mais um diazinho não tem problema. Pago amanhã antes de ir para academia, amanhã eu não falto a academia!</p>
<p>Mas o dia tá tão lindo. Acho que vou voltar pra casa a pé. Se bem que não daria tempo de fazer a unha. Da unha eu não abro mão, melhor voltar de metrô, é mais rápido, talvez eu consiga até pegar um filmezinho na locadora, um bem mamão com açúcar. Se bem que se eu pegar um filmezinho, não vai dar tempo de terminar o livro pro seminário, melhor não arriscar. Se bem que se eu ler esse livro hoje, não vai dar tempo de ligar para a Flávia, eu tinha prometido a ela, a coitada acabou de terminar uma relação. Se bem que se eu ligar pra Flávia, não vai dar tempo de eu ligar para o Pedro. Eu não posso deixar de falar com ele, tá pintando o maior clima, talvez a gente até namore. Se bem que não dá para namorar nesse momento, não tenho tempo para me ocupar com essas coisas, não, é melhor não ligar para o Pedro, melhor hoje é dormir cedo. Se bem que, se eu dormir cedo, não vai tempo de pensar tanta coisa que eu tenho para resolver. Melhor não dormir. Se bem que&#8230;”</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O sofá</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 11:50:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Henrique Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARREPENDIMENTO]]></category>

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		<description><![CDATA[Sofá &#8211; Um dia, eu estava tão deprimida, mas tão deprimida, que me transformei num sofá. No começo, fiquei orgulhosa da minha condição de sofá. Um objeto sólido e durável. Eu pensava: um sofá não tem com o que se preocupar. Não tem contas a pagar. Não precisa votar para presidente. Não precisa ser bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sofá &#8211; Um dia, eu estava tão deprimida, mas tão deprimida, que me transformei num sofá. No começo, fiquei orgulhosa da minha condição de sofá. Um objeto sólido e durável. Eu pensava: um sofá não tem com o que se preocupar. Não tem contas a pagar. Não precisa votar para presidente. Não precisa ser bem sucedido, ter um bom emprego. Fica no seu canto sem incomodar ninguém. Doce ilusão. Fui parar justamente no pior lugar possível para um sofá. Eu sou um sofá de sala de espera de um consultório de dentista. Isso é muito desagradável. (irônica) Mas não sou um sofá qualquer. Eu sou um senhor sofá. Um sofá robusto, velho, usado, sujo, remendado, de braços largos e acentos gastos, verdadeiras almofadas movediças que sugam todos que ousam ocupar um dos meus três lugares. Sim, eu sou um sofá de três lugares. Verde musgo. Com farelos de biscoito maizena, grampos de cabelo, papéis de balas e canetas BIC nas minhas entranhas. Não existe nada mais deprimente do que ser um sofá de sala de espera de um consultório de dentista. Uma sala minúscula com uma decoração fossilizada desde 1977, ano de sua inauguração. Carpete cinza, papel de parede amarelo encardido, flores de plástico, uma TV, um abajur na mesinha lateral e um ‘balde’ de revistas antigas onde se destacam edições comemorativas da inauguração de Brasília, da chegada do homem na Lua e do casamento do Príncipe Charles e da Princesa Diana. Não existe nada mais deprimente do que ser um sofá de sala de espera de um consultório de dentista. Os pacientes chegam por volta de nove horas da manhã despejando seus fluídos e odores no meu tecido poroso. Lembro de um homem pálido que transpirava de pavor. Sentava-se encolhido. Eu ficava ensopada de suor. Um suor azedo e repugnante. Lembro de uma senhora gorda. Devia pesar cem quilos, uma tonelada! Fez um tratamento de canal que durou meses. Como foi terrível sustentar aquele peso no meu colo. Todos os dias. Crianças mal educadas pulam nas minhas costas. Como vingança, desejo do fundo de minha alma, uma vida longa para esses pestinhas, cheia de cáries e muito sofrimento. Aqui, neste lugar, onde a força gravitacional parece ser mais intensa, passo todos os meus dias, tardes, noites inteiras, semanas, fins de semana, sábados e domingos, feriados, meses, anos. Passo toda a minha vida. Olhando para