UMA TESÃO DE CRUZETA de Camilo Pellegrini
RAFAELA - escrava, vampira, prostituta, linda de morrer, maldade fluindo nas veias...
VALENTINA - rainha do pornô, dona da produtora de filmes eróticos "Setubal Produções". Carrega bebê-montro em sua bolsa, sua sobrinha Déborah.
SÔNIA - produtora de surubas, dona da casa de sexo grupal "Cê Que Sabe". Simpática, de bem com a vida. Sua única mágoa é um filho que perdeu.
Trovões. Chove muito lá fora. SÔNIA na bilheteria da casa "Cê Que Sabe". VALENTINA já espera lá dentro, agoniada com sua bolsa. RAFAELA chega ali de capa de chuva toda molhada, se dirige a SÔNIA.
R- Boa noite.
S- Uma boa noite pra você.
R-Quanto é que está a entrada?
S- Hoje que é uma noite mais calma é 500 reais.
R- Que é isso! Eu não vou ficar na casa não! É só um encontro! Sou uma profissional. O cliente que marcou aqui.
S- Cheiro interessante você tem. Me permite?
SÔNIA se aproxima para sentir o perfume de RAFAELA.
R- É alfazema.
S- (TOLA) Alfazema não diz que afasta homem?
R- (BUFA IMPACIENTE) Bom. Isso eu já não sei. Vai fazer o desconto?
S- Entra de graça. Se é pra apanhar o cliente, uma simpatia como você. Está em casa. Mas vai querer tirar o capo... o capô... capo... capa... ca... (ESPIRRA)
R- Tudo bem?
S- Desculpa. Um pelinho me coçando o nariz. A capa de chuva. Me dê.
RAFAELA tira a capa de chuva, veste um belo corpete. ELA entrega a capa a SÔNIA que sente a textura da vestimenta.
S- Está molhadinha.
R- É que lá fora está um toró.
Trovões. A luz falha um pouco.
S- Vou colocar aqui na chapelaria.
SÔNIA pega um belíssimo cabide. RAFAELA fascinada.
R- Que cruzeta mais linda!
S- (NUM SUSTO) Oi?
R- A cruzeta! Bárbara!
S- Está falando do cabide?
R- É sim! Uma tesão de cruzeta.
S- Bom. Fique à vontade.
RAFAELA adentra o lugar, VALENTINA se aproxima DELA.
V- Oi.
R- Boa noite.
V- Sozinha?
R- Esperando uma pessoa.
pausa
V- (SEGREDA) Eu trouxe algema! Você gosta? Curte algema?
VALENTINA tira uma algema da bolsa.
R- Não, obrigada.
pausa
V- Luva de pele de coelho? Olha que coisinha mais gostosa! Fáz cócegas!
R- Não estou interessada.
pausa
V- Mas eu tenho aqui uma que vai te fazer cair o queixo!
VALENTINA tira uma estranha caixa de dentro da bolsa. A tomada fica presa pra dentro.
R (CURIOSA) O que é isso?
V- Adivinha!
R- Parece pesado.
V- Um eletrodo indutor orgiástico. (PAUSA) Diz que não ficou chocada.
R- Nossa.
V- Uma mulherona linda assim não vai querer usar? Diz pra mim? Conta no meu ouvidinho.
R- Quero não.
V- Deixa eu ligar pra ver teus olhinhos brilhando!
VALENTINA tenta puxar o fio da tomada de fora da bolsa, sem sucesso.
V- Solta Deborah! Larga! Deborah, se você estragar, vai ter!
R- Deborah?
VALENTINA consegue arrancar o fio da tomada.
V- Ufa! Aqui. (CHAMA) Mocinha?! Tem tomada aqui?
SÔNIA se aproxima descrente. VALENTINA procurando pelas paredes.
S- Não entendi.
V- Tomada fêmea, querida! Pra eu enfiar o meu macho! A coisa funcionar!
S- (DE MÁ VONTADE) Tomada? Aqui, na casa?
V- Aqui não, filha. Na puta que te pariu.
S- Olha lá como fala, heim!
R- Não precisa disso, minha gente. Por favor.
V- Não estou vendo tomada nenhuma nessa joça.
S- (IMPORTANTE) Não tem tomada mesmo não. Não estava no projeto do arquiteto.
V- Arquiteto de c* é r#la. Esse lugar que é de quinta.
S- (FATÍDICA) A maioria do clientes já traz seus apetrechos com a própria bateria.
R- Não há necessidade dessa quizumba, meninas.
S- Então manda essa daí se controlar.
SÔNIA se afasta batendo os pézinhos, revoltadinha.
V- (REVOLTADA) Vamos embora daqui! Vou te levar pra tomar uma champanha! Vamos estourar uma champanha pra celebrar nossa revolta! O nojo que a gente tem desse lugar!
R- Não vou contigo. Pra onde? Estou esperando cliente.
V- (SE DESILUDE) Poxa. Não sabia. Pensei que estava assim à toa. Não imaginei que a distinta dama se tratasse de uma porfissional.
R- Você pode assitir se quiser. Pelo buraco quente da fechadura cuspindo vapor no teu olho. Pode ouvir nossos gemidos, se quiser. Gosta de ver?
V- (PERDIDA) Já é alguma coisa.
R- Mas o meu suor salgado, não. A minha carne na tua carne quente. Aquele calor insuportável.
V- A gente liga o ar condicionado! Vem! Vem pra casa comigo? Não tem jeito de te convencer? Eu sou da Setubal Produções. Já deve ter visto algum filme que eu produzi. "Orquídias Loucas"? "Meu amante tem frieira"? São clássicos do Noir Pornô? Te arranjo um trampo.
R- Não vai dar. Quem sabe em outra ocasião. Adeus.