o teto. Vagando por pensamentos inúteis. Vendo televisão. Acompanhando os acontecimentos do Brasil e do Mundo. Todos repetitivos e previsíveis. Como as novelas. O Natal. O Réveillon. Depois o carnaval, a semana santa, dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, eleições, Copa do Mundo&#8230; E a festa não tem hora para acabar! Vez em quando acontece algum crime para quebrar a rotina. Um casal joga uma filha pela janela. Um terremoto mata milhares de pessoas em algum ponto insignificante do planeta. Um político corrupto coloca dinheiro na cueca. Mas crimes e tragédias são cada vez mais freqüentes e as pessoas vão ficando cada vez mais anestesiadas. Todas deitadas nos seus respectivos sofás. Imagino um dia em que ninguém conseguirá levantar do sofá. O mundo vai parar porque toda a população da Terra estará deitada nos milhões de sofás espalhados pelos cinco continentes. E todos assistirão reprises em suas respectivas televisões. Retrospectivas de fim de ano. Retrospectivas do fim do mundo&#8230;</p>
<p>Trecho da peça ‘Epheitos Kolaterais (Novas Metamorfoses)’</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Que canção sou eu</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/08/que-cancao-sou-eu/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 12:47:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo de Roure</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARREPENDIMENTO]]></category>

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		<description><![CDATA[- Entra&#8230; eu entrei. - Tá tudo bem com você? eu disse tudo. Que tudo estava bem. - Eu estou completamente tonto. eu também estava. mas tonta que pião. - Acho que preciso de um banho. e eu tonta por ele. na verdade suja. suja. - Então vou tomar um banho. Álcool saindo pelos poros. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Entra&#8230;</p>
<p>eu entrei.</p>
<p>- Tá tudo bem com você?</p>
<p>eu disse tudo. Que tudo estava bem.</p>
<p>- Eu estou completamente tonto.</p>
<p>eu também estava. mas tonta que pião.</p>
<p>- Acho que preciso de um banho.</p>
<p>e eu tonta por ele. na verdade suja. suja.</p>
<p>- Então vou tomar um banho. Álcool saindo pelos poros.</p>
<p>eu ia tomar banho com ele. mas não fui. preferi ficar suja.</p>
<p>- Você pode ficar à vontade, viu. Liga o som. Abre a janela.</p>
<p>ligar o som nem pensar. queria é ouvir o silêncio dele. com som vai ser fácil ele conseguir o que quer. ele voltou. deve ter esquecido a toalha. tenho certeza.</p>
<p>- Olha, fica aqui comigo no banheiro enquanto eu tomo banho. Você se incomoda?</p>
<p>ah, que abusado. pensa que eu sou o quê? de ferro? aço? nunca gostei de ver ninguém sem roupa antes de pelo menos beijar. acho a nudez sem força se não é pra chegar perto.</p>
<p>- Bem, então tudo bem. É rapidinho.</p>
<p>liguei o som.</p>
<p>“escute essa canção que é pra tocar no rádio ao lado do seu coração&#8230;”</p>
<p>desliguei o som.</p>
<p>não quero canções. não quero que elas ilustrem o meu destino. [que espécie de mulher sou eu? que canção sou eu? estou assustada]</p>
<p>- Que canção é essa que está tocando?</p>
<p>grita perguntando e bate a porta. quem grita e bate portas é gente sensível por demais. ele tem cara de perfeito. complicado e perfeitinho.</p>
<p>- AH!</p>
<p>saiu do banheiro e entrou no quarto. deve ter esquecido a cueca. bateu a porta do quarto. ele bate portas demais. quem bate portas assim costuma ter o coração quente. deixou o chuveiro ligado. a água não para de cair. abri a janela. ele voltou ao banheiro. assobiou.</p>
<p>- “Diga&#8230; se te deixei faltar amor&#8230;”</p>
<p>conheço essa canção que ele está assobiando. melhor eu ficar nua. vou fechar a janela. prédios muito colados. não quero ser sirigaita quente pro vizinho.</p>
<p>- Olha, até que a festinha foi boa, você curtiu?</p>
<p>curti a festa. mas curti muito mais porque finalmente ele foi. tanto que eu fiz pra esse homem aparecer na minha frente. nunca nos esbarrávamos. era quase essa coisa chamada destino que impedia. mas eu havia pré-destinado tudo. porque quem manda em mim sou eu. euzinha. eu sou uma pré-destinada. a que? vai vendo.</p>
<p>- Há quanto tempo nos conhecemos, não é? E nunca chegamos tão perto assim.</p>
<p>viu?</p>
<p>então ele fez o que queria. e eu também. complicado e perfeitinho. mas por enquanto era só perfeitinho. paramos.</p>
<p>- Quer mais uma cerveja?</p>
<p>parar de transar pra beber é coisa de gente insegura? eu perguntei isso a minha mãe. ela disse que não necessariamente. mas é mais inseguro quem aceita parar de transar pra beber à convite do outro. foi o que me disse a velha. ela estava certa. bebemos mais umas. retomamos. foi fácil. não foi difícil, não. não éramos bobos.</p>
<p>- Deixa eu te ver&#8230;</p>
<p>deixei. mandei ele me penetrar com urgência. antes que eu arrancasse a cabeça dele [eu sempre arranco a cabeça do homem que não me entende. ou mesmo se me entende. ou do homem que demora. bem, o fato é que eu sempre arranco a cabeça deles.]</p>
<p>- Olha&#8230;a gente não precisa ter pressa&#8230;</p>
<p>que mal há em ter pressa? mal é não sucumbir ao destino.</p>
<p>- Acabou a cerveja. Tenho um vinho. Quer?</p>
<p>eu não quis. quando a gente não aceita o que nos oferecem nesses momentos, não há mais volta. perguntei a minha mãe depois se ela achava normal alguém oferecer vinho, já que não tinha mais cerveja, antes de ultrapassar o horizonte da pequena morte.</p>
<p>- Eu vou beber um bocado desse vinho.</p>
<p>a memória que aquela garrafa de vinho carregava era enorme. eu já estava me apegando à garrafa daquele vinho. pensei em colocar as botas novamente. ficar de botas. nua e de botas. uma égua. ele me fez sentir uma égua. recomeçamos. modéstia a parte, eu trabalho bem no baixo ventre deles. [antes que eu arranque de vez suas cabeças]. até que o vinho não era de todo mal. mandei ele entrar de uma vez em mim.</p>
<p>- acho que estamos bêbados.</p>
<p>ele estava. homens que ficam bêbados e não conseguem nada é melhor que nunca bebam. eles não entendem isso. e já era hora d’eu ir trotando.</p>
<p>- Você é muito perfeita. Estou deslumbrado.</p>
<p>e eu alambrada. calcinada, calcei minhas botas e vesti minhas roupas. sim, roupas. eu uso muitas. ele vestiu as calças.</p>
<p>se me arrependi? me ressequei inteira.</p>
<p><strong>fim.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>SE</title>
		<link>http://dramadiario.com/2010/08/se/</link>
		<comments>http://dramadiario.com/2010/08/se/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 14:59:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carla Faour</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARREPENDIMENTO]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://dramadiario.com/?p=1665</guid>
		<description><![CDATA[QUARTO DE CASAL. INT/ NOITE Rodolfo: Então é isso? Não quer pensar melhor..? Cris: É. Rodolfo: Tem certeza? Cris: Absoluta. Rodolfo: Então tá. Cris: Se cuida, hein? Rodolfo: Você também. Tchau. Cris: Tchau. (ele se vira para ir embora) (T) Rodolfo? Rodolfo: Oi. Cris: Posso te dar um beijo? Rodolfo: Hã? Cris: De despedida. Rodolfo: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>QUARTO DE CASAL. INT/ NOITE</p>
<p>Rodolfo: Então é isso? Não quer pensar melhor..?</p>
<p>Cris: É.</p>
<p>Rodolfo: Tem certeza?</p>
<p>Cris: Absoluta.</p>
<p>Rodolfo: Então tá.</p>
<p>Cris: Se cuida, hein?</p>
<p>Rodolfo: Você também. Tchau.</p>
<p>Cris: Tchau. (ele se vira para ir embora) (T) Rodolfo?</p>
<p>Rodolfo: Oi.</p>
<p>Cris: Posso te dar um beijo?</p>
<p>Rodolfo: Hã?</p>
<p>Cris: De despedida.</p>
<p>Rodolfo: Você quer me enlouquecer?</p>
<p>Cris: Qual o problema?</p>
<p>Rodolfo: Você tá me dando o fora e quer me beijar? Ridículo!</p>
<p>Cris: Ridículo é você que vai perder essa chance.</p>
<p>Rodolfo: E quem disse que eu quero te beijar?</p>
<p>Cris: Rodolfo, não faz tipo. Tá na cara que você quer.</p>
<p>Rodolfo: Cris, você não muda.</p>
<p>Cris: Orgulhoso.</p>
<p>Rodolfo: Pretensiosa.</p>
<p>Cris: Você não dá o braço a torcer.</p>
<p>Rodolfo: Eu? Você é que quer terminar.</p>
<p>Cris: Vai ser melhor pra gente.</p>
<p>Rodolfo: Vai ser pior pra mim.</p>
<p>Cris: Tô esperando.</p>