RAFAELA se afasta. VALENTINA com o coração em frangalhos.
FIM............por enquanto........
VALENTINA - rainha do pornô, dona da produtora de filmes eróticos "Setubal Produções". Carrega bebê-montro em sua bolsa, sua sobrinha Déborah.
SÔNIA - produtora de surubas, dona da casa de sexo grupal "Cê Que Sabe". Simpática, de bem com a vida. Sua única mágoa é um filho que perdeu.
Trovões. Chove muito lá fora. SÔNIA na bilheteria da casa "Cê Que Sabe". VALENTINA já espera lá dentro, agoniada com sua bolsa. RAFAELA chega ali de capa de chuva toda molhada, se dirige a SÔNIA.
R- Boa noite.
S- Uma boa noite pra você.
R-Quanto é que está a entrada?
S- Hoje que é uma noite mais calma é 500 reais.
R- Que é isso! Eu não vou ficar na casa não! É só um encontro! Sou uma profissional. O cliente que marcou aqui.
S- Cheiro interessante você tem. Me permite?
SÔNIA se aproxima para sentir o perfume de RAFAELA.
R- É alfazema.
S- (TOLA) Alfazema não diz que afasta homem?
R- (BUFA IMPACIENTE) Bom. Isso eu já não sei. Vai fazer o desconto?
S- Entra de graça. Se é pra apanhar o cliente, uma simpatia como você. Está em casa. Mas vai querer tirar o capo... o capô... capo... capa... ca... (ESPIRRA)
R- Tudo bem?
S- Desculpa. Um pelinho me coçando o nariz. A capa de chuva. Me dê.
RAFAELA tira a capa de chuva, veste um belo corpete. ELA entrega a capa a SÔNIA que sente a textura da vestimenta.
S- Está molhadinha.
R- É que lá fora está um toró.
Trovões. A luz falha um pouco.
S- Vou colocar aqui na chapelaria.
SÔNIA pega um belíssimo cabide. RAFAELA fascinada.
R- Que cruzeta mais linda!
S- (NUM SUSTO) Oi?
R- A cruzeta! Bárbara!
S- Está falando do cabide?
R- É sim! Uma tesão de cruzeta.
S- Bom. Fique à vontade.
RAFAELA adentra o lugar, VALENTINA se aproxima DELA.
V- Oi.
R- Boa noite.
V- Sozinha?
R- Esperando uma pessoa.
pausa
V- (SEGREDA) Eu trouxe algema! Você gosta? Curte algema?
VALENTINA tira uma algema da bolsa.
R- Não, obrigada.
pausa
V- Luva de pele de coelho? Olha que coisinha mais gostosa! Fáz cócegas!
R- Não estou interessada.
pausa
V- Mas eu tenho aqui uma que vai te fazer cair o queixo!
VALENTINA tira uma estranha caixa de dentro da bolsa. A tomada fica presa pra dentro.
R (CURIOSA) O que é isso?
V- Adivinha!
R- Parece pesado.
V- Um eletrodo indutor orgiástico. (PAUSA) Diz que não ficou chocada.
R- Nossa.
V- Uma mulherona linda assim não vai querer usar? Diz pra mim? Conta no meu ouvidinho.
R- Quero não.
V- Deixa eu ligar pra ver teus olhinhos brilhando!
VALENTINA tenta puxar o fio da tomada de fora da bolsa, sem sucesso.
V- Solta Deborah! Larga! Deborah, se você estragar, vai ter!
R- Deborah?
VALENTINA consegue arrancar o fio da tomada.
V- Ufa! Aqui. (CHAMA) Mocinha?! Tem tomada aqui?
SÔNIA se aproxima descrente. VALENTINA procurando pelas paredes.
S- Não entendi.
V- Tomada fêmea, querida! Pra eu enfiar o meu macho! A coisa funcionar!
S- (DE MÁ VONTADE) Tomada? Aqui, na casa?
V- Aqui não, filha. Na puta que te pariu.
S- Olha lá como fala, heim!
R- Não precisa disso, minha gente. Por favor.
V- Não estou vendo tomada nenhuma nessa joça.
S- (IMPORTANTE) Não tem tomada mesmo não. Não estava no projeto do arquiteto.
V- Arquiteto de c* é r#la. Esse lugar que é de quinta.
S- (FATÍDICA) A maioria do clientes já traz seus apetrechos com a própria bateria.
R- Não há necessidade dessa quizumba, meninas.
S- Então manda essa daí se controlar.
SÔNIA se afasta batendo os pézinhos, revoltadinha.
V- (REVOLTADA) Vamos embora daqui! Vou te levar pra tomar uma champanha! Vamos estourar uma champanha pra celebrar nossa revolta! O nojo que a gente tem desse lugar!
R- Não vou contigo. Pra onde? Estou esperando cliente.
V- (SE DESILUDE) Poxa. Não sabia. Pensei que estava assim à toa. Não imaginei que a distinta dama se tratasse de uma porfissional.
R- Você pode assitir se quiser. Pelo buraco quente da fechadura cuspindo vapor no teu olho. Pode ouvir nossos gemidos, se quiser. Gosta de ver?
V- (PERDIDA) Já é alguma coisa.
R- Mas o meu suor salgado, não. A minha carne na tua carne quente. Aquele calor insuportável.
V- A gente liga o ar condicionado! Vem! Vem pra casa comigo? Não tem jeito de te convencer? Eu sou da Setubal Produções. Já deve ter visto algum filme que eu produzi. "Orquídias Loucas"? "Meu amante tem frieira"? São clássicos do Noir Pornô? Te arranjo um trampo.
R- Não vai dar. Quem sabe em outra ocasião. Adeus.
RAFAELA se afasta. VALENTINA com o coração em frangalhos.
FIM............por enquanto........
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