<p>Rodolfo: Eu não vou terminar do mesmo jeito que a gente começou. Não tem sentido.</p>
<p>Cris: Ia ser bonito.</p>
<p>Rodolfo: Cafona! Beijinho&#8230; Qual é!? Melhor tirar a roupa logo!</p>
<p>Cris: Você acha?</p>
<p>Rodolfo: Você topa?</p>
<p>Cris: Por mim&#8230;</p>
<p>Rodolfo: Aí eu acho que faz sentido.</p>
<p>Cris: Ok. Nesse ponto concordamos.</p>
<p>Rodolfo: Pelo menos nisso. (Eles se olham e começam a tirar a roupa rapidamente) (T)</p>
<p>Cris: Rodolfo, posso te dizer uma coisa ?</p>
<p>Rodolfo: Jura que você quer dizer uma coisa agora?</p>
<p>Cris: Posso?</p>
<p>Rodolfo: Fica quietinha, fica.</p>
<p>Cris: Vou dizer assim mesmo: Tenho certeza que você vai se arrepender.</p>
<p>Rodolfo: Que praga! De quê?</p>
<p>(Cris fica olhando e finalmente Rodolfo lhe beija)</p>
<p>Rodolfo: Já me arrependi.</p>
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		<title>Se matasse</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 14:38:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camilo Pellegrini</dc:creator>
				<category><![CDATA[ARREPENDIMENTO]]></category>

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		<description><![CDATA[não me esconda nada, doutor. não pretendo. pois então? cessse o ssilêncio! dona Zica, a senhora está cuspindo um pouco. perdão. bem&#8230; os exames&#8230; como dizer&#8230; os exames&#8230; sem rodeios, doutor! esfregue logo na minha cara a droga da sentença! não há nada de errado. oi? a senhora goza da mais perfeita saúde. mas&#8230;.? seu colesterol [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #ff0000">não me esconda nada, doutor.</span></p>
<p>não pretendo.</p>
<p><span style="color: #ff0000">pois então? cessse o ssilêncio! </span></p>
<p>dona Zica, a senhora está cuspindo um pouco.</p>
<p><span style="color: #ff0000">perdão.</span></p>
<p>bem&#8230; os exames&#8230; como dizer&#8230; os exames&#8230;</p>
<p><span style="color: #ff0000">sem rodeios, doutor! esfregue logo na minha cara a droga da sentença!</span></p>
<p>não há nada de errado.</p>
<p><span style="color: #ff0000">oi?</span></p>
<p>a senhora goza da mais perfeita saúde.</p>
<p><span style="color: #ff0000">mas&#8230;.?</span></p>
<p>seu colesterol não podia estar melhor.</p>
<p><span style="color: #ff0000">não entendo.</span></p>
<p>o ácido úrico está perfeito.</p>
<p><span style="color: #ff0000">impossível!</span></p>
<p>não há vírus, bactéria ou bacilo&#8230;</p>
<p><span style="color: #ff0000">quem está gozando aqui é o senhor!</span></p>
<p>não se exalte.</p>
<p><span style="color: #ff0000">é piada! só pode!</span></p>
<p>nem lombriga a senhora tem.</p>
<p><span style="color: #ff0000">da Tênia eu Tenho cerTeza! ninguém me Tira essa Tênia!</span></p>
<p>senhora, abaixa o Tom.</p>
<p><span style="color: #ff0000">o doutor é cego, por acaso?</span></p>
<p>astigmatismo. a senhora, nem isso.</p>
<p><span style="color: #ff0000">limpa os óculos direito! olha bem para mim!</span></p>
<p>estou vendo.</p>
<p><span style="color: #ff0000">meus cachos ruivos grosseiros<br />
caem até meus tornozelos<br />
formando ninhos espessos<br />
me marcando onde passo, o traseiro.</span></p>
<p>a careca não fica tão mal.</p>
<p><span style="color: #ff0000">a pele desgruda dos ossos<br />
na carne, diversas feridas<br />
meus olhos são duas pepitas<br />
de tão amarelas nas bordas</span></p>
<p>dourado é uma cor que ilumina.</p>
<p><span style="color: #ff0000">a morte está próxima. eu sinto.<br />
meu coração se extinguindo.<br />
preciso ser muito sincera<br />
em meu último suspiro&#8230;</span></p>
<p>senhora?! dona Zica?! enfermeira!!! enfermeira!!!</p>
<p><span style="color: #ff0000"><span style="color: #000000">(mente) </span>não me arrependo de nada&#8230;</span></p>
<p>(<span style="color: #ff0000">ela </span>morre)</p>
<p>+   +<br />
&#8212;&#8211;</p>
<p><a href="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/red-nest.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1660" src="http://dramadiario.com/wp-content/uploads/2010/08/red-nest.jpg" alt="" width="427" height="313" /></a></p>
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